Boaventura: a possível extinção do Estado de Israel

Criá-lo foi ato desumano de colonialismo. Extinto, pode dar lugar a Estado plurinacional e secular, onde judeus e palestinos convivam pacífica e dignamente

8/3/2013: Jovem manifestante palestino Un manifestante palestino foge dos guardas de fronteira israelense, durante confrontos contra a expropriação de terras palestinas em Kafr Qaddum

8/3/2013: Jovem manifestante palestino foge dos guardas de fronteira israelense, durante confronto contra a expropriação de terras palestinas em Kafr Qaddum

Por Boaventura de Sousa Santos

Podem simples cidadãos de todo o mundo organizar-se para propor em todas as instâncias de jurisdição universal possíveis uma ação popular contra o Estado de Israel no sentido de ser declarada a sua extinção, enquanto Estado judaico, não apenas por ao longo da sua existência ter cometido reiteradamente crimes contra a humanidade, mas sobretudo por a sua própria constituição, enquanto Estado judaico, constituir um crime contra a humanidade? Podem. E como este tipo de crime não prescreve, estão a tempo de o fazer. Eis os argumentos e as soluções para restituir aos judeus e palestinianos e ao mundo em geral a dignidade que lhes foi roubada por um dos atos mais violentos do colonialismo europeu no século XX, secundado pelo imperialismo norte-americano e pela má consciência europeia desde o fim da segunda guerra mundial.

O termo sionismo designa o movimento que apoia o “regresso” dos judeus à sua suposta pátria de que também supostamente foram expulsos no século V AC. Há, no entanto, que distinguir entre sionismo judaico e sionismo cristão. O sionismo judaico tem origem no antissemitismo que desgraçadamente sempre perseguiu os judeus na Europa e que viria a culminar no holocausto nazi. O sonho de Theodor Herzl, judeu austríaco e grande poponente do sionismo, era a criação, não de um Estado judaico, mas de uma pátria segura para os judeus. O sionismo cristão, por sua vez, é antissemita, e a ideia de um Estado judaico deveu-se a políticos britânicos, sionistas e anglicanos devotos, como Lord Shaftesbury, que, acima de tudo, [1]desejavam ver o seu país livre dos judeus-enquanto-judeus. Eram tolerados os judeus cristianizados (como Benjamin Disraeli, que chegou a ser Primeiro Ministro), mas só esses. Esta tolerância estava de acordo com a profecia cristã de que é destino dos judeus converterem-se ao cristianismo. O mesmo sentimento se encontra hoje entre os evangélicos norte-americanos, que apoiam Israel como Estado judaico, bem como a sua desapiedada expansão colonialista contra os palestinianos, por acreditarem que a redenção total ocorrerá no fim dos tempos, com a conversão dos judeus na Parusia (o regresso de Jesus Cristo).

Terá sido Lord Shaftesbury quem, ainda no século XIX, formulou o pensamento “uma terra sem povo para um povo sem terra” que ajudaria mais tarde a justificar a criação do Estado de Israel na Palestina em 1948. E alguns anos mais tarde, foi outro sionista não judeu (Arthur James Balfour) quem propôs a criação de “uma pátria para os judeus” na Palestina, sem consultar os povos árabes que habitavam esse território há mais de mil anos.

“Os Grandes Poderes” (Áustria, Rússia, França, Inglaterra), lê-se no Memorandum Balfour de 11 de Agosto de 1919, “estão comprometidos com o Sionismo. E o Sionismo, correto ou incorreto, bom ou mau, tem as suas raízes em antiquíssimas tradições, em necessidades atuais e em esperanças futuras, que são bem mais importantes do que os desejos de 700.000 árabes que neste momento habitam aquele antigo território”. Urgia, pois, transformar esses árabes em um não-povo. Em 1948, com o beneplácito dos poderes ocidentais, especialmente da Inglaterra, foi criado o Estado de Israel numa Palestina povoada de árabes e 10% de judeus imigrantes.

