Outra Política: Fala Douglas Belchior, candidato a deputado federal

A presença nos movimentos negros. Periferias e Lulismo. Segurança, tema incômodo. Anti-racismo: Igualdade ou Meritocracia? Mudar a política por dentro ou por fora?

Entrevista: Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite

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Para celebrar a ignorada agricultura quilombola

No Vale do Ribeira, uma Feira de Troca de Sementes exibe enorme diversidade de cultivos e modos tradicionais de plantar. Mas a “lei do meio ambiente” criminaliza o conhecimento ancestral

Por Julicristie M. Oliveira*

Entre os dias 17 e 18 de agosto de 2018, tivemos a 11ª Feira de Troca de Sementes & Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, que acontece todos os anos na cidade de Eldorado, Vale do Ribeira, São Paulo. Para muitos dos presentes, tratava-se do 11º. encontro; para mim, foi a primeira oportunidade de conhecê-los: mulheres e homens quilombolas, profissionais e estudantes, organizações sociais, comidas e bebidas tradicionais, sementes e mudas.

O primeiro dia do encontro, reservado para diversas falas, ocorreu em um salão paroquial localizado no centro de Eldorado, próximo a uma grande praça, relativamente arborizada, ocupada por grama, flores, cimento e bancos, com bares, restaurantes e pequenos comércios no entorno e uma igreja grande e amarela mais à frente, a Paróquia de Nossa Senhora da Guia. Pessoas iam e viam, e se acumulavam na calçada e na rampa que dava acesso ao salão. O espaço era amplo, com luminosidade relativa, ocupado por cadeiras de metal em filas e dispostas em forma de meia lua, voltadas para um centro onde havia uma mesa longa coberta por chitas floridas, adornada com cestarias e esteiras de palha, espigas e grãos de milho, mandiocas e estacas, feijões e abóboras. Ao lado esquerdo, logo na entrada do salão, havia uma mesa com profissionais do Instituto Socioambiental – ISA, responsáveis pela organização do evento, e que nos convidavam a assinar a lista de presença e receber um crachá que nos identificava. Materiais produzidos sobre os sistemas agrícolas tradicionais, vídeos e livros, estavam dispostos ao fim da mesa, e anunciavam em certa medida o tom do evento: uma mescla de conhecimentos ancestrais, mecanismos de registro, de reconhecimento desses patrimônios e sua salvaguarda.

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Para pensar políticas públicas cuidadoras


Encontros sobre o futuro, que a Fiocruz promoverá em 20/6, debatem com Leonardo Boff cuidados na saúde como elemento de espiritualidade e sustentabilidade nas relações humanas e com o planeta
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MAIS
“A ética do cuidado: atenção sustentável na saúde”
Promoção: Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz
Data: 20 de junho de 2018
Horário: de 14h às 17h
Transmissão on-line, em tempo real, pelo perfil do Facebook do CEE-Friocruz (https://www.facebook.com/ceefiocruz/) e pelo blog (http://cee.fiocruz.br/).
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Associar a dimensão do cuidado à sustentabilidade, visando a prevenção e a promoção de saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e a formulação de políticas públicas cuidadoras é o tema que inaugura a série de encontros “Futuros do Brasil e da América Latina”, iniciativa do Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz (CEE-Fiocruz).

O escritor e teólogo Leonardo Boff, que elaborou o conceito de cuidado para pensar a espiritualidade e as relações de homens e mulheres entre si e com a terra, estará no centro desse primeiro encontro falando sobre “A ética do cuidado: atenção sustentável na saúde”, em debate coordenado pelo ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, pesquisador do Centro. Continuar lendo

De semiescrava a lutadora


Na segunda entrevista sobre desigualdade no campo, Edina Maria da Silva conta como sua vida mudou, quando o latifúndio canavieiro em que trabalhava foi ocupado, após falir. Mas denuncia: fazendeiros estão de olho nas terras comuns, e atravessadores tentam impor preços de fome

Por Oxfam Brasil
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Leia aqui primeira entrevista da série, com a líder terena Ana Sueli Firmino, de Mato Grosso do Sul
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Edina Maria da Silva é uma jovem liderança da comunidade de posseiros do Engenho Barra do Dia, pertencente à falida usina Vitória, de cana-de-açúcar, localizada em Palmares, Pernambuco. A usina foi flagrada em 2008 com trabalhadores em condições análogas à escravidão, e faliu. As famílias que moram no local há cerca de 80 anos hoje aguardam a formalização da desapropriação da área para reforma agrária, para com isso terem seus direitos garantidos.

