EUA terceirizam assassinatos de guerra

Share on Facebook2Tweet about this on Twitter0Share on Google+6Pin on Pinterest0Share on LinkedIn0Email this to someone

Efetivo militar norte-americano já não é suficiente para controlar aviões-robô. Eliminação de “inimigos” transferida a empresas privadas

Por Robert Johnson em Business Insider | Tradução: Vila Vudu

A Força Aérea dos EUA possui 230 aviões-robô (drones) modelos Reaper, Predator e Global Hawks. A qualquer momento do dia ou da noite, todos os dias, pelo menos 50 deles estão no ar “em missão”.

Mas é a incorporação à frota de 730 novos drones – a serem incorporados nos próximos 10 anos – que explica por que os “pilotos” estão sendo obrigados a “pilotar” quatro drones simultaneamente.

A enorme expansão do programa de drones ordenada pelo presidente Obama parece estar criando uma demanda de pilotos que os militares não estão conseguindo suprir.

topo-posts-margem

David S. Cloud informa, no Los Angeles Times[1], que nos EUA os militares já cederam lugar a várias empresas contratadas, que ocupam todos os níveis de uma “corrente de matar”. Essas empresas privadas analisam todos os vídeos enviados pelos drones e tomam as decisões de ataque, quer dizer, há empresas contratadas para decidir onde e quando disparar os mísseis Hellfire instalados nos drones.

A prática não é nova.

Segundo Cloud, o “protagonista” no ataque de um drone Predator que matou acidentalmente 15 afegãos em 2010 foi um empregado de uma daquelas empresas, um civil, portanto, informação que o oficial do Exército que investigava o caso ignorava e muito o surpreendeu.

Os pilotos da frota de drones são assunto que preocupa cada vez mais a Força Aérea dos EUA.

É preciso equipe muito maior para pilotar à distância um drone, que para pilotar presencialmente um jato F-15. Com o grande aumento da frota de drones no governo Obama, cada vez mais o serviço está sendo entregue a empresas privadas contratadas. Cabe a essas empresas analisar os vídeos e manter no ar a frota de drones.

A Força Aérea informa que são necessários 168 técnicos para manter no ar durante 24 horas um drone Predator; e 300 técnicos para fazer voar um drone Global Hawk pelo mesmo período.

O programa anunciado semana passada – cada técnico passará a ser responsável por “voar” quatro drones simultaneamente – foi recebido com extrema preocupação, num contexto em que inúmeros aspectos legais permanecem na mais total obscuridade.

Apesar da oposição pela opinião pública, das questões legais envolvidas, e do estresse adicional a que ficaram submetidos os empregados das empresas contratadas, militares dos EUA e da Grã-Bretanha já falam com entusiasmo sobre “a grande promessa” que é o programa de um “piloto” no comando de quatro joysticks, um para cada drone.

A menos que a Força Aérea dos EUA amplie drasticamente seus esforços de recrutamento – o que é improvável, dados os cortes no orçamento dos EUA – é provável que aumente o número de empregados civis contratados, a serviço de empresas comerciais. Chegamos afinal à situação em que as corporações da indústria bélica estão, literalmente, com o dedo no gatilho, no comando de operações de guerra e disparando armas norte-americanas, em todo o mundo.

Por mais que se deva supor que a Força Aérea dos EUA ainda mantém algum grau de excelência no treinamento de seus pilotos, e tenha mecanismos eficazes para “filtrar” de seus quadros elementos moralmente indesejáveis, é evidente que não se pode esperar que empresas comerciais adotem os mesmos critérios de excelência na seleção e treinamento de seus empregados.

[1] 29/12/2011, “Civilian contractors playing key roles in U.S. drone operations”, Los Angeles Times, em http://articles.latimes.com/2011/dec/29/world/la-fg-drones-civilians-20111230.

rodapé-posts-margem
Share on Facebook2Tweet about this on Twitter0Share on Google+6Pin on Pinterest0Share on LinkedIn0Email this to someone

Sobre o mesmo tema:

The following two tabs change content below.

Robert Johnson

Latest posts by Robert Johnson (see all)