Scholas Ocurrentes: projeto político pedagógico de Francisco que atualiza as CEBs

Eduardo Brasileiro e a delegação da IPDM com o Papa em Roma

Um novo jeito de os jovens serem  “Igreja em Saída” no meio dos pobres. Scholas Ocurrentes, o projeto do Papa Francisco que atualiza a experiência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)

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Leia artigo-testemunho de Eduardo Brasileiro, membro da IPDM (Igreja Povo de Deus em Movimento), educador social do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, e participante do 3º Encontro Internacional de Jovens animado pelo Papa Francisco e organizado pela Fundação de Direito Pontifício Scholas Ocurrentes entre 6 e 11 de maio em Roma: 

Desde 1990, Francisco, ainda Cardeal de Buenos Aires, iniciou um projeto chamados ‘Scholas de Ciudadania’ onde desenvolveu uma experiência comunitária de engajamento popular nas causas comuns. Naquela época realizou encontros ecumênicos, oficinas para jovens, ações comunitárias, convivências compartilhadas.

Quando eleito Papa, criou uma fundação de direito pontifício chamada “Scholas Ocurrentes” (escolas dos encontros), onde ampliava o projeto de Buenos Aires, numa dimensão global de formação cidadã para jovens com engajamento em suas comunidades.

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Povão atropela o golpe e os “estrategistas” e só quer saber de Lula

É um estrondo. A pesquisa CNT/MDA enterra de vez todos os falsos profetas que alardearam que Lula iria para o ostracismo político na cadeia. O golpe fracassou em seu projeto de uma nova hegemonia e os estrategistas do “realismo” no campo progressista estão sendo atropelados pelo povo.   O homem é amado pelo povão, que só quer saber dele e de mais ninguém

Por Mauro Lopes

A pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda (14) é um rolo compressor. O povo quer Lula e mais ninguém. O golpe fracassou em seu projeto de uma nova hegemonia e os estrategistas do “realismo” no campo progressista estão sendo atropelados pelo povo. Os números desmentem todas as projeções que se fizeram sobre a queda de Lula nas preferências de voto depois de sua prisão. Disseram que ele estaria liquidado como líder político quando foi acusado no caso do apartamento; depois, quando foi condenado por Moro; mais uma vez quando o TRF-4 confirmou e ampliou a sentença; quando foi preso, comemoraram sua “morte” política; declararam-no fora do páreo depois que o STF recusou dos recursos de sua defesa. Foram mais de dois anos de linchamento nas mídias de massa sem direito a defesa. Nada. O homem é amado pelo povo.

Lula tem quase o dobro de Bolsonaro, o segundo colocado: 32,4% a 16,7%. Todos os demais candidatos comem poeira; nenhum deles chega perto de 10% das intenções de voto.

No campo da direita, Marina tem 7,6%, Alckmin despencou de 6,4 para 4%, Álvaro Dias está com 2,5% e os demais sequer chegam a 1% -Temer, o odiado, tem 0,95. Apenas juntando todo o rebotalho da direita, de Marina para baixo, eles conseguem um pouco mais que meio Lula.

No campo progressista, Lula ocupa todo o espaço. Ciro tem 5,4%, Boulos e Manuela têm 0,5% cada um.

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A carcereira da pena de morte

A juíza-carcereira, a milionária Carolina Lebbos, leniente quando a causa envolve o universo dos ricos (dinheiro), decidiu que Lula merece uma pena ainda mais injusta e cruel que a de Moro e a dos outros juízes-ricos, os do TRF-4. Mesmo contra uma lei da ditadura militar, que garante o direito a visitas, ela proibiu-as, até mesmo a de um médico. Com isso, imagina cortar o ar que Lula respira: a trama de relações com as pessoas. Pretende condená-lo à morte.

Por Mauro Lopes

O Poder Judiciário, que um dia foi denominado Justiça, tornou-se no Brasil uma reserva de mercado para jovens filhos de famílias ricas. O mesmo aconteceu com o Ministério Público. Seus concursos são disputadíssimos e só filhinhos de mamãe e de papai que não precisam trabalhar podem dedicar tempo aos estudos. O fato de as vagas serem preenchidas por concurso pode dar a impressão de ser um Poder republicano –do que se vangloriam muitos juízes e juízas e membros do MP. Mas é fachada.

