Oriente Médio: a vez da Rússia?

Por Robert Fisk, no The Independent | Tradução: Caia Fittipaldi/Vila Vudu

Eu sempre disse que em algum lugar do outro lado do Atlântico – ou talvez em algum lugar pelo Mediterrâneo – passa uma linha geopolítica pontilhada, talvez uma cortina, uma espécie de tela, através da qual o amável velho Ocidente (que já foi chamado de “a cristandade”) vê o Oriente Médio e interpreta errado tudo que vê. O Irã faz uma oferta pacífica e de pacificação para resolver seu programa nuclear, e a oferta é convertida em ameaça e motivo para sanções. Eleições à vista no Egito são vistas como mais um passo rumo à democracia, não como movimento para prolongar o reinado de um único partido e de um ditador já velho de 81 anos.

O início – elas sempre estão começando! – de conversações “indiretas” de paz entre palestinos e israelenses é visto como mais um sucesso parcial dos EUA como pacificadores, não como vergonhoso sinal de que não há qualquer esperança para os palestinos. Mais e mais massacres no Iraque e no Afeganistão são vistos como sinal do “desespero” dos Talibã, não como sinal de que já perdemos “nossa” guerra nos dois países.

Mas as linhas pontilhadas que há entre a Rússia e o Oriente Médio nem são tão profundas nem obscurecem tão completamente a verdade. Há inúmeras razões para que isso aconteça. A velha União Soviética manteve controle mais-que-colonial sobre um punhado de repúblicas muçulmanas – de fato, a Rússia czarista estava lutando na Tchetchnia no século 19. Leiam Haaji Murat[1] de Tolstoi. “Ninguém jamais discutiu o ódio contra os russos”, Tolstoi escreveu dos homens cujos descendentes combateriam o exército de Putin muito mais de um século depois. “O sentimento que todos os tchechnos conhecem, desde a infância, era maior que ódio. Não era ódio. Sequer se reconheciam os cães russos como seres humanos. Era tal nojo, tal repulsa, ante a crueldade irracional daquelas criaturas”. Bem poderia estar escrevendo sobre a fúria incendiária da população de Grozny, ou da fúria selvagem dos afegãos depois da invasão soviética de 1979.

Sim, os russos aprenderam muito no Afeganistão; e a ocupação pelo “nosso” Ocidente, lá, já dura hoje – detalhe que nossos risonhos generais e primeiros-ministros não lhes contarão – mais tempo que a ocupação soviética. Os grandes planos ocidentais para a “Batalha de Kandahar” – batalha que, desconfio, jamais haverá –, são menos ambiciosos que os planos soviéticos para Herat e Kandahar. Mas os russos não esqueceram o que lhes aconteceu.

Bin Laden, uma vez, à minha frente, jactou-se de ter destruído o exército soviético no Afeganistão – no que, sim, há o mérito de boa dose de verdade. Em Moscou, há cinco anos, ouvi veteranos soviéticos do Afeganistão – alguns hoje já devorados pelas drogas – descrever as bombas de fabricação caseira que matavam seus companheiros nas províncias de Helmand e Kandahar, patrulhas soviéticas capturadas cujos soldados eram desmembrados, a pele arrancada, com eles vivos. Os soviéticos, não se pode esquecer, entraram no Afeganistão para defender interesses seus. Brezhnev temia que, se perdesse o aliado comunista em Cabul, ficaria exposto a ataques de muçulmanos dentro da União Soviética –, mas diziam que combatiam para defender o povo contra um governo (claro!) corrupto, e para levar ao Afeganistão a igualdade socialista, sobretudo para distribuir educação e saúde para todos e para treinar o exército afegão. Nem preciso repetir…

Mas os soviéticos acabaram por entender bastante bem o mundo muçulmano — com certeza, a parte árabe daquele mundo. Passaram décadas treinando cada novo ditador para governar como o Kremlin, criando e implantando uma centena de mini-KGBs para esmagar qualquer oposição, inundando-as com armas e aviões, treinando soldados para lutar contra o próprio povo.