Edina mora há sete anos na comunidade e lembra com tristeza da época que sua mãe, também agricultora, trabalhava para outra grande usina de açúcar da região, a Catende, onde era constantemente humilhada e desrespeitada. “Minha mãe foi muito humilhada com o agronegócio, por ela ser mulher”, diz Edina. “Não garantiam os direitos dela. E a gente via o agronegócio crescendo nas costas daqueles que eles estavam massacrando.”

Hoje, Edina tem sua própria roça e a vida melhorou bastante, diz. “Quando a gente começou a trabalhar para a gente mesmo, depender da gente mesmo, na área de agricultura familiar, mudou bastante.” Mas ainda há desafios importantes a serem enfrentados. Latifundiários querem tomar as terras dos pequenos agricultores, e atravessadores que compram as mercadorias da comunidade estão sempre oferecendo muito menos do que valem os produtos. “Só quem sabe o valor da mercadoria é quem planta, quem cria. Quando eles vão comprar, querem humilhar, colocam o preço lá embaixo.”

Edina é uma das 15 mulheres de comunidades rurais, movimentos do campo, agricultoras, quilombolas, lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais, de diversas regiões do país, que participaram de uma oficina em São Paulo para debater a relação de mulheres com o direito à terra, desigualdade no campo e impactos do agronegócio em suas vidas.

O relatório Terrenos da Desigualdade: terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural, lançado pela Oxfam Brasil em 2016, mostra dados que revelam a grande concentração de terras no país, como o fato de as maiores propriedades terem sido as que mais receberam incentivos e foram melhoradas, com acesso a crédito, pesquisa e assistência técnica, com o objetivo de produzir para exportação ou atender à indústria agroindustrial.

A seguir, a entrevista com Edina Maria da Silva.

Como você vê a questão de desigualdade de terra no Brasil?
É uma desigualdade muito grande. Só temos garantia de terra no papel. Mas na realidade, não temos. Principalmente mulheres, a juventude… é como se nós não tivéssemos direitos.

Na questão do acesso à terra, quais são os impactos do agronegócio?
Falando por experiência própria, machuca, dói, humilha. A minha mãe foi muito humilhada com o agronegócio, por ela ser mulher, sempre tem essa questão de gênero. Ela trabalhava para a usina Catende. Eles diziam que ali não era o lugar dela. Quando não conseguia cumprir a cota dela, era tachada como “mole”. E ela adoecia, chegava em casa doente, não podia ir trabalhar no dia seguinte – e eles não aceitavam os atestados (médicos) dela. Não garantiam os direitos dela. A gente via eles crescendo, o agronegócio crescendo nas costas daqueles que eles estavam massacrando, humilhando. Então, o agronegócio é algo que machuca, humilha as pessoas.

Agora você trabalha na sua própria roça. Como funciona?
Hoje a gente tem nossa própria plantação e não é mais humilhado – não tanto como antes, porque ainda tem os grandes latifundiários que querem tomar as nossas terras, nós vivemos em constante processo de luta. E tem também a questão dos atravessadores. Só quem sabe o valor da mercadoria é quem planta, porque tem o trabalho de plantar. Mas eles (os atravessadores) chegam e colocam o preço das mercadorias dos agricultores lá embaixo. As mulheres têm suas plantações de hortaliças, criam suas galinhas, suas cabras, e quando eles vão comprar, querem humilhar. Elas sabem o preço que valem as mercadorias, e eles dizem que não, e colocam o preço lá embaixo. Mas hoje vivemos melhor do que antes, muito melhor. Quando a gente começou a trabalhar para a gente mesmo, depender da gente mesmo, na área de agricultura familiar, mudou bastante. Mas precisa mudar muito mais ainda.

