Automação: a ambígua Revolução dos Robôs

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Novo estudo sugere: nos próximos vinte anos, máquinas inteligentes eliminarão um terço dos trabalhadores – e poderão gerar crise social inédita. Há alternativas, porém

Por Antonio Martins

No Japão, robôs alocados na linha de produção de automóveis já trabalham, sem descansar um segundo e sem supervisão, por trinta dias ininterruptos. Em todo o mundo, foram realizadas, no ano passado, 570 mil cirurgias assistidas por robôs; e no Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, um supercomputador que dá assistência a elas é capaz de ler e processar 1 milhão de textos por segundo, para orientar diagnósticos e procedimentos. Em breve, será possível transferir para máquinas profissões penosas (como chapeiro em restaurantes industriais), subalternas (como cuidador de idosos) ou maçantes (como analista de crédito). Mas todos estes desenvolvimentos, que poderiam aliviar a vida humana, estão prestes a se converter num tormento, multiplicando desigualdade e desemprego.

Estas observações não vêm de estudos hipotéticos de intelectuais marxistas, mas de um relatório ainda inédito, produzido pelo Bank of America e relatado na edição de hoje do Guardian. Está em curso, diz o estudo, uma quarta revolução industrial – depois da máquina a vapor, da produção em massa e da eletrônica. Continuar lendo

TEXTO-FIM

Buenos Aires institui bolsa-escritor

Cidade, que tem centenas de pequenas livrarias, vai homenagear quem a enriquece com ficção e poesia

Conhecida por sua tradição literária, cidade oferece R$ 2 mil mensais para assegurar vida digna a ficcionistas e poetas que passaram dos 60

Por Laís Bellini

Aconchegante e envolvente, Buenos Aires sempre teve, em suas ruas, a presença de gigantes literários. Vinho tinto, clima, praças, cafés e livrarias aos montes têm, agora, a companhia de um novo atrativo: a prefeitura está concedendo pensões aos escritores, como forma de complementar sua renda.

Desde que promulgada, a lei que estabelece o benefício já alcançou mais de 80 escritores — e eles podem receber o equivalente a R$ 2 mil mensais. A política amplia o esforço do país para consolidar e desenvolvera ainda mais sua já forte tradição literária espanhola: dentre os 22 autores escolhidos recentemente pela revista Granta como os melhores romancistas jovens que escrevem em espanhol, oito são argentinos. Além das pensões, a cidade oferece subsídios para editores independentes e isenções de impostos na compra de livros. Continuar lendo

Renda Básica: assistência ou pós-capitalismo?

Debate provocador em São Paulo: Guy Standing diz que sociedades – e esquerda – vão se tornar insuportáveis, se não adotarem e radicalizarem programas como Bolsa-Família

Por Antonio Martins


Sobre o tema:
Precariado, rebeldia e renda cidadã
Uma nova classe social multiplica-se e questiona bases do capitalismo oligárquico. Esquerda institucional não pode continuar sem propostas para ela (Por Guy Standing)

Embora sejam muito populares entre as maiorias, e produzam mudanças sociais notáveis onde aplicados, programas como o Bolsa-Família permanecem, ainda hoje, ameaçados por um fantasma: a chamada “porta de saída”… Para os conservadores, e mesmo para diversos setores da esquerda, eles são, no máximo, uma transição provisória. Amenizam a pobreza, mas não oferecem perspectivas. Precisam ser substituídos, assim que possível, por políticas que gerem empregos e desenvolvimento. Tal ponto de vista é retrógrado, inconsistente e elitista, pensa o economista Guy Standing. Ele vai expor suas ideias nesta sexta-feira (29/6), na Faculdade de Saúde Pública da USP, num seminário em que também estarão presentes o senador Eduardo Suplicy e o secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer.

Standing é um dos co-presidentes da Rede Planetária pela Renda Básica (BIEN, na sigla em inglês). Ele está convencido de que as políticas de redistribuição monetária da riqueza social permitem enfrentar a ultra-concentração de riquezas, produzida pelo capitalismo contemporâneo. Poderiam, além disso, resgatar a esquerda da Europa (e de outras partes do mundo…) do atoleiro em que se meteu há pelo menos trinta anos, quando mudaram rapidamente os mecanismos de acumulação do capital. Continuar lendo