Argumentava-se então que havia de se encontrar um espaço para o povo judeu, que ninguém queria receber depois do genocídio alemão. Muito antes dessa catástrofe, os sionistas judeus tinham já pensado em vários locais para[2] o seu futuro Estado. No final do século XIX, a região do Uganda, no que é hoje o Quénia, então colónia inglesa, foi ponderada como um possível local para o futuro Estado de Israel. Um espaço na Argentina chegou também a ser considerado. Mais tarde, auscultado sobre um local no norte de África (no que é hoje a Líbia), o rei da Itália, Victor Emmanuel, terá recusado, respondendo: “Ma è ancora casa di altri”. Mas nenhum europeu, por mais preocupado com a situação dos judeus, jamais pensou num lugar dentro da própria Europa. Havia que inventar-se “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Mesmo que fosse necessário obliterar um povo. E assim se vem paulatinamente eliminando um povo da face da terra desde há sessenta e seis anos. A Cisjordânia palestiniana vem sendo desmantelada pelos colonatos ilegais e a Faixa de Gaza transformada em prisão a céu aberto. A extrema-direita israelita é apenas mais estridente do que o governo ao reclamar que os “árabes fedorentos de Gaza sejam lançados ao mar”. O que é espantoso, comenta o historiador judeu israelita, Ilan Pappé em The Ethnic Cleansing of Palestine (2006), é ver como os judeus, em 1948, há tão pouco tempo expulsos das suas casas, espoliados dos seus pertences e por fim exterminados, procederam sem pestanejar à destruição de aldeias palestinianas, com expulsão dos seus habitantes e massacre daqueles que se recusaram a sair. O controverso comentário de José Saramago de há alguns anos de que o espírito de Auschwitz se reproduz em Israel faz hoje mais do que nunca.

Assim foi sacrificada a Palestina, invocadas razões bíblicas e históricas, que a Bíblia não sanciona e a história viria a desmistificar. Muitos judeus, como os que constituem a Jewish Voice for Peace, não são sionistas e consideram que o Estado de Israel, nas condições em que foi criado (um território, um povo, uma língua, uma religião) é uma arcaica aberração [3] colonialista fundada no mito de uma “terra de Israel” e de um “povo judaico”, que a Bíblia nem sequer confirma. Como bem demonstra, entre outros, o historiador judeu israelita, Shlomo Sand, a Palestina como a “terra de Israel” é uma invenção recente (The Invention of the Land of Israel, 2012). Aliás, ainda segundo o mesmo autor, também o conceito de “povo judaico” é uma invenção recente (The Invention of the Jewish People, 2009).

A criação do Estado judaico de Israel configura um crime continuado cujos abismos mais desumanos se revelam nos dias de hoje. Declarada a sua extinção, os cidadãos do mundo propõem a criação na Palestina de um Estado secular, plurinacional e intercultural, onde judeus e palestinianos possam viver pacifica e dignamente. A dignidade do mundo está hoje hipotecada à dignidade da convivência entre palestinianos e judeus.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos

Leia Também:

29 comentários para "Boaventura: a possível extinção do Estado de Israel"

  1. Dinio disse:

    “Esta tolerância estava de acordo com a profecia cristã de que é destino dos judeus converterem-se ao cristianismo.O mesmo sentimento se encontra hoje entre os evangélicos norte-americanos, que apoiam Israel como Estado judaico.”
    Este parágrafo acima, do texto (muito esclarecedor), nos mostra a “missão fundamentalista” e perigosa de Edir Macedo e seu “templo do Rei Salomão”.
    O povo Brasileiro, as instituições Brasileiras, todos nós temos que estar muito atentos e vigilantes aos passos do “Meciânico Bispo”. Sua Seita é hoje um poderio Mediático, Ideológico e Fundamentalista, quase comparado às Organizações Globo. Sou um ouvinte de rádio incorrigível. E ao ouvir rádios como a Guaíba/Porto Alegre, percebe-se a descaracterização do veículo, ao ser adquirido pela Seita do Bispo Edir. A rádio antes era muito mais preocupada em informar a população e ser isenta, do que vemos hoje. Escutar a Guaiba hoje, infelizmente é igual que escutar a Gaúcha do grupo RBS. Seus “fundamentos jornalísticos”, se é que se pode chamar isto de jornalismo, são idênticos, quais sejam: – Bater no Estado e nos políticos, fragilizá-los, torná-los menos importantes à opinião pública, se possível eleger seus funcionários em cargos políticos estratégicos (ex.: Ana Amélia/Lazier Martins – RBS) para deixar o Estado refém de seus interesses comerciais e “Bíblicos”!
    Fica meu alerta, que não tem nada de profético, mas sim o pensamento de quem acompanha os movimentos políticos e seus interesses peculiares. O nosso
    Amado Brasil -terra de todos os Brasileiros- é um Estado Laico, portanto sem religião, em que todos os seus cidadãos têm o DIREITO, de ter suas crenças e praticá-la em PAZ !!! E mais, o tamanho CONTINENTAL do nosso Brasil, e suas
    riquezas imensas, despertam interesses e INVEJAS em qualquer Israel, Estados
    Unidos ou Europa da vida. E os BRICS são uma ameaça aos interesses comuns destes 3 IRMÃOS que citei. Portanto OLHO ABERTO BRASILEIROS!!!
    Só continuaremos grandes e fortes se formos unidos, ou seja se formos um único POVO BRASILEIRO DE UMA ÚNICA NAÇÃO…BRASIL!

