Muro do impeachment é o Brasil que expõe paradoxos e vísceras

Cerca construída por presidiários ainda será estudada por sua multiplicidade de símbolos; povo revê sua percepção de cordialidade enquanto elite faz as contas

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Está nos jornais de hoje: presidiários (improvisando para se protegerem do sol) construíram no domingo o que a imprensa chamou de “muro do impeachment“. Uma grande barreira de ferro que separará os manifestantes pró-impeachment (à direita da Esplanada dos Ministérios) e contra o impeachment (à esquerda, olhando de frente para o Congresso). É, desde já, uma das imagens do ano. E uma prova de que o processo em curso ultrapassou os limites da irresponsabilidade, ao pressionar pelo impeachment em um país tenso e dividido.

Lúcio Costa e Oscar Niemeyer já tinham se revirado no túmulo com a invasão da paisagem de Brasília por um pato gigante. Agora, estrebucham. À tentativa de infantilização da política brasileira, pela Fiesp (algo como chamar ecstasy de “bala”, ácido de “doce”, fascistas de coxinhas), se sucede esse símbolo da dissensão – e do risco. Curiosamente, o golpista Movimento Brasil Livre vem desafiando o próprio nome ao ameaçar – com outra leitura da palavra “muro” – os deputados que faltarem à votação: Continuar lendo