O Sarau do Binho e a resistência cultural pós-mitos

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São Paulo, 4/6. Binho volta a conduzir seu sarau, agora no Espaço Cultural Cita, Campo Limpo, periferia sul da cidade (Foto: Fora do Eixo)

Crônica do poeta sem bar. Ou como culturas das periferias já não dependem dos botecos, nem de mistificações da classe média… 

Por Antonio Eleilson Leite

A Prefeitura de São Paulo ameaça fechar o Bar do Binho. Depois de oito anos funcionando sem alvará, o veredito da autoridade municipal foi implacável com o bar que leva o nome do poeta, que também nomeia o sarau que nele acontece todas as segundas-feiras. O assunto bombou nas redes sociais e blogs independentes. A solidariedade foi instantânea e intensa. Um efeito-cascata que gerou uma corrente de solidariedade impressionante. E o Binho merece. Sujeito gente boa é o Robinson Padial. Nesta segunda-feira, 4 de junho, a expectativa é enorme. Muita gente vai colar no Sarau. Será que o Binho resistirá à ordem oficial? A subprefeitura manterá sua decisão, mesmo diante de tanta contestação?

Binho não quer ficar acima da lei. Há anos ele tenta, sem sucesso, obter a documentação que legaliza seu bar. Os meandros da burocracia, no entanto, são impiedosos. E não é só com o proprietário de um boteco da periferia. Até a semana passada, a prefeitura não havia expedido o alvará de construção do estádio do Palmeiras. Com isso, a empreiteira WTorre não pode demolir toda a arquibancada do antigo Palestra, tem autorização apenas para reforma. A obra está há mais de ano em curso e uma documentação básica não é expedida. Imagine a situação do Binho. Oito anos peregrinando nos corredores da prefeitura, de guichê em guichê. Será perseguição? Creio que não.

Tem muita gente apressada interpretando o caso como “criminalização” dos movimentos sociais ou atribuindo ao fato uma consequência do processo de “militarização” das Subprefeituras. Não comungo dessa visão. Pelo menos do tom, eu discordo. É verdade que o Sarau do Binho é um reduto de militantes de esquerda dotados de uma verve crítica bastante radical. Muitas vezes, a poesia, razão principal do encontro semanal, fica em segundo plano diante de tantos discursos, informes de ocupações, marchas, campanhas e outras ações políticas.

Mas isso, em si, não faz do Sarau um inimigo da gestão Kassab. Pelo menos, a política municipal de cultura é muito apreciada nas conversas, principalmente os editais do VAI – Valorização de Iniciativas Culturais e o Edital de Fomento. É comum ver, apresentando seus trabalhos no Sarau, vários grupos contemplados nesses editais. E não é só literatura que tem vez. No Bar do Binho, rolam sessões de filmes, além de apresentações cênicas e musicais. É um cara maduro, lúcido. Não sai dando tiro para todo lado; aliás, não dá tiro. “Na hora de guerrear, eu Dalai Lama”, diz ele no seu poema Na hora. Coerente com sua postura não-violenta, Binho contesta, argumenta, endurece, mas não perde a ternura. E assim deve ser.

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Não entendo também como militarização a forte presença de militares da reserva nos postos de comando das subprefeituras. Isso é um exagero retórico. Os militares não estão lá sob o comando da Polícia, Exército ou qualquer outra instância do gênero. O Kassab optou por colocar pessoas com este perfil, entendendo que para a gestão local precisaria de uma autoridade forte, sem vínculos partidários. Acho isso um equívoco. Seria melhor, então, colocar técnicos de competência reconhecida e reputação inquestionável. As universidades estão cheias de gente assim. Mas o prefeito quis uma opção mais ao gosto do seu passado malufista. Creio que, a essa altura, o secretário de cultura, Carlos Augusto Calil, já deva ter intercedido: o bom senso prevalecerá e o Sarau não deixará de acontecer.

