Quarenta anos de procrastinação interesseira

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Como as grandes petroleiras transnacionais souberam, desde 1977, dos efeitos dramáticos da queima de CO² — e vêm lutando desde então para escondê-los das sociedades

Por Neela Banerjee, Lisa Song e David Hasemyer, no InsideClimate News | Tradução: Gilberto Schittini

Em uma reunião na sede da Exxon Corporation, um cientista sênior chamado James F. Black dirigiu-se a um grupo de poderosos homens do petróleo. Falando sem texto enquanto passava por slides detalhados, Black transmitiu uma séria mensagem: o dióxido de carbono oriundo do uso mundial de combustíveis fósseis iria aquecer o planeta e poderia eventualmente colocar a humanidade em perigo.

“Em primeiro lugar, existe um consenso científico geral de que a maneira mais provável pela qual a humanidade estaria influenciando o clima global seria pelo dióxido de carbono liberado na queima de combustíveis fósseis”, Black disse ao Comitê Gerencial da Exxon, segundo uma versão escrita que ele registrou mais tarde.

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Era julho de 1977 quando os líderes da Exxon receberam essa avaliação contundente, bem antes de o resto do mundo ouvir falar sobre a crise climática iminente.

Um ano depois, Black, um especialista técnico do topo da divisão de Pesquisa e Engenharia da Exxon, levou uma versão atualizada da sua apresentação para uma audiência maior. Ele alertou os cientistas e gerentes da Exxon de que pesquisadores independentes haviam estimado que uma duplicação da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera elevaria a temperatura média global em 2 a 3 graus Celsius (4 a 5 graus Fahrenheit), e poderia chegar a 10 graus Celsius (18 graus Fahrenheit) nos polos. As chuvas ficariam mais fortes em algumas regiões, e outros lugares se tornariam desertos.

“Alguns países se beneficiariam, mas outros teriam sua produtividade agrícola reduzida ou destruída”, Black disse, conforme o resumo escrito de sua apresentação de 1978.

Essas apresentações refletiam a incerteza que permeava os meios científicos sobre os detalhes das mudanças climáticas, como, por exemplo, o papel desempenhado pelos oceanos na absorção de emissões. Ainda assim, Black previu que ações rápidas eram necessárias. “De acordo com o conhecimento atual”, ele escreveu no resumo de 1978, “estima-se que o homem tenha uma janela de cinco a dez anos antes que a necessidade de que decisões duras sobre mudanças nas estratégias energéticas se tornem críticas”

A Exxon respondeu rapidamente. Em meses a companhia lançou sua própria pesquisa extraordinária sobre o dióxido de carbono dos combustíveis fósseis e seu impacto na Terra. O programa ambicioso da Exxon incluía tanto amostragem empírica de CO2 quanto modelagem climática rigorosa. Ela reuniu um grupo de especialistas que iria dedicar mais de uma década aprofundando o conhecimento da companhia sobre esse problema ambiental que oferecia um risco de vida ao ramo do petróleo.

Então, ao final da década de 1980, a Exxon reduziu sua pesquisa sobre o dióxido de carbono. Ao invés disso, nas décadas que se seguiram, a Exxon trabalhou na linha de frente da negação climática (climate denial). A empresa dedicou a sua musculatura para sustentar esforços na produção de dúvidas sobre a realidade do aquecimento global que seus próprios cientistas um dia constataram. Ela articulou politicamente esforços para bloquear ações federais e internacionais de controle de emissões de gases de efeito estufa. Ela ajudou a construir um vasto edifício de desinformação que se mantém de pé até o dia de hoje.

