Uma América Latina ainda mais desigual?

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Dois relatórios a ser lançados amanhã alertam: governos conservadores ameaçam reverter os tênues avanços vividos pela região nas últimas décadas

Por Leonardo Godoy


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Lançamento dos relatórios da Christian Aid e Creas sobre desigualdades na América Latina
Quarta-feira, 13/12, às 19h

Praça Olavo Bilac, 63 – Campos Elíseos – São Paulo — Metrô Marechal Deodoro (mapa)

Nesta quarta-feira (13/12), em São Paulo, as organizações não governamentais Christian Aid e CREAS lançarão e debaterão dois documentos de relevância para a América Latina e o Caribe. Eles explicitam como as desigualdades presentes na região interligam-se e acentuam um cenário de grande exclusão social, injustiças, crescente violência e retrocesso de direitos.

Em 2012 a Christian Aid, agência ecumênica britânica, lançou um primeiro relatório sobre o escândalo da desigualdade na América Latina. O texto pautou as ações na cooperação internacional e nas suas relações com a região. Cinco anos depois, elaborou, juntamente com InspirAction da Espanha, o segundo relatório sobre as múltiplas faces da desigualdade na América Latina e no Caribe. O alerta é claro: se não revertido, o avanço recente de forças conservadoras “aponta para um retrocesso nas tendências progressistas observadas na região nos últimos anos” e pode atingir os direitos humanos, “em uma região onde as elites econômicas e políticas (junto às empresas multinacionais) controlam grande parte da riqueza, os recursos naturais e a mídia”.

Na mesma ocasião, será lançado novo relatório do Centro Regional Ecumênico de Assessoria e Serviço (Creas). A entidade coordena um amplo processo de diálogo de alto nível sobre ética e economia na arquitetura financeira mundial, para a construção de um documento que será entregue para a reunião do G20 que ocorre no final de 2018 na Argentina.

Para Mara Luz, Diretora da Christian Aid para a América Latina e o Caribe, as “publicações são fundamentais para entendermos como as desigualdades operam em um cenário de crescente violência contra povos indígenas, populações negras rurais e urbanas, mulheres, afetados pelos megaprojetos e a comunidade LGBT em suas inter-relações entre gênero, etnia, raça, diversidade sexual. Ao mesmo tempo, como as organizações sociais precisam estar em aliança para atuar nesse cenário cada dia mais desafiador”

Para Humberto Shikiya, Diretor de Creas, “a reflexão e análise dessas publicações oferecem propostas e recomendações para a redução das desigualdades estruturais da região. (…) Queremos trazer visibilidade para os diferentes líderes sociais e religiosos, frequentemente convidados a fornecer propostas de ética aplicada para contribuir na transformação dos sistemas econômicos mundiais, para que os mesmos sejam orientados rumo a um desenvolvimento humano, integral, transformador e sustentável”.

O lançamento contará com a presença de figuras da comunidade ecumênica global: Rudelmar Bueno de Faria, Secretário Geral da Aliança ACT, que reúne 142 organizações ecumênicas, de mais de cem países; Mara Manzoni Luz, Diretora para da América Latina e Caribe na Christian Aid; Carlos Rauda, Coordenador da Aliança ACT na América Latina e Caribe; Humberto Shikiya, Diretor do CREAS.

Endereço: Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade –

Data: 13/12/2017

Hora: 19hs

TEXTO-FIM

Uma ideia sobre “Uma América Latina ainda mais desigual?

  1. Do fenômeno da revolução industrial (aproveitamento da energia fóssil) resultou o aparecimento de uma nova classe social: industrial. Esta abalou toda aristocracia agrícola britânica, francesa…todas que possuíam o combustível da vez: o carvão. As jazidas de carvão concentravam-se ao longo do paralelo que começa no Alaska, circunda o globo, e termina no Alaska.
    A América do Norte inclui-se nesse paralelo e nesses países houve a insurgência da nova classe social que resultou no abalo de todas sociedades, principalmente da aristocracia colonial.
    Aos países da época pós carvão: o petróleo prevaleceu por sua versatilidade, a GrãBretanha salvou-se com o petróleo do mar do norte tardiamente, tendo já perdido seu império, suas colônias.
    Atualmente sofrem os países que não dispõem do suprimento fóssil, ou o descobriram tardiamente e por isto foram açambarcados pelos que já disponham da tecnologia de seu uso.
    Infelizes os países em cima de poços ricos e tardiamente descobertos, são cobiçados e comercializados com os poderes instituídos pela tecnologia de extração e refino já à disposição dos europeus e norteamericanos.
    Estes negociam compra e venda de direitos de extração encima das cabeças das populações locais. Resultam guerras intermináveis entre Russos, Franceses, Britânicos e Estadounidenses.
    Aos países em que este recurso não existe, ou ainda caro para extrair: préssal no Brasil, resta a pobreza e exploração das classes dominantes em cada região.
    Tornam-se países de aristocracia funcional: poucos “enganchados” nas repartições públicas, que exploram os não engajados. Guerra dos estatutários x celetistas no Brasil.
    A estes últimos não restam forças de reação, vale o antigo ditado: “vá se queixar ao bispo”!
    Perguntam os celetistas: Tem solução? Resposta: “Vá se queixar ao bispo!”
    No Brasil os poucos imigrantes do início do século vinte montaram pequenas indústrias utilizando-se da energia da Billings, que após a descapitalização devida ao endividamento da era Kubitscheck e asseclas, tornaram-se inócuas face à invasão das “indústrias” de aluguel de aço e carros, às quais se pagam enormes royalties. Resultam os preços triplos dos equivalentes produzidos pelo mundo do aço e dos carros “nacionais”. Piora quando os orientais recém criados pela “indústria” do tratamento pós-guerra dado aos nipônicos: Japão, Korea, que acabam por avassalar o mercado “industrial” brasileiro.
    Hoje o dinheiro da ‘indústria’ brasileira tem cheiro de tudo menos do real.
    A agricultura depende de insumos importados: fertilizante e defensivo, tratores e combustível. O Brasil entra com a água para regar e a areia para diluir os insumos importados. Bela sociedade: o estrangeiro entra com o punho e o brasileiro com a cara! rsrs

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