Crise financeira: a próxima pode ser maior

Endividamento global já supera nível atingido às vésperas do terremoto de 2008. Bancos resistem a regulações. EUA, maior devedor do mundo, aprofunda déficit, ao isentar milionários de impostos

Por Antonio Martins

Deflagrada há pouco menos de dez anos (em setembro de 2008), a crise financeira atual ainda não terminou. Nos países centrais (especialmente na Europa), os ataques aos direitos sociais (para salvar os bancos) jamais foram revertidos. E a queda internacional dos preços das matérias-primas interrompeu ciclos de redistribuição de renda importantes em nações da periferia, como o Brasil. Mas há, ao menos, horizonte positivo à vista.

Não, alerta um relatório divulgado ontem pelo FMI. Ao contrário: uma década depois, o principal fator que detonou o terremoto financeiro (o aumento extraordinário das dívidas) agravou-se. A dívida total, que equivalia a 213% do Produto Interno Bruto (PIB) global, acaba de chegar a 225%. O crescimento econômico é relativamente alto (3,9% ao ano, em 2018), o que permite uma rolagem relativamente tranquila dos débitos. Mas cairá em breve, adverte o Fundo. Em consequência, pode haver fortes turbulências para países e empresas mais endividados.

O FMI previsivelmente cala-se, no relatório – mas uma das causas centrais para a instabilidade é o novo ciclo de desregulação do sistema financeiro. O caso dos EUA é emblemático. Em 2008, após a crise, uma nova lei (Dodd-Frank) tentou limitar as operações de risco dos grandes bancos. Mas nesse exato momento, conta o economista Ladislau Dowbor, ela está sendo revogada na prática, por limitar os lucros da aristocracia financeira.

Ainda assim, o Fundo adverte: um dos grandes problemas financeiros da atualidade está nos Estados Unidos. Lá, o endividamento do Estado será agravado, nos próximos anos, pela contra-reforma fiscal adotada por Donald Trump. Ela reduz fortemente os impostos pagos pelos muito ricos e grandes empresas, eliminando receitas públicas e tornando o Tesouro mais vulnerável.

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