Esse capítulo não contado da história da Exxon, o dia em que uma das maiores companhias energéticas do mundo se dedicou ativamente para entender os danos causados pelos combustíveis fósseis, emergiu de uma investigação de oito meses de duração feita pela InsideClimate News. Os jornalistas da ICN entrevistaram antigos empregados da Exxon, cientistas, agentes federais, e consultaram centenas de páginas de documentos internos da Exxon, muitos deles escritos entre 1977 e 1986, durante o auge do inovador programa de pesquisa sobre clima da empresa. A ICN passou um pente fino em milhares de documentos de arquivos incluindo aqueles tombados na Universidade de Texas-Austin, no Instituto de Tecnologia de Massachussets-MIT e na Associação Americana para o Avanço da Ciência.

Os documentos registraram pedidos de orçamento, prioridades de pesquisa, e debates sobre as descobertas, e revelaram o arco das atitudes internas da Exxon, seu trabalho sobre clima e quanta atenção os resultados receberam.

Teve significância particular um projeto lançado em agosto de 1979, quando a companhia equipou um superpetroleiro com instrumentos customizados. A missão desse projeto foi de coletar amostras de dióxido de carbono na atmosfera e nos oceanos ao longo de uma rota que partiu do Golfo do México até o Golfo Pérsico.

Em 1980, a Exxon reuniu um time de especialistas em modelagem climática que investigou questões fundamentais sobre a sensibilidade do clima ao aumento da concentração de dióxido de carbono no ar. Trabalhando em conjunto com cientistas da universidade e com o Departamento de Energia dos Estados Unidos, a Exxon lutou para estar na ponta das investigações sobre o que então era conhecido como efeito estufa.

A determinação inicial da Exxon em entender os níveis crescentes de dióxido de carbono surgiu de uma cultura corporativa com visão de longo prazo, disseram antigos empregados. Eles descreveram uma companhia que continuamente examinava riscos até o final da linha, inclusive os fatores ambientais. Nos anos 1970s, a Exxon espelhou sua divisão de pesquisa nos Laboratórios Bell, contratando cientistas e engenheiros altamente qualificados.

Em uma resposta escrita a questões sobre a história de suas pesquisas, o porta-voz da ExxonMobil Richard D. Keil disse que “desde o tempo em que as mudanças climáticas surgiram pela primeira vez como tópico para estudos e análises científicas, no final dos anos 1970s, a ExxonMobil se comprometeu com a análise científica, baseada em fatos sobre esse importante tema”.

“Sempre”, ele disse, “as opiniões e conclusões dos nossos cientistas e pesquisadores nesse assunto estiveram solidamente inseridas nos consenso geral da opinião científica do período e nosso trabalho tem sido guiado pelo princípio fundamental de seguir para onde a ciência nos levar. O risco de mudança climática é real e exige ação”.

No início das suas investigações climáticas, há quase quatro décadas atrás, muitos executivos da Exxon, gerentes e cientistas se imbuíram de um senso de urgência e de missão.

Um gerente do setor de pesquisa da Exxon, Harold N. Weinberg, compartilhou seus “pensamentos grandiosos” sobre o papel potencial da Exxon na pesquisa climática em um memorando interno da companhia, em março de 1978, onde se lia: “Esse pode ser o tipo de oportunidade que nós estávamos esperando para colocar os recursos de tecnologia, gestão e liderança da Exxon no contexto de um projeto que visa o bem da humanidade”.

Seus sentimentos ganharam eco em Henry Shaw, o cientista que liderou o nascente esforço de da companhia na pesquisa sobre dióxido de carbono.

“A Exxon precisa desenvolver um time científico de credibilidade que possa avaliar criticamente as informações geradas sobre o tema e que seja capaz de dar más notícias, se houver, para a corporação”, Shaw escreveu para seu chefe Edward E. David, o presidente setor de Engenharia e Pesquisa da Exxon em 1978. “Este time precisa ser reconhecido por sua excelência pela comunidade científica, pelo governo e internamente pela administração da Exxon”.

