Trump já tropeça em seus próprios limites

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Plano para atrair a Rússia e isolar a China parece pueril. E o Estado Profundo dos EUA começa a sabotar seu presidente — agindo na Ucrânia

Por Antonio Martins

Em teoria, o plano é ótimo. Como um Nixon ao contrário — porém igualmente poderoso –, o novo presidente dos EUA irá se aliar à Rússia, para afastá-la da China, vista hoje (com razão) como a principal ameaça à dominação global norte-americana. A estratégia tem até um padrinho: Henry Kissinger, o ex-secretário de Estado que articulou, nos anos 1970, a aproximação de Washington com Pequim (além de apoiar o golpe de Pinochet e outras estrepolias…).

Mas a execução é que são elas. Dois fatos, nas últimas semanas indicam tanto os limites para a ação de Trump (muito maiores que os de Nixon, há três década) quanto as contradições e mesmo sabotagens crescentes que o presidente encontra no aparato de Estado dos EUA.

Em textos inspirados, Pepe Escobar e Vijay Prajad mostram que, além de fortamente ligada à China, a Rússia tem outros laços estratégicos que os EUA dificilmente conseguirão romper: com o Irã. A equipe de falcões de Trump anuncia abertamente que quer romper o acordo de contenção nuclear com o Irã. Israel gostaria de provocar um conflito. Mas o que Moscou teria a ganhar? E se Moscou se mantiver fiel aos aliados iranianos, Washington ousará atacá-los? Com que forças?

A segunda ameaça aos planos de Trump vem de dentro. É o que Pepe Escobar chama de “Estado Profundo” — em especial, o Pentágono. Os generais (que desejavam abertamente a vitória de Hillary) acreditam que seus inimigos essenciais são a Rússia e Putin. Já estão agindo para criar fatos consumados que frustrem a estratégia de aproximação com Moscou, acalentada por Trump.

O cenário é a Ucrânia. Nas últimas semanas, o governo de Kiev rompeu a trégua que mantinha com os rebeldes pró-Rússia que ocupam o leste de seu território. Houve ataques militares e assassinatos de pelos menos seis líderes pró-Moscou. Analistas acreditam: não se trata apenas de ações tresloucadas dos dirigentes ucranianos; o “Estado Profundo” dos EUA está por trás.

Seu objetivo: sabotar por completo mesmo o incerto plano de Trump, de aliar-se à Rússia contra a China. Mas se é assim, o que sobrará ao estabanado morador da Casa Branca? Por onde, e por que meios, afirmará a supremacia norte-americana. É um episódio central, a acompanhar nas próximas semanas

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