Mas poderíamos aproveitar a oportunidade para refletir um pouco sobre uma questão mais de fundo. Por que o Sarau tem que ser num bar? Não poderia ser em outro lugar? O Sarau da Cooperifa, grande influenciador da cena literária na periferia paulistana, tendo contribuído diretamente para o surgimento do Sarau do Binho, acabou por estabelecer o padrão do sarau no boteco. Há dez anos, o motivo de juntar poetas num bar era plausível: a ausência de espaços culturais na periferia. Mas hoje, essa justificativa não cabe mais. Há muitos outros espaços como associações, casas de cultura, escolas, pontos de cultura, CEUs e até praças. E a tendência vem mudando.

Hoje, os saraus realizados em bares são minoria, pelo menos na periferia. Dos vinte saraus divulgados na Agenda Cultural da Periferia, guia da Ação Educativa, somente oito ocorrem em bares. É representativo, porém não mais hegemônico. Há anos, escuto de alguns poetas a lamentação por não existir, na sua quebrada, um bar bacana para fazer um sarau. Essa desilusão não faz mais sentido. Os encontros literários têm se espalhado nos últimos anos em outros espaços. É emblemático o Sarau Suburbano, que acontece numa livraria. Criado por Alessandro Buzo, este sarau, que está comemorando dois anos e já tem coletânea publicada, é realizado todas as terças- feiras na loja Suburbano Convicto que fica no Bixiga, tradicional bairro boêmio do centro onde não faltam bares. A professora e poeta Maria Vilani, mãe do cantor Criolo, organiza um sarau na Casa de Cultura Palhaço Carequinha, no Grajaú. Esses são apenas alguns exemplos de um novo paradigma.

Questiono-me muitas vezes, também, sobre este aspecto boêmio e etílico dos saraus da periferia . Não se trata de purismo. Mas muito sarau se autopromove, e com razão, por ser espaço da comunidade, democrático, lugar onde a poesia desce do pedestal, onde a literatura reina absoluta em um encontro de comunhão e tudo o mais. Mas isso tudo pode acontecer em qualquer lugar, não necessariamente em um bar. Claro, tem o charme de escutar e declamar poesia embalado por uma saborosa cerveja. Mas um lugar assim, não pode ser visto, como insistem sobretudo os de fora, como um espaço de “inclusão cultural”, conceito que atribui aos saraus da periferia um potencial exagerado de promoção da cidadania.

Um sarau num boteco é, antes de tudo, uma curtição, seja no Capão Redondo ou na Vila Madalena: agradáveis espaços para apreciação estética. E tem que ser assim mesmo. Será que não é possível curtir uma poesia sem assumir postura de militante cultural?

Essa mistificação do sarau de periferia acontece porque o objeto do encontro é a literatura. Fosse música, seria mais um barzinho de MPB ou de samba na quebrada. Mas como ali se declama — além da poesia dos escritores do sarau — Manoel Bandeira, Drumond e outros cânones, o encontro fica mais denso de significado. Afinal, literatura sempre foi coisa de elite. Por mais que os saraus queiram dessacralizar a poesia (e fazem isso bem!), a tradição imaculada dessa linguagem artística acaba por conferir ao evento uma conotação redentora aos olhos de certos setores progressistas, que se encantam em ver os pobres da periferia, supostamente pouco letrados, cultivarem a poesia. Não percebem que nesses mesmos espaços se promove — indiretamente, é claro — o consumo de bebida alcoólica, algo tão “politicamente incorreto” aos olhos dessa mesma sociedade.

Dito de outra forma, a questão do bar é que, por natureza, ele é restrito — e não democrático, como quer crer alguns. Imagine quantas pessoas poderiam frequentar um sarau realizado em um boteco, se ele acontecesse numa escola, como é o caso dos Misquiteiros que se desenrola numa escola pública em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste? Ou em um Ponto de Cultura, como é o Literaturanossa, de Suzano? Não tem problema um sarau em um Bar. Está aí a Cooperifa, com muita vitalidade. Mas se o sarau quer cumprir uma missão de difundir o livro, a leitura e a literatura, tem de entender que não pode ficar só no boteco.

