Imprensa mantém Lula na mira e ignora escândalos do PSDB


Condenado a 40 anos, Marcos Valério dirá qualquer coisa para não ir para a cadeia. Mas, por que o que ele diz chega às manchetes e 115 páginas de documentos oficiais não são nem notícia?

Por Bob Fernandes no Terra Magazine

Marcos Valério teve relações financeiras com setores do PT. Como teve com uma parcela do PSDB de Minas. Empresas de Valério tiveram negócios com empresas do grupo Opportunity, de Daniel Dantas. Dantas teve ligações importantíssimas com gente importante no PSDB. Como teve ligações importantes com gente importantíssima no PT. Já passou da hora do PT vir a público e admitir os erros brutais que cometeu nesse contubérnio.

Condenado a 40 anos, Valério não quer ir para a cadeia. Para isso, fará e dirá qualquer coisa. Assim como Valério pode dizer o que quiser, a mídia tem o direito, e o dever, de publicar o que ele diz. Mesmo que, por ora, baseada apenas na palavra de um condenado que não quer ser preso.

Há um consenso que esses são direitos democráticos, os de Valério, e os da mídia. Como é de direito quem recebe tais informações, o telespectador, o leitor, o usuário de internet, de redes socais, fazer uma pergunta: por que o que Valério diz sobre Lula chega às manchetes e 115 páginas de documentos oficiais não são nem notícia? Cento e quinze páginas de documentos confidenciais produzidos em uma CPI ou obtidos em paraísos fiscais.

Valério prestou depoimento ao Ministério Público. Ele quer delatar e ser beneficiado com a liberdade. As 115 páginas de documentos estão num livro de Amaury Ribeiro Jr,  “A Privataria Tucana”. As informações contidas no livro receberam um registro em dois grandes jornais. Informações sobre personagens e bastidores de um meganegócio de R$22 bilhões, a privatização do sistema Telebras.

Informações sobre a documentação exposta no livro (nem se diga investigações a respeito) seguem inéditas em boa parte da chamada grande mídia. Inclusive na revista Veja. (NR: onde foram publicadas duas reportagens de capa com denúncias atribuídas a Marcos Valério.) A pergunta de quem não conhece esse ramo e seus bastidores é: por que manchetes num caso e silêncio, ou, se tanto, desqualificação no outro caso? E em outros casos também.

O PT errou, gravemente, ao montar parceria com Marcos Valério. Como errou quando alguns dos seus construíram pontes com, entre outros, Daniel Dantas. O PT erra quando não reconhece e não se desculpa publicamente pelos seus erros. Esses e outros.

É claro como o dia que partidos de oposição também têm seus escândalos. Mas, para ter autoridade ao abordar escândalos alheios, o PT deve, antes, tratar dos seus. E, ao contrário do que sempre fizeram os demais partidos, tratar disso também publicamente.

Como já informado aqui em outros comentários, além dos que estão em julgamento do mensalão havia, e há, um outro grande alvo. Esse alvo é Lula. No Supremo há quem não esconda isso em conversas reservadas. Da mesma forma, na mídia.

Em comentário do dia 3 de outubro (Julgamento & eleições: a Justiça na balança),informávamos o que está nas linhas abaixo:

– Esse, de Minas, (o do “mensalão” do PSDB) não é o único grande julgamento de políticos germinando. Com poder e influência no Supremo, há quem aposte e já insinue um outro grande alvo. Alvo decorrente desse julgamento agora em andamento… É anotar e aguardar…

Lula deixou o governo com espantosa aprovação de 87% no Ibope. Felizmente, 13% não aprovaram seus oito anos de governo. Felizmente porque só nas ditaduras não existe oposição.

Brasil afora há quem venere Lula. E ele sabe disso; é muito mais agradável os seus informarem e ele ser informado sobre essa veneração. Mas certamente Lula deve saber, alguém deve dizer a ele de quando em quando: além de fazer oposição, um direito democrático de todos, há quem lhe devote um ódio profundo.

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Redação

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