Uma voz singrando as águas


Filme de Letícia Simões (na foto), no Festival Mulheres no Cinema, hipnotiza ao narrar as memórias de um escritor da Ilha de Marajó e seu amor particular

Por Inês Castilho

O Chalé é uma ilha batida de vento e chuva, da carioca Letícia Simões – um dos seis filmes da mostra competitiva nacional do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM), que acontece em São Paulo até dia 11 – me cativou com seu afeto, ritmo, delicadeza.

“O título vem de um capítulo do primeiro livro de Dalcídio, Chove nos Campos de Cachoeira, em que ele narra a enchente que acometeu sua casa, o chalé, levando com as águas suas memórias e as parcas roupas” – explica Letícia sobre o título perturbador que escolheu para seu filme.

O Chalé narra cartas de Dalcídio Jurandir (1909-1979), escritor nascido na Ilha de Marajó com 11 livros publicados, amados na Amazônia mas pouco conhecidos por aqui. Em 1939, recém-saído da prisão por protestar contra a ditadura Vargas, aceita o único emprego que lhe aparece: o de inspetor das escolas da maior ilha fluvio-marítima do mundo. São as cartas que escreve à mulher amada, Guiomarina, e ao filho de 9 meses, Alfredo, que Letícia Simões narra nesse filme.

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TEXTO-FIM

IV Salão do Livro Político debate país pós golpe


Mesa de abertura, 18 de junho, reúne pré-candidatos à presidência. Participam Fernando Haddad, Jessé Souza, Ladislau Dowbor e Sueli Rolnik. Na feira de livros, descontos chegam a 50%
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MAIS
Salão do Livro Político
De 18 a 21 de junho, das 10h às 22h.

Tuca: Rua Monte Alegre, 1024, São Paulo
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Crise, eleições, cenário econômico, censura e ciências, fake news e os 30 anos da Constituição de 1988 versus o atual protagonismo do Poder Judiciário, no Brasil pós golpe de 2016, são os temas debatidos nesta IV edição do Salão do Livro Político. Em paralelo uma feira de livros oferecerá centenas de títulos, de cerca de 30 editoras, com descontos de até 50%.

Além do Brasil pós-golpe serão abordados a situação política do Oriente Médio e fatos que marcaram a história global e continuam ecoando: maio de 1968, 50 anos depois, Marx e o marxismo no bicentenário do nascimento do filósofo alemão e os rumos da Revolução Cubana, após quase 60 anos. No ano da Copa do Mundo e no momento em que se desvela a corrupção na Fifa, o futebol também está na pauta do evento.

A mesa de abertura, dia 18 à noite, reunirá candidatos do campo de esquerda à presidência da república. Lula e o PT estarão representados pela senadora Gleisi Hoffmann. Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Vera Lúcia (PSTU) já confirmaram presença. Para as demais mesas estão confirmados o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e intelectuais como Jessé Souza, Ladislau Dowbor, Marcio Pochmann, Leda Paulani, Laura Carvalho, Ricardo Antunes, Esther Solano, Olival Freire, Gilberto Maringoni, Sueli Rolnik e Marcelo Semer, além do jornalista e acadêmico Leonardo Sakamoto mediando o debate sobre fake news.

Este ano o curso gratuito ministrado durante o Salão, “A teoria da revolução”, será dividido em quatro aulas que abordam Marx (com o professor Mauro Iasi), Lênin (Augusto Buonicore), Bakunin (Acácio Augusto) e Rosa Luxemburgo (Isabel Loureiro).

Em sua terceira edição, que homenageou Antonio Candido e contou com a presidenta Dilma Rousseff na abertura, o Salão recebeu cerca de 3,5 mil visitantes entre estudantes, professores universitários e militantes de movimentos sociais e partidos políticos de vários estados, que participaram de 13 mesas e conferências, inclusive com autores internacionais, além de cursos e apresentações culturais.

Iniciativa de um grupo de editoras independentes de grandes grupos editoriais, desde o ano passado em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), o Salão do Livro Político tem como objetivo fortalecer as editoras, aumentar a visibilidade de suas obras políticas no mercado e incentivar as vendas e a leitura desses livros. Os livros políticos representam atualmente algo em torno de 2,5% do total de obras publicadas no país a cada ano, considerando-se as três áreas correlatas (sociologia, filosofia e economia).