Retomando o exemplo da Cooperifa, é preciso expandir . Sergio Vaz e sua trupe fazem saraus nas escolas, mostras culturais, distribuição de livros, intervenções poéticas como o Poesia no Ar, entre outras iniciativas. Outros saraus são assim — inclusive o Binho, que começou com a Postesia, ainda na década de 1990, intervenção que consiste em escrever poemas no verso de placas publicitárias colocadas em postes, principalmente de candidatos a eleições. Depois de criado o sarau, Binho lançou, entre outros projetos, a Bicicloteca. Também associou-se a um Ponto de Cultura por meio do qual faz inúmeras atividades de promoção da leitura.

Quero com isso relativizar a importância do bar para os saraus. Não estou propondo que o sarau de bar mude de endereço. Tradição é difícil de conquistar e tem muito a ver com o lugar. Espero que o Binho resolva este problema, mas caso o bar realmente não volte a funcionar, não será o fim do sarau. Lembremos. A Cooperifa já foi despejada de um bar. Ressurgiu no bar do Zé Batidão, que outrora já havia pertencido ao pai do Sergio Vaz. O destino é tortuoso, por serem tortuosas suas linhas.

Se o fechamento do bar se consumasse (bati três vezes na madeira), Binho resolveria a questão com a criatividade e serenidade de sempre. Não vai esmorecer. Ademais, ele não é só um ativista dono de bar. Antes de tudo é um poeta, e dos bons. Sua obra não é vasta, mas é belíssima. Ele tem apenas um livro de poesias publicado. Saiu pela Edições Toró, em 2007, mais uma do ano decisivo para a cultura de periferia (veja minha coluna de maio). A obra é bilingue ( português e espanhol), chama-se Donde Miras e é uma obra dupla: de um lado ele, do outro, Serginho Poeta. O livro está esgotado, mas pode ser acessado no site da Toró. Vale a pena.

Robinson Padial nasceu 1964, é de sagitário: metade homem, metade cavalo. Mas se bicho fosse, seria uma coruja: observador, quieto, aparentemente distraído, noturno, sábio. Um verso dele:

Não tem problema que o pão é de ontem
eu também não sou de hoje.

Quer outro? Veja:

De eu ser assim tão ermo
me destaco da paisagem
.

Binho escreve por imagem. Antonio Cândido explica: “Imagem, é com efeito, o nome que damos a toda a figuração de sentido que faz as palavras dizerem algo diferente de seu estrito valor semântico” [1] Seu apelido, Binho, vem do campinho, do Campo Limpo onde nasceu e de lá nunca saiu. Sua mãe lhe chamava aos gritos pelo diminutivo Robinho, virou Binho.

O campinho, porém, não existe mais. Deu lugar a um ferro-velho de carros apreendidos pela Polícia. A periferia na qual passou a infância também não existe mais. Saudoso de seus tempos de criança, escreveu:

De tão solitário
sou meu próprio vizinho.

A poesia do Binho é existencialista e um tanto melancólica. Não sei como ele está se sentindo nesses turbulentos dias que marcam a iminência do fechamento de seu bar. Espero que como em seu poema teologia:

Amanhã bem cedo vou ao cartório
Passar Deus no meu nome
E depois se estiver chovendo
Provavelmente vai estar
Vou pôr o sol para brilhar para nós
.

É isso aí Binho. Deixo para você, um poema do Mario Quintana que cai muito bem neste momento:

Todos estes que aí estão
Atravancam meu caminho,
Eles passarão!
Eu passarinho.

[1] Melo e Souza, Antonio Cândido, O estudo analítico do poema, Humanitas, São Paulo, 2009.


Antonio Eleilson Leite
 é historiador, programador cultural e coordenador do Programa de Cultura da ONG Ação Educativa

Edições anteriores da coluna:

Quinze anos de literatura e resistência
Criativo em vários gêneros e empreendedor pela cultura periférica, Ferréz prepara romance surpreendente, que confirmará sua condição de grande escritor

Literaturas da periferia: o desafio da estética
Como Cultura ressignificou, em dez anos, os subúrbios. Por que movimento precisa mostrar que sua importância vai muito além do social

O Ex-excluído: manifesto de um poeta suburbano
Livro de Germano Gonçalves revela escrita visceral e urgente de autor que, influenciado por Raul e Leminski, canta periferia pré-hip-pop

> Leia também as 35 edições de Cultura Periférica, a seção que Antonio Eleilson Leite publicou, entre outubro de 2007 e dezembro de 2008, no Caderno Brasil do Le Monde Diplomatique.