Juízes e membros do MP afirmam que tudo se resolve pela “competência”, pelo “mérito”; na verdade, tudo se resolve pela vida mansa garantia pelo dinheiro do papai e da mamãe. Quase todos entram nas carreiras no Judiciário e no MP já ricos e as cotas estabelecidas em 2015 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estão longe de surtir efeito. Com o assalto que realizaram ao dinheiro que os pobres depositam nos cofres do Estado, enriquecem ainda mais, com salários acima dos R$ 30 mil mensais, sem contar o “empurrãozinho” da farra do auxílio moradia e do auxílio refeição que são na verdade um extra, uma gorjeta chique para todo mundo, garantindo quase R$ 5 mil a mais todo mês. Há caso de juízes que embolsam com alegria mais de R$ 40 mil, R$ 50 mil num mês –há casos de juízes que receberam mais de R$ 100 mil e até R$ 500 mil.

Uma vez ingressando nas carreiras, os jovens que pertencem às dinastias do Judiciário e do MP, que têm sobrenomes conhecidos nos corredores da ex-Justiça, têm garantido que vovô, vovó, papai, mamãe, titio, titia cuidem de arrumar-lhes rapidamente vaguinhas em tribunais superiores. E assim, la nave va.

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A teimosa esperança do povo – para Boff e Esquivel

 

Uma poesia do professor Edward Neves Monteiro de Barros Guimarães, da PUC-MG para Leonardo Boff e Adolfo Pérez Esquivel. É para Lula também. E para os profetas e todos os perseguidos por terem sede de justiça. Mas é sobretudo sobre a primavera e a teimosa e corajosa esperança do povo.

Por Edward Neves Monteiro De Barros Guimarães

Neste tempo atroz em que vivemos
Há tiranos que se julgam onipotentes
Tentam impedir o novo, a primavera
Parar a fé militante e a luta do povo
Mas não é suficiente!

Primeiro tentam destruir o nome
Difamar a trajetória do líder
Aquele em quem o povo se reconhece
E que alimenta o fio tênue da esperança
Mas não é suficiente!

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Ao redor de Marielle, Lula e padre Amaro, uma Igreja dividida e que abandona os seus

Dom Angélico e Lula, na celebração ecumênica em São Bernardo

Vive-se uma situação paradoxal no Brasil. Lideranças populares com histórias profundamente ligadas à Igreja Católica foram mortas ou perseguidas sob o silêncio cúmplice da cúpula da Igreja, enquanto um segmento estridente de integristas aplaude os algozes. Marielle Franco foi martirizada numa execução brutal; Lula, vítima de uma perseguição sem tréguas até a prisão, assim como o padre José Amaro Lopes de Souza.

Em tornos deles, a Igreja brasileira dividiu-se entre uma postura de solidariedade e oração de segmentos vinculados à Teologia da Libertação; uma hostilidade agressiva dos tradicionalistas; e um distanciamento acovardado da cúpula. Incrivelmente, as mesmas reações foram observadas diante da prisão de um integrante do clero, o padre José Amaro Lopes de Souza, considerado sucessor de irmã Dorothy Stang em Anapu (PA), e detido desde 27 de março último numa articulação entre latifundiários e a polícia do Pará.

Como em raros momentos, a Igreja mostra sua fratura à sociedade à luz do dia e, mais grave, apresenta-se como instituição que não acolhe os seus.  Ao mesmo tempo, o Papa acaba de lançar uma Exortação Apostólica dizendo que o único caminho da santidade cristã é a vida com os pobres contra as injustiças.

Por Mauro Lopes

Marielle Franco foi catequista e participou da Pastoral da Juventude na favela da Maré, na adolescência; mesmo depois de adulta, quando se afastou da Igreja por ser lésbica e militante de esquerda numa Arquidiocese dominada por integristas, não abdicou da fé. Criada numa família católica, manteve-se às margens, aproximou-se da religiosidade de matriz afro-brasileira e continuou a frequentar igrejas, especialmente ao lado da irmã, Anielle.

Luis Inácio Lula da Silva também foi criado numa família católica. Sua mulher, Marisa Letícia, católica desde a infância –seu avô, Giovanni, ergueu uma capela em homenagem a Santo Antônio, no sítio da família, em São Bernardo do Campo, que está de pé até hoje. A aproximação maior de Lula com o catolicismo deu-se no processo das lutas sindicais no final dos anos 1970 e a seguir na fundação do PT, quando teve apoio das bases da Igreja, especialmente as Comunidades Eclesiais e Base teólogos e teólogas vinculados à Teologia da Libertação.

