Projeto Brasil Nação : regressão ideológica

Nos anos 1950-60, na esteira ideológica do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros que JK apoiava), apareceu a figura do intelectual iluminado. Ele era conscientizado e devia “conscientizar” (palavra fetiche da época) o povo “alienado” (outra palavra fetiche). Essa figura inspirou o movimento teatral e cinematográfico, em filmes como Barravento ou Terra em transe de Glauber Rocha.

Em meados dos anos 1970, o filme O Amuleto de Ogum de Nelson Pereira dos Santos rompe com esse intelectual que guia o povo no caminho certo, e propõe um intelectual “a reboque” do povo. Foi uma considerável guinada ideológica.

O Projeto Brasil Nação parece voltar aos anos 1950-60. Extraio do blog The Intercept (3/5/17) fragmentos do manifesto e de falas adjacentes.
“Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro” Quem é “nós”?
É um “projeto de intelectuais; somos todos intelectuais”, deixa bem claro o homem à frente do projeto, o ex-ministro Bresser Pereira.

Dirimindo qualquer dúvida, Fábio Konder Comparato termina seu discurso dizendo que o povo precisa ser “educado”, precisa ser “organizado”, sendo esta a missão [sic] daquele grupo reunido nessa ocasião. Esse povo poderá agir DEPOIS de “educado” (termo da direita, a esquerda preferia “conscientizado”). Conforme essa tese, a ação não gera “educação”. Como a “educação” nunca se completa (é sempre possível ser mais educado), a tese do intelectual esclarecido posterga indefinidamente a ação popular, o que convém à elite e à essa elite redatora do manifesto.

Voltamos ao intelectual esclarecido que vai organizar o “povo” e colocá-lo no rumo certo, sendo que o povo educado é aquele que age (e vota) como a elite esclarecida pensa que ele deve se agir.

Certamente que o PBN prevê “diminuição da desigualdade” e inclusão social, só que essa inclusão não é praticada na elaboração do projeto.

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