Xploit 06 — Resistência

Sexto episódio de “Xploit: Internet sob ataque”, melhor websérie documental de 2017, mostra as diversas formas de ação para resistir aos ataques vigilantistas à rede

Por André Takahashi

A internet de hoje consegue agregar os piores pesadelos dos Estados totalitários com o ultra-liberalismo econômico. Controle da inovação, restrição do fluxo de ideias, guerra cibernética e caça aos dados pessoais dos usuários. Mas diante desse panorama, é possível resistir? Como e por com que estratégias?

Dirigida por Fabricio Lima, com produção executiva de André Takahashi, a websérie Xploit – Internet sob Ataque conta com a ajuda de um seleto grupo de entrevistados. Entre eles, estão o co-criador do sistema GNU Richard Stallman, o jornalista James Bamford, a advogada Flávia Lefèvre, a jornalista Bia Barbosa, a cientista social Esther Solano e o sociólogo e cyberativista Sérgio Amadeu da Silveira – a série introduz o espectadoras disputas políticas e econômicas que resultarão consequências diretas em nossos direitos essenciais dentro e fora do mundo digital.
Assista a série completa aqui
TEXTO-FIM

Cidades: que sentido terá a “revolução dos aplicativos”?

130916-katsy

Cena do filme “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio

Tecnologias permitirão obter cada vez mais dados sobre vida nos espaços urbanos. Para quê: multiplicar autonomia dos cidadãos ou controlá-los? 

Por Gabriela Leite

Uma nova revolução urbana pode ter começado. Segundo reportagem especial da revista inglesa The Economist, a quantidade de dados que uma cidade produz, combinada com as tecnologias móveis e em rede que permitem compartilhá-los, será tão transformadora quanto foi a eletricidade. Inúmeras inovações já começaram a antecipar este futuro. Podem ser para bem ou para mal.

A ONU calcula que, até 2050, a população mundial urbana será de cerca de 6,3 bilhões de pessoas. Uma parcela sempre crescente dos habitantes urbanos está disposta a compartilhar informações publicamente, como é possível perceber com a popularidade de aplicativos como o Foursquare (que indica o local onde o usuário está e mostra se seus amigos estão por perto). Além disso, prefeituras também concentram dados sobre o que acontece em suas ruas: informações de trânsito, dados sobre fluxos, áreas com mais problemas de segurança etc. Como usar esses dados de maneira que eles façam a experiência de viver em uma cidade ser algo menos caótico, mais sustentável e humano? Continuar lendo

Os segredos da Europa Fortaleza

Dois projetos votados a toque de caixa podem tornar continente ainda mais inacessível para pobres e instalar novos sistemas de vigilância e controle sobre cidadãos

Por Antonio Martins

Chamam-se Eurosul e “Fronteiras Inteligentes”. Entrarão em debate no Parlamento Europeu no próximo dia 10, sem que os eurodeputados tenham muita margem de manobra para alterá-los. São os dois novos projetos que, desenvolvidos por tecnocratas da Frontex, (a agência europeia de vigilância das fronteiras, com sede em Varsóvia), pretendem tornar mais intransponíveis as fronteiras europeias — recorrendo para isso à coleta de dados pessoais dos viajantes e até ao uso de aviões teleguiados (drones). Uma reportagem sobre ambos, assinada por Frank Mulder, está disponível no site da rede PressEurope.

O primeiro projeto, Eurosul, deverá estar implantado em menos de um ano — até 1º de outubro de 2013. Ao custo estimado de 340 milhões de euros (analistas preveem que “aditivos” deverão duplicar ou triplicar este valor), estabelecerá padrões únicos de vigilância sobre todas as fronteiras do Velho Continente, obrigando os Estados a trocar permanentemente informações sobre os visitantes que chegam à Europa. Parece destinado a enquadrar nações que servem supostamente, por seus sistemas policiais antiquados, de “porta de entrada” para os imigrantes de regiões do mundo mais pobres. Os drones, por exemplo, serão utilizados para localizar africanos que tentam cruzar o Mediterrâneo.

Continuar lendo

Fechamento da PUC-SP: festa, luto, anomia

Proibição da “cultura canábica” e quase-esquecimento da morte da ex-reitora agravam o estado de exceção em que universidade mergulhou após intervenção da Igreja

Por Hugo Albuquerque, no Descurvo

Sexta-feira (16/9), a PUC de São Paulo esteve fechada, com todas as suas atividades suspensas e a comunidade devidamente advertida para não entrar no campus. E isso não foi, pasmem, por conta do luto decretado por Nadir Gouvêa Kfouri, a pessoa mais importante da História daquela Universidade, mas sim porque o Reitor, por meio do ato 127/2011, determinou que as atividades fossem interrompidas para que não acontecesse uma festa programada para dentro do campus.Sobre Dona Nadir, na última quarta-feira, poucas horas depois de sua morte, houve a decretação de um luto de três dias, sem maiores repercussões e, para falar a verdade, sem os préstimos das devidas homenagens – as faculdades de Ciências Sociais e Serviço Social pararam porque quiseram. Nem a Faculdade de Economia e Administração, tampouco a Faculdade de Direito pararam.  A Reitoria, portanto, limitou-se a dar a notícia da morte.

Festas ocorrem, como historicamente sempre ocorreram, no campus de Perdizes. O argumento de emergência empregado pela Reitoria, portanto, só não soa terrivelmente falacioso para seus próceres ou, quem sabe, para calouros desavisados. É claro que a livre gestão do espaço Universitário – e dos corpos – não interessa ao poder soberano.
Continuar lendo