E quando Israel venceu em 1967, e novamente venceu em 1973 e outra vez em 1982 (momento memorável do sítio israelense contra Beirute, lembro, aconteceu quando o líder da Frente Democrática para a Libertação da Palestina pediu que Moscou lhes fornecesse armas, a serem entregues por paraquedas dentro da capital libanesa cercada), os russos assistiram à humilhação dos árabes. Diplomatas russos falavam muito melhor árabe que os colegas norte-americanos (o que continua a acontecer até hoje) e entenderam os falsos anúncios de apoio que se esperava que eles – os russos – dessem à “causa” árabe.

TEXTO-MEIO

Assim, quando o presidente Dmitry Medvedev chegou a Damasco para encontro [retratado na imagem do post] com o presidente Bashar Assad [à direita, na fot0] no início de maio, os árabes o ouviram atentamente, porque ouvir atentamente é típico dos árabes; tanto quanto é típico de nós, ocidentais, não ouvir. Sem nem de longe deixar-se impressionar por “pacificações”, Medvedev declarou que a situação do Oriente Médio era “péssima, muito, muito ruim”, e insistiu que os norte-americanos tomassem “atitude séria”. “Em essência, o processo de paz no Oriente Médio deteriorou-se”, disse ele. “Qualquer aquecimento na situação do Oriente Médio levará a uma explosão e à catástrofe.” Os norte-americanos, por acaso, o ouviram? Não. Nem uma palavra. Não ouviram.

Em vez disso, La Clinton sassaricou diretamente rumo ao Capitólio, para dizer aos legisladores norte-americanos que o novo acordo nuclear Turquia-Brasil-Irã de troca de combustível nuclear não era bom-que-chegue; que as sanções da ONU estavam a caminho – com apoio dos russos. Bom. Isso, ainda teremos de ver, para crer.

Depois desse alerta, o presidente da Rússia – que é membro do infame “Quarteto” supostamente comandando pelo igualmente infame Tony Blair – fez o que Blair e um punhado de diplomatas britânicos já deveriam ter feito há muito tempo: foi visitar Khaled Meshaal, o líder do Hamás que vive em Damasco, e pediu-lhe que libertasse o soldado israelense que permanece prisioneiro em Gaza – jamais até hoje encontrado pelo infalível e valoroso exército de Israel, vale lembrar, apesar de os guerreiros de Israel viverem lá, bombardeando tudo e todos, aquela multidão de famintos e desesperados, já, hoje, há mais de um ano e meio.

Os israelenses não criticaram Medvedev – e teriam criticado se Blair ou Haia ou Obama se desse o trabalho de visitar Meshall. Mas… o ensandecido ministro do Exterior de Israel, Avigdor Lieberman… É russo, o homem, não é?

E então, aconteceu o quê? Medvedev pôs fogo aos gravetos, ao anunciar formalmente a venda de sistemas aéreos de defesa à Síria – mísseis Pantsir terra-ar de curto alcance, baterias antiaéreas e uma frota de aviões bombardeiros Mig-29. No mesmo dia, o que faz Obama? Pede que o Congresso aprove verba de 190 milhões de dólares para o sistema de foguetes de defesa de Israel. Tudo isso, apenas um mês depois de o presidente Shimon Peres, de Israel, ter dito – e apesar de os norte-americanos não terem acreditado, mesmo que nada pudessem dizer contra os argumentos israelenses – que a Síria teria mandado enormes (e ultrapassados) mísseis Scud para o Hizbollah no Líbano.

Esses velhos mísseis paquidérmicos de nada serviriam ao Hizbollah, apesar de o Hizbollah – que já declarou ter 20 mil foguetes prontos, engatilhados e mirados para atacar Israel – não se ter dado o trabalho de desmentir as tolices sobre os Scud.

O vasto desperdício de dinheiro que consome EUA e Rússia e também a Síria – embora não consuma os israelenses, cuja economia flutua acima do mundo, apoiada no sustento financeiro que recebe dos EUA – continua, simplesmente, invisível, no Ocidente, onde todos continuamos a jogar joguinhos de “sanções” da ONU e preocupações com a “segurança” de Israel (e nenhuma preocupação com a “segurança” dos palestinos). E para quem Obama desenrola seu tapete vermelho – muito literalmente? Para o corrupto e corruptor Hamid Karzai.

