Kátia Abreu na Ásia, entre mármores, lustres e tapete “feito por mil mulheres”

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Ministra da Agricultura está desde o dia 7 em missão comercial pelo Brasil; confira algumas impressões de viagem da dama de ferro do agronegócio

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB), está desde o dia 7 em viagem pela Ásia. Começou na Arábia Saudita, passou pelos Emirados Árabes Unidos, pela Índia e foi – não é a primeira vez – para a China. O perfil dela no Twitter, “Ministra Kátia Abreu” (@KatiaAbreu), é bastante ilustrativo de suas preocupações nestes dez dias. Inúmeras fotos da missão comercial brasileira, das visitas a lugares turísticos (alguns, nababescos), um único comentário sobre o atentado em Paris. Sobre Mariana (MG), silêncio. Segue um resumo.

  • 6 de novembro. Ela chega em Brasília e posta: “Chegamos em BSB agora vindo de Maceió. Amanhã à tarde embarco com comitiva para a Arábia Saudita”. (Com foto de um prato de sopa. No dia anterior a barragem em Mariana já fora rompida, um povoado soterrado. A ministra não comenta.)
  • 6 de novembro. “Vamos conquistar mercados para o Brasil agro”.
  • 6 de novembro. “Nas crises muitos veem oportunidades para crescer. A foto do Brasil hoje pode não estar a mais bonita mas o filme completo é lindo. Vamos à luta”.
  • 7 de novembro. “No aeroporto em Guarulhos lojinha vendendo colares de sementes, com palha de Buriti e Capim Dourado do Tocantins”. (Com foto, abaixo.)katiaabreu-07novembro
  • 7 de novembro. Arábia Saudita. “Assinatura do fim do embargo Saudita à carne bovina do Brasil. Desde 2013 não vendíamos carne para aquele país”.
  • 7 de novembro. “Poderemos vender 50.000 toneladas no valor de 170 milhões de dólares”. (Fotos com autoridades árabes.)
  • 9 de novembro. “Família Al Aminaged! Grandes compradores de alimentos do Brasil. Os maiores do mundo Árabe. Empresa familiar”. (Fotos com a família.)
  • 10 de novembro. Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. (Inúmeras fotos dos prédios da cidade.)
  • 11 de novembro. “Não dá pra sair sem a Abaia e o lenço no cabelo. Em eventos oficiais não precisa do lenço mas Abaia sim”. (Foto abaixo.)katiaabreu-abaia
  • 11 de novembro. “Chegamos agora da visita à fábrica da BRF (indústria de abate e processamento de frangos) em Dubai. Anúncio de ampliação da fábrica”.
  • 11 de novembro. Visita à Grande Mesquita. Vários posts. “Simplesmente espetacular”. “Tem 1.000 colunas!” “O pátio externo tem 17.000 m2 de mármore branco com flores de várias cores e de vários países”. “Nunca vi nada igual”.(Várias fotos. Uma delas é a que abre este texto.)
  • 11 de novembro. “Este mármore azul é o mais raro e veio da Bahia”. (Foto abaixo. Mais muitas fotos. “Flores de mármore de várias cores e países”.).katiaabreu-marmoreazul
  • 14 de novembro. Nova Delhi, Índia. “10% da população da Índia é Muçulmana e come carne bovina. São 120 milhões de indianos. Grande mercado para o Brasil”.
  • 15 de novembro. “Solidariedade aos franceses neste momento de dor. Não podemos aceitar esta violência. Difícil tentar compreender. Não existe justificativa”.
  • 15 de novembro. “A Net está super lenta e não consigo enviar a fotos do Taj Mahal”.
  • 16 de novembro. “A Índia importa 10 milhões de toneladas de lentilhas, grão de bico e outras poucas. Não importam nada do Brasil. Mas agora vão!” (Muitas fotos. É domingo, e ela consegue registrar o Taj Mahal.).katiaabreutajmahalkatiaabreuindia
  • 16 de novembro. “Encontro em Nova Delhi com o setor privado hoje”.
  • 16 de novembro. “Ganhei um Sari vermelho do amigo Peter Hassan. Tinha lido no passado um livro sobre Sonia Gandhi (O Sari Vermelho)”.
  • 16 de novembro. Ela sobe fotos que não conseguira subir. Da Índia e do mundo árabe. (Abaixo, a ministra com autoridades de Abu Dahbi, com logo da empresa brasileira ao fundo.)katiaabreu-brf
  • Mais fotos de Abu Dahbi. A mesquita. “Muito luxo e beleza!”
  • “Lustre central tem 7000 cristais e pesa 18.000 kg”.
  • “Salão interno tem o maior tapete do mundo. Foi feito a mão por 1000 mulheres e levou 2 anos para ficar pronto”.
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    katiaabreu-tapete
    E que venha a China.

