O que a educação precisa aprender ?


Seminário na URFJ debate desigualdades na Educação brasileira e lança pergunta incômoda: uma de suas causas não estará em termos desprezado, desde o início, os saberes dos não-brancos?
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MAIS:
“Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde”
13, 14 e 15 de junho no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ
Avenida Carlos Chagas Filho, 373, Cidade Universitária (Campus Ilha do Fundão), UFRJ
Inscrições gratuitas, a ser feitas aqui
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O seminário “Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde” apresentará um panorama crítico sobre as políticas e práticas educativas a partir da interculturalidade, descolonização e diversidades. Construindo essa análise estarão 30 pesquisadores na área  de educação, ciências e saúde da Bahia, Ceará, Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, além do Rio de Janeiro e uma participação da Argentina. A programação inclui conferências, mesas de debates, mostra de filmes, apresentações artísticas, exposições e oficinas que relacionam a educação com teatro, alimentação, patrimônio e artes.

Katemari Rosa, física e filósofa da ciência, professora da UFBA, coordena o projeto “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

Haverá três conferências. No dia 13, o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Reinaldo Fleuri, que atua na área de movimentos sociais e educação intercultural, falará sobre “Educação e descolonialidade: aprender com os povos originários”. No dia 14, a argentina Ana Dumrauf, professora da Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação da Universidade Nacional de La Plata, em Buenos Aires, falará sobre “Caminos de construcción pedagógica descolonizadora en Educación en Ciencias Naturales, Ambiental y en Salud: experiencias de articulación con movimientos sociales”. No dia 15 a conferencista será Cristina Nascimento, coordenadora da Articulação Nacional do Semiárido Brasileiro (ASA) no Ceará.

Entre as questões propostas no seminário está a seguinte: “É possível descolonizar as políticas públicas?” Nesse sentido, a relação entre intersecção entre gênero e raça será debatida por Katemari Rosa, pesquisadora em física e filosofia das ciências e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde 2015, ela coordena o projeto de história oral “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

Gersem Baniwa, da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da UFAM, falará sobre “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”

“O que a educação precisa aprender?”. A pergunta será debatida por três palestrantes, entre os quais Gersem Baniwa, professor  da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Gersen tratará o tema “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”. Como liderança indígena, ele foi dirigente da  Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Diretor-Presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (CINEP).

“Política da Diferença” será apresentada por Elizabeth Macedo, pesquisadora sobre cultura em matriz pós-colonial e pós-estrutural. É também coordenadora do grupo de pesquisa Currículo, Cultura e Diferença, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

As desigualdades no Brasil atual também serão analisadas sob a ótica da educação popular, educação quilombola e do campo. Além das mesas de debate e troca de experiências, o seminário contará com dois filmes, seguidos de debates com seus idealizadores.

O documentário “Anamnese”, produzido pelo cineasta Clementino Junior em parceria com o coletivo Negrex, mostra os percalços da vida acadêmica de estudantes negras e negros do curso de Medicina. As histórias conduzem à reflexão sobre o que é o sistema de ensino superior, que tipo de pessoas aceita e que profissionais forma. A sessão será seguida de conversa com Clementino e Pedro Gomes, do Negrex, no dia 14 de junho.

Já o filme “Fora de série”, dirigido por Paulo Carrano, coordenador do Observatório Jovem do Rio de Janeiro e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), relata o percurso de vida e o processo de formação escolar de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), matriculados em 13 escolas públicas da cidade. Ao final, Paulo conversa sobre juventude e escola. Será no dia 15.

Os participantes também poderão realizar oficinas, com o intuito de pensar processos educativos mais plurais. Entre as oficinas estão as sobre corporiedade e teatro, com a companhia Ciênica; Alimentação e cultura, com o projeto Culinafro; e Comida é Patrimônio, com o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN).

Uma apresentação de jongo do Quilombo da fazenda Machadinha, no município de Quissamã (RJ), marcará o encerramento do seminário.

“Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde” é organizado pelo Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e Saúde, do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (Nutes), http://www.nutes.ufrj.br/ sob a coordenação do professor Alexandre Brasil, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

PROGRAMAÇÃO

13 de junho – Quarta
09h00-09h30: Atividade Cultural
Grupo Africanias, Escola de Música da UFRJ
09h30-10h: Mesa de Abertura
Representante da Reitoria da UFRJ
Representante da Decania do CCS
Representante da Direção do NUTES
Coordenação do Evento
10h – 12h: Educação e Desigualdades: desafios para o
Brasil
Givânia Maria da Silva, UNB
Guilherme Brokington, UFABC
Florence Brasil, UFRJ
Coordenação: Isabel Martins, UFRJ
13h30 – 14h30: Conferência
Reinaldo Fleuri, UFSC
Coordenação: Mirian Struchiner, UFRJ
14h30-16h30: Experiências do Sul: estratégias para a
formação de professores no Ensino de Ciências
Linguagens, desenvolvimento e ciências: experiências
na formação de professores no Timor-Leste
Suzani Cassiani, UFSC
Contribuições no enfrentamento das desigualdades
para o ensino de ciências na educação básica
Helder Eterno, UFU
Formação de professores(as) na perspectiva crítico-
dialética
Bárbara Carine Soares Pinheiro, UFBA
Debatedor: Roberto Brandão, professor na Educação
Básica
Coordenação: Bruno Monteiro (UFRJ)

14 de junho- Quinta
09h – 11h: Desigualdades na Educação: é possível decolonizar as
políticas públicas?
Intersecções entre gênero e raça: perspectivas para políticas
públicas de educação científica
Katemari Rosa, UFBA
Planejamentos e projetos em Educação
Daniel Cara, Campanha Nacional pela Educação
Por uma política da diferença
Elizabeth Macedo, UERJ
Debatedora: Mônica Francisco, Asplande
Coordenação: Leonardo Moreira, UFRJ
11h – 12h: Conferência: Ana Dumrauf, Universidad Nacional de
La Plata – Coordenação: Luiz Augusto Rezende, UFRJ
13h30-14h30: Exibição do Documentário “Anamnese”
Bate-papo com o diretor Clementino Júnior (Cineclube Atlântico
Negro) e Pedro Gomes (UFF) – Coordenação: Paula Ramos, UFRJ
14h30-16h30: Educação em Saúde e territorialidades:
aprendendo com as práticas populares
Perguntas e contribuições da educação popular em saúde no
enfrentamento as desigualdades
Julio Alberto Wong Um, UFF
Justiça Ambiental, Conflito Socioambiental, desigualdades sociais e
educação
Angélica Cosenza, UFJF (Juiz de Fora)
Educação quilombola: propostas para uma educação em saúde na
diferença
Rute Costa, UFRJ (Macaé)
Debatedora: Socorro de Souza, Fiocruz-DF
Coordenação: Laísa Santos, UFRJ

15 de junho – Sexta
8h30-10h30: Oficinas
Experiências para repensar à Educação em tempos de
desigualdades
Sala 1: Corporeidades e teatro: Ciênica
Sala 2: Alimentação e cultura: Culinafro
Sala 3: Decolonizarte
8h30-11h: Exibição do Filme “Fora de Série”, seguido
de bate-papo com o diretor Paulo Carrano (UFF)
11h-12h: Conferência
Cristina do Nascimento, ASA
Coordenação: Alexandre Brasil Fonseca, UFRJ
13h30-15h30: Desigualdades e diferenças: o que a
Educação precisa aprender
Educação para o manejo do mundo: experiências com a
educação indígena
Gersem Baniwa, UFAM
Interculturalidade e Educação do Campo
Rodrigo Crepalde, UFTM
Identidades, Currículos e Cultura
Thiago Ranniery, UFRJ
Debatedores: Celso Sanchez Pereira, UniRio
Stephani Kiara, UiniRio
Coordenação: Cristina Vermelho, UFRJ
15h30-16h30: Atividade Cultural
Jongo da Machadinha

Outras informações: [email protected]

TEXTO-FIM

Como a Grã-Bretanha trata os miseráveis

Sem-teto: multa de até 1100 libras e prisão, por “pedir” ou “vagabundear”

Sem-teto são multados, processados e encarcerados devido apenas… a sua condição de excluídos

Operações cruéis de ataque a pedintes e moradores de rua — como o ex-prefeito de S.Paulo, João Dória, orgulhava-se de fazer — seriam uma aberração brasileira? Ou estão se tornando norma, no capitalismo contemporâneo? Uma reportagem na edição de hoje do Guardian ajuda a responder. O jornal londrino revela que um número crescente de sem-teto britânicos estão sendo multados, processados ou encarcerados devido apenas a… sua própria condição de excluídos.