Padre Amaro e Dorothy Stang

Padre José Amaro é um homem da Igreja há décadas. Uma nota da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) resume bem a trajetória do sacerdote: “Milhares de trilhas iniciadas por irmã Dorothy Stang, continuam abertas depois de seu martírio em 12 de fevereiro de 2005, no município de Anapu, Estado do Pará. Trilhas estas continuadas pelo padre Amaro Lopes, conhecido, amado e respeitado por sua incansável luta em defesa dos direitos humanos, especialmente dos camponeses, pequenos agricultores da região de Anapu. Gente simples e de grande valor na defesa da Amazônia e da ecologia integral. Dando continuidade ao trabalho de irmã Dorothy, padre Amaro atua no município de Anapu (PA), na Paróquia Santa Luzia, como líder comunitário e coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na região.”

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Uma hora decisiva: confronto ou guerra de desgaste?

A sede do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo, na manhã desta sexta (6)

Ao fim e ao cabo, há uma única hora decisiva da qual ninguém escapa, a morte. Antes dela, porém, a vida nos apresenta muitas horas decisivas. Esta é uma delas, depois do julgamento do STF, da decisão de Sérgio Moro de atropelar tudo e mandar prender Lula e da mobilização ao redor do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo, o berço das greves de 1979, a casa de Luis Inácio, o nascedouro do PT. A hora é de confronto ou de partir para uma “guerra de desgaste”? Que forças tem o campo popular-democrático?

Por Mauro Lopes

É muito simbólico que Lula tenha ido para sua casa (o útero),  o Sindicato em São Bernardo do Campo, e que toda a mobilização de resistência à última e mais grave ofensiva do golpe depois da deposição de Dilma em 2016 tenha se dirigido na noite de ontem,  quinta (5). Caravanas partiram na noite-madrugada de diversas cidades do Estado de São Paulo e de outros estados para São Bernardo.

O que fazer agora?

Creio que a resposta está no quanto o simbólico representado pela concentração em São Bernardo do Campo corresponde neste momento ao fio da história viva da luta operária, sindical e popular do fim dos últimos 40 anos -de 1970 para cá.

Lula escolheu estar entre os seus. Não há ninguém que seja mais “de Lula” que os metalúrgicos do ABC. Pois bem. Eles irão mobilizar-se? Haverá greve ao menos nas fábricas mais icônicas do movimento operário que marcou o país -na Ford, GM, Volks?

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Ruralistas do Pará lançam ataque sem precedentes contra Igreja Católica

Padre Amaro e Dorothy Stang: quando a Igreja questiona os poderosos

A Faepa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará), entidade dos latifundiários e ruralistas do Pará lançou na tarde desta quinta (29), um ataque sem precedentes à Igreja Católica no Brasil. Em nota assinada por seu presidente, Carlos Fernandes Xavier, foram atacados de maneira violenta e difamatória: 1) a memória da freira Dorothy Stang, assassinada em 12 de fevereiro de 2005 a mando de latifundiários do Pará; 2) o bispo emérito do Xingu, dom Erwin Kräutler, um dos nomes mais respeitados da Igreja em todo o mundo; 3) o padre José Amaro Lopes da Silva, pároco de Santa Luzia em Anapu e preso vítima de uma armação dos mesmos ruralistas; 4) a Comissão Pastoral da Terra (CPT); 5) o desembargador Gercino José da Silva Filho, ex-Ouvidor Agrário Nacional e ex-presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, ligado à Igreja, chamando de “embusteiro”;  e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), denominada na nota de “Sindicato dos Bispos”. Nem mesmo no período da ditadura militar a Igreja Católica sofreu um ataque tão virulento.

Por Mauro Lopes

A nota é vazada em termos tão grosseiros e ofensivos que, por si só, denuncia o caráter do ataque dos ruralistas e latifundiários do Para (leia a íntegra da nota ao final). Toda ela é “costurada” numa linguagem que evoca a Guerra Fria dos anos 1960/80. Padre Amaro é qualificado de “subversivo que se traveste de religioso”; a CNBB, o “Sindicato dos Bispos”, dominada por uma “ala esquerdista”, pretenderia “implantar no solo cristão deste país os espúrios credos marxistas”.

O assassinato de Dorothy Stang com seis tiros em 2005, na mesma Anapu onde foi preso padre Amaro, teve intensa repercussão mundial e ela  hoje é considerada uma das muitas mulheres santas mártires no seguimento de Jesus, ainda que não tenha sido por enquanto beatificada pela Igreja Católica. Mas ela já integra o calendário de santos e santas da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil como “Mártir da Caridade na Amazônia”.  Para os latifundiários do Pará em sua nota, entretanto, a freira assassinada era “persona non grata em Anapu”, “incitava a violência”, ao lado de dom Erwin, e ambos seriam suspeitos de “tráfico de armas”.

