Outra Política & Eleições: Tatiana Roque

Ciência e Cultura sem cortes: a luta para reverter os retrocessos da era Temer. Da teoria revolucionária à militância na Universidade e à política institucional: um perfil singular. A Renda Cidadã e os novos programas para superar o capitalismo. O Brasil após as eleições

(Tatiana Roque é candidata a deputada federal no Rio, pelo PSOL)

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Análise: o que diz o novo Datafolha

Não há um furacão Bolsonaro. Marina está muito debilitada, mas Alckmin não. Ciro e Haddad têm enorme espaço para crescer – desde que evitem, na reta final, a tentação da disputa fratricida. Será possível?

Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

Outra Política: Fala Douglas Belchior, candidato a deputado federal

A presença nos movimentos negros. Periferias e Lulismo. Segurança, tema incômodo. Anti-racismo: Igualdade ou Meritocracia? Mudar a política por dentro ou por fora?

Entrevista: Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

Pautas Incomuns: Política além das eleições

Sequestro de dados. Feminismo & Reinvenção da esquerda. O peso das patentes farmacêuticas. Geringonça Brasileira. Quatro temas debatidos esta semana por Outras Palavras sugerem: diante da crise da representação, surge uma nova política. Que ela tem a ver com a disputa pela Presidência?

Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

IV Salão do Livro Político debate país pós golpe


Mesa de abertura, 18 de junho, reúne pré-candidatos à presidência. Participam Fernando Haddad, Jessé Souza, Ladislau Dowbor e Sueli Rolnik. Na feira de livros, descontos chegam a 50%
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MAIS
Salão do Livro Político
De 18 a 21 de junho, das 10h às 22h.

Tuca: Rua Monte Alegre, 1024, São Paulo
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Crise, eleições, cenário econômico, censura e ciências, fake news e os 30 anos da Constituição de 1988 versus o atual protagonismo do Poder Judiciário, no Brasil pós golpe de 2016, são os temas debatidos nesta IV edição do Salão do Livro Político. Em paralelo uma feira de livros oferecerá centenas de títulos, de cerca de 30 editoras, com descontos de até 50%.

Além do Brasil pós-golpe serão abordados a situação política do Oriente Médio e fatos que marcaram a história global e continuam ecoando: maio de 1968, 50 anos depois, Marx e o marxismo no bicentenário do nascimento do filósofo alemão e os rumos da Revolução Cubana, após quase 60 anos. No ano da Copa do Mundo e no momento em que se desvela a corrupção na Fifa, o futebol também está na pauta do evento.

A mesa de abertura, dia 18 à noite, reunirá candidatos do campo de esquerda à presidência da república. Lula e o PT estarão representados pela senadora Gleisi Hoffmann. Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Vera Lúcia (PSTU) já confirmaram presença. Para as demais mesas estão confirmados o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e intelectuais como Jessé Souza, Ladislau Dowbor, Marcio Pochmann, Leda Paulani, Laura Carvalho, Ricardo Antunes, Esther Solano, Olival Freire, Gilberto Maringoni, Sueli Rolnik e Marcelo Semer, além do jornalista e acadêmico Leonardo Sakamoto mediando o debate sobre fake news.

Este ano o curso gratuito ministrado durante o Salão, “A teoria da revolução”, será dividido em quatro aulas que abordam Marx (com o professor Mauro Iasi), Lênin (Augusto Buonicore), Bakunin (Acácio Augusto) e Rosa Luxemburgo (Isabel Loureiro).

Em sua terceira edição, que homenageou Antonio Candido e contou com a presidenta Dilma Rousseff na abertura, o Salão recebeu cerca de 3,5 mil visitantes entre estudantes, professores universitários e militantes de movimentos sociais e partidos políticos de vários estados, que participaram de 13 mesas e conferências, inclusive com autores internacionais, além de cursos e apresentações culturais.

Iniciativa de um grupo de editoras independentes de grandes grupos editoriais, desde o ano passado em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), o Salão do Livro Político tem como objetivo fortalecer as editoras, aumentar a visibilidade de suas obras políticas no mercado e incentivar as vendas e a leitura desses livros. Os livros políticos representam atualmente algo em torno de 2,5% do total de obras publicadas no país a cada ano, considerando-se as três áreas correlatas (sociologia, filosofia e economia).

Venezuela: Maduro vence as eleições, mas não a crise

Abstenção superou os 50%. EUA e seus aliados internos parecem dispostos a inviabilizar o país

Ao final da noite de ontem, com 92% dos votos para a Presidência contados, as autoridades eleitorais venezuelanas anunciaram que o presidente Nicolás Maduro havia assegurado um novo mandato, de 5 anos. Maduro (Partido Socialista Unido da Venezuela — PSUV) teve 5,8 milhões de votos (68%), contra 1,8 milhões de Henri Falcón, um ex-chavista que concorreu pelo Avanço Progressista. “Quanto nos subestimaram. Quanto me subestimaram. E no entanto, estamos aqui, vitoriosos”, disse o presidente reeleito a seus correligionários. (veja matérias no New York Times, Le Monde e Russia Today)

No entanto, certas características do pleito indicam que a divisão política do país (e a crise econômica duradoura que a acompanha) não terminarão tão cedo. A maior parte da oposição já boicotara as eleições; e ontem, o próprio Henri Falcón considerou-as ilegítimas. Os Estados Unidos, previsivelmente, fizeram o mesmo. Os opositores do chavismo obtiveram algum sucesso: o comparecimento dos eleitores às urnas foi reduzido: apenas 46,1% votaram.

