Drones: denúncia da guerra secreta

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Vila Tappi, no Paquistão, alvo de bombardeio em 24/10. 3-5 mortos, 2-4 feridos, uma casa e um carro destruídos.

Página de rede social fotográfica escancara assassinatos praticados pelos EUA usando aviões controlados remotamente. Número de vítimas já supera 3 mil

Por Nick Hopkins | Tradução: Gabriela Leite

Os militares geralmente ficam felizes no momento de alardear seus êxitos, e de louvar homens e mulheres que arriscam a vida por seu país. Talvez o vínculo humano (ou a ausência dele) seja o que os anima a levantar a voz quando falam de algumas missões, e a se envergonhar quando se trata dos aviões não-tripulados (drones).

Dirigidos por controle remoto a milhares de quilômetros de distância, os Veículos Aéreos Não-Tripulados (UAV, Unmanned Aerial Vehicles) provaram ser o único triunfo militar infalível na guerra do Afeganistão; quer dizer, se é que “êxito” significa uma equação em que muita gente morre, quase inevitavelmente, e a um preço acessível.

De acordo com o Escritório de Jornalismo Investigativo (BIJ, Bureau of Investigative Journalismo), que compila os números de ataques com aviões não-tripulados, os Estados Unidos já mataram 3.378 pessoas, em 350 ataques com drones nos últimos oito anos. E isso, só no Paquistão. Os EUA também organizam ataques com esses aviões no Iêmen e na Somália a partir de uma base situada no minúsculo estado africano de Djibuti (o qual supõe-se que ninguém conhece). Mas a Casa Branca quer falar sobre isso? Não, a menos que tenha que fazê-lo, e às vezes nem sequer nesse caso.

Em abril, o Assessor de Contraterrorismo do Presidente Obama, John Brennan, fez um pronunciamento defendendo o uso de drones, e afirmou que tomava grandes precauções para garantir que os ataques fossem legais e éticos. “Estamos em guerra”, declarou. “Estamos em guerra contra uma organização terrorista chamada Al-Qaeda”.

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Quem aparece na lista dos alvos, por que os ataques acontecem em certos momento e local específicos e quem assume a responsabilidade pelos mesmos… bom, isso fica para outro dia.

A informação sobre os UAVs é arrancada de Washington aos poucos, e aqui aparece James Bridle. Utilizando as informações escassas que existem, Bridle, criador do microblog New Aesthetic, inventou o Dronestagram. Ao cruzar imagens do Google com detalhes de objetivos do BIJ, começou a apontar os lugares atingidos por ataques UAV.

Bridle afirma que quer que eles fiquem “um pouco mais visíveis, um pouco mais próximos. Um pouco mais reais”.

Em seu blog, Bridle sustenta que “os ataques com drones são realizados por aparatos invisíveis, à distância e sobre uma mídia e uma sociedade desconectados… a tecnologia que, supunha-se, iria nos aproximar, está sendo usada também para obscurecer e ocultar”.

As imagens de Dronestagram podem ser só “paisagens estranhas”, mas Bridle tem a esperança de que sua imediatez e intimidade somem-se à crescente exigência por transparência. Ainda neste ano, a Apple impediu a circulação de um aplicativo que faria praticamente o mesmo, sob o argumento de que muita gente consideraria o conteúdo eticamente questionável. Não é caso, podemos supor, dos parentes e amigos dos civis que são mortos frequentemente pelos ataques de drones, por mais “cuidadosamente” de que se escolha o alvo dos ataques, e por mais “precisos” que sejam os mísseis.


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Nick Hopkins

Nick Hopkins é correspondente para o jornal The Guardian e trata de assuntos sobre defesa e segurança.

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