O alvo maior dos ataques é o padre Amaro, preso na última terça (27), alvo de um amontoado de acusações, reunidas com o objetivo de “engrossar” o processo: “associação criminosa, com o fim de cometer diversos crimes, tais como, ameaça à pessoa, esbulho possessório, extorsão, assédio sexual, importuna ofensa ao pudor, constrangimento ilegal e lavagem de dinheiro”. A nota dos latifundiários do Pará, entretanto, acaba por explicitar a razão do ódio e perseguição ao religioso: desde 2015, a Faepa buscava a prisão do padre Amaro por ser ele “o maior incentivador dos conflitos fundiários existentes”.

Conforme denunciou a Comissão Pastoral da Terra (CPT), em nota divulgada no dia seguinte à prisão, trata-se de “é uma medida que vem satisfazer a sanha dos latifundiários da região que pretendem de toda forma destruir o trabalho realizado pela CPT, e desmoralizar os que lutam ao lado dos pequenos para ver garantidos os seus direitos. E se enquadra no contexto do cenário nacional em que os ruralistas ditam os rumos da política brasileira.”

Há uma razão oculta sob o volume da campanha de ódio dos latifundiários paraenses, que esteve na origem do assassinato de Dorothy Stang e agora da prisão de padre Amaro: um bilionário esquema fraudulento de que privatizou e devastou extensas áreas da Amazônia. O ódio devotado a irmão Dorothy e agora a padre Amaro deve-se à ação de ambos para exigir do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a retomada das terras públicas roubadas pelos latifundiários, com “a criação de assentamentos coletivos, com grandes áreas de florestas nativas, capaz de sustentar o manejo florestal comunitário e a produção agrícola de forma sustentável” -leia logo abaixo um esclarecedor artigo de Tarcísio Feitosa da Silva, da CPT, que desnuda toda a trama dos ruralistas.

Em meio à onda fascista que buscou amedrontar o país nos últimos 15 dias, os ruralistas, que estiveram à frente de várias agressões à caravana de Lula no sul do Brasil, atacaram agora no norte, de maneira brutal, a Igreja Católica e os que lutam contra o latifúndio no Pará.

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Leia a seguir o artigo de  Tarcísio Feitosa da Silva

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A cadela no cio do fascismo agora pariu: tempo de terror

O dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), um dos maiores da história e que combateu valentemente o nazismo dizia que “a cadela do fascismo está sempre no cio”, pronta a dar filhotes. Pois ela acaba de parir no Brasil. Estamos presenciando uma escalada fascista sem precedentes na história. Os números, parciais, não revelam toda a dimensão da violência que se abate sobre o país, especialmente sobre os mais pobres. Em 15 dias, de 12 a 27 de março, foram pelo menos 25 ações de extrema violência com apoio a elas dos líderes políticos de direita: 26 execuções, várias detenções e prisões, dezenas de ataques, espancamentos e agressões com feridos sem conta, ameaças de morte e ações brutais das polícias. Três padres foram alvo da escalada: um ameaçado de morte, um preso e um espancado. A violência é protagonizada por milícias de adeptos de Bolsonaro, policiais e forças paramilitares. 

Toda a escalada tem a cobertura, apoio ativo ou silente dos poderes de Estado e das mídias. O presidente golpista saiu a público para defender outro golpe, o de 1964, que sufocou as liberdades, prendeu e torturou milhares de pessoas e assassinou quase 500. Geraldo Alckmin e João Doria justificaram e apoiaram os atentados contra a caravana de Lula no sul do país, um dos principais alvos dos fascistas. O que estamos assistindo nos últimos 15 dias lembra a violência que se abateu sobre vários países da América Central nos anos de 1980. Leia a seguir a lista parcial da escalada fascista. 

Por Mauro Lopes 

12 de março

1. Assassinado com quatro tiros Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos, foi morto com quatro tiros. Um dos diretores da Associação dos Caboclos, indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama) que desde 2017 lutava em Barcarena (PA) contra o desastre ambiental causado pela  empresa norueguesa Hydro. Seguidamente ameaçado de morte, teve pedidos de proteção negado pelo governo de Simão Jatene (PSDB).

2. Cinco indígenas Guarani foram presos  ao regressar de uma incursão numa ilha formada pelo lago da Hidrelétrica de Itaipu, onde haviam ido cortar taquara, ou seja, o “bambu nativo”, para a confecção de artesanatos e construção de moradias. A ação ocorreu sobre um patrimônio privado, já que a área visitada pelos Guarani pertence oficialmente à Itaipu Binacional, mas foi retomada pela comunidade Guarani em janeiro de 2017, depois de 35 anos de expulsão. Na região de usina existiam ao menos 32 aldeias que desapareceram entre 1940 e 1982, período entre a criação do Parque Nacional do Iguaçu e o alagamento para formação do lago de Itaipu. Pelo menos nove dessas aldeias foram alagadas.