Juros caem nas manchetes, mas continuam a apavorar

Banco Central reduz taxas básicas, mas sistema financeiro intensifica a extorsão sobre os tomadores de empréstimos. Veja o escândalo, em números

Por André Galhardo Fernandes*

A tentativa do governo de estimular a economia por meio da política monetária expansionista está naufragando na ponta do consumo como mostram indicadores de lojas de varejo e outros dados complementares. É ínfima a chance de sucesso da tentativa de estímulo monetário num país onde a confiança foi pelo ralo, a incerteza está no meio da sala e a taxa de desemprego é maior que as do Irã (11,9%), Argélia (11,7%), Quênia (11%), Itália (10,9%), Colômbia (10,8%), França (8,9%), Afeganistão (8,5%), e por aí vai…

Uma política monetária expansionista quando a taxa de desemprego é muito maior que a taxa estrutural pode ser bastante conveniente, uma vez que, dado o hiato do produto, a mesma pode acontecer sem trazer maiores consequências inflacionárias.

A política monetária significa, portanto, um caminho mais curto até a retomada da economia. O problema é que no Brasil esta é uma ferramenta que tem de tudo para não funcionar. Não agora!

Enquanto a taxa de juro básico não para de cair – já são doze cortes consecutivos – os spreads bancários insistem em permanecer praticamente inalterados. Ou seja, a intenção do governo de estimular a economia via crédito-consumo é divergente da intenção do setor financeiro brasileiro. Continuar lendo

Como os EUA depredam a economia dos emergentes

Política protecionista de Trump combinada com elevação da taxa de juros pretende novo desenho na economia mundial, com prejuízos brutais para os países subdesenvolvidos e emergentes

Por André Galhardo*

Os impactos das guerras comerciais que se instalaram podem ser inúmeros e potencialmente destruidores. Não que na era pré-Trump não houvesse fortes disputas comerciais. Para nos aproximar de um assunto que tem se tornado o eixo central do novo protecionismo dos Estados Unidos, é importante ressaltar que foram abertos 41 processos de investigação de dumping junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) só tratando sobre aço, em 2015 — contra 23 em 2012 e 2013.

O assunto em si não é novo. Representando quase um quarto do PIB mundial, as trocas de mercadorias entre os países são constantemente alvo de disputas judiciais e discussões que fazem estremecer as relações diplomáticas dos protagonistas de um conflito comercial. O fato é que, desta vez, levando em consideração a excentricidade de Donald Trump, a situação parece um pouco mais delicada.

Nos últimos dois anos (2016 e 2017) os Estados Unidos realizaram um déficit comercial da ordem de US$ 1,56 trilhão. No mesmo período, o déficit mensal médio foi de US$ 65 bilhões. Resultado que foi parcialmente suavizado pelos recorrentes superávits nos intercâmbios de serviços. Não é pouca coisa e, apenas para dimensionar o que são US$ 1,56 trilhão, vamos converter isso ao Real (R$), usando a cotação comercial de 23 de março, R$ 3,31. O resultado é de R$ 5,18 trilhões, quase tudo o que o Brasil demora um ano para produzir.

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Agenda: Para tirar a Economia das mãos de “especialistas”

Ciclo “Economia e Crise da Democracia” convida sociedade a debater os temas que, segundo pensamento convencional, deveriam ficar restritos ao “mercado”. Próximo encontro em 20/3

Por Felipe Calabrez


DEBATE
“Economia e Crise da Democracia”

Com Nelson Marconi, professor de economia e de administração pública da FGV-SP
Dia 20 de março, terça-feira, das 19h às 21h
Tapera Taperá – Av. São Luiz, 187, lj 29, Galeria Metrópole, São Paulo

No próximo dia 20, na Tapera Taperá, acontece o segundo encontro do ciclo Economia e crise da Democracia. Considerando que economia é assunto importante demais para ficar restrito a especialistas, concebemos um ciclo de debates que visa discutir de forma clara e acessível questões que o país enfrenta e que envolvem a vida de todos.

