Outra Política: Fala Douglas Belchior, candidato a deputado federal

A presença nos movimentos negros. Periferias e Lulismo. Segurança, tema incômodo. Anti-racismo: Igualdade ou Meritocracia? Mudar a política por dentro ou por fora?

Entrevista: Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

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Os evangélicos, muito além do preconceito


Pesquisadora afirma, em livro recém-lançado: esquerda comete erro fatal ao tratar pentescostais como um bloco coeso. Hà enorme diversidade entre eles. Voltar-lhes as costas, ou estigmatizá-los, é fazer o jogo dos pastores reacionários

Magali do Nascimento Cunha, entrevistada por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

 

Por um novo projeto para as cidades brasileiras

Ermínia Maricato conta como elas regrediram nos últimos trinta anos e anuncia: vem aí uma mobilização nacional para resistir à especulação imobiliária e a segregação urbana. Veja como participar

Entrevista a Antonio Martins

Paulo Motoryn: Junho é a única saída

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“Feminismo, periferia e movimento negro devem reinventar a luta social no Brasil. É inadmissível que as direções de movimentos sociais e partidos ainda sejam compostas quase sempre apenas por homens, brancos, heterossexuais e ricos”

Por Paulo Motoryn


Outras Palavras está indagando, a pessoas que pensam e lutam por Outro Brasil, que estratégias permitirão resgatar o país da crise (Leia a questão completa aqui e veja todas as respostas dos entrevistados aqui).

É preciso entender os retrocessos e a perda de direitos que estamos submetidos, mas é ainda mais importante reconhecer um novo ciclo de lutas que eclodiu em junho de 2013 e constituiu a única saída possível para o atual momento político. Dar a devida importância às Jornadas de Junho é fundamental para compreender as ocupações de escolas em todo o Brasil 2015 e 2016, o movimento feminista e seus levantes cada vez mais potentes e o surgimento de inúmeros coletivos auto-organizados de arte e mídia do centro às periferias.

Não se tratam de “novos sujeitos”, como certos acadêmicos tentam rotular. São lutas históricas, mas que agora ganham novas estratégias: se apropriam das novas tecnologias de comunicação, apostam em uma interessante disputa de valores estéticos e se organizam de forma menos vertical e autoritária que os partidos e movimentos sociais da esquerda tradicional. É necessário que essas experiências reinventem a luta social no Brasil. Continuar lendo

Para examinar em profundidade a onda evangélica

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Outras Palavras exibe e discute Púlpito e Parlamento. Produzido por Felipe Neves, filme sugere que poder pentecostal é mais enraizado que pensamos – porque apoia-se em sólido trabalho político e social de base


Cine-Debate: Púlpito e Parlamento
Quarta-feira, 18 de maio, às 19h30
Rua Conselheiro Ramalho, 945 – São Paulo (mapa)– Metrô São Joaquim ou Brigadeiro
Ingresso: contribuições voluntárias
Confirme sua presença e divulgue

No remoinho de novidades chocantes em que o governo ilegítimo de Michel Temer tenta envolver o país, certas perguntas ainda estão sem resposta. Ao propor um leque tão vasto de medidas retrógradas e antipopulares – o corte de direitos dos usuários do SUS é a mais recente –, Temer e os que o apoiam sobreviverão? Por que eles não temem os movimentos de resistência, que também se espalham rapidamente? Cometem um erro de cálculo brutal ou imaginam que os protestos não atingirão sua base – composta inclusive pela poderosa bancada evangélica?

Púlpito e  Parlamento, filme que Outras Palavras exibirá nesta quarta-feira (17/5), às 19h, convida, precisamente, a examinar melhor a crescente influência pentecostal na vida política brasileira. O autor, Felipe Neves, um jovem jornalista, não esconde sua repulsa diante de figuras como o deputado Pastor Feliciano. Mas sugere ir além: a oposição a Feliciano e seus iguais não será eficaz enquanto não compreendermos em profundidade as raízes de sua força e, num certo sentido, enquanto não a questionarmos lá mesmo onde ela se fincou.

