Enfim, um robô para mulheres – e não é apenas para sexo

Henry, o andróide da Realbotix: é possível escolher entre 12 padrões de personalidade e uma gama de pênis de silicone

Será preciso muito para um androide superar o que os homens fazem pelas suas parceiras?

A RealBotix, uma empresa norte-americana que produz robôs de companhia, anunciou que lançará em breve um androide destinado ao público feminino, de nome Henry. Além de parceiro sexual, ele terá capacidade de mostrar-se companheiro, fazendo perguntas sobre como sua proprietária passou o dia e reagindo diante de seus desejos e temores. Henry mede 1,80m, pesa 38kg e custará entre 11 e 15 mil dólares, dependendo dos itens opcionais. A Realbotix, que no momento produz apenas robôs com corpo feminino, tem sido criticada por objetificar o corpo das mulheres. Será preciso muito para um androide superar o que os homens fazem pelas mulheres?

TEXTO-FIM

Como a Grã-Bretanha trata os miseráveis

Sem-teto: multa de até 1100 libras e prisão, por “pedir” ou “vagabundear”

Sem-teto são multados, processados e encarcerados devido apenas… a sua condição de excluídos

Operações cruéis de ataque a pedintes e moradores de rua — como o ex-prefeito de S.Paulo, João Dória, orgulhava-se de fazer — seriam uma aberração brasileira? Ou estão se tornando norma, no capitalismo contemporâneo? Uma reportagem na edição de hoje do Guardian ajuda a responder. O jornal londrino revela que um número crescente de sem-teto britânicos estão sendo multados, processados ou encarcerados devido apenas a… sua própria condição de excluídos.

Tudo começou em 2014, quando a atual primeira-ministra (então secratária do Interior), Thereza May concedeu, a autoridades locais, poderes para endurecer o combate a “atitudes anti-sociais”. Com base nas leis de acesso a informações públicas, o Guardian apurou que centenas de pessoas em condição vulnerável têm sido importunadas, a cada ano, por “pedir”, “pedir agressivamente” ou “vagabundear”. As multas chegam a 1.100 libras (cerca de R$ 5 mil), obviamente impagáveis. Há casos grotescos, como o de um juiz que escreveu: “estou mandando um homem para a prisão por ter pedido comida, quando estava faminto”. Ou de um morador de rua condenado a uma multa de 105 libras depois que uma criança depositou uma moeda de 2 libras em seu sleeping bag.

A aristocracia financeira teme os hackers

Bunker de “defesa” da Mastercar, com relógio indicando número de ataques num dia

Sistema dos bancos globais é vulnerável. Perdas anunais equivalem ao PIB da Suécia

Uma longa reportagem no New York Times revela hoje o temor crescente do mundo financeiro global — bancos e outras instituições de crédito — diante da possível invasão de seus gigantescos sistemas de dados e comunicação. Eles são bastante vulneráveis, ao contrário do que se pensa. Só no ano passado, as invasões teriam custado 445 bilhões de dólares — pouco menos que o PIB da Suécia. Como são imensos, os bancos suportaram as perdas. Mas temem um ataque devastador, que comprometa sua capacidade de operar. Por isso, montam centros de “defesa” que, segundo a reportagem, assemelham-se cada vez mais a bunkers militares.

O fantasma norte-coreano tira o sono de Trump

Trump e o linha-dura John Bolton, que quer fazer da Coreia do Norte “uma Líbia”

E mais: uma provocação da Casa Branca levou o coreano Kim Jong Un o por em questão o diálogo com Washington

O New York Times revelou que o presidente norte-americano, Donald Trump está indeciso e iniciou consultas a aliados e conselheiros, para saber como agir em relação a seu encontro previsto com Kim Jong Un, líder político da Coreia do Norte. A reunião está marcada para junho, em Singapura. A política norte-americana tem seguido zigue-zagues. Por anos, Kim Jong Un foi tratado como ditador, à frente de um governo sanguinário. Nas últimas semanas, porém, começou uma lua-de-mel, com setores do establishment norte-americano sonhando em transformar Pyongyang num aliado de Washington bem próximo ao coração da China.

Mas na quinta-feira veio o banho de água fria. Um porta-voz do governo norte-coreano afirmou que os EUA devem esquecer a hipótese de que a Coreia do Norte aceite pressões para se desfazer unilateralmente de suas armas nucleares. Além disso, colocou em dúvida a própria realização do encontro com Trump. A imprensa norte-americana admite: esta reação, que alguns viram como intempestiva, foi resposta a declarações de John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca. Dias antes, este afirmara que as negociações entre Washington e Pyongyang deveriam “seguir o modelo líbio” — ou seja, desarmar o adversário para em seguida atacá-lo militarmente…

Iraque: depois dos EUA, o nacionalismo?