O próximo encontro contará com a presença de Nelson Marconi, professor de economia e de administração pública da FGV-SP, importante expoente da escola novo-desenvolvimentista e próximo a Ciro Gomes, candidato à Presidência. O primeiro contou com a presença do professor Luiz Gonzaga Belluzo, que debateu a economia enquanto área do conhecimento, seus pressupostos e sua forma de abordar nossos problemas reais.

A conversa abordará a profunda recessão pela qual o país vem passando, a dificuldade de retomada da atividade econômica e dos investimentos, além da alta persistente do desemprego. Quais seriam possíveis estratégias micro e macroeconômicas para um novo ciclo de desenvolvimento econômico? Como torná-lo mais sustentável em termos dos objetivos de redução das desigualdades, ampliação do emprego formal e do bem-estar da população, incorporação de avanços tecnológicos, aumento da produtividade e justiça socioambiental? Essas são algumas das questões que norteiam o debate.

Revolta Lilith, a rebelião das mulheres

Depois de Rózà, Martha Kiss Perrone e Lowri Evans criam espetáculo que celebra mito feminino pouco conhecido, transitando pelo Gênesis, as acusações de bruxaria e as revoltas de secundaristas, lideradas por garotas

Por Redação


MAIS
Revolta Lilith
De 15 de março a 1º de abril (de quinta a domingo, exceto em 22/3)
Casa do Povo – Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro – São Paulo

R$ 30 | R$ 15 | R$ 10 (moradores do Bom Retiro
Reservas: [email protected] – duração: 1h20 – classificação: 12 anos

Revolta Lilith é um espetáculo que celebra a desobediência das mulheres em diferentes tempos e espaços. A peça parte do mito pouco conhecido de Lilith, considerada a primeira mulher que viveu no Paraíso. Para alguns, ela teria sido expulsa e se tornado uma “demônia”. Nessa peça, Lilith foge do Paraíso, parte em exílio e organiza uma revolta.

Fruto do encontro entre 15 mulheres multi-artistas de diferentes áreas, a peça se concentra na fronteira entre a performance, o teatro e o cinema. O espetáculo se constrói em diálogo com a Gênesis, com debates religiosos, com documentos dos interrogatórios de acusação de bruxaria dos séculos XV e XVI, com os relatos das curdas em sublevação hoje, com o movimento de ocupações dos secundaristas em São Paulo e com as experiências de revolta das próprias performers em cena.

Em São Paulo, uma luta emblemática pelo SUS

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Avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo, paralisada pelos manifestantes, em protesto.

Política privatista do governo Dória ameaça um Centro de Saúde histórico, reconhecido por sua excelência. Usuários e trabalhadores unem-se para defendê-lo

Por Eveline S. Araujo*

Se você paga, não deveria / Porque saúde não é mercadoria”. Com esse slogan ocorreu, nesta segunda-feira (30/10), a primeira de uma série de manifestações públicas previstas pelos usuários e trabalhadores do Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza (CSEGPS-USP). Há 92 anos o centro, que tem história singular, presta atenção básica na Saúde em São Paulo. É tido como unidade de excelência. Mas encontra-se sob risco, porque a prefeitura, sob a gestão João Dória, reluta em manter os recursos que garantem sua existência.

A manifestação desta segunda utilizou como estratégia vários bloqueios temporários no trânsito de duas vias importantes da zona oeste da metrópole – Doutor Arnaldo e Teodoro Sampaio. Buscou dois objetivos: alertar a população sobre os riscos de desmonte do SUS e pressionar a prefeitura a manter um convênio essencial ao funcionamento do Centro de Saúde

Criado em 1925 ele está ligado à história do sanitarismo no Brasil. Foi o primeiro Centro de Saúde em São Paulo (chamado, por isso, de “Modelo”) e, para alguns, no país. Está instalado, desde 1931, num alegre casarão, que foi habitado – e mais tarde doado ao serviço público – por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Ligou-se, em 1945, à Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, onde permanece.

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