Como é ter uma filha. Criá-la. Amá-la. E ouvir os disparates do resto da humanidade

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Em outros cantos vejo heróis, vejo resistentes. Olho para a minha filha e projeto todos eles, vejo nos olhos dela que ela não nasceu para oprimir ninguém

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho) *

Eu tenho uma filha. Ela tem 12 anos. Mora comigo. Ela é o infinito. Uma multiplicação de possibilidades. Mas a percepção de boa parte das pessoas é estreita, restritiva. Quando perguntam sobre ela, querem encaixá-la em algum estereótipo. A começar da catalogação: “pré-adolescente”, “criança”, “moça”. A continuar pela descrição (e projeção) física: “vai dar trabalho”.

(As frases são acompanhas de risinhos, de uma espécie de cumplicidade às avessas, uma certa cordialidade corrosiva. Esperam que eu ria junto, que eu confirme alguma sina, alguma adversidade estrutural. Parece que eu devo ser destinado a sofrer por ter uma filha, e não o contrário: que ela vai me dar muitas alegrias, que ela vai continuar dando sentidos extras à minha vida.)

* Publicado originalmente em Outro Brasil, 18/06/2012. (Imagem: Chika Idu, “Prayer”.)

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