Esquerda erra ao minimizar “Deus e a família”

bosch

Plenário da Câmara? Não: “Cristo Carregando a Cruz” (Bosch, início do século 16)

Direita nada de braçadas no que se refere ao convencimento direto de setores majoritários da população; votos pelo “sim” no impeachment precisam ser estudados

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Onde a direita acerta? Há tempos penso em escrever algo nessa linha. Tentando identificar alguma fundamentação – ainda que tortuosa – em argumentos e fatos por ela utilizados em seu discurso. Ou estará ela errada o tempo todo, sob todos os aspectos? A esquerda precisa ignorar o papel do medo, por exemplo, na definição das opções políticas de cada cidadão? Por que deixar a direita nadar de braçadas em relação a determinados temas que interessam a todos os brasileiros?

Fiquei pensando nisso ao tentar rever a votação de domingo, em meio ao show de horrores na Câmara. Ainda que seja mais fácil maximizar uma fala especialmente grotesca, como a de Jair Bolsonaro (de certa forma bancando sua estratégia violenta), talvez falte refletir sobre o papel de Deus e da família na conquista de mentes e corações – e no quanto sair demonizando as duas palavras pode significar mais uma compra do jogo do adversário. Continuar lendo

Escolinha do Professor Cunha expôs ao Brasil sua face bizarra e violenta

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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Edição especial da aula no Congresso foi didática em relação ao potencial expressivo dos nobres deputados; de certos tiques e esquisitices, de certas farsas e farras

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

O dia 17 de abri foi uma aula de Congresso. Macabra. Com Eduardo Cunha à frente (e sua eterna ironia de cantinho de boca), os deputados puderam se expor à sociedade brasileira em uma espécie de dramaturgia sincera. A hora do voto foi a mais falada, pela sucessão de falas constrangedoras. E já simbolizaria o show de horrores caso o fundo fosse neutro – pensemos num azulzinho básico. Mas não. Ao fundo, o Brasil assistiu a um painel humano extremamente representativo de certa grosseria, de uma vulgaridade atroz. Ou alguém acreditava que Felicianos e Bolsonaros eram pontos fora da curva nesta nossa bufocracia?

Aqueles papagaios de pirata não impressionaram somente pelo oportunismo, pela disputa abjeta por alguns centímetros de tela, enquanto os colegas votavam. Aos poucos eles foram se soltando, e ao painel inicial de faces irrelevantes foi se sucedendo uma sequência de fotografias de cinismo explícito, como se aqueles senhores (ao final, também duas senhoras) fizessem questão de apresentar ao país em poucos segundos – como se fossem uns Enéas das imagens – uma síntese de suas expressões mais vergonhosas, desprovidas de algum senso de ética e beleza. Continuar lendo