Mato Grosso do Sul exporta carne com sangue indígena

Professora Ana Sueli Firmino, da etnia Terena

Milhares de cabeças de gado ocupam terras indígenas e dizimam seu povo, diz professora Ana Sueli Firmino, terena da aldeia Buriti, na primeira de três entrevistas com mulheres sobre desigualdade no campo

Por Oxfam Brasil

O estado do Mato Grosso do Sul tem, segundo o IBGE, mais de 60 mil indígenas, que lutam há décadas pela demarcação de suas terras, hoje ocupadas por fazendeiros. Nesse conflito, o saldo é amplamente desfavorável aos povos indígenas. O direito histórico à terra dos povos originários é desrespeitado pelo governo federal, que não toma as devidas medidas para demarcação dos territórios, e pelos grandes empresários do agronegócio local. No Mato Grosso do Sul, por mais absurdo que possa parecer, a vida dos milhares bois e vacas tem mais valor do que a dos indígenas.

“Essa carne (produzida no Mato Grosso do Sul) está saindo com sangue. Está sendo vendida, exportada, à custa de derramamento de sangue. É todo um povo que está sendo dizimado”, afirma Ana Sueli Firmino, indígena Terena da aldeia Buriti [1], do Mato Grosso do Sul, que participou de oficina organizada pela Oxfam Brasil em São Paulo com mulheres de diversos movimentos sociais, lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais, para discutir a relação de mulheres do campo com a concentração de terras e o modelo de agricultura adotado no Brasil.

Em 2106 lançamos o relatório Terrenos da Desigualdade: terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural  e nele mostramos diversos dados que revelam a grande concentração de terras no país, como o fato de as maiores propriedades terem sido as que mais receberam incentivos e foram melhoradas, com acesso a créditos, pesquisa e assistência técnica com o objetivo de produzir para exportação ou atender à indústria agroindustrial.

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TEXTO-FIM

Jacques e a Revolução volta — e parece ainda mais atual

Em cena, Katia Iunes | Foto de MarQo Rocha

Tirania, manipulação, jogos de poder, sedução e sexo recheiam os diálogos de Jacques, um empregado de segundo escalão, e  o Empresário. Uma história que poderia acontecer em Brasília, ou no agronegócio brasileiro

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Jacques e a Revolução ou Como o criado aprendeu as lições de Diderot
Direção de Theotonio de Paiva
Montagem da Todo o Mundo Cia de Teatro
Teatro Municipal Café Pequeno – Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Metrô Jardim de Alah — Rio de Janeiro
Tel. (21) 2294.4480.
De 8 a 30 de maio – às terças e quartas
Horários: 20h | Faixa etária: 14 anos | Duração: 80 min
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A cada nova temporada a comédia dramática Jacques e a Revolução ou Como o criado
aprendeu as lições de Diderot, de Ronaldo Lima Lins, montagem inaugural da Todo o
Mundo Cia de Teatro, dirigida por Theotonio de Paiva, torna-se mais atual, como o público poderá conferir a partir de 8 de maio, às 20h, no Teatro Municipal Café Pequeno.

Acalentada por cinco anos, a montagem já realizou três temporadas: Parque das Ruínas
(2016), Teatro Ziembinski (2017) e Serrador (2018). Artistas de várias gerações compõem a Todo o Mundo Cia de Teatro: os atores Abílio Ramos, Katia Iunes, Marco Aurélio Hamellin e Sol Menezzes, que atuam sob a iluminação de Renato Machado, com a trilha sonora original de Caio Cezar e Christiano Sauer e direção de arte de Marianna Ladeira e Thaís Simões, além da direção de movimento da coreógrafa Carmen Luz.

