Jesuítas do Brasil alinham-se ao Papa; atacam ricos e governo Temer, que serve para “atender ao mercado”

    Os jesuítas em sua Assembleia em Itaici – foto da sessão de abertura, em 25 de julho

Os jesuítas do Brasil encerraram sua II Assembleia Nacional nesta quinta (27) com um salto de qualidade em relação à sua posição quanto ao Brasil e manifestaram seu alinhamento integral ao Papa Francisco, igualmente jesuíta, o que vinham fazendo de maneira tímida nos últimos três anos. Afirmaram sua “indignação diante da maneira como as classes dominantes conduzem as crises econômica, social e política que assolam o país e afetam a população brasileira, sobretudo os mais empobrecidos”; explicitaram sua adesão à visão do Papa quanto à “idolatria do dinheiro”; acusaram “os ajustes desse (des)governo para atender ao mercado”; e denunciaram a criminalização dos movimentos sociais.

O encontro reuniu por três dias 340 dos 490 membros da Companhia de Jesus no Brasil na Casa de Retiros Vila Kostka, em Itaici (Indaiatuba/SP), tradicional centro de encontros da Ordem. O posicionamento é resultado da reorganização da Companhia de Jesus no país. Desde 2014 (um ano depois da eleição de Francisco), as três províncias existente foram unificadas na Província dos Jesuítas do Brasil – BRA e iniciou-se então uma lenta aproximação às posições do Papa e à liderança global jesuítica, com clara adesão à caminhada com os pobres, crítica ao capitalismo e radicalização na leitura do Evangelho. Até então, os jesuítas no país estavam voltados sobretudo às suas centenas de instituições educacionais (escolas e faculdades), com relacionamento privilegiado com as camadas médias da população, além de algumas importantes frente de ação na Região Missionária da Amazônia e periferias de algumas cidades.

A primeira expressão pública da renovação do posicionamento dos jesuítas foi o apoio ao Dia Nacional de Mobilização de 15 de março de 2017 contra o desmonte do Estado pelo do governo Temer (aqui), mas foi uma nota tímida, se comparada com a de agora.

Durante o encontro, os jesuítas tomaram importante decisão que não foi formalizada, mas tornou-se um pacto entre todos: apoiar decididamente o magistério do Papa Francisco e sua visão pastoral e eclesial. O pacto dos jesuítas poderá contribuir e muito para que a Igreja continue a despertar e reencontrar sua missão no Brasil.

A nota aprovada ontem contém, a partir das posições de Francisco, uma dura condenação ao espírito do capitalismo: “A idolatria do dinheiro, de acordo com o Papa Francisco, dá primazia ao mercado, tanto em detrimento da pessoa humana como em detrimento do trabalho (cf. Evangelii Gaudium, 53-57). Não é justo submeter o Estado ao mercado, em nome da retomada do desenvolvimento. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica do capital financeiro. Como nos adverte o Papa Francisco, ‘o dinheiro é para servir e não para governar’ (Evangelii Gaudium 58)”.

Os jesuítas condenaram as reformas trabalhista e da Previdência, criticaram o aprofundamento da desigualdade no país, anotando que “muita gente, que tinha saído da miséria e da pobreza, está voltando à assistência social” e apontaram o “poder manipulador dos meios de comunicação social”.

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