Nem EUA, nem Irã, sugere o clérigo xiita, vencedor das eleições. Com ele, o Partido Comunista

O fim de semana também foi marcado por eleições parlamentares no Iraque. Venceu a coalizão liderada pelo clérigo xiita Muqtada al-Sadr — que inclui, entre outros, o Partido Comunista. Al-Sadr é conhecido por opor-se à presença norte-americana no país, mas também à crescente influência iraniana. Sua vitória, porém, não foi completa. Num país fragmentado políticamente, sua coalizão obteve 54 das 329 cadeiras no Parlamento. Negociações para formar um novo governo — em até 90 dias, segundo a legislação do país — começaram ainda ontem.

Itália: o novo governo-Frankenstein e suas razões

Anti-sistema? Luigi di Maggio, líder da bancada do Movimento Cinco Estrelas

Poderão um partido que se diz anti-sistema e outro xenófobo governar o país? Começa um experimento curioso

Porta-vozes de dois grupos políticos italianos — o Movimento Cinco Estrelas (MVL) e A Liga anunciaram ontem que apresntarão nas próximas horas, ao presidente do país, Sergio Mattarella, o nome do possível novo primeiro-ministro. MVL e Liga anunciaram na sexta-feira que haviam chegado a um acordo para governar a Itália. Têm em teoria, votos parlamentares para sustentar um gabinete bipartidário (na Itália, parlamentarista, forma o governo quem tem mais cadeiras na Câmara e Senado). Mas tanto o programa quanto a composição deste governo serão esdrúxulas — um experimento político inédito, em meio à crise global da democracia.

Formado há menos de dez anos, sob liderança do comediante Beppe Grillo, o MVL considera a si próprio como “anti-sistema” e cresceu, essencialmente, ao fazer a denúncia da decadência da democracia e das políticas de “austeridade”. Nas últimas eleições (em março), tornou-se, individualmente, a maior força política do país. Até agora, sempre havia rejeitado coalizões. Já a Liga descende da Liga Norte, um partido originalmente elitista, separatista e xenófobo. Há alguns anos, moderou seu discurso e tornou-se o partido mais importante de uma coalizão de centro-direita que inclui a Forza Italia, de Silvio Berlusconi.

Como juntar estas duas correntes sem criar um governo-Frankenstein, incapaz de se sustentar? MVL e Liga apostam num programa que inclui crítica ao euro; rejeição das medidas de “austeridade” determinadas pela União Europeia; retomada dos serviços públicos e dos gastos sociais — mas, ao mesmo tempo, restrições à entrada e aos direitos dos imigrantes. Há alguma chance de sucesso? O que se sabe, por enquanto, é que o novo governo está incomodando os burocratas europeus, incapazes de tolerar qualquer tipo de crítica a sua cartilha neoliberal.

Venezuela: Maduro vence as eleições, mas não a crise

Abstenção superou os 50%. EUA e seus aliados internos parecem dispostos a inviabilizar o país

Ao final da noite de ontem, com 92% dos votos para a Presidência contados, as autoridades eleitorais venezuelanas anunciaram que o presidente Nicolás Maduro havia assegurado um novo mandato, de 5 anos. Maduro (Partido Socialista Unido da Venezuela — PSUV) teve 5,8 milhões de votos (68%), contra 1,8 milhões de Henri Falcón, um ex-chavista que concorreu pelo Avanço Progressista. “Quanto nos subestimaram. Quanto me subestimaram. E no entanto, estamos aqui, vitoriosos”, disse o presidente reeleito a seus correligionários. (veja matérias no New York Times, Le Monde e Russia Today)

No entanto, certas características do pleito indicam que a divisão política do país (e a crise econômica duradoura que a acompanha) não terminarão tão cedo. A maior parte da oposição já boicotara as eleições; e ontem, o próprio Henri Falcón considerou-as ilegítimas. Os Estados Unidos, previsivelmente, fizeram o mesmo. Os opositores do chavismo obtiveram algum sucesso: o comparecimento dos eleitores às urnas foi reduzido: apenas 46,1% votaram.

Em artigo publicado por Outras Palavras, na sexta-feira, o analista político norte-americano (de esquerda) Alexander Main, formula uma hipótese perturbadora para a tática de Washington e dos grupos venezuelanos aliados aos EUA. Talvez pudessem ter vencido o pleito, caso estimulassem a ida às urnas; mas querem, mais do que estar no governo, inviabilizar o país, dono das maiores reservas de petróleo do planeta — como fizeram, por exemplo, com a Líbia.

