canal*MOTOBOY: o retrovisor do mundo cão

Metáforas do caos da Paulicéia Desvairada, os motoqueiros são pessoas, são trabalhadores, são repórteres. Ninguém melhor do que eles para retratar a realidade corrosiva das quebradas da cidade

(por Carolina Gutierrez)

Experiências contadas pelos participantes da quinta (des)conferência traduziram em prática algumas reflexões ao redor da mídia livre. A mais peculiar talvez tenha sido a do canal*MOTOBOY, no qual 12 motoqueiros de São Paulo são os repórteres da cidade. Munidos de aparelhos celulares, fotografam, entrevistam e gravam fatos do cotidiano metropolitano.

Diretamente de celulares, eles revelam os fatos das ruas de São Paulo. Todos os dias, transmitem fotos, entrevistas e vídeos em tempo real para o site do canal. O projeto surgiu em dezembro de 2002, quando o espanhol Antoni Abad percebeu que a rede de motoboys poderia transformar-se numa teia de informações. Segundo Abad, “os motoqueiros são as artérias informantes da grande urbe.”

A matéria é produzida a partir da própria percepção de mundo do motoqueiro, o que possibilita outro olhar sobre a cidade. “A gente faz notícias do ‘corre’ da cidade grande. O que a polícia e a imprensa não podem fazer, a gente faz”, contou Cleyton, um dos integrantes do projeto.

TEXTO-MEIO

Um das situações mais curiosas e relevantes dessa história toda é que, além de informar de maneira criativa, as matérias servem de fonte para a grande imprensa, sobretudo as imagens. Os mensageiros de motocicleta são fazedores de mídia – mídia motoboy, mídia livre – dos corredores da cidade.

Leia mais:

A revolução cultural dos motoboys

Acesse:

canal*Motoboy

TEXTO-FIM
The following two tabs change content below.