Um 8 de março para homens

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Não dê rosas, nem presentes: não é celebração comercial. Leia, assista a filmes, reflita. Participe de uma experiência de inversão

Por Marília Moschkovich | Imagem: Matheus Coimbra

Há alguns anos nós, feministas que militamos na internet (sobretudo em blogs), reforçamos a máxima de que aquela rosa que muita gente distribui no dia 8 de março pode ficar pra vocês. Um bom texto que não sai de moda, nesta época, é o “Dispenso esta rosa”, da Marjorie Rodrigues (leia aqui). Muito confusos com essa recusa, alguns leitores têm me escrito desde a semana passada, tentando entender: afinal de contas, se dar parabéns junto a flores ou presentes não é bacana no dia 8 de março, o que podemos fazer para que não passe em branco?

Pra inventarmos maneiras de viver o 8 de março sem sermos machistas, precisamos entender o que é esse dia. Ao contrário do que dizemos no dia-a-dia, o 8 de março não é “Dia Internacional da Mulher”, mas sim o “Dia Internacional de Luta Pelos Direitos das Mulheres”. Dá pra sacar a diferença?

8 de março não é uma data comercial como o dia das mães, dia dos pais, dia das crianças. Não foi definida por associações comerciais para vender mais rosas  em março e alavancar vendas que sem a data talvez ficassem um pouco lentas (já repararam como os dias das mães, pais e crianças são estrategicamente distribuídos no calendário? pois é).

A data de 8 de março foi reivindicada com muita luta, ao longo de muitas décadas, como dia de luta pelos direitos das mulheres. É neste dia que celebramos as conquistas da luta feminista através dos séculos. Essa celebração nos lembra que nem sempre as coisas foram como hoje, e também que podemos perder esses avanços, dependendo das disputas políticas de nosso tempo. Ao mesmo tempo, refletimos sobre outras transformações que ainda estão por vir, que desejamos que venham, e pensamos sobre como podemos promovê-las. O 8 de março é um dia de informação, reflexão e luta política.

No auge da minha criatividade de quem passou o carnaval descansando e longe da folia, listei algumas ideias de coisas bacanas pra fazer no dia 8 de março. Certamente todas elas são mais produtivas para os direitos das mulheres do que dar parabéns e oferecer rosas, e definitivamente alguma delas é possível de ser feita por você.

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Por e-mail (marilia@mariliamoscou.com.br) ou Twitter (@MariliaMoscou), peço que me contem também, a partir do domingo, o que foi que fizeram no dia 8. Pretendo traçar uma pequena coletânea de atitudes dos homens em prol da luta das mulheres na semana que vem! Vamos à lista:

1. Participar de alguma marcha ou manifestação de 8 de março

Como homem, é importante que você possa mostrar que entende que esse é um dia de luta e que apoia publicamente essa luta. As marchas costumam ser bem tranquilas, com grupos diferentes e bandeiras bem diversificadas. É uma experiência legal pra quem anda com alguma curiosidade sobre qual é a cara do feminismo nos dias de hoje, que reivindicações são feitas, etc. Dando uma busca por “Ato 8 de março 2014″ no Google, é possível encontrar informações sobre as marchas programadas para diferentes lugares.

2. Ler (ou começar a ler) um livro de uma escritora feminista

Não precisa chafurdar na teoria e encarar logo O Segundo Sexo, da Simone de Beauvoir, claro. As escritoras de literatura são excelentes para se começar. Por meio da literatura muitas questões sobre os direitos e as vidas de mulheres em várias épocas são muito bem trabalhadas. Meus livros preferidos pra esse começo são os seguintes:

– Três Vidas (Gertrude Stein)

– O Conto da Aia (Margaret Atwood)

– Um teto todo seu (Virginia Woolf)

– Persépolis (MarjaneSatrapi) [quadrinho]

– O País das Mulheres (Gioconda Belli)

– As boas mulheres da china (Xinran)

– Barragem contra o Pacífico (Marguerite Duras)

– A casa dos espíritos (Isabel Allende)

– Flor da Neve e o leque secreto (Lisa See)

3. Assistir filmes que tragam uma perspectiva feminista sobre as mulheres

Faça uma panelada de pipoca, ajeite uma bebida maneira e vamos lá. Eu indico aqui alguns filmes bacanas, de ficção ou não, mas há realmente muitos filmes feministas bons por aí. Alguns deles que você talvez nem imaginasse que fossem feministas! Se você jogar “filmes feministas” no Google, ele retorna boas listas pelas quais você pode se pautar, também. Minhas sugestões:

– Que bom te ver viva (Lúcia Murat, 1989)

– A excêntrica família de Antônia (MarleenGorris, 1995)

– Thelma & Louise (Ridley Scott, 1991)

– Tomboy (CélineSciamma, 2011)

– XXY (Lucía Puenzo, 2007)

– Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton & Valerie Faris, 2006)

– A Vida Secreta das Abelhas (Gina Prince-Bythewood, 2008)

– A Cor Púrpura (Steven Spielberg, 1985)

– Além do bem e do mal (Liliana Cavani, 1977)

– Philomena (Stephen Frears, 2013)

– Em nome de Deus (Peter Mullan, 2002)

– As horas (Stephen Daldry)

4. Participar de alguma outra atividade proposta para o dia, que envolva informação, reflexão e debate

Na cidade de São Paulo, a prefeitura lançou uma listinha muito bacana cheia de atividades interessantes para o 8 de março. Nessas atividades, muitos aspectos do “ser mulher” serão debatidos, apresentados, pensados. Vale a pena conferir a programação extensa e escolher uma atividadezinha pra participar (veja a lista aqui). Eu mesma vou dar um workshop curto voltado para homens nesse dia, também em Sampa (inscrições e informações aqui).

Se você não está em Sampa, uma busca no Google por “8 de março atividades” vai retornar diversas possibilidades; adicionando o nome de sua cidade à busca dá pra ter uma ideia de eventos próximos. Se nada disso funcionar, procure por coletivos feministas e setoriais de mulheres de partidos de esquerda, que esses grupos sempre têm ideias legais de atividades para a data. As ONGs ligadas aos direitos das mulheres, direitos sexuais e reprodutivos e direitos humanos também costumam propor encontros e debates legais no dia. Fique atento!

5. Faça um experimento de inversão

Essa proposta é muito mais ousada do que os outros itens da lista, claro. A ideia é viver como se fosse mulher, em algum aspecto do teu cotidiano, durante um dia. Você pode passar o dia usando sapato de salto alto, por exemplo. Fazer maquiagem feminina, tentar fazer as unhas, fazer depilação com cera nas pernas, usar vestido, ou trocar as tarefas diárias com uma mulher que conviva com você (mãe, irmã, esposa, namorada, amiga, etc). Seja criativo e depois me conte como foi! O lado mais bacana dessa experiência, porém, é discuti-la com as próprias mulheres dos teus círculos sociais. Escute o que elas tem a dizer sobre a experiência delas cotidianamente fazendo o que você fez por um dia.

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Marília Moschkovich

(@MariliaMoscou) é socióloga, militante feminista, jornalista iniciante e escritora; às segundas-feiras contribui com o Outras Palavras na coluna Mulher Alternativa. Seu blog pessoal é www.mariliamoscou.com.br/blog.