Fronteiras entre gêneros estão se apagando, diz Laerte

Depois de cinco décadas vividas como homem, cartunista fez corajosa travessia até o campo da feminilidade. Porém, sustenta: “hétero e homossexualidade podem tornar-se conceitos superados”

Um vídeo do Coletivo Candeia

Ele problematizou a questão de gênero como poucos. Com humor, o que facilita bem as coisas. Talvez por isso o/a cartunista Laerte Coutinho tenha alcançado tamanha relevância no cenário cultural. Desde 2010, quando veio a público como crossdresser – alguém que gosta de vestir-se como o sexo oposto, o que independe da orientação sexual – ele vem causando.

Embora não goste de rótulos, Laerte define-se hoje como uma pessoa – uma pessoa trans, que gosta de situar-se no campo da feminilidade. “Entendo que a expressão de gênero é tão pessoal quanto a impressão digital ou o desenho da íris”, afirma, “mas reconheço que os rótulos servem à formação de grupos com identidades que viram questões sociais, que por sua vez viram encaixes para programas políticos.”

Os desdobramentos políticos da questão LGBT, ele traz na ponta da língua. Discorre sobre leis existentes e projetos de lei, a importância de a Igreja católica mudar de posição ao dizer “que gay é gente fina”, a onda de conservadorismo. “O fato é que a direita moral encontrou mais terreno para crescer, e ocupou esse espaço”, diz. “Aparentemente a bancada conservadora cresceu, mas também há analistas dizendo que a bancada de pessoas sensíveis aos direitos LGBT e outros direitos humanos tem crescido.”

Na entrevista acima, Laerte fala sobre como os gêneros estão se embolando, a ponto de considerar que os conceitos de hetero e homossexualidade começam a ser superados. “Você nasce e vive até certo ponto da vida como homem e depois passa a se entender como mulher. No entanto, seu desejo continua sendo por mulheres, preferencialmente. Então você deixou de ser hetero e passou a ser homossexual?”, pergunta. “Essas questões não podem mais ser definidas com a mesma régua”.

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3 ideias sobre “Fronteiras entre gêneros estão se apagando, diz Laerte

  1. Muito boa a entrevista com o Laerte. Eu sempre admirei o seu trabalho como cartunista, artística e politicamente, e achei extremamente corajosa e verdadeira a sua postura com relação à mudança de gênero publicamente. Agora, depois de acompanhar suas declarações, estou encantada com sua clareza, sensibilidade e generosidade no tratamento dos diversos temas. Grande ser humano! Abraço apertado ao querido Laerte, e parabéns a todos pela iniciativa.

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