Tudo começou em 2014, quando a atual primeira-ministra (então secratária do Interior), Thereza May concedeu, a autoridades locais, poderes para endurecer o combate a “atitudes anti-sociais”. Com base nas leis de acesso a informações públicas, o Guardian apurou que centenas de pessoas em condição vulnerável têm sido importunadas, a cada ano, por “pedir”, “pedir agressivamente” ou “vagabundear”. As multas chegam a 1.100 libras (cerca de R$ 5 mil), obviamente impagáveis. Há casos grotescos, como o de um juiz que escreveu: “estou mandando um homem para a prisão por ter pedido comida, quando estava faminto”. Ou de um morador de rua condenado a uma multa de 105 libras depois que uma criança depositou uma moeda de 2 libras em seu sleeping bag.

Uma América Latina ainda mais desigual?

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Dois relatórios a ser lançados amanhã alertam: governos conservadores ameaçam reverter os tênues avanços vividos pela região nas últimas décadas

Por Leonardo Godoy


MAIS
Lançamento dos relatórios da Christian Aid e Creas sobre desigualdades na América Latina
Quarta-feira, 13/12, às 19h

Praça Olavo Bilac, 63 – Campos Elíseos – São Paulo — Metrô Marechal Deodoro (mapa)

Nesta quarta-feira (13/12), em São Paulo, as organizações não governamentais Christian Aid e CREAS lançarão e debaterão dois documentos de relevância para a América Latina e o Caribe. Eles explicitam como as desigualdades presentes na região interligam-se e acentuam um cenário de grande exclusão social, injustiças, crescente violência e retrocesso de direitos.

Em 2012 a Christian Aid, agência ecumênica britânica, lançou um primeiro relatório sobre o escândalo da desigualdade na América Latina. O texto pautou as ações na cooperação internacional e nas suas relações com a região. Cinco anos depois, elaborou, juntamente com InspirAction da Espanha, o segundo relatório sobre as múltiplas faces da desigualdade na América Latina e no Caribe. O alerta é claro: se não revertido, o avanço recente de forças conservadoras “aponta para um retrocesso nas tendências progressistas observadas na região nos últimos anos” e pode atingir os direitos humanos, “em uma região onde as elites econômicas e políticas (junto às empresas multinacionais) controlam grande parte da riqueza, os recursos naturais e a mídia”.

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Contra as florestas no mercado de carbono

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Floresta amazônica

Organizações e movimentos sociais denunciam falsa solução à crise do clima e defendem posição histórica do Brasil, agora ameaçada

A inclusão das florestas em mecanismos de compensação de carbono (offsets), que possibilitam a indivíduos e empresas investir em projetos ambientais para descontar de suas próprias pegadas de carbono, coloca em risco a integridade ambiental do país e do planeta, ameaça o cumprimento das responsabilidades históricas de países desenvolvidos e o Acordo de Paris. São um jogo de soma zero, pois o que se reduz por meio da não-emissão florestal é emitido em outro setor – sem benefício à redução de emissões.

Essa a visão de mais de cinquenta organizações e movimentos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais brasileiras que assinam carta contra essa falsa solução à crise climática, que hipoteca o futuro de populações que já nascerão destituídos de soberania sobre seus bens comuns.

A carta abaixo, dirigida ao ministro Sarney Filho, foi protocolada dia 15.07 no Ministério de Meio Ambiente e na Subsecretaria-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Itamaraty.

Carta em defesa da posição histórica do Brasil sobre offsets florestais

Ao longo dos 23 anos de existência da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, muitas propostas surgiram como solução à crise climática. A inclusão das florestas em mecanismos de compensação de carbono (offsets) é uma dessas. Desde que as primeiras propostas sobre o tema foram apresentadas, inúmeras organizações e movimentos sociais, ONGs, representantes de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais no Brasil e no mundo vêm apontando preocupações e denunciando o que se convencionou em chamar de falsa solução à crise do clima.

No atual contexto das negociações internacionais e da conjuntura nacional, alguns atores têm usado o momento de negociação de implementação do Acordo de Paris, a crise política e a turbulência econômica pela qual o país e o mundo passam como pretexto para demandar medidas a favor de offsets. As organizações signatárias desta carta vêm tais proposições com preocupação, e defendem a manutenção do posicionamento histórico do Brasil contra offsets florestais, concordando que qualquer mudança nesse sentido colocaria em risco a integridade ambiental do país e do planeta, além do cumprimento das responsabilidades históricas por parte de países desenvolvidos, e a arquitetura do Acordo de Paris.

Por que os offsets florestais são uma falsa solução?