Ameaças ao padre Júlio Lancellotti

3. O Padre Júlio Lancellotti, vigário da Pastoral do Povo da Rua, divulgou pela primeira vez que vinha recebendo seguidas ameaças de morte pelas redes sociais. No dia 19, várias entidades exigiram providências do Ministério Público, mas nenhum responsável  pelas ameaças foi preso.

14 de março

4. A PM e a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo agrediram brutalmente professoras, servidoras e servidores públicos que protestavam na Câmara de Vereadores contra projeto de lei de reforma da previdência municipal, apresentado pelo governo Doria. O projeto visava congelar salários e aumenta a contribuição previdenciária de 11% para 19%. Depois de greve e intensa mobilização de milhares de servidoras e servidores, o projeto foi derrotado, em 27 de março.

Os tiros que mataram Marielle

5. A vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes foram executados no Rio de Janeiro, num crime que causou indignação mundial grandes manifestações de  protesto em todo o país. Apesar de todos os indícios apontarem para as milícias que, compostas por policiais e ex-policiais, controlam várias regiões do Rio, as investigação não havia resultado em nada.

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Telefonema do Papa à família de Marielle foi articulado na Argentina

Dona Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco, revelou na missa de sétimo dia da filha que a família recebeu um telefonema de solidariedade do Papa. A iniciativa de Francisco foi resultado de uma articulação acontecida na Argentina, sem qualquer participação da Arquidiocese do Rio ou da CNBB.

Por Mauro Lopes

A mãe de Marielle Franco, Marinete da Silva, falou aos presentes à missa de sétimo dia celebrada ontem (20) na Igreja Nossa Senhora do Parto, no centro do Rio – a missa foi transferida da Maré para que todos pudessem em seguida participar do ato/culto ecumênico na Cinelândia.  Ao final da celebração, o sacerdote convidou a família a se pronunciar, caso desejasse. Dona Marinete agradeceu o carinho recebido e informou então que o Papa Francisco havia telefonado.

A última foto que Marielle mandou para a irmã, Anielle

A família de Marielle é católica. Sua mãe é devota de Nossa Senhora Aparecida e foi ministra da Eucaristia na Maré. A última foto que Anielle recebeu de sua irmã, ainda viva, horas antes do assassinato, foi das duas diante de um altar em uma igreja no Rio. Marielle foi catequista e ativa participante da Pastoral da Juventude ainda adolescente. Depois, afastou-se da Igreja Católica que vive, no Rio, um clima quase irrespirável de conservadorismo e censuras e condenações e falso rigorismo moral.

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Violência: Igreja Católica divide-se entre indignação e silêncio cúmplice

A professora Luciana e a vereadora Marielle -mulheres lideram e pagam alto preço

CNBB mais uma vez silencia diante da violência. Franciscanos levantam-se e acusam: “malditas as armas que ferem e matam, maldito o dinheiro que oprime ao invés de servir, malditas estruturas que roubam a humanidade das pessoas”. Arquidiocese do Rio chegou a relacionar execuções de Marielle  e Anderson ao tema do aborto 

Por Mauro Lopes

Passadas 20 horas da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista  Anderson Pedro Gomes no Rio de Janeiro, a direção nacional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  permanecia em silêncio na tarde de quinta-feira (15) -em pleno transcurso da Campanha da Fraternidade dedicada ao tema da violência. Da mesma forma, mais de 24 horas depois da violência brutal da PM e da GCM que se abateu sobre servidoras e servidores municipais de São Paulo, a Arquidiocese da capital paulista permanecia silente.

A CNBB parece acuada diante das agressões seguidas que tem sofrido da direita católica –e reage recolhendo-se ao silêncio, em vez de colocar-se ao lado dos pobres do país, como fizeram as gestões da Conferência em outros tempos e como faz Francisco. O Papa é um exemplo: não se intimida diante da campanha que lhe movem os integristas católicos, e está onde os cristãos devem estar, sempre: com a vítimas.

Quem assumiu a frente da Igreja Católica no país, mais uma vez, foram os franciscanos.  Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM, líder da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, divulgou na manhã desta quinta (15) uma nota vigorosa, contra a execução de Marielle e o ataque em de São Paulo, expressando a “indignação e tristeza” dos franciscanos.  “Malditas as armas que ferem e matam” é o título da nota. No texto, os franciscanos acrescentaram: “maldito o dinheiro que oprime ao invés de servir, malditas estruturas que roubam a humanidade das pessoas e as transformam em objetos usados de acordo com a conveniência de quem domina”.

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