Eu avisei!, dizem Ciências Humanas sobre crise nos transportes

Caminhões fecham a Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, 25 de maio

Ao contrário da maioria da população, pesquisadores já sabiam quanto poder o petróleo tem, nas condições atuais, sobre funcionamento da vida cotidiana

Por Antonio Gomes

A pesquisa acadêmica é, para nós das Ciências Humanas, um trabalho muitas vezes ingrato.

Não importa o quanto nos dediquemos, passando horas a fio queimando os miolos em uma biblioteca, discutindo interminavelmente nos grupos de estudo ou pensando em nossos temas de pesquisa no travesseiro antes de dormir: invariavelmente, somos questionados (inclusive por nós mesmos) sobre o sentido de passar anos vivendo de parcas bolsas para escrever um trabalho que possivelmente vá ficar “empoeirando em uma prateleira de biblioteca sem que quase ninguém o leia”.

Mais do que isso, somos acusados de “viver às custas do governo”, “torrando” dinheiro público em pesquisas “sem utilidade alguma” enquanto faltam remédios nos hospitais e livros nas escolas, e também nos acusam de viver em um mundo de fantasias, de teorias e conjecturas que “só existem em nossas cabeças”, enquanto a suposta “realidade” da vida prática seria mais simples e menos “metida a besta”.

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O que a educação precisa aprender ?


Seminário na URFJ debate desigualdades na Educação brasileira e lança pergunta incômoda: uma de suas causas não estará em termos desprezado, desde o início, os saberes dos não-brancos?
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MAIS:
“Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde”
13, 14 e 15 de junho no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ
Avenida Carlos Chagas Filho, 373, Cidade Universitária (Campus Ilha do Fundão), UFRJ
Inscrições gratuitas, a ser feitas aqui
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O seminário “Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde” apresentará um panorama crítico sobre as políticas e práticas educativas a partir da interculturalidade, descolonização e diversidades. Construindo essa análise estarão 30 pesquisadores na área  de educação, ciências e saúde da Bahia, Ceará, Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, além do Rio de Janeiro e uma participação da Argentina. A programação inclui conferências, mesas de debates, mostra de filmes, apresentações artísticas, exposições e oficinas que relacionam a educação com teatro, alimentação, patrimônio e artes.

Katemari Rosa, física e filósofa da ciência, professora da UFBA, coordena o projeto “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

Haverá três conferências. No dia 13, o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Reinaldo Fleuri, que atua na área de movimentos sociais e educação intercultural, falará sobre “Educação e descolonialidade: aprender com os povos originários”. No dia 14, a argentina Ana Dumrauf, professora da Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação da Universidade Nacional de La Plata, em Buenos Aires, falará sobre “Caminos de construcción pedagógica descolonizadora en Educación en Ciencias Naturales, Ambiental y en Salud: experiencias de articulación con movimientos sociales”. No dia 15 a conferencista será Cristina Nascimento, coordenadora da Articulação Nacional do Semiárido Brasileiro (ASA) no Ceará.

Entre as questões propostas no seminário está a seguinte: “É possível descolonizar as políticas públicas?” Nesse sentido, a relação entre intersecção entre gênero e raça será debatida por Katemari Rosa, pesquisadora em física e filosofia das ciências e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde 2015, ela coordena o projeto de história oral “Contando Nossa História: Negras e Negros nas Ciências, Tecnologias e Engenharias no Brasil”.

Gersem Baniwa, da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da UFAM, falará sobre “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”

“O que a educação precisa aprender?”. A pergunta será debatida por três palestrantes, entre os quais Gersem Baniwa, professor  da faculdade de Educação e diretor de Políticas Afirmativas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Gersen tratará o tema “Educação para o manejo do mundo: experiências com a educação indígena”. Como liderança indígena, ele foi dirigente da  Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Diretor-Presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (CINEP).

“Política da Diferença” será apresentada por Elizabeth Macedo, pesquisadora sobre cultura em matriz pós-colonial e pós-estrutural. É também coordenadora do grupo de pesquisa Currículo, Cultura e Diferença, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

As desigualdades no Brasil atual também serão analisadas sob a ótica da educação popular, educação quilombola e do campo. Além das mesas de debate e troca de experiências, o seminário contará com dois filmes, seguidos de debates com seus idealizadores.