    • rsrsrs palestinos aceitarem conviver com israelenses? se vc lesse a bíblia, ao invés de pequenos trechos bíblicos e também lesse o alcorão, saberia q não há como muçulmanos conviverem amistosamente com cristãos e judeus, se vc tiver alguma dúvida caro jornalista, sugiro tentar passar uma temporada nos territórios dominados pelo ISIS e se dizer judeu ou cristão.

      • boa tarde elisabethcavalcanti , quer discutir a bíblia ? você L~e a bíblia ou usa ela como desodorante ? (coloca no sovaco aos domingos e sai pelas ruas pregando APENAS o ponto de vista peculiar de seu pastor ou de sua igreja de pedras) ? Digo pois o que sugere é apenas referente ao Talmud Judaico que é a biblia satãnica deles , pois a do nosso grande DEUS pregou os ensinamentos à lei e ordem , e o do nosso SENHOR JESUS CRISTO prega o amor,paz e compaixão ao tempo da graça …
        Ou prefere falar de história ? que antes da criação de israHELL Árabes Mussulmanos, Palestinos Nazarenos, e Judeus ortodoxos e Messiânicos viviam EM PAZ no mesmo solo e bebiam da mesma água ?
        Por favor repense sobre a falácia das idéias que lhe contaram sobre mussulmanos e cristãos nazarenos (os verdadeiros cristãos de nazaré ,…
        Fique com Deus e tenha abençoado e principalmente iluminado final de semana, que a verdadeira palavra de CRISTO lhe seja revelada !

      • Cesar Ferreira disse:

        O Oriente Médio só se tornou esse inferno depois que Israel foi metido lá a força em 1947. Antes judeus e muçulmanos viviam em paz.
        https://estilo.catracalivre.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2014/08/9-Uma-mulher-mu%C3%A7ulmana-cobre-a-estrela-amarela-de-sua-vizinha-judia-com-o-v%C3%A9u-para-proteg%C3%AA-la.-Sarajevo-ex-Jugosl%C3%A1via-1941.jpg
        (mulher muçulmana cobre a estrela amarela de sua vizinha judia com o véu para protegê-la. Sarajevo, ex-Jugoslávia – 1941)
        A propósito… te recomendo passar uma temporada em Israel e se dizer uma palestina muçulmana que não aceita ter sua casa derrubada para construir mais um assentamento de colonos invasores.

        • Eliezer Menda disse:

          Judeus e Muçulmanos nunca viveram em paz. O antisemitismo no mundo árabe foi mais intenso que na Europa mas e ignorado pela historia, parte por falta de fontes ou interesse, parte por ter sido escrita pelos proprios árabes.
          http://en.wikipedia.org/wiki/Antisemitism_in_the_Arab_world

          • Cesar Ferreira disse:

            Eliezer, você diz que os judeus eram perseguidos mais pelos árabes do que pelos ocidentais e diz que isso não se conhece por falta de dados históricos confiáveis. Bem, isso é uma argumentação não falseável, logo não tenho o que discutir.
            Mas vamos admitir que seja verdade, o que isso invalida o argumento de que até 1947 árabes e judeus viviam em paz? E o que isso tem a ver com antisemitismo?
            Quero dizer, se um sujeito bate na sua porta e diz para você ir embora porque os donos do poder por razões ideológicas deram sua casa pra ele, você ficaria com raiva dessa pessoa e dos poderosos, certo?
            Agora me diga, alguém em são consciência poderia afirmar que esse ódio deriva de preconceito?
            Recomendo ver o excelente documentário abaixo, assista particularmente a entrevista com o rabino Hecht a partir do minuto 29:25.
            http://www.youtube.com/watch?v=-OOGBF-s2Zs

        • marco disse:

          Antes de repetir igual a um papagaio as noticias que ouve, aprenda sobre o assunto.

      • Maria Madalena disse:

        Elisabeth concordo com voce. O islã está arrebanhando gente em toda a EUROPA são mais de 1600 homens que se propuseram a seguir o isla. O ideal deles é acabar com a religiao cristã na Inglaterra, pois acham que esse pais é a entrada do Islã na Europa. O que eles tem mais combatido é a estranha tolerancia mundial colocados sob egide de direitos humanos. Naturalmente, muito brasileiros desconhecem a totalidade do que esta acontecendo. E pensam que o Isla irá tolerar minorias. Não vai tolerar, eles se propoe a ter UMA ECONOMIA, um governo e uma RELIGIAO . O resto tem que ser destruido

        • Cesar Ferreira disse:

          Maria, seu argumento embute a idéia de que apoiar Israel serve para nos proteger dos islâmicos malucos. Explique então como uma coisa serve a outra. Quero dizer, se Israel fosse obrigado a voltar as fronteiras de 67 e admitisse a existência do estado da Palestina, isso aumentaria o problema do islamismo radical?

      • Oscar Chassagnes disse:

        rsrsrs e mais rsrsrs, Senhora e que tem que ver o ISIS com todo isto? (desculpe meu portunhol). Que tem que ver eles com o verdadeiro espírito do Islam. É o mesmo que quer ver no Torquemada e a selvageria da Inquisição o espírito do Cristianismo e confundir sionismo com o povo hebreu.
        Em “O Jerusalém” Lapierre e Collins (que não tem nada de amantes da causa palestina) descrevem como viviam na Palestina antes da arbitraria partição que comenta Sousa Santos, viviam sem guerras. Como viviam judeus, muçulmanos e cristãos nos territórios ibéricos ocupados pelos muçulmanos antes da Reconquista.

  2. Ashlon disse:

    De fato, é inteiramente possível ser um intelectual e ter opiniões que passam longe do bom senso, às vezes… Trágico.

  3. 1000 anos? É um equívoco, não? Os povos árabes começaram a ocupar quando da expulsão dos judeus pelos romanos em 70 d.c, ou seja, o povo judeu, hebreu, vivia nessas terras muito antes. Daí ter que se considerar não só em consequencia da invasão romana, mas, de muitos outros, tais como o Império Babilônico, Persa e muitos outros.

  4. Fernando Fidelis Vasconcelos disse:

    Faz pensar: Israel, criação de um lugar para onde enviar judeus indesejados.

  5. Eliezer Menda disse:

    ‘Criá-lo foi ato desumano de colonialismo.’
    Portugal foi criado nos seculos XI-XII conquistando terras arabes, expulsando e matando mouros.
    Portugal tornou se um imoral colonizador, no Brasil, na Africa, Na Asia nos seculos XVI- XX.

  6. Boaventura parece conhecer somente aquilo que lhe interessa sob o ponto de vista ideológico. Acredita em Sand, Levy(?) e outros por suposto. Por certo desconsidera Ben Morris e todo o desenrolar da história nesses 67 anos. Desconsidera a opção feita pelos árabes desde a primeira hora e agora, alinhado com a esquerda israelense desacreditada (mundo afora idem), propõe algo que nem mesmo os árabes aceitam, a não ser para subjugar e talvez em seguida promover o extermínio judeu. Faço minhas as suas palavras, ouvidas quando em diálogo com Tarso Genro e válidas pelo menos para essa ocasião: a Europa, e muito menos o senhor, não tem alguma coisa para ensinar ao resto do mundo. Recolha-se!