Jacques e a Revolução é uma inspiradíssima comédia dramática, com tintas fortes e belos diálogos que flertam com a condição humana contemporânea, num mundo atravessado por subornos, apropriação indébita de capital público, zero apreço pelo cidadão, luta das mulheres e intolerância cultural. Tudo isso está lá, na engenhosa dramaturgia de Ronaldo Lima Lins, peça vencedora do Prêmio Maurício Távora – 1989 / Secretaria de Cultura do Estado do Paraná. Continuar lendo

O corpo como instrumento de combate


Estreia em São Paulo peça construída coletivamente por estudantes e artistas, sobre as ocupações secundaristas. Dança e canto dão corpo às experiências registradas em atas, diários, fotos e vídeos

Por Jean Tible

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Quando Quebra Queima
4, 5, 6 de Maio (sexta a domingo), 19h
13 de Maio (domingo), 19h
Casa do Povo: Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro
Metrô Tiradentes/ Metrô Luz
20 reais/10 estudante e morador do Bom Retiro
Secundarista de Escola Pública não paga
Bilheteria aberta 1h antes do espetáculo
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Quando Quebra Queima é uma peça construída por estudantes que viveram o processo de ocupações e manifestações do movimento secundarista em 2015 e 2016. Frutos da primavera secundarista, 14 corpos insurgentes deslocam para a cena a experiência dentro das escolas ocupadas, criando uma narrativa coletiva e comum a partir da perspectiva de quem viveu intensamente o cotidiano dentro do movimento.

Ocupando o tempo presente, a ColetivA provoca de maneira pulsante o universo que compõe esse movimento que transformou o corpo e vida de todos que participaram.

Quando Quebra Queima é um espetáculo levante, fruto de quase dois anos de encontros e vivências da ColetivA Ocupação.

A peça descatraca a memória coletiva narrando a experiência da luta secundarista que se estende à luta cotidiana daqueles que a viveram: resgatando atas, diários, fotos e vídeos.

Durante as ocupações, o grupo experienciou o que é pensar e agir através do corpo e performance como instrumento de combate, agora nesta peça provocamos o encontro entre a dança, canto, música para dar corpo as nossas experências.

Criação

Abraão Santos / Alicia Esteves / Alvim Silva / Ariane Fachinetto / Beatriz Camelo / Gabriela Fernandes / Ícaro Pio / Leticia Karen / Lilith Cristina /Marcela Jesus / Matheus Maciel / Mel Oliveira / André Dias de Oliveira / Heitor de Andrade / Martha Kiss Perrone / Mayara Baptista

ColetivA Ocupação

A ColetivA Ocupação é um encontro entre estudantes, artistas e performers de diferentes regiões de São Paulo, que se conheceram durante as ocupações entre 2015 e 2016.A partir dessa experência, a luta secundarista seguiu por vários espaços e ganhou diferentes formas e desdobramentos – o teatro e a performance foi uma delas. Em 2016 Martha Kiss Perrone com o espetáculo Rózà fez uma circulação por Escolas Públicas e muitos secundaristas se aproximaram do teatro com esse encontro.
A ColetivA, no seu dia a dia de encontro e investigação, busca tecer outras relações, na vida interna do grupo e com o mundo.

vamos ocupar as escolas
vamos ocupar as ruas
vamos ocupar os teatros
vamos ocupar as universidades
vamos ocupar as narrativas
vamos ocupar tudo

“Ver esses cabelos, esses cabelos azuis e rosas, esses vários tons. O que vocês fizeram, têm feito e estão fazendo é muito importante, mas é mais importante para aquilo o que podemos ser, e é disso que vocês estão falando, daquilo que nós podemos ser.”

(Salloma Salomão)

[email protected]
https://www.facebook.com/events/441640636277350/

Atos por Marielle multiplicam-se


Protestos contra seu assassinato e homenagens a sua trajetória prosseguem e espalham-se pelo país, no sétimo dia do assassinato da vereadora. Confira e participe

A partir de hoje (20), sétimo dia da execução de Marielle Franco, até a próxima segunda-feira (26), estão programadas mais de 40 manifestações de protesto e atos ecumênicos, contra o assassinato de Marielle Franco. Domingo (18) e segunda (19) foram realizados 15 atos, no Brasil e cidades como São Francisco e Boston (EUA), Toronto (Canadá), Coimbra e Covilã (Portugal), Lima (Peru), Montevidéu (Uruguai), Georgetown (Guiana).