1. Apresentam uma falsa equivalência entre o carbono proveniente dos combustíveis fósseis, que está acumulado debaixo da terra, e aquele que é acumulado pelas florestas. A capacidade que árvores e ecossistemas têm de remover e fixar carbono da atmosfera é muito mais lenta que o ritmo de emissões quando se queimam combustíveis fósseis, e o carbono acumulado em florestas é vulnerável a desmatamentos e queimadas.
2. Servem como incentivo para países segurarem a ambição de seus compromissos. O Acordo de Paris é baseado em compromissos nacionais determinados voluntariamente por cada governo, e só cortes de emissões que vão além desses compromissos poderiam ser comercializados em mercados de offsets. Com offsets, quanto mais baixos fossem os compromissos nacionais, mais sobraria para vender, criando um estímulo para a baixa ambição.
3. Não trazem benefício adicional para a redução de emissões, porque é um jogo de soma zero. Nunca são reduções efetivas, pois o que há é a compensação. O que se reduz por meio da não emissão florestal continua sendo emitido em outro setor.
4. Transferem a responsabilidade que deveria ser de setores que vêm contribuindo para a crise climática para quem sempre protegeu as florestas: povos indígenas, populações tradicionais, agricultores familiares e camponeses.
5. Aprofundam e geram novas formas de desigualdades, já que quem tem dinheiro e poder pode pagar e continuar emitindo sem fazer a sua parte. O conceito de poluidor-pagador, criado inicialmente para pressionar os países e setores a reduzir sua poluição, é capturado por quem pode continuar poluindo desde que pague por isso.
6. Hipotecam as florestas para cumprir as dívidas de venda de créditos de redução de emissões. Para isso, são firmados compromissos de décadas, que implicam também na hipoteca do futuro de milhares de pessoas que já nascerão sem que o Estado e os povos em seus territórios possam ter a soberania sobre qual política e ações poderão ser criadas para a proteção e uso de seus bens comuns.
7. Abrem espaço para governos e outros atores tirarem o foco das discussões da redução da queima de combustíveis fósseis, que representam cerca de 70% do total mundial das emissões de gases de efeito estufa – e ainda em trajetória de crescimento – para as florestas.
8. Tiram o foco do enfrentamento aos reais problemas florestais nacionais promovidos por grupos de interesse que querem enfraquecer as políticas de proteção florestal no país, e ainda alimentam o discurso de quem quer solapar a legislação ambiental brasileira.

No âmbito internacional, há pelo menos duas décadas a posição negociadora brasileira na convenção tem sido caracterizada pela rejeição da inclusão das florestas em mecanismos para compensar as emissões de gases de efeito estufa lançadas na atmosfera por setores como energia e transporte.

No âmbito nacional, vemos uma conjuntura de retrocessos nas leis e políticas que garantem a proteção dos direitos territoriais e do meio ambiente. No meio dessa crise e ofensiva, retorna o discurso de que a compra e venda de carbono florestal seria uma solução para o enfrentamento do desmatamento que vem crescendo e para a captação e recebimento de recursos necessários para vigilância e monitoramento. Isso vem aliado a esforços para reconfigurar a Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+) e o Fundo Amazônia de forma que também abririam espaço a offsets. Por mais que o discurso pareça atraente, os argumentos acima mostram que se trata da defesa de uma falsa solução, voltada a beneficiar um pequeno grupo de atores (aqueles que continuariam emitindo gases de efeito estufa ou receberiam recursos mobilizados), mas traria graves consequências para o Brasil e o mundo.

Não podemos desviar a atenção das verdadeiras soluções e das políticas necessárias de enfrentamento à crise climática.

Por isso, demandamos a manutenção do posicionamento histórico brasileiro contra offsets florestais.

Assinam:
Amigos da Terra Brasil
Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins – APA-TO
Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
Articulação Nacional de Agroecologia – ANA
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME
Associação Agroecológica Tijupá
Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia – AOPA
Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – AGAPAN
Cáritas Brasileira
Central de Movimentos Populares – CMP
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária – CEAPAC/Santarém/PA
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares – CONTAG
Conselho Nacional dos Seringueiros – CNS
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
Engajamundo
Fórum da Amazônia Oriental – FAOR
Fase – Solidariedade e Educação
Fórum Brasileiro de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional – FBSSAN
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP
Fórum Mudanças Climáticas Justiça Social – FMCJS
Greenpeace Brasil
Grupo Carta de Belém
Iniciativa Internacional da Carta da Terra (Leonardo Boff)
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Políticas Alternativas para o Conesul – PACS
Jubileu Sul Brasil
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC
Marcha Mundial das Mulheres – MMM
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres – NEPED/UFSCar
Pastoral da Juventude Rural – PJR
Rede Ecovida de Agroecologia
Sempreviva Organização Feminista – SOF
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Belterra – STTR/Belterra
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém – STTR/STM
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Mojuí dos Campos – STTR-MC/PA
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Alenquer – STTR/ALQ
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Sociedade Civil da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais – CNPCT
Terra de Direitos
350.org
Via Campesina Brasil
Vigência!