17 ideias sobre “Kátia Abreu na Ásia, entre mármores, lustres e tapete “feito por mil mulheres”

  1. Alceu, é a primeira vez que leio teu blog e gostei dele de verdade assim como gostei do Outras Palavras. A minha opinião e o meu gosto pedem esse tipo de jornalismo que vocês praticam, os textos de um jornalista que tem propor reflexão para o leitor ao contrario dessa mídia tradicional cujo papel não é necessário dizer.

    • Legal, Ricardo, de fato o projeto do Outras Palavras é um oásis em nossa mídia. Estou há apenas dez dias com o blog aqui e me sinto em casa. Espero que continue nos prestigiando.

  2. Kátia Abreu é ministra da agricultura ou é uma representante comercial deslumbrada, que aproveitou a viagem de negócios para fazer turismo e mostrar tudo o que viu de interessante aos amigos?
    O silêncio da deslumbrada diante da tragédia em Mariana, que, entre outras coisas, deixou agricultores desesperados, já é motivo suficiente para ser destituída do cargo.
    Paulo, é da nossa conta, sim, e por dois motivos: ela está usando dinheiro público pra fazer turismo e deveria destinar os horários de folga para encontrar soluções para os agricultores da região.

  3. Katia Abreu é uma espécie de crime delicado.No fundo dos posts “simpáticos” a representação de um pensamento estúpido e devastador. “Por trás da regra , descubram o abuso” B. Brecht

  4. Na viagem da MInistra Kátia Abreu
    O que mais ineteressa ao Nordeste-BR
    É a proposta da importação de 1 milhão de Jumentos.
    Parece uma bruincadeira, mas é Vertdade:
    Acreditamos que havendo um programa de governo para que a proposta em questão venha ser aproveitada – o Nordeste poderá ter menos sofrimento com os efeitos das secas que se repetem periodicamente, desde o tempo dos indígenas – colonização, a partir de quando este fenômeno vem sendo observado, de modo alienado dos governantes, sem haver, pelo menos, amenização de suas consequências para o semi-árido: fome, desemprego, abandono, doença – miséria que continuam por mais de 500 anos.
    Com o aproveitamento do potencial sobre os Jumentos – importação pra China,
    essas coisas poderiam ser amenizadas ou reduzidas, aproveitando um dos recursos próprios da região, conforme o potencial regional – conhecido e sabido por todos nós – exportação dos Jumentos para a China e demais regiões que necessitam de carne, leite, pele e outros subprodutos desse animal.
    O governo ou MInistério que tiver a disposição de fazer o que o Nordeste precisa.neste sentido – ficará destacado na história do Brasil parta sempre!!!

    • Um dos problemas é que não seria exportação de jumentos criados por camponeses. A lógica seria capitalista, com provável expropriação de terras. Mais ainda, como sempre aconteceu. Esse é o modelo de negócios: oligopolizado.

      • Um dos problemas é que não seria exportação de jumentos criados por camponeses. A lógica seria capitalista, com provável expropriação de terras. Mais ainda, como sempre aconteceu. Esse é o modelo de negócios: oligopolizado.
        Embora tenha que concordar,vivemos num mundo capitalista,se não aceitamos essa situação temos que viver, em outro.
        Apenas quero dizer que caso isso ocorro e renda seja revertida ao Brasil de um acordo comercial,sempre haverá um pequeno produtor que vai sobreviver dessa atividade econômica.

        • Esse argumento valeria para uma sociedade escravocrata, por exemplo. “Se vivemos num modo de produção e não aceitamos, temos de viver em outro”. E não, né. Não foi assim a história do mundo. E que bom que não.

  5. Peço as forças siderais, ao cristo cósmico e todos os avatares da justiça divina que expurguem todos esses políticos sem consciência sem respeito e compaixão da poder. O Brasil com pessoas brutalizadas sem evolução, e respeito pela vida é só atraso, devastação e crueldade.. Fora pecuaristas cruéis destruidores , assassino de vidas e da mãe terra…

  6. Incrível haver quem acredite que esta bandalha trabalhe outro trabalho que não o de nos fazer de trouxas. Felizmente, nem todos são trouxas conformados.

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