Doria e a Cracolândia: a questão não é gente, é GRANA; um roteiro do caso

Cracolândia: tiros e bombas contra doentes

A drogadição é um tema de extrema delicadeza, que envolve histórias de sofrimento para milhões de pessoas. Uma doença que arrasa os dependentes e destroça suas famílias, em geral afetadas pela doença dramática da codependência.  Mobiliza sentimentos de compaixão e raiva. Uma onda de repulsa perpassa amplos segmentos da sociedade, que nutrem nojo/ódio àqueles que, com sua doença, denunciam nas Cracolândias em todo o planeta a normalidade controlada, domesticada. Eles são lixo para o status quo -o que cabe é removê-los..

Com a legitimidade social que o discurso do ódio e do salve-se quem puder conquistou nos últimos anos, a instrumentalização dos medos e fantasmas abriu espaço ao tratamento que o lixo deve ter: remoção. É nesse mar de sofrimento e dor que surfa o prefeito de São Paulo, João Doria. Ele promete ordem, paz, remoção do lixo. O mesmo discurso do higienismo nazista, o mesmo discurse a “loucura” do século 18, agora com novo alvo. Seu moto verdadeiro não são as pessoas ou a situação dramática em que vivem. O tema de fundo de Doria é a Nova Luz –um negócio de bilhões que irão para os bolsos de construtores, operadores financeiros, lobistas, amigos e amigas, para as famiglie.

A questão, para Doria e os seus, não é gente, é grana, muita grana. O prefeito imaginou que poderia mobilizar a dor, o medo e os fantasmas para sua “faxina”, deixando o terreno livre para a negociata. O império das coisas, não a sociedade das pessoas. Conseguirá?

Um breve roteiro para entender a ação do prefeito ou, mais exatamente, da dupla Alckmin/Doria que retomam um projeto de anos atrás, da dupla Alckmin/Kassab. Não há diferença de projeto, mas de intensidade e ritmo, pois a voracidade é característica conhecida de Doria nos meios empresariais e, agora, políticos.

TROPAS CONTRA PESSOAS DOENTES – A CRACOLÂNDIA ACABOU?

Num domingo (21 de maio), enquanto a cidade via morrer pela ação de Doria uma de suas festas mais relevantes, a Virada Cultura, o governo do Estado e a Prefeitura mobilizaram uma tropa de cerca de mil homens com armamentos pesados e disposição para a guerra. Quem eram os inimigos? Doentes adictos de crack, esquálidos e indefesos, e meia dúzia de traficantes pé de chinelo.

A versão divulgada pela polícia e amplificada pelo prefeito e o governador com aceitação acrítica da mídia conservadora tentou vender a ideia de que a ação fora uma guerra. Ora afirmaram terem sido presos 28 traficantes, ora 29, ora 39; o Estadão, a linha de frente do reacionarismo mais tacanho chegou a postar uma manchete delirante:  Líderes do PCC são presos durante megaoperação na Cracolândia.

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Temer e Doria tentam usar o Papa para seus projetos, com apoio da Globo e mídias auxiliares

 

Um beijo de farsa e constrangimento

Michel Temer e João Doria tentaram usar a figura do Francisco, querido em todo o mundo e por milhões de brasileiros e brasileiras, para seus projetos de poder. Com apoio das Organizações Globo e mídias auxiliares distorceram o conteúdo de uma carta de Francisco a Temer e, no caso de Doria, tentaram transformar encontro rápido na Praça São Pedro em “audiência” e uma cena constrangedora em momento de “intimidade e empatia”. Foram duas operações de relações públicas/pós-jornalismo nos últimos dois dias, ambas destinadas a engambelar as pessoas.

Francisco respondeu dias atrás uma carta de Temer na qual era convidado a vir ao Brasil. Como tratou-se de correspondência privada, a Santa Sé não divulgou o conteúdo. Mas o colunista global Gerson Camarotti, um dos queridinhos do Palácio do Planalto, recebeu trechos da correspondência e postou reportagem na qual tentou vender ao país uma suposta “neutralidade” de Francisco diante da situação do Brasil -desmentida até mesmo pelos trechos pinçados por Camarotti e suas fontes. O título da nota, verdadeiro press release oficial: “Em carta, Papa diz a Temer que crise no Brasil não é de fácil solução”.

O Papa foi duro com Temer e as reformas que ele e o capital financeiro tentam aprovar, com apoio da Globo: “não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”. O Papa escreveu que o Brasil vive “um momento triste”. Estes são os trechos vazados da carta, que não autorizam “neutralidade” ou “simpatia” do Papa com regime do golpe.

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