Francisco: um passo a mais — em silêncio

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Em sua viagem de maior carga emocional, Papa homenageia humilhados pelo capital e fustiga os que se aproveitam da desigualdade crescente. Como era de esperar, jornais calaram-se…

Por Mauro Lopes

Foi a visita com maior carga afetiva-emocional e aquela na qual ele mais explicitou, com palavras e gestos, o desejo de retorno da Igreja à originalidade dos primeiros tempos — uma Igreja pobre com os pobres.

O ato final da visita talvez não tenha sido compreendido em sua verdadeira dimensão: o Papa escolheu Ciudad Juarez, na fronteira entre o México e o Império e, num gesto profético de denúncia e desafio, abençoou as cruzes que simbolizam os milhares de mexicanos e mexicanas mortos durante o que parecia ser uma travessia para uma vida melhor.

O Papa, como o Cordeiro do livro do Apocalipse, o último da Bíblia, confronta-se com a Babilônia, a Roma dos tempos que escorrem. Não é à toa que fez, no México, a mais dura condenação aos ricos em seu tempo como Papa, ao dizer que eles prestarão contas sobre as fortunas construídas sobre o sangue e o suor e as lágrimas das pessoas; e, no avião de volta ao Vaticano, deixou claro que, para ele, Donald Trump não pode ser qualificado de cristão, por ser alguém que só tem projetos para construir muros a separar (como o muro entre os EUA e o México en Ciudad Juarez), muros de concreto e de ódio.

Automação: a ambígua Revolução dos Robôs

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Novo estudo sugere: nos próximos vinte anos, máquinas inteligentes eliminarão um terço dos trabalhadores – e poderão gerar crise social inédita. Há alternativas, porém

Por Antonio Martins

No Japão, robôs alocados na linha de produção de automóveis já trabalham, sem descansar um segundo e sem supervisão, por trinta dias ininterruptos. Em todo o mundo, foram realizadas, no ano passado, 570 mil cirurgias assistidas por robôs; e no Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, um supercomputador que dá assistência a elas é capaz de ler e processar 1 milhão de textos por segundo, para orientar diagnósticos e procedimentos. Em breve, será possível transferir para máquinas profissões penosas (como chapeiro em restaurantes industriais), subalternas (como cuidador de idosos) ou maçantes (como analista de crédito). Mas todos estes desenvolvimentos, que poderiam aliviar a vida humana, estão prestes a se converter num tormento, multiplicando desigualdade e desemprego.

Estas observações não vêm de estudos hipotéticos de intelectuais marxistas, mas de um relatório ainda inédito, produzido pelo Bank of America e relatado na edição de hoje do Guardian. Está em curso, diz o estudo, uma quarta revolução industrial – depois da máquina a vapor, da produção em massa e da eletrônica. Continuar lendo

Tablets e celulares, máquinas da desigualdade?

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Ativistas digitais alertam: pode estar surgindo acesso à internet de segunda categoria, que limita poder de criação dos mais pobres, para reduzi-los a meros consumidores

Por Gabriela Leite

Tablets e smartphones foram vistos com frequência nos últimos anos, como grandes ferramentas para democratização da internet. Relativamente baratos (88 modelos vendidos no Brasil custam menos de R$ 500), utilizam aplicativos que economizam banda de conexão e são incomparáveis em portabilidade. Agora, porém, estas vantagens estão sendo relativizadas por um número crescente de ativistas que lutam pelo livre acesso à rede. Ouvidos num texto recente, da revista Salon, eles sustentam: sob o manto de uma popularização ilusória, pode estar surgindo um novo apartheid digital. Nele, uma elite usufrui plenamente as possibilidades da rede, enquanto cria-se, para as maiorias, um uso de segunda categoria, que consiste basicamente em consumir o que os outros criam.

Larry Ortega, um dos ativistas ouvidos, explica que não se trata de condenar o aparelhos de acesso móvel à internet — mas de constatar as limitações impostas a quem se comunica exclusiva ou principalmente por parte de celulares e tablets. Neles, é muito difícil, ou mesmo impossível, desenvolver atividades refinadas: escrever um texto não-sumário, editar um vídeo, por exemplo — ou mesmo ações mais prosaicas e ligadas ao mercado, como preencher uma proposta de emprego online. Continuar lendo