Como os EUA depredam a economia dos emergentes

Política protecionista de Trump combinada com elevação da taxa de juros pretende novo desenho na economia mundial, com prejuízos brutais para os países subdesenvolvidos e emergentes

Por André Galhardo*

Os impactos das guerras comerciais que se instalaram podem ser inúmeros e potencialmente destruidores. Não que na era pré-Trump não houvesse fortes disputas comerciais. Para nos aproximar de um assunto que tem se tornado o eixo central do novo protecionismo dos Estados Unidos, é importante ressaltar que foram abertos 41 processos de investigação de dumping junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) só tratando sobre aço, em 2015 — contra 23 em 2012 e 2013.

O assunto em si não é novo. Representando quase um quarto do PIB mundial, as trocas de mercadorias entre os países são constantemente alvo de disputas judiciais e discussões que fazem estremecer as relações diplomáticas dos protagonistas de um conflito comercial. O fato é que, desta vez, levando em consideração a excentricidade de Donald Trump, a situação parece um pouco mais delicada.

Nos últimos dois anos (2016 e 2017) os Estados Unidos realizaram um déficit comercial da ordem de US$ 1,56 trilhão. No mesmo período, o déficit mensal médio foi de US$ 65 bilhões. Resultado que foi parcialmente suavizado pelos recorrentes superávits nos intercâmbios de serviços. Não é pouca coisa e, apenas para dimensionar o que são US$ 1,56 trilhão, vamos converter isso ao Real (R$), usando a cotação comercial de 23 de março, R$ 3,31. O resultado é de R$ 5,18 trilhões, quase tudo o que o Brasil demora um ano para produzir.

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A era dos muros?

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Passados 28 anos de Berlim-1989, surgiram 70 barreiras para impedir a imigração dos mais pobres. Milhares morrem ao ano tentando barrá-los. E há os muros invisíveis — inclusive no Brasil

Por Karina Quintanilha

Em meio a protestos de massa que tem sacudido os Estados Unidos e vários países pelo mundo desde a posse de Donald Trump, o presidente norte-americano anunciou que pretende seguir com seu plano de construir um muro ainda mais extenso do qual já existe para isolar completamente a fronteira entre Estados Unidos e México.

Nas palavras de Trump: “Não é apenas política. O muro é necessário, é bom para o coração da nação. As pessoas querem proteção e o muro protege. Basta perguntar a Israel. Tinham um absoluto desastre do outro lado”. Continuar lendo