20/03 – Terça-feira

CAPITAIS
São Paulo – 17h – MASP
Rio de Janeiro – 17h – Candelária
Rio de Janeiro – 18h – Cinelândia – Ato ecumênico
Rio de Janeiro – 18h – Gávea – Missa celebrada pelo padre Josafá Carlos de Siqueira, reitor da PUC, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus
Belo Horizonte – 17h30 – Ato inter-religioso na Praça da EstaçãoAracaju – 18h – Câmara Municipal
Brasília – 17h30 – Rodoviária do Plano Piloto
Salvador – 17h30 – Igreja Nossa Senhora dos Pretos
Manaus – 17h – Largo São Sebastião
João Pessoa – 17h – Missa na Paróquia Menino Jesus de Praga, no bairro dos Bancários
João Pessoa – 18h30 – Centro de Vivências, UFPB
Maceió – 16h – Praça Deodoro
Natal – 17h – Av. Bernardo Riviera, 3.775
Fortaleza – 17h – Universidade Estadual do Ceará
Porto Alegre, 18h – Esquina Democrática
Belém – 18h – CAN
Recife – 16h – Praça do Diário
Curitiba: 19h – Praça Santos Andrade
Aracaju – 18h – Câmara Municipal
INTERIOR
Francisco Beltrão (PR) – 17h15 – Praça Central
Guarulhos – 17h – praça Tereza Cristina
Hortolândia (SP) – 9h – Feira Livre
Itaúna (MG) – 16h – Praça Doutor Augusto
Macaé (RJ) – 17h – Sociedade Musical Nova Aurora
Niterói: 21/03, 16h – Câmara Municipal
Paranaguá (PR) – 18h – Câmara Municipal
Ponta Grossa (PR)– 17h – na Praça das Igreja dos Polacos
Ponta Grossa (PR)– 19h – ato inter-religioso no Parque Ambiental
Ribeirão Preto (SP) – 17h30 – Câmara Municipal de Ribeirão Preto
Santos (SP) – 18h – Estação da Cidadania
São Carlos (SP) – 18h30 – NEAB – UFSCar
Sorocaba (SP) – 17h – Praça Frei Baraúna
Vitória (ES) – 14h – Horto do Maruipe
EXTERIOR
Madri, Espanha – 18h – Embajada de Brasil en Madrid

21/03 – Quarta-feira

São Paulo – 17h – Largo São Francisco
São Paulo – 18h30 – PUC-SP
Belo Horizonte – 17h30 – Praça Sete
Alvorada (RS) – 11h – Parada 48
Cabo Frio (RJ) – 17h – Praça Porto Rocha
Campinas (SP) – 18h – Largo do Rosário
Mogi das Cruzes (SP) – 18h – Largo do Bom Jesus

22/03 – Quinta-feira

Rio de Janeiro – 20h – Santo Cristo
São José dos Campos (SP) – 18h – Praça Carlos Maldonado

24/03 – Sábado

Ouro Preto (MG) – 14h – Praça Tiradentes
Amiens, França – 14h – Place Gambetta

26/03 – Segunda-feira

Sidney, Austrália -18h – Martin Place

Cinema — e é pela vida das mulheres


“Direito de Decidir” ter ou não filhos é o tema dos filmes exibidos hoje (13) pelo Cineclube das Outras, em São Paulo. A programação prossegue por mais duas semanas, com as sessões “Prostitutas” e “Memórias”

Cineclube das Outras
Entrada franca (Distribuição de senhas 1h antes do início da sessão)
Local: Sesc Santana
Data: 13 a 27de março de 2018
Horário: 20h

O Cineclube das Outras, iniciativa voluntária de mulheres de diferentes gerações e atuações, em São Paulo – integrantes da Associação Cultural Kinoforum, da produtora Doctela, da Taturana Mobilização Social e do Outras Palavras – exibe no mês da luta das mulheres uma programação integrada ao projeto De|Generadas, do Sesc Santana.
Para marcar o mês da luta das mulheres, o cineclube programou sessões temáticas seguidas de debates com diretoras e atrizes, com filmes que abordam o universo feminino não apenas em seus problemas, mas também em suas conquistas. Depois da primeira sessão, “Libertas”, o tema é “Direito de Decidir” sobre ter ou não filhos, uma das maiores lutas do feminismo brasileiro e internacional.