Por quê, ah, mas, por quê, pergunto e pergunto a mim mesmo, Obama – que gastou meses e meses debatendo o tal “surge” (e como odeio essa palavra!) no Afeganistão – não convoca todos os seus “especialistas” em política externa e, afinal, se dispõe a aprender um pouco sobre a infinita tragédia, cada dia maior, de toda essa região? Do mar ao mar brilhante, coast to coast, os EUA mantêm legiões de departamentos de “Estudos do Oriente Médio”, “Estudos Islâmicos”, “Estudos Hebraicos”, “Estudos Árabes” – e nada, do saber que lá haja, é jamais utilizado. Por que não?

Porque os “especialistas” em política externa – e seus horríveis clones na CNN, Fox News, ABC, NBC, CBS  etc. – não têm interesse em partilhar gratuitamente o que sabem. Onde se escreve “Harvard”, leia-se o Brookings Institute; em “Berkeley”, leia-se a Rand Corporation etc., etc.

E o que jaz por trás disso? Recorro ao meu velho camarada John Mearsheimer, coautor de The Israel Lobby and US Foreign Policy que se tornou best-seller também entre os norte-americanos comuns – apesar das crises de ira de Alan Dershowitz (aquele, que cometeu a infâmia de dizer que “O juiz Goldstone é agente do mal”) – e que acaba de publicar outro valente artigo sobre a influência daninha que o lobby pró-Israel exerce em Washington; de fato, é olobby do partido Likud, mas esqueçam esse detalhe, por ora.

Mearsheimer diz que o presidente Barack Obama conseguiu “finalmente arrastar Israel e os palestinos de volta à mesa de negociações”, na esperança de que essas negociações levem à criação de um Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia. “Infelizmente, nada disso acontecerá,” diz Mearsheimer. “Em vez de criar-se um Estado palestino, o mais provável é que os territórios ocupados sejam incorporados a uma ‘Grande Israel” que, então, converter-se-á em Estado de apartheid, em tudo semelhante à África do Sul governada por minoria branca”.

Nenhum presidente norte-americano pode obrigar Israel a mudar suas políticas para os palestinos. Mearsheimer não poupa palavras. “A principal causa disso é o lobby israelense, poderosa coalizão de judeus norte-americanos e cristãos evangélicos que tem profunda influência na política dos EUA para o Oriente Médio. Alan Dershowitz – sim, sim, o mesmo – “acertou ao dizer que “Minha geração de judeus (…) tornou-se parte do que talvez seja o mais efetivo movimento de lobby e arrecadação de dinheiro, de toda a história da democracia.”

Não é a primeira vez que um intelectual norte-americano fala tão claramente. Desde 1967, todos os presidentes dos EUA opuseram-se à colonização ilegal de terra dos árabes, pelos israelenses, na Cisjordânia. Todos fracassaram. Obama fracassará, como os demais. Depois de eleito, Obama pediu o fim daquelas colônias. Netanyahu mandou-o às favas. Obama – Mearsheimer procurou atentamente a palavra – “desabou”. Quando Obama pediu o fim das construções em Jerusalém Leste, Netanyahu disse que Israel jamais pararia de construir ali, porque seria “parte integral do Estado judeu.” Obama afundou ainda mais.

Netanyahu continua a repetir que não parará de construir naquela parte de Jerusalém com que os palestinos contam para ser sua capital. Obama já nem responde. E ninguém espere, nem por um segundo, que La Clinton responderá – ela tem planos para ser a próxima presidente, depois de Obama.

O vício da atitude dos europeus é que eles tampouco farão qualquer coisa contra Israel porque – essa a sublime e falsa mensagem de todos os ministros do Exterior da União Europeia – os EUA é que têm “ascendência” sobre Israel. Sim, é possível que os EUA tivessem alguma ascendência sobre Israel – dadas os maciços subsídios econômicos, dos quais vive o Estado judeu –, mas não têm. Porque, como diz Mearsheimer, o lobby comanda toda a política dos EUA para o Oriente Médio. Nada disso deve sugerir que haveria algum tipo de “conspiração” de judeus; isso significa apenas que o lobby Likud-Israel priva os EUA de todos os direitos de independência como negociador; e emascula todas as políticas norte-americanas, ao mesmo tempo em que faz aumentar o risco para os EUA, em todas as políticas para toda a região.

