Sin perder la alegria jamás

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Onda de protestos prossegue e incorpora música, teatro, escracho e projeções. Festival de criatividade está nas ruas

Por Marina Barros

As Jornadas de Junho tem sido alvo de inúmeras análises políticas, sociais e econômicas. Não cessam os artigos e, melhor ainda, não cessam as assembleias e manifestações. A agenda está cheia.

Um aspecto interessante das manifestações diz respeito às performances dos coletivos e grupos que acreditam que o espetáculo produzido durante o ato é palco de disputa de significados e narrativas. Na maioria dos casos, as invenções se dão de forma espontânea, durante a marcha. São gritos, cartazes, danças, mas talvez a cultura carnavalesca da pré-produção, da fantasia e da performance, faça com que a rua tenha se transformado cada vez mais neste espaço de construção do imaginário coletivo.Nos últimos dias assistimos a coletivos marchando com baterias de lata, refrões musicados. Pela rede, os eventos já avisavam sobre o traje e adereços para o ato. A intenção é ampliar a audiência nas ruas e nas redes, proporcionar imagens marcantes, transmitir a sua mensagem e a sua luta dialogando com a arte e com a carnavalização.

Infelizmente, por mais performáticos, debochados e bem humorados, a maior parte dos atos tem acabado em violência e seus participantes sofrido graves violações de seus direitos. Não desejamos mascarar este problema mas contribuir para um olhar sobre o caráter performático dos atos.

Os exemplos de manifestações performáticas Brasil afora são inúmeros. Eis alguns:

Música

O Levante Popular da Juventude levou para a Avenida Rio Branco, no dia 11 de julho, um bloco de bateria de lata (parceria com a Marcha Mundial das Mulheres) e diversas músicas sobre a Democratização da Mídia. Caixa de som portátil e microfone puxavam o bloco, que arrastou muita gente animada pela dança e pelas músicas que eram ao mesmo tempo contundentes e engraçadas.

Duas faixas grandes contra a Rede Globo marcavam as fronteiras do grupo que, depois de marchar pela Rua do Ouvidor, infiltrou-se no ato das centrais sindicais com suas tradicionais bandeiras, balões e carro de som. O bloco do Levante não teve nenhuma dificuldade em penetrar no ato. Pelo contrário, foi bem recebido.

Teatro

A teatralização esteve presente no ato do dia 29 de junho, quando trezentos manifestantes marcharam contra a remoção dos moradores do Horto no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Um grupo reproduziu cenograficamente o que seria uma retro-escavadeira que atropelava uma bailarina, que representava a vida nas comunidades removidas.

Escracho

O escracho é uma modalidade de manifestação que ganhou destaque no último final de semana com o “Casamento da Dona Baratinha”. Os manifestantes combinaram previamente o traje, adereços e cartazes para a ação, que tinha por objetivo constranger os convidados do casamento da neta de Julio Barata, um dos empresários dos transportes no Rio de Janeiro. O material cenográfico incluía caixas pretas – pedindo a abertura da “caixa preta dos transportes no Rio – sprays para baratas, bem-casados, arroz para jogar nos noivos. Juntamente com cartazes e muita buzina, contribuíram para mais de cinco horas de deboche do casamento na Igreja e depois na festa, no hotel Copacabana Palace. Os manifestantes, vestidos como se fossem convidados do casamento, demonstraram muita criatividade e presença de espírito nos gritos, cantos e cartazes, tanto que ganharam a adesão dos pedestres, artistas de rua, dos carros que faziam um buzinaço.

Projeções

As projeções gigantes têm sido um dispositivo bastante utilizado nas manifestações. O elemento simbólico de se utilizar como anteparo da projeção o próprio edifício que simboliza o poder contra o qual se luta, ganha um aspecto poderoso que está para além do impacto visual da projeção.

A projeção realizada no Palácio da Guanabara, sede do governo estadual do Rio, no dia 11 de julho, sintetizava a violência do governo: O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes empunhavam revolveres apontados para o Cristo Redentor. Já no protesto contra a Rede Globo, um grande “GLOBO MENTE” foi projetado no prédio da empresa.

 

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