Timor avança e revela que solidariedade internacional funciona

Dez anos depois de receber voluntários de todo planeta, país começa a reverter pobreza e emprega receitas do petróleo para assegurar direitos sociais e infra-estrutura

Por Daniele Frabasile

Na virada do século, quando tornou-se independente da Indonésia, Timor Leste (um país onde o português é usado residualmente) recebeu intensa solidariedade do Brasil — inclusive com deslocamento de centenas de voluntários. Desde então, tem sido representado invariavelmente na mídia como um estado frágil, sujeito a revoltas violentas (como em 1999 e 2006), tentativas de assassinato do presidente (em 2008) e pouco acesso da população à saúde e educação. Embora reais, estes fatos são apenas parte da verdade.

Segundo revela matéria recente, publicada pelo jornal britânico The Guardian, os brasileiros que se envolveram nas campanhas de apoio ao jovem país têm motivos para comemorar. Os sinais de pobreza estão sendo superados de forma acelerada e consistente. As perspectivas para as próximas décadas são promissoras. A mudança de cenário foi fortemente influenciada pela exploração de petróleo, agora apropriada pela sociedade timorense e não mais pelos ocupantes estrangeiros. Mas só se concretizou graças à adoção de políticas de sentido oposto às que estavam em vigor há dez anos.

Alguns dos dados relatados no Guardian impressionam. No começo da década passada, apenas 50% das crianças estavam em escolas; embora ainda baixo, este percentual saltou para mais de 75%. Busca-se a igualdade: o índice é de 72%, entre as famílias mais pobres, e praticamente idêntico, entre meninos e meninas.

A área da saúde também mostra avanços significativos. Em 2000, apenas 2% das crianças com menos de cinco anos em famílias mais pobres recebiam todas as vacinas necessárias. No final da década já eram 1/3. Há dez anos, somente 27% das mulheres grávidas das famílias mais pobres recebiam cuidados pré-natais. Em uma década, o percentual saltou para 75%.

Estes avanços exigiram investimentos. Ao libertar-se da Indonésia, em 20 de maio de 2012, Timor Leste dependia em quase 100% de doações internacionais. A extração de petróleo do fundo do mar (gerenciada em conjunto com a Austrália) permitiu gerar receitas próprias, manejadas pelo Estado. Para evitar que a abundância de dólares desestimulasse a produção local, constituiu-se um fundo soberano, que deverá ser empregado a longo prazo e já reúne reservas de US$ 10 bilhões.  Com estes recursos, Timor planeja construir sua segunda central elétrica na próxima década, além de aprimorar o sistema de abastecimento de água e construir uma rede de estradas e um novo porto internacional.

O texto ressalta: a riqueza do petróleo só converteu-se em melhora nas condições de vida graças a política de redistribuição. Criou-se um sistema previdenciário relativamente eficiente, que beneficia os mais velhos mas também apoia mães solteiras, portadores de deficiência e veteranos das guerrilhas de independência. Nos gastos públicos há inclusive certa sofisticação. O Guardian destaca a existência de um portal de transparência do Orçamento, em três idiomas (português aqui) e considera que a qualidade e profundidade das informações disponíveis é “de classe mundial”

TEXTO-FIM

6 ideias sobre “Timor avança e revela que solidariedade internacional funciona

  1. Meu Deus. Tenho que ler, porque leio sempre assuntos que possam interessar ao bem estar mundial. E, preciso responder por questões óbvias. Estes artigos, sem conhecimento prático só prejudicam o desenvolvimento de quem quer ser livre e próspero mas não consegue……se é que quer ! Timor-Leste padece do mal da hiprocrisia, das inverdades e do capeamento das reais necessidades. Vá a Timor, viva 6 meses, 1 ano ou mais como eu vivi. Entre nos bastidores, não se abstenha de conversar com o Timorense. Visite aonde mora o cidadão comun. Falta tudo em Timor. Não há infra estrutura nenhum, não há hospitais, não há estradas, não há saneamento básico. Falta água, falta higiene e principal, falta vontade de ter tudo isso. Vontade camuflada pela ignorancia de investimentos com proveito próprio esquecendo-se da necessidade primeira: o bem comun. Houve a troca da vontade de ser por um celular. Da necessidade de saber por uma moto. Da soberana vontade de se aprimorar, por um prazer momentaneo de ter um bem de consumo sem se quer, saber usar. O Fundo de Petroleo hoje, está acumulado em mais de 7 bilhões de dolares e o Pais consome um orçamento anual de 1 bi e 800 milhões de dolares sem nada fazer em prol de uma população paupérrimamente pobre. E o mais grave e aterrorizante: a UN está preocupada em manter os cargos executivos frutos dos estagnados projetos que originaram altos e mal canalizados salarios para os internacionais, chamados de Malais. Timor-Leste necessita urgentemente da ajuda de pessoas que saibam e queiram criar proatividade, não de profissionais que se locupletam e tratam do bem estar próprio sem nada doarem. Profissionais que se dediquem e se esqueçam das beneces de usufruir da desgraça alheia com a farsa da ajuda cedida sem verificação dos concretos resultados que deveriam ter acontecido. Os investimentos feitos pelo Mundo se perderam tal qual os esgotos de Timor-Leste, a céu aberto e em contato com uma população carente e necessitada de exemplo, de postura, de pudor e orientações desprovidas de interesse próprio. Não nos deixemos enganar por um artigo marketeiro e que tapa o sol com uma peneira, capitalizando não sei o que. Timor não tem crianças assassinadas como o que está acontecendo na Siria mas tem mentes humanas sendo manipuladas e voltadas para a acomodação na permuta do silencio por um momentaneo prazer de ter um bem de consumo. As verdades precisam ser ditas e os mantos encobridores do egoismo e das desvairadas vaidades pessoais tem que ser removidos. Timor padece !

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