O ex-primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert – o qual, como vários outros ex-ministros e presidentes vive de repetir truísmos quando já não tem poder para fazer valer qualquer verdade – diz que se a Solução dos Dois Estados fracassar (e fracassará, com toda a certeza), “Israel enfrentará conflito semelhante ao que a África do Sul enfrentou” e que, “quando isso acontecer, será o fim de Israel”. Mearsheimer conclui que “o lobby nos EUA está, de fato, trabalhando a favor da destruição de Israel como Estado judeu”.

E nós, o que fazemos? Continuamos a apoiar todos os ditadores criminosos e potentados na região, encorajando-os a confiar nos EUA, a fazer mais concessões a Israel, e a manter o povo subjugado. Vez ou outra, pedimos que sejam “mais democráticos”. Foi ideia de George W. Bush – para a qual contribuiu sua esposa, que acreditava que o rei Abdullah da Jordânia e sua rainha seriam bons exemplos de democratas – e, isso, numa democracia sem Constituição! Às vezes, surpreendo-me com a ironia – e a hipocrisia – de haver países europeus empenhados em exigir democracia dos árabes.

Queremos espalhar “parlamentinhos à inglesa” por todo o Oriente Médio, em tempos em que a maioria dos países da União Europeia vão-se convertendo em nações presidencialistas. O prestígio da Real “House of Commons” vem-se deteriorando há anos – nenhum jornal britânico tem coluna dedicada ao Parlamento, por exemplo – e a síndrome dos Blair-istas tem muito a ver com isso. Talvez aí esteja a razão pela qual esse ser em ruínas não trabalha muito a favor da democracia no Oriente Médio.

Sim, e é tudo verdade. Os governantes árabes estão tão seguros deles mesmos, que hoje gritam “bu!” à Mamãe Gansa dos ovos de ouro dos mercados “ocidentais”. Quando o governo Obama criticou a decisão do presidente egípicio  Hosni Mubarak, de manter a legislação de emergência que já dura 30 anos (Clinton disse que a prorrogação ignorava “vasta gama de vozes egípcias”) –, o ministro do Exterior egípcio respondeu, sem pestanejar, que a questão estava “superpolitizada” e que a crítica vinha só da mídia dos EUA e de grupos de direitos humanos. Acertou na mosca, quanto à segunda parte.

Então, estaria chegando ao fim o século norte-americano? Desgraçadamente, ainda não. Talvez se corrijam algumas das ilusões ocidentais sobre o Oriente. Talvez os recentes ataques no Iraque e os mais espetaculares no Afeganistão, inclusive o espantoso ataque à base aérea de Bagram – e eu que supunha que estivéssemos combatendo a Batalha de Kandahar, não a Batalha de Bagram! – nos obriguem a ver mais verdades. Que o povo muçulmano – não os políticos corruptos – não pode ser derrotado e não será derrotado, mesmo que a guerrilha contra o Ocidente seja tão atrasada quanto violenta. Mas estaremos aprendendo alguma coisa? Os EUA mandam nuvens de aviões-robôs não tripulados ao Paquistão, cobrem de mísseis o Waziristão, e um paquistanês naturalizado norte-americano tenta fazer explodir um carro na Times Square para vingar-se – e os norte-americanos, para vingar-se da vingança, usam os aviões-robôs e matam mais 15 homens no Paquistão e… Os leitores podem completar a frase.

Não bastasse tudo isso, insistimos em escrever nossa história preventiva extraordinária desse conflito massivo. Sempre penso em como fomos à guerra na Irlanda do Norte no início dos anos 1970s. Nós jornalistas chegamos lá com ralo conhecimento histórico, pouco mais que a imagem dos quadrinhos da Punch, do irlandês bêbado, armado com cassetete, ansioso por matar sem qualquer motivo todos os gentlemen ingleses que invadissem seu país – e uma vaga memória de que a Irlanda Católica se mantivera neutra na II Guerra Mundial (o que é verdade); que o líder irlandês Éamon de Valera fizera visita de pêsames à representação alemã depois da morte de Hitler (o que é verdade); que irlandeses reabasteciam os barcos U alemães (o que é falso).