Felipe conhece esta força de perto. Crescido em família evangélica, ela acompanhou em casa a simbiose que os pastores pentecostais buscam promover entre fé, socialização e opções políticas, Há dois anos, foi a campo para investigar este fenômeno num plano menos restrito. Colheu dezenas de depoimentos, em trinta horas de gravação em São Paulo, Rio e Brasília. Desta pesquisa resultou o filme.

Uma das principais recomendações que despontam da obra é não enxergar os evangélicos nem como rebanho, nem como grupo uniforme. “São mais de 40 milhões, divididos em inúmeras denominações, cada uma com códigos sociais, culturais e políticos próprios”, frisa o diretor. A presença pentecostal está tão capilarizada pelo país – especialmente nas periferias em grotões – quanto seus templos. Em muitos sentidos, eles ocuparam o espaço que a esquerda abandonou, com a institucionalização de partidos como o PT e o declínio das Pastorais Sociais ligadas à Teologia da Libertação.

Como recuperar o terreno perdido? Não há, é claro, respostas simples. Mas vale aceitar o convite a investigar e refletir, feito por Púlpito e Parlamento. Após a exibição, nesta quarta-feira, haverá debate. Participarão, além do próprio Felipe Neves, os seguintes convidados:

Magali Cunha – Professora de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo

Edin Sued – Professor de Teologia da PUC, integrante do Núcleo de Fé e Cultura

Gedeon Alencar – Doutor pela PUC em Ciências da Religião, com foco em questões dos pentecostais.

“Outros Quinhentos” convida: Ela volta na quinta

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Filme incomum de André Novais pode ser assistido grátis, a partir de hoje, em cinco cidades. Programa de sustentação autônoma de “Outras Palavras” retoma parceria com Vitrine Filmes, distribuidora notável


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> Hoje (24/2), às 19h, em Cine debate na sede de Outras Palavras,
grátis:
Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – São Paulo (
mapa) – Metrô S.Joaquim ou Brigadeiro

> A partir de 25/2, em SP, Rio, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre e Aracaju:
Para participar do sorteio de 25 pares de ingresso, clique aqui

O esforço de Outras Palavras para criar um canal alternativo para circulação de produtos culturais e da Economia Solidária avançou mais um passo. Temos a satisfação de convidar os leitores para uma pré-estreia de Ela Volta na Quinta, hoje, em nossa sede em São Paulo. Também distribuiremos, por sorteio, cinquenta ingressos do filme de André Novais, que será exibido a partir de amanhã, em SP, Rio Fortaleza, Belo aHorizonte, Porto Alegre e Aracaju. Para participar, basta clicar aqui, até as 12h de quinta-feira, 25/2 (é preciso ser membro do programa de sustentação autônoma do site).

As ações retomam nossa parceria com a Vitrine Filmes, distribuidora de importantes longas-metragens do cinema nacional como O Som ao Redor (de Kleber Mendonça Filho), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (de Daniel Ribeiro) e Branco Sai, Preto Fica (de Adirley Queirós) — este também exibido em Outras Palavras, no começo de 2015.

Hoje, além do filme, haverá debate. Participarão o diretor, André Novais; o produtor, Thiago Macêdo; e dois ativistas intensamente ligados às periferias das metrópoles brasileiras — o professor e blogueiro Douglas Belchior (do movimento de cursinhos comunitários) e o professor Sílvio de Almeida, presidente do Instituto Luís Gama. Continuar lendo

Cine debate em SP: Ela Volta na Quinta

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“Outras Palavras” exibe, antes da estreia comercial, filme premiado de André Novais. Obra destaca-se por estética ultra-realista e por raro mergulho no quotidiano das periferias brasileiras

Por Gabriela Leite


Cine debate do filme “Ela Volta na Quinta”, de André Novais
Convidados: André Novais (diretor), Thiago Macêdo (produtor), Douglas Belchior (UNEafro Brasil) e Silvio de Almeida (Instituto Luiz Gama)
24/2, quarta-feira – sessão do filme às 19h, seguida de debate
Rua Conselheiro Ramalho, 945 – auditório
Entrada gratuita, sujeita a lotação da sala
Saiba mais aqui

A série de cine debates que Outras Palavras promove desde o ano passado será retomada nesta quarta-feira (24/2), com uma obra incomum. Ela Volta na Quinta, de André Novais será exibido em primeira mão e debatido pelo diretor, pelo produtor e por dois ativistas intensamente ligados às periferias das metrópoles brasileiras — Douglas Belchior e Sílvio de Almeida. O evento é possível graças à parceria entre o site e a Vitrine Filmes, distribuidora de importantes longas-metragens do cinema nacional como O Som ao Redor (de Kleber Mendonça Filho), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (de Daniel Ribeiro) e Branco Sai, Preto Fica (de Adirley Queirós) — este também exibido em Outras Palavras, no começo de 2015.

