Brecht: “De quem depende que a opressão prossiga? De nós”

“O que é esmagado que se levante! O que está perdido, lute!”, dizia o dramaturgo alemão, em 1931; “Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã”

Por Bertolt Brecht

ELOGIO DA DIALÉTICA*

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

* 1931

 

 

Reflexões sobre fascismo (IV) – Sartre, Brecht, Sabato, Monsalve

fascismo

Venezuelano cita Sartre (o motivo de combater o fascismo), Brecht (que o associa ao capitalismo) e aponta papel da mídia ao questionar violência de direita em seu país

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Frases de Jean-Paul Sartre e Bertolt Brecht iniciam e finalizam artigo do venezuelano Tulio Monsalve sobre fascismo, publicado no site chavista Aporrea, em 2013, no contexto de uma chacina de 11 pessoas – duas delas, crianças – ocorridas em abril daquele ano, em seu país. Como o próprio autor tece algumas frases impactantes sobre o tema (como aquelas sobre o papel das notícias e dos jornais), publico o artigo na íntegra, em tradução livre. Título e link original: “… de pronto se despertó y descubrió que era fascista… fin“.

***

Logo acordou e descobriu que era fascista. Fim

Tulio Monsalve

“Não se combate o fascismo porque se possa ganhar dele; se combate porque é fascista” (Jean-Paul Sartre, 1945, “A Idade da razão”) Continuar lendo