O Cineclube das Outras nasce do desejo de exibir e debater a produção audiovisual das mulheres brasileiras, particularmente de curta-metragem, com foco em Outras narrativas, narrativas das Outras: mulheres negras, brancas, indígenas, LGBTs, migrantes. Vem somar-se à criação de cineclubes feministas de vários outros estados, tais como Quase Catálogo  e Cineclube Delas (RJ), Feministas de Quinta  (ES), Cineclube Aranha  (BH), entre outras.

PROGRAMAÇÃO

13 de março (terça-feira) 20h – sessão ‘Direito de decidir’

>Aborto não é Crime, dir. Rita Moreira, 16 min.

>A boneca e o silêncio, dir. Carol Rodrigues, 2017, 19 min.
A solidão de Marcela, uma menina de 14 anos, que decide interromper uma gravidez indesejada.

> CEP 05300, dir. Adria Meira, Lygia Pereira, Camila Santana, 2016, 21 min.
A história de mulheres que cresceram na mesma rua e que em momentos diferentes da vida realizaram um aborto. Em conversas informais, elas relatam suas diferentes experiências com o processo, evidenciando a necessidade de expor o tema, bem como legalizar o procedimento.

>Clandestinas, dir. Fádhia Salomão, 2014, 24 min.
Clandestinas conta histórias de mulheres que abortaram ilegalmente no Brasil. Com depoimentos que contam suas próprias experiências e interpretam relatos de anônimas, o vídeo mostra como a criminalização da interrupção voluntária da gravidez penaliza todas as mulheres.

Debate: Rita Moreira, Morgana Naughty, Lygia Pereira, Giu Rocha, Priscila Resende
Mediação: Inês Castilho

20 de março (terça-feira) 20h – sessão ‘Prostitutas’

>Mulheres da Boca, dir. Cida Aidar e Inês Castilho, 1981, 22 min.
Na Boca do Lixo, centro de São Paulo, desde uma visão feminina, o cotidiano de prostitutas e de seus exploradores, cafetinas e malandros, parte de uma rede social ambígua, entre a malandragem e a corrupção.

>69 – Praça da Luz, dir. Carolina Markowicz, Joana Galvão, 2007, 15 min.
Prostitutas de idade avançada ganham a vida na Praça da Luz, em São Paulo. Relatos inusitados e surpreendentes de cinco mulheres que revelam em detalhes suas experiências em todos esses anos de profissão.

>Maria, dir. Carol Correia, 2016, 14 min.
No tempo do corpo vive a memória. Maria caminha pelas ruas de um passado de beleza e desventuras, senta-se na calçada, acende um cigarro e desfruta da sua habitual solidão.

> Mercadoria / Goods, dir. Carla Villa-Lobos, 2017, 15 min.
“Mercadoria” fala sobre as vivências de seis mulheres que trabalham com prostituição. O filme foi construído a partir de conversas com prostitutas da Vila Mimosa, mais famosa zona de prostituição da cidade do Rio de Janeiro, e busca mostrar o ponto de vista dessas mulheres com relação ao seu trabalho.

Debate: Inês Castilho, Joana Galvão, Carol Correia, Carla Villa-Lobos
Mediação: Beth Sá Freire

27 de março (terça-feira) 20h – sessão ‘Memórias’

Fotografrica dir. Tila Chitunda, 2016, 25 min.

Dona Amélia é uma angolana refugiada de guerra que recomeçou a vida em Olinda. A partir do seu mural de fotografias a filha mais nova, nascida no Brasil, vai em busca de suas raízes.

KBELA, dir. Yasmin Thayná, 2016, 22 min.