Em artigo publicado por Outras Palavras, na sexta-feira, o analista político norte-americano (de esquerda) Alexander Main, formula uma hipótese perturbadora para a tática de Washington e dos grupos venezuelanos aliados aos EUA. Talvez pudessem ter vencido o pleito, caso estimulassem a ida às urnas; mas querem, mais do que estar no governo, inviabilizar o país, dono das maiores reservas de petróleo do planeta — como fizeram, por exemplo, com a Líbia.

A ambiguidade de Safatle e a do Brasil

O artigo mais recente do filósofo pode sugerir tanto derrotismo quanto apelo à rebeldia e mobilização. É, nesse sentido, um espelho do cenário brasileiro

Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

“Não haverá 2018”, escreveu no final da semana passada, num artigo na Folha de S. Paulo, o filósofo e psicanalista Vladimir Safatle. A sentença repercutiu intensamente, em meio a uma atmosfera política já marcada pelo pessimismo. Mas a leitura cuidadosa do texto mostra que ele permite duas interpretações muito distintas – e até mesmo contraditórias – entre si.

A primeira interpretação é a mais óbvia e – é pena – a que tem sido mais frequentemente adotada. Ela conduz ao derrotismo, à desmobilização. Sugere que sofreremos uma enorme derrota política em breve e não há o que fazer diante dela – “não haverá 2018”. Os golpistas não quebrariam a legalidade, nem adotariam sua vasta agenda de retrocessos, argumenta Safatle, para entregar o poder de mão beijada. O golpe e seus horrores se prolongarão. A luta tornou-se vã. Continuar lendo

Um caminho para a esquerda autêntica

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Nos EUA, nova arrancada de Bernie Sanders revela: é possível vencer preconceitos da mídia — desde que se apresente propostas concretas, em vez de discurso doutrinário

Por Cauê Seignemartin Ameni

Diminui a cada dia, nos EUA, a distância que separava a candidata oligárquica do Partido Democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, do outsider à sua esquerda, o senador Bernie Sanders. O próprio New York Times reconhece: em um mês, Hillary viu sua vantagem de 20 pontos percentuais, entre os membros do partido aptos a votar nas eleições primárias, derreter para 7 pontos. Outras sondagens já mostram uma virada na primárias de dois estados importantes. Em Iowa, onde começa a disputa (em 1º/2) e New Hampshire (9/2), Sanders está à frente com 5 pontos de vantagem. Sua liderança concentra-se entre os candidatos mais jovens, onde tem o dobro de preferência. Quais as razões? A esquerda brasileira teria algo a aprender com elas?

A primeira grande barreira que Sanders parece saber enfrentar é a do preconceito. Para frear o ascensão do candidato, seus adversários apostam no desgaste da palavra que o senador emprega para definir a si mesmo: “socialista”. Contudo, Sanders não se presta ao papel de espantalho, analisa Robert Reich, professor de Políticas Públicas da Universidade de Berkeley e ex-ministro do Trabalho (no governo de Bill Clinton). Segundo ele, as pessoas começaram a entender que o senador não é o socialista retratado nas caricaturas da Fox News, mas alguém capaz de tratar a aristocracia financeira com a dureza necessária. Continuar lendo

Aécio e uma curiosa forma de cinismo aristocrático

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Como candidato sintetizou, numa frase, um interessante estratagema das elites. Implica fingir desapego ao dinheiro — mas cuidar para que toda a estrutura de desigualdade e privilégios se mantenha… 

Por Leonardo Gomes Nogueira, editor de Supressão dos Costumes Selvagens | Imagem: George GroszOs Pilares da Sociedade (1926)

Aécio Neves diz, com orgulho, que quando foi governador de Minas Gerais teria aberto mão de metade do seu salário. “Eu precisava dar o exemplo”, diz o candidato. Não vou entrar no mérito se isso é verdade ou não. A questão não é essa. A questão é avaliar o que estaria por trás desse discurso, aparentemente, nobre.

O que o candidato está querendo dizer, nas entrelinhas, é o seguinte: se você fosse uma pessoa de bem, desapegada como eu sou, faria o mesmo. Ou ainda: o salário não é tão importante assim, gente! Esqueçam isso! O uso da palavra “exemplo” não é por acaso.

Aécio pode abrir mão da metade ou até integralmente do seu salário. Não tenho dúvida de que ele possa fazê-lo. Pois Aécio, mais do que uma pessoa de bem, é uma pessoa de bens. Ele não depende, nem nunca dependeu de salário pra pagar as suas contas. Ele, como se sabe, é um herdeiro. Continuar lendo