Ganhador de diversos prêmios como de Melhor Filme no X Panorama Coisa de Cinema – Salvador e Melhor Filme na VII Semana dos Realizadores – Rio de Janeiro, Ela Volta na Quinta será lançado no circuito comercial no final da semana. Traz semelhanças com Branco Sai, Preto Fica. O diretor vem de fora do eixo Rio-São Paulo — André Novais é mineiro, sócio da produtora Filmes de Plástico. O filme retrata uma família de negros, cujos pais estão em uma crise no relacionamento. Já do ponto de vista da narrativa, são diferentes: enquanto o filme de Adirley é fantasioso, Ela Volta na Quinta é muito realista. Em suas sequências, mais longas do que estamos acostumados a assistir no cinema, fatos muito cotidianos: irmãos assistindo a vídeos engraçados no YouTube; o pai, em seu serviço, fazendo uma entrega de geladeira… Continuar lendo

S.Paulo: um encontro com o desconhecido Extremo Sul

 

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Atividades no próximo fim de semana revelam intensa produção cultural de região da metrópole onde convivem rap, coletivos de comunicação, agricultores orgânicos e aldeias indígenas

Imagem: Alexandre Orion

Cultura e Arte ocuparam, nos últimos anos, lugares centrais na afirmação das periferias brasileiras, e de sua luta pelo direito à cidade (leia texto de Joseh Silva a este respeito). Quem quiser se conectar e entender esse fenômeno de perto, poderá acompanhar as atividades da Virada Sustentável no extremo sul de São Paulo – sob cuidadoria do movimento Imargem. Agricultores, artistas, guaranis da aldeia Tenondé Porã (Parelheiros), coletivos de comunicação, entre outros comporão a cena da Virada na quebrada. Continuar lendo

Na periferia, o nome da Arte é Liberdade

Intervenção do projeto Imargem, que articula arte, defesa do meio ambiente e convivência para  enfrentar isolamento das comunidades às margens da Represa Billings, região do Grajaú, São Paulo

Intervenção do projeto Imargem, que articula arte, defesa do meio ambiente e convivência para enfrentar isolamento das comunidades às margens da Represa Billings, S.Paulo

Em São Paulo, Virada do Extremo Sul destaca papel da Cultura na lenta reconquista do espaço público, sequestrado durante décadas por medo, violência e preconceito

Por Joseh Silva

Como parte da cobertura compartilhada da Virada Sustentável 2014, o jornalista Joseh Silva analisa e coloca em debate a ocupação do espaço público a partir das bordas. Na quebrada, a ideia de direito à cidade é outra: significa, também, enfraquecer a cultura do medo. Pontos de resistência e formação surgem a partir dos saraus, coletivos de comunicação e cultura, movimentos espontâneos e organizados.

Em ambiente de opressão policial e violência, enfrentando o discurso segundo o qual quem está na rua procura problema, agentes marginais de transformação enfrentam a dispersão e se apropriam da rua como espaço de fazer política, conviver e existir.

No centro do debate e luta pelo direito à cidade, Joseh nos redireciona o olhar e nos faz a pergunta: para qual cidade estamos olhando?  Continuar lendo

Até quando morrerão os funkeiros?

Rio Baile FunkAssassinato do MC Daleste expõe série de mortes suspeitas e obriga a questionar políticas que criminalizam ritmo cada vez mais popular

Por Gabriela Leite

A criminalização do funk fez, no último dia 6, mais uma vítima. Daniel Pellegrine, mais conhecido como MC Daleste, garoto de 20 anos extremamente popular nas periferias de São Paulo, levou um tiro durante um show que fazia em Campinas. Ele foi a sétima figura do funk assassinada desde 2010 no estado de São Paulo. Todos os crimes aconteceram em situações nebulosas — e todos continuam sem solução. Continuar lendo