Uma experiência audiovisual sobre ser mulher e tornar-se negra.

>Abigail, dir. Valentina Homem, Isabel Penoni, 2016, 16 min.

Abigail Lopes une os pontos de um mapa humano que conecta indigenismo e candomblé. O avesso do inverso, uma casa aberta de memórias quase extintas.

>Torre, dir. Nádia Mangolini, 2017, 18 min.

Quatro irmãos, filhos de Virgílio Gomes da Silva, o primeiro desaparecido político da ditadura militar brasileira, relatam suas infâncias durante o regime.

Debate: Tila Chitunda, Valentina Homem, Yasmin Thayná, Nádia Magolini
Mediação: Lívia Perez

Cineclube das Outras abre ciclo com Libertas

Cena de “Peripatéticos”, de Jéssica Queiroz

Projeto coletivo, do qual “Outras Palavras” participa, exibe e debate, em São Paulo, curta-metragens que abordam universo feminino, seus problemas e conquistas

Por Inês Castilho


Cineclube das Outras – sessão “Libertas”

Entrada franca (Distribuição de senhas 1h antes do início da sessão)
Local: Sesc Santana – Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana, São Paulo
A partir de 6 de março de 2018, às 20h

O Cineclube das Outras promove a partir de amanhã, 6 de março, na programação do projeto De|Generadas, sessões de exibição de curtas-metragens que abordam o universo feminino em seus problemas, mas também em suas conquistas.

Criado por um grupo de mulheres de diferentes gerações e atuações – integrantes da produtora Doctela, da Taturana Mobilização Social, do Kinoforum e do site Outras Palavras – , o Cineclube das Outras nasce de um desejo: criar um espaço coletivo de diálogo e reflexão por meio da exibição de filmes de e sobre mulheres com foco em Outras narrativas, narrativas das Outras: mulheres negras, brancas, indígenas, LGBTs, migrantes.

Nasce numa conjuntura de resistência: em tempos de fortalecimento do feminismo, o meio audiovisual não ficou de fora. Ao recorte de gênero somam-se no debate os de classe e cor, sem o que o setor audiovisual continuará reproduzindo os privilégios e preconceitos arraigados na sociedade brasileira — desigualdade de oportunidades, renda e gênero, além de homofobia, transfobia, exclusão de indígenas e quilombolas.

Priorizamos curtas-metragens nacionais, pelo formato potente e concentrado, e também porque sua circulação ainda é mais restrita que outros formatos.

Na sessão “Libertas” apresentamos os seguintes filmes:

Pele de Pássaro, dir. Clara Peltier (Documentário, 2015, 15’)
Tuane veste uma fantasia para enfrentar a realidade.

Gordas!, dir. Luiza Junqueira (Documentário, 2015, 15’)
Gordas! aborda a relação de três mulheres gordas com seus corpos, cujos depoimentos irão revelar vivências únicas.

Peripatético, dir. Jessica Queiroz (Ficção, 2017, 15’)
Simone, Thiana e Michel são jovens moradores da periferia de São Paulo. Simone procura o primeiro emprego, Thiana tenta passar no vestibular de medicina e Michel ainda não sabe o que fazer. Em meio às demandas do início da fase adulta, um acontecimento histórico em maio de 2006 na cidade de São Paulo muda o rumo de suas vidas para sempre.

Sem Você a Vida é uma Aventura, dir. Alice Andrade Drummond (Ficção, 2015, 19’)
Hoje Amanda só queria ir à praia.

Após a sessão haverá um debate com Clara Peltier, Tuane Rocha, Rachel Patricio, Jessica Queiroz e Alice Andrade Drummond
Mediação: Lili Almendary

 

O jovem infrator, por ele mesmo

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Há 30 anos, filme de Lucila Meirelles desafiava os preconceitos da narrativa oficial e dava voz aos internos da antiga Febem. Obra volta a ser exibida (e debatida) neste sábado
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Exibição de Pivete – 30 anos
Sábado, 21 de outubro, às 19 horas – Grátis
Coletivo Digital
Rua Cônego Eugênio Leite, 1117, Pinheiros, São Paulo
Confirme presença aqui
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O Coletivo Digital, que mantém uma programação cultural mensal com filmes, música, exposições e mostras de artes tratando de temas ligados aos Direitos Humanos, exibe neste sábado, 21, às 19h, o curta metragem Pivete, de Lucila Meirelles. A diretora participará de uma roda de conversa ao final do filme.