Jardim Santo André na Galeria Vermelho
Um espaço badalado das artes de São Paulo reproduz os grafites que estão mudando a paisagem de um dos bairros mais violentos do ABC. Retrato de um país secularmente desigual — onde, no entanto, a periferia cobra seus direitos, e se expressa cada vez mais por meio da criação simbólica

22 de dezembro de 2008

 

A nova arte da Cooperifa
Ela veio para ficar. A primeira Mostra Cultural da Cooperifa reunirá guerreiros e guerreiras fortemente armados com canetas, cadernos e livros. Trava-se uma luta incansável contra a ignorância,mediocridade, conformismo, tristeza e as pobrezas material e espiritual que insistem em saquear a quebrada
14 de novembro de 2008

Na Primavera, a leitura supera o marketing
Alternativa à Bienal, mostra de editoras independentes relembra que livros são, acima de tudo, espaço para idéias, inteligência e utopia. Evento abre espaço para iniciativas que não se submetem ao mercado, e combina exposição de obras com programação cultural – onde tem espaço a arte periférica
27 de setembro de 2008

Linha de Passe: um gol de letra e um gol-contra
Em seu novo filme, Walter Salles e Daniela Thomas constroem uma história brasileira que debate, com profundidade e sutileza, a existência e os dramas humanos. Mas o cacoete de associar periferia a infelicidade dá à obra um tom de chavão e frustra a própria intenção de esperança do diretor
22 de setembro de 2008

Cooperifa: leia o livro, veja o filme e ouça o disco
Série de obras artísticas celebra os saraus que ajudaram a construir o conceito de cultura periférica — e o mundo de iniciativas que está surgindo a partir deles. Trabalhos ressaltam opinião da jornalista Eliane Brum: “A Cooperifa é um abalo sísmico a partir de uma esquina de quebrada”
11 de setembro de 2008

Na Bienal do Livro, um roteiro alternativo
Debate sobre literatura periférica e um punhado de editoras, universitárias e semi-artesanais, valem a visita. Aí persiste o encanto de uma feira que foi indispensável — mas chega aos 40 anos um tanto decadente e deselegante. Talvez por apostar no gigantismo, e se render à lógica de mercado
22 de agosto de 2008

Gilberto Gil: LadoA e LadoB
Único artista a dirigir o ministério da Cultura até hoje, ele foi também o primeiro ministro a traçar políticas públicas efetivas para a produção simbólica. Valorizou a diversidade e a autonomia. Faltou assegurar recursos condizentes, e evitar que fossem canalizados para o marketing empresarial
6 de agosto de 2008

O Hip Hop nunca foi tão pop
Vinte e cinco anos depois de despontar no Brasil, a cultura hip-hop está bombando como nunca. Ligou-se ao showbizz, mas é capaz de manter, mesmo assim, seus princípios e essência. É claramente periférica. Dez eventos a celebram, a partir deste fim de semana, em São Paulo
26 de julho de 2008

“Meu bairro era pobre, mas ficava bem bonito metido num luar”
Mídia tradicional multiplica referências a Machado e a Rosa, rendendo-lhes homenagens previsíveis e banais. Coluna destaca outro centenário: o de Solano Trindade. Poeta, dramaturgo, ator e artista plástico, ele cantou a dignidade, as lutas, amores e dores dos negros e dos que vivem do trabalho
8 de julho de 2008

Um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar
Escola Pernambucana de Circo organiza, em festa, seu centro de arte-educação. Ao invés de adotar postura “profissionalizante”, iniciativa busca emancipar. Por isso, aposta na qualidade artística, técnica e cultural de seu trabalho, e foge do conceito de “arte para pobre”
17 de junho de 2008