Irreversível e Catastrófico

A Exxon destinou mais de 1 milhão de dólares em três anos para o projeto do petroleiro para medição de quão rápido os oceanos estavam absorvendo CO2. Isso era apenas uma pequena fração do orçamento anual de 300 milhões de dólares da Exxon Pesquisas, mas a questão que os cientistas abordaram era uma das maiores incertezas na ciência do clima: quão rápido poderiam as profundezas oceânicas absorver o CO2 atmosférico? Se a Exxon pudesse encontrar a resposta, a empresa poderia saber quanto tempo ainda demoraria até que a acumulação de CO2 na atmosfera exigisse uma transição no sentido de abandonar o uso dos combustíveis fósseis.

A Exxon também contratou cientistas e matemáticos para desenvolver modelos climáticos melhores e publicar os resultados de pesquisa em jornais acadêmicos. Até 1982, os cientistas da própria companhia, colaborando com pesquisadores de fora, criaram modelos climáticos rigorosos – programas de computador que simulam o funcionamento do clima para avaliar o impacto de emissões na temperatura global. Eles confirmaram o consenso científico emergente: que o aquecimento poderia ser até pior do que Black havia alertado cinco anos antes.

A pesquisa da Exxon estabeleceu as bases para uma cartilha corporativa de 1982 sobre dióxido de carbono e mudança climática preparada por seu escritório de assuntos ambientais. Marcada com “não deve ser distribuída externamente”, a cartilha continha informações que “tiveram grande circulação na administração da Exxon”. Nela a companhia reconhecia que, apesar dos aspectos desconhecidos persistentes, para se prevenir o aquecimento global “seriam necessárias reduções massivas na queima de combustíveis fósseis”.

Caso isso não ocorresse, “há eventos catastróficos em potencial que precisam ser considerados”, seguiu a cartilha, citando especialistas independentes. “Quando os efeitos se tornarem mensuráveis, poderão não mais ser reversíveis”.

A Certeza da Incerteza

Assim como outros na comunidade científica, os pesquisadores da Exxon reconheceram as incertezas em torno de muitos aspectos da ciência do clima, especialmente na área de modelagem preditiva.

“Modelos são controversos”, escreveram Roger Cohen, chefe de ciências teóricas dos Laboratórios Corporativos de Pesquisa da Exxon, e seu colega, Richard Werthamer, conselheiro sênior de tecnologia na Corporação Exxon, num relatório em maio de 1980 sobre o estado do programa de Exxon de modelagem climática. “Portanto, existem oportunidades de pesquisa para nós”.

Quando pesquisadores da Exxon confirmavam informações que a companhia poderia achar perturbadoras, eles não as escondiam debaixo do tapete.

“Ao longo dos últimos anos um nítido consenso científico emergiu”, Cohen escreveu em setembro de 1982, relatando sobre as análises da própria Exxon sobre os modelos climáticos. A duplicação da concentração de dióxido de carbono na atmosfera produziria um aquecimento médio global de 3 graus Celsius, mais ou menos 1,5 grau C (igual a 5 graus Fahrenheit mais ou menos 1,7 grau F).

“Há uma unanimidade na comunidade científica de que um aumento na temperatura dessa magnitude produziria mudanças significativas no clima da Terra”, ele escreveu, “inclusive sobre a distribuição das chuvas e com alterações da biosfera”.

Ele alertou que a publicação dessas conclusões da companhia iria atrair atenção da mídia, por causa da “conexão entre o principal negócio da Exxon e o papel da queima de combustíveis fósseis na contribuição para o aumento no CO2 atmosférico”.

Mesmo assim, ele recomendou a publicação.

“Nossa responsabilidade ética é de permitiu a publicação de nossa pesquisa na literatura científica”, Cohen escreveu. “De fato, fazer o contrário seria uma ruptura com o posicionamento público da Exxon e sua crença ética na honestidade e na integridade”.

A Exxon seguiu seu conselho. Entre 1983 e 1984 seus pesquisadores publicaram seus resultados em ao menos três artigos científicos nas revistas Journal of the Atmosferic Sciences e American Geophysical Union Monograph.