Os muçulmanos estão em situação semelhante; acreditamos que querem islamizar o Ocidente (o que é falso); que querem se expandir para o Oeste – é falso: fizeram isso quando quiseram, na Andaluzia –; que querem se expandir pela espada. Será que há quem acredite que a Indonésia, a maior nação muçulmana do mundo, foi invadida por árabes?

E há o conto da II Guerra Mundial – que os árabes teriam sido pró-nazistas. Bem, é verdade que o Grande Mufti de Jerusalém encontrou-se com Hitler e fez várias infelizes proclamações contra os judeus, embora nunca – ao contrário do que reza a propaganda israelense – tenha visitado Auschwitz. Também é verdade que Anwar Sadat trabalhou como espião para Rommel no Egito – e muito teria festejado se a Wehrmacht tivesse avançado até a Palestina. Mas depois se tornou o melhor amigo árabe que Israel jamais teve, convidado a Jerusalém quando quis fazer a paz.

Mas os preconceitos ocidentais vão muito mais longe, no tempo – até os dias em que usávamos a palavra “turco” em vez de “muçulmano”. Na Itália, antes do século 16, “turco” era palavrão. Um diplomata sueco, Ingmar Karlsson, descobriu, ao pesquisar para uma conferência que fez em Istanbul em 2005, que os italianos têm a expressão “puzza comme un turco”, “fede como um turco”. Hoje, os ingleses ainda dizem “fala de turco” e meu próprio dicionário escolar Random House American College Dictionary de 1949 define “turk” como “pessoa tirânica, bárbara ou muito cruel”.

E assim vamos, sem esquecer a pequena ajuda do amado Papa em Regensburg. Apesar de os árabes terem sido imperadores de Roma e de terem visitado o Ocidente antes de nós, ocidentais. Quando Vasco da Gama “descobriu” a Índia e chegou a Calicut (Calcutá), no dia 20/5/1498 – devo essa história, provavelmente apócrifa, a Warwick Ball em seu notável Out of Arabia – foi recepcionado por um árabe da Tunísia com as palavras “Que o diabo o carregue! O que veio fazer aqui?” Mas crônica contemporânea de Hadramaut (em nossos dias, o Iêmen) descreve o modo como apareceram, um belo dia, as naves francesas, a caminho da Índia. “Tomaram logo sete barcos (árabes), mataram todos a bordo e fizeram alguns prisioneiros. Foi o primeiro feito deles, malditos sejam!” Os europeus estavam chegando ao Oceano Índico, e já pensávamos que os árabes estariam tentando entrar na Europa.

Vai ver, essa é a linha pontilhada original. Ou teriam sido as Cruzadas? Ou o Império Otomano – lembram que a Turquia foi “o doente da Europa”? – ou as mentiras que contamos aos árabes, sobre a Palestina? Ou a revolução iraniana? Ou o quanto nós, europeus, demos apoio incondicional a Israel? E todos os ditadores que introduzimos e apoiamos? Mas é tempo de nos livrarmos de todas as linhas divisórias, ver a realidade e ouvir – tenho mesmo de repetir? – Dmitry Medvedev e seus assemelhados.

TEXTO-FIM
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Robert Fisk

Robert Fisk é um premiado jornalista inglês, correspondente no Oriente Médio do jornal britânico The Independent. Fisk vive em Beirute há mais de 25 anos. Considerado como um dos maiores especialistas nos conflitos do Oriente Médio, Fisk contribuiu para divulgar internacionalmente os massacres na guerra civil argelina e nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano; os assassinatos promovidos por Saddam Hussein, as represálias israelenses durante a Intifada palestina e as atividades ilegais do governo dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque. Fisk também entrevistou Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda (em 1993, no Sudão, em 1996 e em 1997, no Afeganistão).