Plano Nacional de Cultura: realidade ou ficção?
Ministério lança documento ousado, que estabelece, pela primeira vez, política cultural para o país. Dúvida: a iniciativa será capaz de driblar a falta de recursos e a cegueira histórica do Estado em relação à produção simbólica? Coluna convida os leitores a debate e mobilização sobre o tema
7 de junho de 2008

Semeando asas na quebrada paulistana
De como a trupe teatral Pombas Urbanas, criada por um peruano, chegou a mudar o nome do Brasil, trocou os palcos pelas ruas, sofreu a perda trágica de seu criador mas reviveu, animada pela gente forte da periferia — para onde regressou e de onde não pretende se afastar
2 de junho de 2008

Humildade, dignidade e proceder
Agenda da Periferia completa um ano de publicação. Como diria Sergio Vaz, não praticamos jornalismo — “jogamos futebol de várzea no papel”. Fazê-la é exercício de persistência, crença e doação. O maior sinal de êxito é o respeito que o projeto adquriu no movimento cultural das quebradas
24 de maio de 2008

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Um evento em São Paulo, um site inusitado e dois filmes ajudam a revelar a vida e cultura destes personagens de nossas metrópoles. Sempre oprimidos, por vezes violentos, eles vivem quase todos na periferia, são a própria metáfora do caos urbano e estão construindo uma cultura peculiar
17 de maio de 2008

Manos e Minas no horário nobre
Estréia na TV Cultura programa que aborda cena cultural da periferia com criatividade, sem espetacularização e a partir do olhar dos artistas do subúrbio. Iniciativa lembra o históricoFábrica do Som, mas revela que universo social da juventunde já não é dominado pelos brancos, nem pela classe média
10 de maio de 2008

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Em São Paulo, a arte vibrante das quebradas dribla o preconceito e aparece com força num dos maiores eventos culturais do país. Roteiro para o hip-hop, rap, DJs, bambas, rodas de samba, rock, punk e festivais independentes. Idéias para que uma iniciativa inovadora perdure e supere limites
26 de abril de 2008

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20 de abril de 2008

Cultura, consciência e transformação
A cada dia fica mais claro que a produção simbólica articula comunidades, produz movimento, desperta rebeldias e inventa futuros. Mas a relação entre cultura e transformação social é muito mais profunda que a vã filosofia dos que se apressam a “politizar as rodas de samba”…
12 de abril de 2008

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Quase ausente em É tudo Verdade, audiovisual produzido nas periferias brasileiras reúne obras densas, criativas e inovadoras. Festival alternativo exibe, em São Paulo, parte destes filmes e vídeos, que já começam a ser recolhidos num acervo específico
5 de abril de 2008

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São Paulo saúda, a partir de 27/3, o grafite. Surgido nos anos 70, e adotado pela periferia no rastro do movimento hip-hop, ele tornou-se parte da paisagem e da vida cultural da cidade. As celebrações terão colorido, humor e barulho: contra a prefeitura, que resolveu reprimir os grafiteiros
28 de março de 2008

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Num texto preconceituoso, jornal de São Paulo “denuncia” agito na periferia e revela: para parte da elite, papel dos pobres é trabalhar pesado. Duas festas são, no feriado, opção para quem quer celebrar direito de todos ao ócio, à cultura, à criação e aos prazeres da mente e do corpo
21 de março de 2008

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Às margens da represa de Guarapiranga, Varal Cultural é grande mostra de arte da metrópole. Organizado todos os meses, revela rapaziada que é crítica, autogestionária, cooperativista e solidária — mas acredita em seu trabalho e não aceita receber migalhas por ele
15 de março de 2008

Nas quebradas, toca Raul
Um bairro da Zona Sul de São Paulo vive a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. Na periferia, a pregação do amor e liberdade faz sentido. É lá que Raul Seixas continua bombando em shows imaginários, animando coros regados a vinho barato nas portas do metrô, evocando memórias e tramando futuros
8 de março de 2008

No mundo da cultura, o centro está em toda parte
Estamos dispostos a discutir a cultura dos subúrbios; indagar se ela, além de afirmação política, está produzindo inovações estéticas. Mas não aceitamos fazê-lo a partir de uma visão hierarquizada de cultura: popular-erudita, alta-baixa. Alguns espetáculos em cartaz ajudam a abrir o bom debate
23 de fevereiro de 2008