David, chefe de pesquisa da Exxon, disse em uma conferência sobre aquecimento global financiada pela Exxon em 1982 que “poucas pessoas tem dúvidas de que o mundo tenha entrado numa transição enérgica que se afasta da dependência de combustíveis fósseis e avança para uma combinação de recursos renováveis que não vai gerar problemas de acumulação de CO2”. A única dúvida, ele disse, era quão rápido isso aconteceria.

Mas o desafio não o atemorizava. “Eu geralmente sou otimista sobre as chances de sairmos bem desse que é o mais aventureiro dentre todos os experimentos humanos com o ecossistema”, David disse.

A Exxon se considerava única entre as corporações devido às suas pesquisas sobre dióxido de carbono e clima. A companhia ostentou em um relatório de janeiro de 1981, “Estudo Abrangente sobre CO2”, que nenhuma outra companhia aparentava estar conduzindo pesquisas domésticas similares sobre o dióxido de carbono, e ela rapidamente ganhou reputação entre pessoas externas como tendo uma expertise genuína no assunto.

“Nós estamos muito satisfeitos com as intenções de pesquisa da Exxon sobre a questão do CO2. Isso representa uma ação muito responsável, que esperamos servir como modelo para outras contribuições do setor corporativo a pesquisas”, disse David Slade, gerente do programa de pesquisa sobre dióxido de carbono do Departamento de Energia do governo federal, em uma carta a Shaw em maio de 1979. “Isso é realmente um serviço nacional e internacional”.

Imperativos dos negócios

No início dos anos 1980s pesquisadores da Exxon costumavam repetir que sua ciência não-enviesada daria à empresa legitimidade para ajudar e dar forma a leis relacionadas ao clima que afetariam sua lucratividade.

Ainda assim, executivos corporativos permaneceram cautelosos ao falar com acionistas da Exxon sobre o aquecimento global e a influência desempenhada pelo petróleo na sua causa, segundo mostra uma revisão de arquivos federais.

Também não há menção nesses arquivos de que a preocupação com o CO2 estivesse começando a influenciar as decisões de negócios que a empresa estava tomando.

Ao longo dos anos 1980s, a companhia esteve preocupada com o desenvolvimento de um enorme campo de gás na costa da Indonesia, por causa da grande quantidade de CO2 que esse reservatório incomum iria liberar.

A Exxon também estava preocupada com relatórios que apontavam que óleo sintético feito à base de carvão, areia betuminosa e gás de xisto poderiam impulsionar significativamente as emissões de CO2. A companhia estava investindo em combustíveis sintéticos para atender ao crescimento futuro da demanda, num mundo no qual ela acreditava que estava ficando sem óleo convencional.

No meio dos anos 1980s, após um inesperado excesso de óleo que fez os preços colapsar, a Exxon fez cortes severos no seu pessoal para economizar dinheiro, incluindo muitas pessoas que estavam trabalhando com o clima. Mas o problema da mudança climática persistiu, e estava se tornando uma parte mais proeminente do cenário político.

“O Aquecimento Global Começou, Especialistas Dizem ao Senado”, declarou uma manchete de junho de 1988 de um artigo do New York Times que descreveu o depoimento ao Congresso de James Hansen da Nasa, um eminente especialista em clima. As declarações de Hansen compeliram o Senador Tim Wirth (Democrata, Colorado) a declarar durante a oitiva que “o Congresso precisar começar a considerar como nós iremos reduzir ou interromper esse padrão de aquecimento”.

Com as sirenes de alarme repentinamente tocando, a Exxon começou a financiar esforços para amplificar as dúvidas acerca do estado da ciência do clima.

