Três notas às vésperas da greve geral

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Legal ou ilegalmente, grandes empresas controlam a “democracia”. Os políticos que acumulam não são os mais citados pela mídia. Alardeia-se a corrupção para esconder crimes muito mais graves

Por Roberto Malvezzi (Gogó), em seu blog | Imagem: Laerte

A filosofia nos ensinava que o “bom filósofo sabe distinguir”. Na Teologia o discernimento é um dom do Espírito Santo. Porém, discernir não é apenas um ato racional como quer a filosofia, mas buscar com reta intenção e reto coração o que é justo e bom. Então, vamos a alguns discernimentos para o momento atual brasileiro:

Primeiro, todos os grandes partidos – inclusive grande parte dos menores – se utilizaram fartamente do dinheiro das grandes empresas, como o PMDB, PSDB e PT. Se o dinheiro é legal ou ilegal tanto faz para nós cidadãos. O fato é que quem recebe tanto dinheiro de empresas está com sua cabeça na corda da forca e terá que retribuir esses financiamentos.

Segundo, para as empresas a propina é investimento. O que for dado, legal ou ilegalmente, será cobrado. Nesses anos de intensa propina, o patrimônio da Odebrecht saltou de 16 para mais de 100 bilhões. Portanto, compensou.

Terceiro, a promiscuidade dos partidos não significa enriquecimento pessoal de todos os envolvidos. Alguns sim, outros não. Sobre Dilma até hoje não se levantou uma única acusação de enriquecimento pessoal. Sobre Lula há denúncias todos os dias, até agora nenhuma devidamente comprovada. Sobre Serra, Aécio, Temer e outros, há denúncias e indicação de contas e extratos de pagamento. Todos têm direito à defesa até à última instância para que as denúncias sejam devidamente comprovadas. Senão, são denúncias vazias. Juízes e promotores também não estão acima da lei.

A supressão veloz e perversa dos direitos do povo brasileiro, duramente conquistados em mais de um século de civilização, não guarda nenhuma relação com o combate à corrupção. Os capitalistas brasileiros – banqueiros, empresários, mídia corporativa, agronegócio – perceberam a fragilidade política do momento para impor seus interesses.

Nas mudanças trabalhistas – jornada de 12 horas, terceirização de todas as atividades, expor mulheres grávidas à serviços com radiação, etc. — querem nos retroceder à Revolução Industrial, onde mulheres, crianças e idosos tinham uma jornada diária de até 16 h.

A reforma previdenciária atinge, sobretudo, trabalhadores rurais, elevando a idade da aposentadoria, dos benefícios para quem nada tem na vida, além da PEC do fim do mundo que congelou os investimentos em saúde e educação por mais de 20 anos.

Além do mais está acontecendo a privatização de mananciais de água como o Aquífero Guarani, a entrega de terras a estrangeiros, além de mudanças constantes na legislação ambiental para favorecer a devastação de nossas florestas, solos e rios, enfim, de nossos biomas.

Vale lembrar que a corrupção é perversa, mas não é o principal ralo do dinheiro público. Os juros e encargos da dívida pública levam cerca de 800 bilhões de reais por ano, cerca de 42% do orçamento nacional. Porém, cerca de 5% da população brasileira embolsam esse dinheiro fácil e não querem discutir essa questão por motivos óbvios.

Por isso, a greve geral do dia 28 deve ter todo apoio. A denúncia contra esse governo impostor deve estar em todas as nossas atividades. Agora não estamos defendendo um partido, estamos fazendo um discernimento e defendendo os direitos dos mais vulneráveis, na perspectiva do que seja justo e bom para a maioria do povo brasileiro.

 

TEXTO-FIM

2 ideias sobre “Três notas às vésperas da greve geral

  1. A livre iniciativa do cidadão depende do solo em que pisa e a natureza não provê igualdade de recursos. O globo terrestre apresenta disparidade enorme na concentração das riquezas benéficas ao humano atual.
    Após a descoberta da utilidade mecânica do calor, que iniciou-se com a máquina a vapor, o globo terrestre mostrou disponibilidade profundamente desigual do combustível fóssil, principal movente que distingue quem dele dispõe.
    E mais: as regiões que primeiramente desenvolveram processos da captação deste insumo, aproveitaram-se da tecnologia para controlar suas ocorrências nas demais regiões!
    Assim, o privilégio de sua posse tornou-se de apenas algumas regiões e, pior, espalha intimidação aos povos que assentam-se em regiões de sua ocorrência.
    Infelizmente não se encontra nenhum grupo humano que se beneficia da posse de fósseis na Iberoamérica.
    A Venezuela prejudicou-se por apenas poder comerciar seus enormes reservatórios, o que canaliza a riqueza para mãos de poucos privilegiados da população: cria desigualdade social imensa e muitos problemas.
    Igualmente para os demais países da Iberoamerica, desprovidos dos recursos energéticos fósseis, que repercute em dificuldades de canalização dessa riqueza aos pontos de consumo e exportação.
    Até por que a inadimplência da Iberoamerica provém desde os tempos da descoberta, originada pela raridade de cursos d’água que escoassem a riqueza agropastoril então produzida.
    Notaram esta falta de recursos os libertadores da hispanoamerica, conforme os fartos relatos em suas biografias: boas ideias libertárias sempre obstadas por essa falta.
    Assim, a esperança de melhora no perfil da distribuição de riqueza no Brasil também depende de uma pujança individual suficiente para sustentar a defesa cívica de cada cidadão.
    Esta somente acorrerá a cada um caso disponha de trabalho profícuo que permita condições de livrar-se de vender o almoço para dispor do jantar diário!
    A representação social de cada cidadão depende mais do que lhe sobra em poder aquisitivo, do que sua vontade.
    Somente assim, poderá encetar representação suficientemente forte para equalizar seu perfil com os que hoje lhe exaurem.

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