  7. Eu pensaria antes em declarar desnecessária a existência de um país chamado Brasil, onde a corrupção corre solta, onde os preconceituosos de plantão tem guarida, onde se inverte valores, onde gente padece de fome no nordeste, onde o povo não tem educação e morre nas filas dos hospitais porque o dinheiro foi gasto com estádios para a Copa. Eu pensaria em pedir a extinção da Síria, onde se matam crianças, negros, homossexuais, onde se mutilam mulheres. Este sim é um Estado aberração, onde ninguém tem direitos, onde de cortam cabeças, e não o Estado Judeu onde todos vivem, com iguais direitos. Eu pensaria em extinção de grupos terroristas como Hamas, que executa quem quer que seja, porque assim o deseja. Eu pensaria novamente no Hamas, que não luta pela paz e sim para instalar um estado religioso que tem a mesma tolerância com mulheres, homossexuais, negros e judeus que a Síria. Eu pensaria em ir nas origens do ódio. Eu pensaria em buscar os motivos pelos quais as fronteiras dos territórios palestinos são mais fechadas que as fronteiras com Israel. Faz pensar nos judeus indesejados, que foram roubados por Hitler e sua corja na Segunda Guerra Mundial e não tinham para onde ir. Foram roubados descaradamente. Claro que seriam indesejados, porque os que restaram da Solução Final eram a prova viva da maior atrocidade que o mundo foi capaz de conceber até hoje. Ou todos desconhecem a história?

  8. Stefano disse:

    o regime sionista quer cavar a própria cova
    PS: 1 verdade inconveniente
    https://www.youtube.com/watch?v=uE2hsaHAEX0

  9. simone flores disse:

    Texto mentiroso e enganador…como diz o amigo aí de cima, “De fato, é inteiramente possível ser um intelectual e ter opiniões que passam longe do bom senso, às vezes… Trágico.
    do bom senso e do bom conhecimento…não é porque o cara tem estudo que domina esse tema tão complexo…e o pior, escreve detalhes fundamentadas em sua própria ótica, no “achismo” tergiversante…lástima…

  10. carlos david disse:

    Uma vergonha este artigo, onde o autor mostra pouco conhecimento bíblico, além de adotar claramente uma postura antissemita.

    • Oscar Chassagnes disse:

      Os sionistas sempre querendo passar por vítimas, matam como mataram os fascistas, com a mesma ideologia, as mesmas justificativas. Quando são convocados para olhar os fatos sempre o mesmo mantra “postura antissemita”. Parem o assassinato, evidentemente o governo de Israel é criminal de guerra, não tem como disfarçar

  11. Paulo Cesar Kullock disse:

    “Os Grandes Poderes” (Áustria, Rússia, França, Inglaterra), lê-se no Memorandum Balfour de 11 de Agosto de 1919, “estão comprometidos com o Sionismo. E o Sionismo, correto ou incorreto, bom ou mau, tem as suas raízes em antiquíssimas tradições, em necessidades atuais e em esperanças futuras, que são bem mais importantes do que os desejos de 700.000 árabes que neste momento habitam aquele antigo território”. Não tem nada disto no dito Memorando, que pode ser consultado em http://en.wikipedia.org/wiki/Balfour_Declaration#mediaviewer/File:Balfour_Declaration_in_the_Times_9_November_1917.jpg . Quem quiser acreditar, depois disto, no que o missivista diz, que acredite…

  12. Gostaria só de informar que um dos locais onde esteve mesmo prestes a ser criada uma pátria sionista foi em Angola e a questão foi amplamente debatida, em 1912, no Parlamento Português. Uma das Câmaras aprovou mesmo. O projeto era encarado como uma espécie de reparação moral por D. Manuel ter expulso os judeus de Portugal. Façamos um exercício de História Virtual: caso a 2ª Câmara tivesse aprovado, como estaria hoje a questão?