Do tambor ao toca-discos
No momento de maior prestígio dos DJs, evento hip-hop comandado por Erry-G resgata o elo entre as pick-ups, a batida Dub da Jamaica e a percussão africana. Apresentação ressalta importância dos discos de vinil e a luta para manter única fábrica brasileira que os produz
16 de fevereiro de 2008

Pirapora, onde pulsa o samba paulista
Aqui, romeiros e sambistas, devotos e profanos lançaram sementes para o carnaval de rua, num fenômeno que entusiasmou Mário de Andrade. Aqui, o samba dos mestres (como Osvaldinho da Cuíca) vibra, e animará quatro dias de folia. Aqui, a 45 minutos do centro da metrópole
2 de fevereiro de 2008

São Paulo, 454: a periferia toma conta
Em vez de voltar ao Mercadão, conheça este ano, na festa da cidade, Espaço Maloca, Biblioteca Suburbano Convicto, Buteco do Timaia. Delicie-se no Panelafro, Saboeiro, Bar do Binho. Ignorada pela mídia, a parte de Sampa onde estão 63% dos habitantes é um mundo cultural rico, diverso e vibrante
24 de janeiro de 2008

Faça você mesmo!
Por meio da cultura, jovens das periferias brasileiras fazem uma revolução. Um panorama da produção independente nas quebradas das metrópoles: como a arte criada fora da indústria cultural subverte a mercantilização e controle do conhecimento, marca do capitalismo
14 de janeiro de 2008

2007: a profecia se fez como previsto
Há uma década, os Racionais lançavam Sobrevivendo no Inferno, seu CD-Manifesto. O rap vale mais que uma metralhadora. Os quatro pretos periféricos demarcaram um território, mostrando que as quebradas são capazes de inverter o jogo, e o ácido da poesia pode corroer o sistema
29 de dezembro de 2007

No meio de uma gente tão modesta
Milhares de pessoas reúnem-se todas as semanas nas quebradas, em torno das rodas de samba. Filho da dor, mas pai do prazer, o ritmo é o manto simbólico que anima as comunidades a valorizar o que são, multiplica pertencimentos e sugere ser livre como uma pipa nos céus da perifa
30 de novembro de 2007

A dor e a delícia de ser negro
Dia da Consciência Negra desencadeia, em São Paulo, semana completa de manifestações artísticas. Nosso roteiro destaca parte da programação, que se repete em muitas outras cidades e volta a realçar emergência, diversidade e brilho da cultura periférica
19 de novembro de 2007

Onde mora a poesia
Invariavelmente realizados em botecos, os saraus da periferia são despojados de requintes. Mas são muito rigorosos quanto aos rituais de pertencimento e ao acolhimento. Enganam-se aqueles que vêem esses encontros como algo furtivo e desprovido de rigores
13 de novembro de 2007

Todos os dias da Semana
Programação completa da Semana de Arte Moderna da Periferia
2 de novembro de 2007

O biscoito fino das quebradas
Semana de Arte Moderna da Periferia começa dia 4, em São Paulo. Programa desmente estereótipos que reduzem favela a violência, e revela produção cultural refinada, não-panfletária, capaz questionar a injustiça com a arma aguda da criação
2 de novembro de 2007

A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza
Vem aí Semana de Arte Moderna da Periferia. Iniciativa recupera radicalidade de 1922 e da Tropicália, mas afirma, além disso, Brasil que já não se espelha nas elites, nem aceita ser subalterno a elas. Diplô abre coluna quinzenal sobre cultura periférica
17 de outubro de 2007

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Antonio Eleilson Leite

Antonio Eleilson Leite é historiador, programador cultural, mestrando no Programa Estudos Culturais da EACH/USP, coordenador do Programa de Cultura da ONG Ação Educativa, diretor editorial da Coleção Literatura Periférica, da Global Editora. É coordenador geral do Encontro Estéticas das Periferias e da Agenda Cultural da Periferia.