Os planos de Outras Palavras para 2016

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Debates presenciais sobre grandes temas. Escola Livre de Comunicação Compartilhada. Encontros. Parcerias. Além de produzir jornalismo de profundidade, queremos articular projetos transformadores

Por Antonio Martins

O esforço de Outras Palavras para manter-se vibrante e autônomo entra, a partir de hoje, em sua fase decisiva. Até a última sexta-feira, o programa Outros Quinhentos, por meio do qual os leitores participam da sustentação do site, havia arrecadado R$ 113,4 mil – ou 54% do montante necessário para manter e ampliar nosso trabalho em 2016 (veja orçamento). Faltam agora R$ 96,6 mil, que precisam ser obtidos nos próximos 33 dias – até o feriado de Páscoa. Ao atingir este ponto, queremos compartilhar os novos planos que traçamos para o período complexo que vivemos. Vamos manter nosso jornalismo de profundidade; mas estamos dispostos a assumir um papel adicional: ser um espaço de articulação de projetos transformadores.

A mudança está relacionada a nossa avaliação sobre o cenário que o país e a América Latina atravessam. Depois de ter vivido, a partir da virada do século, uma primeira onda de mudanças sociais importantes, nossa região sofre a ameaça de um retrocesso histórico – já nítido na Argentina, Venezuela e Brasil. Esta marcha ao passado pode ser contida. Mas para interrompê-la, não basta evocar as conquistas dos governos de esquerda, hoje paralisados por seus próprios limites e contradições. É preciso formular novos projetos, buscar objetivos mais ousados, mobilizar energias não convencionais.

São múltiplos os sinais de que tudo isso é possível. Estão presentes nos próprios textos que Outras Palavras publica a cada semana. Eles revelam que ideias como a redistribuição profunda de riquezas, ou a reinvenção da democracia, frutificam agora mesmo em terrenos que eram considerados pouco férteis para elas – por exemplo, a velha Europa ou os Estados Unidos. Mas nossos artigos demonstram, também, que o impulso pela transformação social continua vivo no Brasil.

Manifesta-se, entre muitas outras, nas lutas pelo Direito à Cidade. No ressurgimento do feminismo, agora com raízes também nas periferias. Na reivindicação das identidades LGTB. Na multiplicação de coletivos que combinam ativismo, trabalho e pesquisa teórica e que se voltam para temas e práticas como Conhecimento Livre, Arte associada à crítica social, Economia do compartilhamento, novas relações com a Natureza e tantos outros.

A política institucional – inclusive os partidos esquerda – parece incapaz de sensibilizar-se para estas novas formas de transformar o mundo. Por isso mesmo, elas requerem novos espaços, em que possam expandir-se. Aparecer para outros públicos, além dos já convencidos. Enriquecer-se com críticas e novas perspectivas. Adquirir a capacidade de formular projetos comuns e de tramar a luta social necessária par torná-los reais.

Outras Palavras pretende ser um dos muitos territórios necessários para este adensamento. Nossa primeira ação será num terreno que dominamos. Em abril, reinauguraremos a Escola Livre de Comunicação Compartilhada. Velho projeto, aprovado em 2010 como Ponto de Cultura, retorna com novo programa e parceiros. Diante da crise da velha mídia, e do desalento das próprias escolas de Comunicação, difundirá saberes reunidos pelo jornalismo alternativo – inclusive por Outras Palavras. Entre os formadores estarão, além dos integrantes de nossa Redação, profissionais como Alceu Castilho, João Peres, Moriti Neto e Thiago Domenici. Os primeiros cursos começam logo após a Páscoa e serão anunciados em breve.

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Para examinar, em encontros presenciais criativos, os temas que Outras Palavras esforça-se em suscitar, teremos Outra Conversa. Serão eventos em formato inovador, no início com periodicidade mensal. Temos duas ambições. Queremos vasculhar, por meio de abordagens não convencionais, temas que são obviamente decisivos ao futuro do país – mas estão ausentes das páginas dos jornais e dos noticiários da TV. Exemplo: que Política Econômica poderia substituir o “ajustes fiscais”, em torno do qual formou-se um consenso que vai do governo Dilma à oposição conservadora. Também desejamos mobilizar nossos colaboradores editoriais para que proponham e animem conversas inspiradoras sobre assuntos ainda pouco presentes na pauta nacional. Exemplo: como multiplicar a circulação dos produtos e serviços da Economia Solidária, superando a exclusão imposta pelas grandes redes de comércio?

Cultivar os encontros presenciais inclui, é claro, convidar aos livros, à arte e ao lúdico. Ainda em janeiro, Outras Palavras co-organizou o lançamento de O bem viver, livro de Alberto Acosta. Uma parceria com a Vitrine Filmes permitirá retomar, nesta quarta-feira, a iniciativa dos cine debates – agora com Ela volta na quinta, de André Novais. É apenas um começo.

 

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Ao realizar estes projetos, Outras Palavras estreitar cada vez mais os vínculos com os colaboradores reunidos em torno de Outros Quinhentos. Estamos convencidos de que é possível romper um tabu paralisante, segundo o qual não faz parte da cultura brasileira contribuir voluntariamente para projetos coletivos. Quase 650 leitores do site já fazem parte de nossa rede – além dos que participaram, em algum momento, com doações pontuais. Estudamos formas de ampliar as expressões simbólicas desta participação – provavelmente oferecendo, aos membros de Outros Quinhentos, a possibilidade de se tornarem membros da associação civil responsável pelo site.

Enquanto alimentamos os sonhos, apelamos para o pão: propomos que você contribua com Outros Quinhentos. Fazê-lo exige apenas três cliques e uma fração de seu rendimento mensal – mas ajuda a criar novos mundos.

 

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Antonio Martins

Antonio Martins é Editor do Outras Palavras