Temer e Doria tentam usar o Papa para seus projetos, com apoio da Globo e mídias auxiliares

 

Um beijo de farsa e constrangimento

Michel Temer e João Doria tentaram usar a figura do Francisco, querido em todo o mundo e por milhões de brasileiros e brasileiras, para seus projetos de poder. Com apoio das Organizações Globo e mídias auxiliares distorceram o conteúdo de uma carta de Francisco a Temer e, no caso de Doria, tentaram transformar encontro rápido na Praça São Pedro em “audiência” e uma cena constrangedora em momento de “intimidade e empatia”. Foram duas operações de relações públicas/pós-jornalismo nos últimos dois dias, ambas destinadas a engambelar as pessoas.

Francisco respondeu dias atrás uma carta de Temer na qual era convidado a vir ao Brasil. Como tratou-se de correspondência privada, a Santa Sé não divulgou o conteúdo. Mas o colunista global Gerson Camarotti, um dos queridinhos do Palácio do Planalto, recebeu trechos da correspondência e postou reportagem na qual tentou vender ao país uma suposta “neutralidade” de Francisco diante da situação do Brasil -desmentida até mesmo pelos trechos pinçados por Camarotti e suas fontes. O título da nota, verdadeiro press release oficial: “Em carta, Papa diz a Temer que crise no Brasil não é de fácil solução”.

O Papa foi duro com Temer e as reformas que ele e o capital financeiro tentam aprovar, com apoio da Globo: “não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”. O Papa escreveu que o Brasil vive “um momento triste”. Estes são os trechos vazados da carta, que não autorizam “neutralidade” ou “simpatia” do Papa com regime do golpe.

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