A Exxon ajudou a fundar e liderar a Coalizão Climática Global, uma aliança entre algumas das maiores companhias do mundo que buscava deter os esforços governamentais de redução das emissões oriundas de combustíveis fósseis. A Exxon usou o American Petroleum Institute, um think tank de direita, contribuições de campanha e seu próprio lobby para impor uma narrativa de que a ciência climática era incerta demais para que se exigissem reduções em emissões de combustíveis fósseis.

Enquanto a comunidade internacional se movimentava em 1997 para dar o primeiro passo na redução de emissões via Protocolo de Kyoto, o presidente e CEO da Exxon, Lee Raymond, defendeu a sua interrupção.

“Concordemos que há muito que nós ainda não sabemos realmente sobre como o clima irá mudar no século XXI e além”, Raymond disse em seu discurso à frete do Congresso Mundial de Petróleo em Pequim, em outubro de 1997.

“Nós precisamos entender melhor essa questão e, felizmente, nós temos tempo”, ele disse. “É altamente improvável que a temperatura no meio do próximo século seja significativamente alterada se as políticas forem adotadas agora ou daqui a 20 anos”.

Ao longo dos anos, vários cientistas da Exxon que haviam confirmado o consenso climático durante as pesquisas iniciais, incluindo Cohen e David, foram para o lado de Raymond, disseminando visões que andavam na contramão do mainstream científico.

Pagando o Preço

A meia-volta da Exxon sobre a mudança climática rendeu o desprezo da comunidade científica que ela antes havia cortejado.

Em 2006, a Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido, enviou uma dura carta à Exxon acusando-a de ser “imprecisa e enganadora” na questão sobre incerteza climática. Bob Ward, o gerente sênior da Academia para comunicação sobre políticas públicas, exigiu que a Exxon interrompesse o repasse de dinheiro para dúzias de organizações que ele disse que estavam ativamente distorcendo a ciência.

Em 2008, sob uma pressão crescente de acionistas ativistas, a companhia anunciou que iria encerrar o apoio a alguns grupos proeminentes como aqueles que Ward tinha identificado.

Ainda assim, os milhões de dólares que a Exxon gastou desde os anos 1990s em negacionistas da mudança climática há muito ultrapassou o que ela uma vez investiu na pesquisa de ponta a bordo do Esso Atlantic.

“Eles gastaram tanto dinheiro e eles eram a única companhia que fez esse tipo de pesquisa, até onde eu sei” Edward Garvey, que foi um pesquisador chave no projeto do petroleiro da Exxon, disse em uma entrevista recente ao InsideClimate News e Frontline. “Aquela foi uma oportunidade não apenas para garantir um lugar à mesa, mas para liderar, em muitos aspectos, um pouco da discussão. E o fato de que eles escolheram não fazer isso no futuro é um tanto triste”.

Michael Mann, diretor do Centro de Ciências do Sistema da Terra da Universidade Estadual da Pensilvânia, que tem sido um alvo frequente de negacionistas climáticos, disse que inação, assim como ação, tem consequências. Quando ele falou ao InsideClimate News, ele ainda não sabia desse capítulo da história da Exxon.

“Tudo o que um eminente CEO de combustíveis fósseis precisava saber era que isso é mais importante do que lucros de acionistas, se trata do nosso legado”, ele disse. “Mas agora, por causa do custo da inação – o que eu chamo “penalidade da procrastinação” – nós enfrentamos uma batalha muito mais dura”.


No sítio do InsideClimate News há elos para a Parte II da reportagem, com o registro das pesquisas iniciais da Exxon sobre clima; Parte III, uma revisão dos esforços da Exxon em modelagem climática; Parte IV, um mergulho no projeto da Exxon sobre o campo de gás Natuna; Parte V, uma visão sobre os esforços da Exxon na promoção de combustíveis sintéticos; Parte VI, um registro das ênfases da Exxon nas incertezas da ciência sobre clima.

Também participaram dessa reportagem os membros da equipe do ICN Zahra Hirji, Paul Horn, Naveena Sadasivam, Sabrina Shankman e Alexander Wood.

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