Há 30 anos, Lucila conseguiu autorização para entrar em uma unidade da Febem do Tatuapé para filmar os menores. Destas filmagens, em que os jovens falam livremente para a câmera e o microfone, surgiu o curta Pivete, de 7 minutos, filmado em VHS.

A ideia principal era romper com o olhar institucional sobre o menor infrator nos documentários, e partir para uma linguagem mais poética e informal, valorizando gestos, olhares, atitudes. A visão do menor por ele mesmo.

Passadas três décadas, o curta, que foi premiado no Festival VideoBrasil e na Jornada de Cine/Video Maranhão, e participou de mostras na França, EUA e Alemanha volta a ser assistido e debatido com a própria diretora. A grande pergunta é: o que mudou na condição do menor, no Brasil, de 1987 para cá?

O Coletivo

Fundado em 2005, o Coletivo Digital luta pela internet livre em campanhas com outros grupos (Campanha banda Larga é um Direito Seu! e Coalizão Direitos na Rede) e vem atuando em projetos voltados à Inclusão Digital, utilizando-se dos softwares livres como meio principal. Em 2009 transformou-se em OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público).

MST denuncia desmonte da Reforma Agrária e Agroecologia

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Ministério do Planejamento ocupado. Políticas de Temer podem devastar famílias camponesas e dizimar produção orgânica, em país já castigado pelos agrotóxicos

Cerca de 1000 trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra (MST) de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal ocupam o andar térreo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em Brasília. Em São Paulo e outras cidades o MST ocupa as sedes regionais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

A mobilização é parte da Jornada Nacional das Lutas de Outubro e denuncia o desmonte da política de Reforma Agrária e o corte brutal de diversas políticas públicas para a agricultura familiar no projeto de lei orçamentário de 2018.

Aprovada, a proposta do governo Temer trará impactos irreparáveis para o campo e a cidade, alerta Silvia Reis Marques, da direção do MST no Rio Grande do Sul. “As famílias camponesas serão devastadas e será o fim do processo produtivo de alimentos saudáveis e de cuidado com a terra. Isto vai se refletir no conjunto da sociedade brasileira, porque quem produz 70% da comida são os pequenos agricultores e assentados.” Continuar lendo

O nosso 11 de setembro

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11 de setembro de 1973: o Palácio La Moneda, onde estava o presidente socialista Salvador Allende, é bombardeado pelo Exército chileno sob o comando do general Augusto Pinochet

Um brasileiro que vivia no Chile registrou o dia fatal do golpe que despedaçou a democracia de Allende, em 1973, Aconteceu muito antes do 11 de setembro dos EUA – que ajudaram a instalar a ditadura em Santiago

Por Cid Benjamin

Ontem, 11 de setembro, foi aniversário do sangrento golpe militar que assassinou Salvador Allende e implantou a sangrenta ditadura do general Pinochet.

Na ocasião eu estava no Chile, onde tinha ingressado com documentos falsos para voltar clandestinamente ao Brasil, depois de ter sido trocado, juntamente com outros 39 presos políticos, por um embaixador sequestrado pela guerrilha.

Reproduzo aqui o trecho do meu livro de memórias Gracias a la vida (Editora Jośe Olympio, 2013), em que falo desse dia.

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“No dia 11 de setembro veio o golpe, que, em seu momento inicial, talvez tenha sido o mais violento dentre todos os acontecidos na América Latina.

“Na ocasião, já estávamos há poucas semanas, eu, Isolde e Ani, em outra casa, melhor do que o apartamento em que, até então, tínhamos morado. No dia do golpe, saí cedo para uma reunião política com brasileiros. Na rua, senti um clima estranho. E havia grande movimento de helicópteros e aviões. Perguntei a um transeunte se tinha acontecido algo.

“Los milicos se alzaran”, foi a resposta.

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Em defesa da Reforma Psiquiátrica

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Integrante do governo Temer propõe volta dos manicômios públicos. Pesquisadores e docentes lançam mobilização por uma política de Saúde Mental digna e contemporânea

Por Inês Castilho

O sistema de saúde brasileiro encontra-se ameaçado pelo subfinanciamento e a falta de planejamento, avaliação e gestão, mais o abandono da política de formação e qualificação permanente de seus profissionais.

Mereceu repúdio de docentes e pesquisadores em Saúde Mental a proposta levada ao Conass (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde) pelo coordenador para Saúde Mental Álcool e outras drogas do ministério da saúde, Quirino Cordeiro, em reunião no dia 31 de agosto. Ele propõe abandonar a orientação atual, da Reforma Psiquiátrica, e expandir os hospitais psiquiátricos nos próximos vinte anos — quando as verbas para o SUS, o Sistema Único de Saúde poderão ficar congeladas.

Manifesto lançado pelo grupo de trabalho em Saúde Mental da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) considera retrógrada e obscurantista a proposta do atual coordenador de Saúde Mental.

“Ao longo de pelo menos 10 anos de implantação da Reforma Psiquiátrica, um grande número de trabalhos publicados em periódicos nacionais e internacionais, e mesmo uma importante publicação no renomado periódico Lancet, têm apresentado evidências dos inegáveis efeitos positivos da Reforma Psiquiátrica Brasileira sobre a vida de usuários e usuárias de saúde mental que têm acesso aos serviços territorializados”, afirma o manifesto.

A assistência à saúde mental no Brasil atravessou profundas mudanças a partir da Constituição de 1988. Graças à luta antimanicomial, transitou do modelo hospitalocêntrico adotado no regime militar para um sistema em que os recursos são gastos principalmente com os serviços comunitários e não com hospitais.

O psicanalista Antonio Lancetti, personagem fundamental do movimento antimanicomial no Brasil – “que se organizou em torno da utopia de uma sociedade sem manicômios” – recentemente falecido, conta um pouco dessa história no primeiro episódio da série audiovisual Psicanalistas que Falam.

Serviços comunitários como os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), unidades especializadas em saúde mental para tratamento e reinserção social de pessoas com transtorno mental grave e persistente, tiveram entre 2001 e 2014 uma expansão importante, chegando em 2006 à inversão do padrão do gasto público.

Com isso, o Brasil alinhava-se à tendência mundial de qualificar, com respeito e liberdade, os cuidados comunitários para portadores de doenças mentais, mantendo-os perto de suas famílias – uma tendência que vinha desde o fim da segunda guerra mundial. Esta é a orientação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS): “reestruturação da atenção em saúde mental articulada à rede de serviços territoriais, inseridos na comunidade onde vivem os usuários, suas famílias, amigos e referências pessoais e reabilitadoras, de forma a viabilizar a substituição de hospitais e manicômios como espaços preferenciais de cuidado.”

“A mudança traria um enorme prejuízo”, afirma Pedro Henrique Marinho Carneiro, que atuou na coordenação de saúde mental do ministério. A redução do uso de leitos de hospitais psiquiátricos não ocorreu à toa, observa. “Há um acúmulo de relatos de histórias de violação de direitos humanos nessas instituições. Isso trouxe para o Brasil até mesmo condenação em cortes internacionais”.

A despeito de seu crescimento, o modelo brasileiro de assistência à saúde mental ainda precisa expandir os serviços comunitários, dos que menos se expandiram no país, fragilizando as redes de atenção – o que tem sido usado como argumento para justificar o retrocesso.

“O nosso compromisso, portanto, é com a ampliação e fortalecimento desse modelo, e não com o seu retrocesso e desestruturação”, conclui o manifesto de docentes e pesquisadores.