Juízes gaúchos já homenageiam ditadura

Placa que substituiu o nome “Avenida Castelo Branco”, em 2014, após recomendação da Comissão Nacinal da Verdade

Tribunal de Justiça do mesmo Estado onde Lula foi condenado em segunda instância decide dar nome do ditador Castelo Branco a avenida da Legalidade e da Democracia

Por Jurema Josefa 

“A decisão do Tribunal de Justiça/RS, que faz voltar a homenagem a um ditador esta semana, só pode ser vista como um grande retrocesso”, afirmou o deputado Pedro Ruas, assim que soube da decisão 3ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça, que, por quatro votos a um decidiu que a avenida da Legalidade e da Democracia voltará a ser denominada Castelo Branco. Na avaliação do parlamentar, autor da lei que deu o nome à avenida, a decisão pode não ser definitiva, mas “é assustadora”.

Ruas destacou que o Brasil passou por um importante marco em 2014, quando, no cinquentenário do golpe de 64, iniciou-se o movimento de desmonumentalização e modificação da denominação de logradouros, praças e avenidas que homenageavam um triste período da história do Brasil. Conforme ele, diante desse movimento, junto com a vereadora Fernanda Melchionna, apresentou mais um projeto que, desta vez foi aprovado. “O nome que ali figurava tinha sido feito sem projeto de lei, com apoiadores dos ditadores que mandaram por uma placa com o nome Castelo Branco. Nós fizemos um projeto de lei, tivemos a lei aprovada, promulgada pela Câmara e agora atacada por uma ação de vereadores da direita. Porém o mais surpreendente foi a decisão do Poder Judiciário”, afirmou Pedro Ruas em sua manifestação na tribuna da Assembleia Legislativa na tarde desta quinta-feira (26/04).  “Nomeamos Avenida da Legalidade e da Democracia, como um justo reconhecimento ao maior movimento cívico da história nacional, que foi a Legalidade, comandada pelo governador Leonel Brizola. Vitória da democracia”, enfatizou.

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Leitura: mulheres e tecnologia

Grace Hopper, considerada a mãe da programação de computadores

 

Num livro revelador, algo hoje oculto: o papel feminino no desenvolvimento dos computadores e da internet.

Por Antonio Martins

Se o mundo das Tecnologias de Informação parece muito masculino, ele nem sempre foi assim. Vale ler, a respeito Broad Band: the untold story of Women who Made the Internet. Escrita pela norte-americana Claire Evans e disponível online (U$ 16,74), a obra conta a histórias de mulheres que desempenharam papeis essenciais no desenvolvimento dos computadores e, em especial, da internet. Duas observações da autora destacam-se. Primeiro, o ocultamento atual do papel decisivo que as mulheres (em especial, as muito jovens) tiveram no início da programação. Em certo período, conta Evans, a potência das máquinas não era definida usando como base os mega-hertz – mas os kilogirls, uma unidade equivalente a mil horas de trabalho feminino usadas em seu desenvolvimento. Outro foco do livro: a ação crucial das mulheres na construção das primeiras comunidades de desenvolvimento – um tipo de estrutura colaborativa de trabalho que marca o mundo da Tecnologia de Informação ainda hoje.

Egito: a ditadura não tolera denúncias

General Abdel-Fattah al-Sisi, presidente do Egito

Há um mês, eleição fajuta. Agora, perseguição aos jornalistas que a relataram. Pobre Primavera Árabe

Por Antonio Martins

Reeleito por mais de 90% há cerca de um mês, num pleito sem oposição real e sem liberdade, o presidente do Egito, Abdel-Fattah al-Sisi, decidiu manter a perseguição à imprensa. Ontem, começou o julgamento sumário de nove jornalistas acusados de fazer relatos “tendenciosos” sobre as eleições. Eles escreveram, por exemplo, que os partidários de Sisi e empresários que o apoiam subornaram abertamente os eleitores em muitas seções eleitorais, oferecendo prêmios em dinheiro para o alto comparecimento às urnas, ou para percentuais de voto especialmente favoráveis ao governante.

General durante a ditadura do ex-presidente Hosni Mubarack, Sisi chegou ao poder em 2014, quando o exército depôs seu antecessor, Mohamed Morsi, eleito diretamente. A ditadura egípcia é resultado direto da derrota da Primavera Árabe.