O documentário “Anamnese”, produzido pelo cineasta Clementino Junior em parceria com o coletivo Negrex, mostra os percalços da vida acadêmica de estudantes negras e negros do curso de Medicina. As histórias conduzem à reflexão sobre o que é o sistema de ensino superior, que tipo de pessoas aceita e que profissionais forma. A sessão será seguida de conversa com Clementino e Pedro Gomes, do Negrex, no dia 14 de junho.

Já o filme “Fora de série”, dirigido por Paulo Carrano, coordenador do Observatório Jovem do Rio de Janeiro e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), relata o percurso de vida e o processo de formação escolar de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), matriculados em 13 escolas públicas da cidade. Ao final, Paulo conversa sobre juventude e escola. Será no dia 15.

Os participantes também poderão realizar oficinas, com o intuito de pensar processos educativos mais plurais. Entre as oficinas estão as sobre corporiedade e teatro, com a companhia Ciênica; Alimentação e cultura, com o projeto Culinafro; e Comida é Patrimônio, com o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN).

Uma apresentação de jongo do Quilombo da fazenda Machadinha, no município de Quissamã (RJ), marcará o encerramento do seminário.

“Desigualdades na educação no Brasil: desafios para o ensino de ciências e saúde” é organizado pelo Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e Saúde, do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (Nutes), http://www.nutes.ufrj.br/ sob a coordenação do professor Alexandre Brasil, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

PROGRAMAÇÃO

13 de junho – Quarta
09h00-09h30: Atividade Cultural
Grupo Africanias, Escola de Música da UFRJ
09h30-10h: Mesa de Abertura
Representante da Reitoria da UFRJ
Representante da Decania do CCS
Representante da Direção do NUTES
Coordenação do Evento
10h – 12h: Educação e Desigualdades: desafios para o
Brasil
Givânia Maria da Silva, UNB
Guilherme Brokington, UFABC
Florence Brasil, UFRJ
Coordenação: Isabel Martins, UFRJ
13h30 – 14h30: Conferência
Reinaldo Fleuri, UFSC
Coordenação: Mirian Struchiner, UFRJ
14h30-16h30: Experiências do Sul: estratégias para a
formação de professores no Ensino de Ciências
Linguagens, desenvolvimento e ciências: experiências
na formação de professores no Timor-Leste
Suzani Cassiani, UFSC
Contribuições no enfrentamento das desigualdades
para o ensino de ciências na educação básica
Helder Eterno, UFU
Formação de professores(as) na perspectiva crítico-
dialética
Bárbara Carine Soares Pinheiro, UFBA
Debatedor: Roberto Brandão, professor na Educação
Básica
Coordenação: Bruno Monteiro (UFRJ)

14 de junho- Quinta
09h – 11h: Desigualdades na Educação: é possível decolonizar as
políticas públicas?
Intersecções entre gênero e raça: perspectivas para políticas
públicas de educação científica
Katemari Rosa, UFBA
Planejamentos e projetos em Educação
Daniel Cara, Campanha Nacional pela Educação
Por uma política da diferença
Elizabeth Macedo, UERJ
Debatedora: Mônica Francisco, Asplande
Coordenação: Leonardo Moreira, UFRJ
11h – 12h: Conferência: Ana Dumrauf, Universidad Nacional de
La Plata – Coordenação: Luiz Augusto Rezende, UFRJ
13h30-14h30: Exibição do Documentário “Anamnese”
Bate-papo com o diretor Clementino Júnior (Cineclube Atlântico
Negro) e Pedro Gomes (UFF) – Coordenação: Paula Ramos, UFRJ
14h30-16h30: Educação em Saúde e territorialidades:
aprendendo com as práticas populares
Perguntas e contribuições da educação popular em saúde no
enfrentamento as desigualdades
Julio Alberto Wong Um, UFF
Justiça Ambiental, Conflito Socioambiental, desigualdades sociais e
educação
Angélica Cosenza, UFJF (Juiz de Fora)
Educação quilombola: propostas para uma educação em saúde na
diferença
Rute Costa, UFRJ (Macaé)
Debatedora: Socorro de Souza, Fiocruz-DF
Coordenação: Laísa Santos, UFRJ

15 de junho – Sexta
8h30-10h30: Oficinas
Experiências para repensar à Educação em tempos de
desigualdades
Sala 1: Corporeidades e teatro: Ciênica
Sala 2: Alimentação e cultura: Culinafro
Sala 3: Decolonizarte
8h30-11h: Exibição do Filme “Fora de Série”, seguido
de bate-papo com o diretor Paulo Carrano (UFF)
11h-12h: Conferência
Cristina do Nascimento, ASA
Coordenação: Alexandre Brasil Fonseca, UFRJ
13h30-15h30: Desigualdades e diferenças: o que a
Educação precisa aprender
Educação para o manejo do mundo: experiências com a
educação indígena
Gersem Baniwa, UFAM
Interculturalidade e Educação do Campo
Rodrigo Crepalde, UFTM
Identidades, Currículos e Cultura
Thiago Ranniery, UFRJ
Debatedores: Celso Sanchez Pereira, UniRio
Stephani Kiara, UiniRio
Coordenação: Cristina Vermelho, UFRJ
15h30-16h30: Atividade Cultural
Jongo da Machadinha

Outras informações: [email protected]

Mato Grosso do Sul exporta carne com sangue indígena

Professora Ana Sueli Firmino, da etnia Terena

Milhares de cabeças de gado ocupam terras indígenas e dizimam seu povo, diz professora Ana Sueli Firmino, terena da aldeia Buriti, na primeira de três entrevistas com mulheres sobre desigualdade no campo

Por Oxfam Brasil

O estado do Mato Grosso do Sul tem, segundo o IBGE, mais de 60 mil indígenas, que lutam há décadas pela demarcação de suas terras, hoje ocupadas por fazendeiros. Nesse conflito, o saldo é amplamente desfavorável aos povos indígenas. O direito histórico à terra dos povos originários é desrespeitado pelo governo federal, que não toma as devidas medidas para demarcação dos territórios, e pelos grandes empresários do agronegócio local. No Mato Grosso do Sul, por mais absurdo que possa parecer, a vida dos milhares bois e vacas tem mais valor do que a dos indígenas.

“Essa carne (produzida no Mato Grosso do Sul) está saindo com sangue. Está sendo vendida, exportada, à custa de derramamento de sangue. É todo um povo que está sendo dizimado”, afirma Ana Sueli Firmino, indígena Terena da aldeia Buriti [1], do Mato Grosso do Sul, que participou de oficina organizada pela Oxfam Brasil em São Paulo com mulheres de diversos movimentos sociais, lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais, para discutir a relação de mulheres do campo com a concentração de terras e o modelo de agricultura adotado no Brasil.

Em 2106 lançamos o relatório Terrenos da Desigualdade: terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural  e nele mostramos diversos dados que revelam a grande concentração de terras no país, como o fato de as maiores propriedades terem sido as que mais receberam incentivos e foram melhoradas, com acesso a créditos, pesquisa e assistência técnica com o objetivo de produzir para exportação ou atender à indústria agroindustrial.

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Jacques e a Revolução volta — e parece ainda mais atual

Em cena, Katia Iunes | Foto de MarQo Rocha

Tirania, manipulação, jogos de poder, sedução e sexo recheiam os diálogos de Jacques, um empregado de segundo escalão, e  o Empresário. Uma história que poderia acontecer em Brasília, ou no agronegócio brasileiro

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Jacques e a Revolução ou Como o criado aprendeu as lições de Diderot
Direção de Theotonio de Paiva
Montagem da Todo o Mundo Cia de Teatro
Teatro Municipal Café Pequeno – Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Metrô Jardim de Alah — Rio de Janeiro
Tel. (21) 2294.4480.
De 8 a 30 de maio – às terças e quartas
Horários: 20h | Faixa etária: 14 anos | Duração: 80 min
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A cada nova temporada a comédia dramática Jacques e a Revolução ou Como o criado
aprendeu as lições de Diderot, de Ronaldo Lima Lins, montagem inaugural da Todo o
Mundo Cia de Teatro, dirigida por Theotonio de Paiva, torna-se mais atual, como o público poderá conferir a partir de 8 de maio, às 20h, no Teatro Municipal Café Pequeno.

Acalentada por cinco anos, a montagem já realizou três temporadas: Parque das Ruínas
(2016), Teatro Ziembinski (2017) e Serrador (2018). Artistas de várias gerações compõem a Todo o Mundo Cia de Teatro: os atores Abílio Ramos, Katia Iunes, Marco Aurélio Hamellin e Sol Menezzes, que atuam sob a iluminação de Renato Machado, com a trilha sonora original de Caio Cezar e Christiano Sauer e direção de arte de Marianna Ladeira e Thaís Simões, além da direção de movimento da coreógrafa Carmen Luz.

Jacques e a Revolução é uma inspiradíssima comédia dramática, com tintas fortes e belos diálogos que flertam com a condição humana contemporânea, num mundo atravessado por subornos, apropriação indébita de capital público, zero apreço pelo cidadão, luta das mulheres e intolerância cultural. Tudo isso está lá, na engenhosa dramaturgia de Ronaldo Lima Lins, peça vencedora do Prêmio Maurício Távora – 1989 / Secretaria de Cultura do Estado do Paraná. Continuar lendo

O corpo como instrumento de combate


Estreia em São Paulo peça construída coletivamente por estudantes e artistas, sobre as ocupações secundaristas. Dança e canto dão corpo às experiências registradas em atas, diários, fotos e vídeos

Por Jean Tible

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Quando Quebra Queima
4, 5, 6 de Maio (sexta a domingo), 19h
13 de Maio (domingo), 19h
Casa do Povo: Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro
Metrô Tiradentes/ Metrô Luz
20 reais/10 estudante e morador do Bom Retiro
Secundarista de Escola Pública não paga
Bilheteria aberta 1h antes do espetáculo
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Quando Quebra Queima é uma peça construída por estudantes que viveram o processo de ocupações e manifestações do movimento secundarista em 2015 e 2016. Frutos da primavera secundarista, 14 corpos insurgentes deslocam para a cena a experiência dentro das escolas ocupadas, criando uma narrativa coletiva e comum a partir da perspectiva de quem viveu intensamente o cotidiano dentro do movimento.

Ocupando o tempo presente, a ColetivA provoca de maneira pulsante o universo que compõe esse movimento que transformou o corpo e vida de todos que participaram.

Quando Quebra Queima é um espetáculo levante, fruto de quase dois anos de encontros e vivências da ColetivA Ocupação.

A peça descatraca a memória coletiva narrando a experiência da luta secundarista que se estende à luta cotidiana daqueles que a viveram: resgatando atas, diários, fotos e vídeos.

Durante as ocupações, o grupo experienciou o que é pensar e agir através do corpo e performance como instrumento de combate, agora nesta peça provocamos o encontro entre a dança, canto, música para dar corpo as nossas experências.

Criação

Abraão Santos / Alicia Esteves / Alvim Silva / Ariane Fachinetto / Beatriz Camelo / Gabriela Fernandes / Ícaro Pio / Leticia Karen / Lilith Cristina /Marcela Jesus / Matheus Maciel / Mel Oliveira / André Dias de Oliveira / Heitor de Andrade / Martha Kiss Perrone / Mayara Baptista

ColetivA Ocupação

A ColetivA Ocupação é um encontro entre estudantes, artistas e performers de diferentes regiões de São Paulo, que se conheceram durante as ocupações entre 2015 e 2016.A partir dessa experência, a luta secundarista seguiu por vários espaços e ganhou diferentes formas e desdobramentos – o teatro e a performance foi uma delas. Em 2016 Martha Kiss Perrone com o espetáculo Rózà fez uma circulação por Escolas Públicas e muitos secundaristas se aproximaram do teatro com esse encontro.
A ColetivA, no seu dia a dia de encontro e investigação, busca tecer outras relações, na vida interna do grupo e com o mundo.

vamos ocupar as escolas
vamos ocupar as ruas
vamos ocupar os teatros
vamos ocupar as universidades
vamos ocupar as narrativas
vamos ocupar tudo

“Ver esses cabelos, esses cabelos azuis e rosas, esses vários tons. O que vocês fizeram, têm feito e estão fazendo é muito importante, mas é mais importante para aquilo o que podemos ser, e é disso que vocês estão falando, daquilo que nós podemos ser.”

(Salloma Salomão)

[email protected]
https://www.facebook.com/events/441640636277350/

Atos por Marielle multiplicam-se


Protestos contra seu assassinato e homenagens a sua trajetória prosseguem e espalham-se pelo país, no sétimo dia do assassinato da vereadora. Confira e participe

A partir de hoje (20), sétimo dia da execução de Marielle Franco, até a próxima segunda-feira (26), estão programadas mais de 40 manifestações de protesto e atos ecumênicos, contra o assassinato de Marielle Franco. Domingo (18) e segunda (19) foram realizados 15 atos, no Brasil e cidades como São Francisco e Boston (EUA), Toronto (Canadá), Coimbra e Covilã (Portugal), Lima (Peru), Montevidéu (Uruguai), Georgetown (Guiana).

20/03 – Terça-feira

CAPITAIS
São Paulo – 17h – MASP
Rio de Janeiro – 17h – Candelária
Rio de Janeiro – 18h – Cinelândia – Ato ecumênico
Rio de Janeiro – 18h – Gávea – Missa celebrada pelo padre Josafá Carlos de Siqueira, reitor da PUC, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus
Belo Horizonte – 17h30 – Ato inter-religioso na Praça da EstaçãoAracaju – 18h – Câmara Municipal
Brasília – 17h30 – Rodoviária do Plano Piloto
Salvador – 17h30 – Igreja Nossa Senhora dos Pretos
Manaus – 17h – Largo São Sebastião
João Pessoa – 17h – Missa na Paróquia Menino Jesus de Praga, no bairro dos Bancários
João Pessoa – 18h30 – Centro de Vivências, UFPB
Maceió – 16h – Praça Deodoro
Natal – 17h – Av. Bernardo Riviera, 3.775
Fortaleza – 17h – Universidade Estadual do Ceará
Porto Alegre, 18h – Esquina Democrática
Belém – 18h – CAN
Recife – 16h – Praça do Diário
Curitiba: 19h – Praça Santos Andrade
Aracaju – 18h – Câmara Municipal
INTERIOR
Francisco Beltrão (PR) – 17h15 – Praça Central
Guarulhos – 17h – praça Tereza Cristina
Hortolândia (SP) – 9h – Feira Livre
Itaúna (MG) – 16h – Praça Doutor Augusto
Macaé (RJ) – 17h – Sociedade Musical Nova Aurora
Niterói: 21/03, 16h – Câmara Municipal
Paranaguá (PR) – 18h – Câmara Municipal
Ponta Grossa (PR)– 17h – na Praça das Igreja dos Polacos
Ponta Grossa (PR)– 19h – ato inter-religioso no Parque Ambiental
Ribeirão Preto (SP) – 17h30 – Câmara Municipal de Ribeirão Preto
Santos (SP) – 18h – Estação da Cidadania
São Carlos (SP) – 18h30 – NEAB – UFSCar
Sorocaba (SP) – 17h – Praça Frei Baraúna
Vitória (ES) – 14h – Horto do Maruipe
EXTERIOR
Madri, Espanha – 18h – Embajada de Brasil en Madrid

21/03 – Quarta-feira

São Paulo – 17h – Largo São Francisco
São Paulo – 18h30 – PUC-SP
Belo Horizonte – 17h30 – Praça Sete
Alvorada (RS) – 11h – Parada 48
Cabo Frio (RJ) – 17h – Praça Porto Rocha
Campinas (SP) – 18h – Largo do Rosário
Mogi das Cruzes (SP) – 18h – Largo do Bom Jesus

22/03 – Quinta-feira

Rio de Janeiro – 20h – Santo Cristo
São José dos Campos (SP) – 18h – Praça Carlos Maldonado

24/03 – Sábado

Ouro Preto (MG) – 14h – Praça Tiradentes
Amiens, França – 14h – Place Gambetta

26/03 – Segunda-feira

Sidney, Austrália -18h – Martin Place

Cinema — e é pela vida das mulheres


“Direito de Decidir” ter ou não filhos é o tema dos filmes exibidos hoje (13) pelo Cineclube das Outras, em São Paulo. A programação prossegue por mais duas semanas, com as sessões “Prostitutas” e “Memórias”

Cineclube das Outras
Entrada franca (Distribuição de senhas 1h antes do início da sessão)
Local: Sesc Santana
Data: 13 a 27de março de 2018
Horário: 20h

O Cineclube das Outras, iniciativa voluntária de mulheres de diferentes gerações e atuações, em São Paulo – integrantes da Associação Cultural Kinoforum, da produtora Doctela, da Taturana Mobilização Social e do Outras Palavras – exibe no mês da luta das mulheres uma programação integrada ao projeto De|Generadas, do Sesc Santana.
Para marcar o mês da luta das mulheres, o cineclube programou sessões temáticas seguidas de debates com diretoras e atrizes, com filmes que abordam o universo feminino não apenas em seus problemas, mas também em suas conquistas. Depois da primeira sessão, “Libertas”, o tema é “Direito de Decidir” sobre ter ou não filhos, uma das maiores lutas do feminismo brasileiro e internacional.

O Cineclube das Outras nasce do desejo de exibir e debater a produção audiovisual das mulheres brasileiras, particularmente de curta-metragem, com foco em Outras narrativas, narrativas das Outras: mulheres negras, brancas, indígenas, LGBTs, migrantes. Vem somar-se à criação de cineclubes feministas de vários outros estados, tais como Quase Catálogo  e Cineclube Delas (RJ), Feministas de Quinta  (ES), Cineclube Aranha  (BH), entre outras.

PROGRAMAÇÃO

13 de março (terça-feira) 20h – sessão ‘Direito de decidir’

>Aborto não é Crime, dir. Rita Moreira, 16 min.

>A boneca e o silêncio, dir. Carol Rodrigues, 2017, 19 min.
A solidão de Marcela, uma menina de 14 anos, que decide interromper uma gravidez indesejada.

> CEP 05300, dir. Adria Meira, Lygia Pereira, Camila Santana, 2016, 21 min.
A história de mulheres que cresceram na mesma rua e que em momentos diferentes da vida realizaram um aborto. Em conversas informais, elas relatam suas diferentes experiências com o processo, evidenciando a necessidade de expor o tema, bem como legalizar o procedimento.

>Clandestinas, dir. Fádhia Salomão, 2014, 24 min.
Clandestinas conta histórias de mulheres que abortaram ilegalmente no Brasil. Com depoimentos que contam suas próprias experiências e interpretam relatos de anônimas, o vídeo mostra como a criminalização da interrupção voluntária da gravidez penaliza todas as mulheres.

Debate: Rita Moreira, Morgana Naughty, Lygia Pereira, Giu Rocha, Priscila Resende
Mediação: Inês Castilho

20 de março (terça-feira) 20h – sessão ‘Prostitutas’

>Mulheres da Boca, dir. Cida Aidar e Inês Castilho, 1981, 22 min.
Na Boca do Lixo, centro de São Paulo, desde uma visão feminina, o cotidiano de prostitutas e de seus exploradores, cafetinas e malandros, parte de uma rede social ambígua, entre a malandragem e a corrupção.

>69 – Praça da Luz, dir. Carolina Markowicz, Joana Galvão, 2007, 15 min.
Prostitutas de idade avançada ganham a vida na Praça da Luz, em São Paulo. Relatos inusitados e surpreendentes de cinco mulheres que revelam em detalhes suas experiências em todos esses anos de profissão.

>Maria, dir. Carol Correia, 2016, 14 min.
No tempo do corpo vive a memória. Maria caminha pelas ruas de um passado de beleza e desventuras, senta-se na calçada, acende um cigarro e desfruta da sua habitual solidão.

> Mercadoria / Goods, dir. Carla Villa-Lobos, 2017, 15 min.
“Mercadoria” fala sobre as vivências de seis mulheres que trabalham com prostituição. O filme foi construído a partir de conversas com prostitutas da Vila Mimosa, mais famosa zona de prostituição da cidade do Rio de Janeiro, e busca mostrar o ponto de vista dessas mulheres com relação ao seu trabalho.

Debate: Inês Castilho, Joana Galvão, Carol Correia, Carla Villa-Lobos
Mediação: Beth Sá Freire

27 de março (terça-feira) 20h – sessão ‘Memórias’

Fotografrica dir. Tila Chitunda, 2016, 25 min.

Dona Amélia é uma angolana refugiada de guerra que recomeçou a vida em Olinda. A partir do seu mural de fotografias a filha mais nova, nascida no Brasil, vai em busca de suas raízes.

KBELA, dir. Yasmin Thayná, 2016, 22 min.

Uma experiência audiovisual sobre ser mulher e tornar-se negra.

>Abigail, dir. Valentina Homem, Isabel Penoni, 2016, 16 min.

Abigail Lopes une os pontos de um mapa humano que conecta indigenismo e candomblé. O avesso do inverso, uma casa aberta de memórias quase extintas.

>Torre, dir. Nádia Mangolini, 2017, 18 min.

Quatro irmãos, filhos de Virgílio Gomes da Silva, o primeiro desaparecido político da ditadura militar brasileira, relatam suas infâncias durante o regime.

Debate: Tila Chitunda, Valentina Homem, Yasmin Thayná, Nádia Magolini
Mediação: Lívia Perez

Cineclube das Outras abre ciclo com Libertas

Cena de “Peripatéticos”, de Jéssica Queiroz

Projeto coletivo, do qual “Outras Palavras” participa, exibe e debate, em São Paulo, curta-metragens que abordam universo feminino, seus problemas e conquistas

Por Inês Castilho


Cineclube das Outras – sessão “Libertas”

Entrada franca (Distribuição de senhas 1h antes do início da sessão)
Local: Sesc Santana – Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana, São Paulo
A partir de 6 de março de 2018, às 20h

O Cineclube das Outras promove a partir de amanhã, 6 de março, na programação do projeto De|Generadas, sessões de exibição de curtas-metragens que abordam o universo feminino em seus problemas, mas também em suas conquistas.

Criado por um grupo de mulheres de diferentes gerações e atuações – integrantes da produtora Doctela, da Taturana Mobilização Social, do Kinoforum e do site Outras Palavras – , o Cineclube das Outras nasce de um desejo: criar um espaço coletivo de diálogo e reflexão por meio da exibição de filmes de e sobre mulheres com foco em Outras narrativas, narrativas das Outras: mulheres negras, brancas, indígenas, LGBTs, migrantes.

Nasce numa conjuntura de resistência: em tempos de fortalecimento do feminismo, o meio audiovisual não ficou de fora. Ao recorte de gênero somam-se no debate os de classe e cor, sem o que o setor audiovisual continuará reproduzindo os privilégios e preconceitos arraigados na sociedade brasileira — desigualdade de oportunidades, renda e gênero, além de homofobia, transfobia, exclusão de indígenas e quilombolas.

Priorizamos curtas-metragens nacionais, pelo formato potente e concentrado, e também porque sua circulação ainda é mais restrita que outros formatos.

Na sessão “Libertas” apresentamos os seguintes filmes:

Pele de Pássaro, dir. Clara Peltier (Documentário, 2015, 15’)
Tuane veste uma fantasia para enfrentar a realidade.

Gordas!, dir. Luiza Junqueira (Documentário, 2015, 15’)
Gordas! aborda a relação de três mulheres gordas com seus corpos, cujos depoimentos irão revelar vivências únicas.

Peripatético, dir. Jessica Queiroz (Ficção, 2017, 15’)
Simone, Thiana e Michel são jovens moradores da periferia de São Paulo. Simone procura o primeiro emprego, Thiana tenta passar no vestibular de medicina e Michel ainda não sabe o que fazer. Em meio às demandas do início da fase adulta, um acontecimento histórico em maio de 2006 na cidade de São Paulo muda o rumo de suas vidas para sempre.

Sem Você a Vida é uma Aventura, dir. Alice Andrade Drummond (Ficção, 2015, 19’)
Hoje Amanda só queria ir à praia.

Após a sessão haverá um debate com Clara Peltier, Tuane Rocha, Rachel Patricio, Jessica Queiroz e Alice Andrade Drummond
Mediação: Lili Almendary