  13. Siqueira Junior disse:

    Só Israel é um país sem governo laico na região? Todos os regulas mulçumanos da região se fundamentam no islã para manter suas regimes de terror e perseguir, não apenas, cristãos e judeus, mas também, sues desafetos políticos! Será que neste espaço também vale aquela máxima que diz: o inimigo do meu inimigo é meu amigo? Está mais do que na hora dos pesadores progressistas pararem de acusar Israel com críticas que valem também para todas as nações do oriente médio! Cabe aqui ressaltar que Israel é uma DEMOCRACIA, até israelenses árabes votam! Quem vota na Jordania? Quem vota na Arabia Saudita? Quem sabe?

    • Cesar Ferreira disse:

      Vou confessar uma coisa, não me considero exatamente um “progressista”. Coisa que está associado a quem defende os palestinos. Minha implicância, digamos assim, é contra a mentira. E é impressionante como quem defende os israelenses usam argumentos falaciosos…
      Pela milésima vez para os analfabetos geográficos, no oriente médio existem além de Israel, Arábia Saudita e a Jordânia mais alguns outros países. Entre eles Turquia, Irã e Líbano. E nesses três países existe democracia apesar de que no Irã o Estado não é laico. Mas vamos combinar, na prática Israel também é laico?
      Além disso, o que serve como argumento dizer que A ou B é democrático. Os EUA sempre foram democráticos assim como a África do Sul. E nesses países o racismo oficial de Estado perdurou até a década de 60 e 90 respectivamente. Ou seja, ser democrático não é garantia alguma de que o país esteja certo em tudo.
      Evoluam criaturas!

      • Siqueira Junior disse:

        Meu caro, sinceramente estou decepcionado, não apenas com você, mas também com muitos que aqui deixam suas opiniões.
        Em primeiro lugar, cabe aqui ressaltar seu paragrafo final: “ Evoluam criaturas”.
        Ora, escrever isso, denota um ser que se acredita superior aos outros e, portanto, proprietário do saber absoluto e inquestionável! Os regimes totalitários são formados por indivíduos com esta crença sobre si próprios. Um perigo não concorda?
        Em segundo lugar, eu escrevi que Israel NÃO é laico! Ou seja, eu também sei que é um Estado de exceção , que exclui as pessoas por não comungarem de suas crenças religiosas. Entretanto, em 38 anos de idade e acompanhando o desenrolar dos fatos na região desde os 7 anos, nunca ouvi falar que neste lugar uma mulher foi apedrejada até a morte por ter sido acusada de adultério, que um homossexual foi decapitado por sua orientação sexual, que um mulçumano foi proibido de praticar sua religião ou que algum judeu tenha sido morto pelos próprios parentes por se converter ao cristianismo ou ao islamismo.
        Em terceiro lugar, penso eu que taxar as pessoas que tem uma percepção de mundo diversa da minha como “analfabetos” em nada colabora para a solução do problema, seja lá qual for, mas acirra, ainda mais, o debate e de maneira alguma contribui para a solução pacífica que as pessoas mais evoluídas sempre desejam. Não é?
        Em ultimo lugar, eu gostaria de sua opinião sobre uma coisa: Será que não admitir a existência de Israel ou da Palestina não é o mesmo tipo de ódio irracional que leva pessoas a atacarem homossexuais, que discrimina pessoas pela cor da pele ou por ser estrangeiro, que exclui seres humanos da participação na sociedade, na educação, na saúde, por pertencerem a uma classe social menos favorecida?
        Sabe meu caro, discutir ideias é atitude de pessoas evoluídas, entretanto, discutir pessoas, penso eu, é coisa de gente medíocre. Você discorda?

        • Cesar Ferreira disse:

          ****
          “Em primeiro lugar, cabe aqui ressaltar seu paragrafo final: “ Evoluam criaturas”.
          Ora, escrever isso, denota um ser que se acredita superior aos outros e, portanto, proprietário do saber absoluto e inquestionável! Os regimes totalitários são formados por indivíduos com esta crença sobre si próprios. Um perigo não concorda?”
          ****
          Concordo com a conclusão. Agora note, o meu “evoluam criaturas” é um critica específica a sua ignorância sobre geografia. Se você é um analfabeto geográfico e eu aponto isso, a única resposta aceitável é assumir sua ignorância. Fugir de admitir o erro e fazer cortina de fumaça comentando interpretações subjetivas e concluindo a forma de pensar dos outros é inaceitável.
          ****
          “Em segundo lugar, eu escrevi que Israel NÃO é laico!”
          ****
          Verdade, li erradamente sua frase “Só Israel é um país sem governo laico na região?”.
          ****
          “Entretanto, em 38 anos de idade e acompanhando o desenrolar dos fatos na região desde os 7 anos, nunca ouvi falar que neste lugar uma mulher foi apedrejada até a morte por ter sido acusada de adultério, que um homossexual foi decapitado por sua orientação sexual, que um mulçumano foi proibido de praticar sua religião ou que algum judeu tenha sido morto pelos próprios parentes por se converter ao cristianismo ou ao islamismo.”
          ****
          Novamente, isso não é válido para todos os países do OM. E mesmo que fosse, e daí? Isto é, o que interessa saber que os vizinhos de Israel têm penas capitais para comportamentos sociais que no ocidente não são considerado crimes? Ou seja, o que isenta o regime de apartheid de Israel e sua guerra de limpeza étnica pelo fato, por exemplo, de no Irã ter pena capital para adultério? Mas não precisa responder, eu respondo…
          A coisa mais sórdida que um sujeito faz para justificar seu crime é desumanizar sua vitima. Vou ser didático… Se por exemplo eu preciso escravizar os índios e acreditamos que escravizar nosso semelhante é pecado, qual a saída? Simples, passamos a dizer que os índios não têm alma.
          ****
          “Em terceiro lugar, penso eu que taxar as pessoas que tem uma percepção de mundo diversa da minha como “analfabetos” em nada colabora para a solução do problema, seja lá qual for, mas acirra, ainda mais, o debate e de maneira alguma contribui para a solução pacífica que as pessoas mais evoluídas sempre desejam. Não é?”
          ****
          Você dá a entender que Israel é a única democracia do OM e isso está errado, ponto. E essa falácia foi inventada para propósitos sórdidos de desumanização. Logo chamá-lo de analfabeto geográfico é na verdade pegar leve no debate porque pegar pesado seria dizer que você é uma pessoa servindo a propósitos sórdidos.
          ****
          “Em ultimo lugar, eu gostaria de sua opinião sobre uma coisa: Será que não admitir a existência de Israel ou da Palestina não é o mesmo tipo de ódio irracional que leva pessoas a atacarem homossexuais, que discrimina pessoas pela cor da pele ou por ser estrangeiro, que exclui seres humanos da participação na sociedade, na educação, na saúde, por pertencerem a uma classe social menos favorecida?”
          ****
          Ódios podem ser “irracionais”, mas servem a um propósito. Isto é, oprimir pessoas tem por objetivo garantir privilégios. O detalhe é que para um ser humano oprimir outro, ele precisa antes sentir ódio ou desprezo pela vítima.
          ****
          “Sabe meu caro, discutir ideias é atitude de pessoas evoluídas, entretanto, discutir pessoas, penso eu, é coisa de gente medíocre. Você discorda?”
          ****
          Concordo. E uma coisa que particularmente abomino é adjetivar meu interlocutor no debate. Claro, chamar de ignorante ou analfabeto sobre uma opinião objetiva não se enquadra a isso apesar de estar ciente que tal crítica possa ofender pessoalmente. Mas vamos voltar a objetividade e perguntar:
          ISRAEL É A ÚNICA DEMOCRACIA DO ORIENTE MÉDIO?

          • Olá
            Não seria mais interessante virarmos o debate para a questão que coloquei: e se o Parlamento português, que quase aprovou uma pátria judaica em Angola, tivesse seguido com o projeto?
            Reparem que estávamos ainda em 1912…ainda nem a 1ª GG tinha acontecido!
            O estudo que mostra todo o projeto está na conhecida obra do Professor Doutor João Medina (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) «Oh, A República!».
            Saudações
            Odília Gontardo Freitas

          • Cesar Ferreira disse:

            Odília, obviamente daria mais certo se Israel fosse criado sem a necessidade de expulsar abruptamente milhões de pessoas. O problema é que cultura ocidental despreza povos menos desenvolvidos.
            Ou seja, por essa forma de pensar a população palestina que lá vivia e nada era a mesma coisa. Logo esse aspecto nunca teve chance de sobrepujar os critérios baseados em simbolismos históricos, infelizmente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *