Morre dom Paulo Evaristo Arns, cardeal-profeta do Brasil, “para ver melhor”

Dom Helder Câmara e dom Paulo Evaristo Arns, profetas da Igreja no Brasil

Morreu no final da manhã desta quarta-feira (28) em São Paulo, cardeal arcebispo emérito de São Paulo dom Paulo Evaristo Arns, aos 95 anos. Ele estava internado desde 28 de novembro com uma broncopneumonia. Foi um dos líderes da renovação teológica do Brasil e da América Latina dos anos 1960/70 que levou à criação da Teologia da Libertação. “Morreu um profeta e pastor”, disse o padre Júlio Lancelotti, vigário da Pastoral do Povo da Rua, criada por dom Paulo. O funeral ocorrerá na catedral da Sé, no centro de São Paulo. O teólogo Leonardo Boff, franciscano como dom Paulo, disse que o cardeal “foi ao encontro do Senhor a quem sempre serviu nos pobres e torturados. Foi meu mestre inesquecível. Disse um poeta latino-americano ‘Morrer é fechar os olhos para ver melhor’. É o que ocorreu com o cardeal Arns. Agora vê Deus face a face.” Não é possível olhar para a história do Brasil na segunda metade do século XX sem ver dom Paulo Evaristo Arns. [ao final, 14 fotos marcantes da trajetória de dom Paulo]

Ao lado de dom Pedro Casaldáliga, dom Helder Câmara, dom Antônio Batista Fragoso, dom José Maria Pires e outros, dom Paulo compôs a linha de frente de uma Igreja popular, comprometida com os pobres, os direitos humanos e a luta contra o regime militar brasileiro instalado com o golpe de 1964. Os teólogos formuladores da Teologia da Libertação no Brasil eram interlocutores frequentes de dom Paulo e os demais bispos e cardeais, alguns deles leigos e outros sacerdotes ou religiosos: Carlos Mesters, frei Betto, Leonardo Boff, Ivone Gebara, José Comblin, entre outros.

Em maio de 1966, foi nomeado bispo auxiliar do então cardeal arcebispo de São Paulo, dom Agnelo Rossi, e a partir de então sua ligação com a maior cidade do Brasil tornou-se profunda. Estimulava a criação de centenas de núcleos das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), visitava com frequência os presos da Casa de Detenção e, em 1969, foi designado por dom Agnelo Rossi para acompanhar os frades dominicanos e outros religiosos na prisão. Ao visitá-los e a outros presos, constatou que todos eram torturados –a experiência marcou dom Paulo.

Um ano depois, em 1970, o Papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de São Paulo –os dois tiveram uma amizade sólida, que foi decisiva anos depois na defesa de dom Pedro Casaldáliga, perseguido e odiado pelo regime militar brasileiro e pela cúpula conservadora da Cúria romana. Dom Paulo procurou o Papa para interceder por dom Pedro e a resposta de Paulo VI tornou-se famosa: “Mexer com Pedro é mexer com o papa”.

Os militares não gostaram nada da nomeação de dom Paulo, menos ainda quando ele tornou-se cardeal, em 1973, no auge da repressão governamental. Ato contínuo à sua nomeação como cardeal, ele criou Comissão de Justiça e Paz, que funcionava na Cúria Metropolitana e tornou-se o polo de resistência, refúgio, solidariedade e ações legais em defesa de prisioneiros e desaparecidos políticos, seus familiares.

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Combate ao clericalismo é um dos eixos do papado de Francisco

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Criança beija Francisco na Praça São Pedro, no Vaticano

O Papa atacou o clericalismo com contundência nada menos que três vezes nos últimos dias. Na missa da manhã de terça (13) na capela da Santa Marta, no Vaticano, Francisco comparou clérigos católicos (padres, bispos, cardeais) e leigos poderosos nas estruturas eclesiais aos chefes religiosos que perseguiram Jesus até sua morte. A vítima do espírito clerical, assim como foi Jesus, disse o Papa, é o “povo humilde e pobre que confia no Senhor”, “aqueles que são descartados”. São “condenados” e “abusados”, pelo poderoso da Igreja que é sempre “presunçoso, orgulhoso, soberbo”. Francisco ataca o espírito clerical com uma agressividade que reverbera as condenações de Jesus ao clericalismo judaico. Talvez não tenhamos nos dado conta, mas combate ao clericalismo está na origem do atual papado: foi o centro do discurso do então cardeal Bergoglio no colégio de cardeais reunidos para a sucessão de Bento XVI, em 7 de março de 2013, seis dias antes de ser escolhido, e é considerado decisivo para sua eleição. A contundência de Francisco é resultante de um mandato que recebeu de seus eleitores.

No último domingo (11), durante encontro com 180 seminaristas do Pontifício Seminário Regional Pio XI, da Puglia (Itália), o Papa advertiu os futuros sacerdotes: “se tens medo da pobreza, a tua vocação está em perigo!” E voltou ao tema da opção da Igreja pelos pobres, à qual se opõe o clericalismo: “Um sacerdote que se separa do povo não é capaz de dar a mensagem de Jesus. Não é capaz de dar o carinho de Jesus às pessoas”. [a íntegra do discurso foi distribuída pelo Vaticano apenas em italiano, aqui]

Antes, na missa matinal do dia 9 (sexta-feira), Francisco havia advertido os sacerdotes a serem “mediadores do amor” de Deus e não “intermediários que pensam somente no próprio interesse”. O Papa vinculou o clericalismo ao conservadorismo rigorista e ao afastamento do povo: “Mas para fazerem-se importantes, os sacerdotes intermediários seguem pelo caminho da rigidez: tantas vezes, separados das pessoas, não sabem o que é a dor humana;  perdem aquilo que haviam aprendido em suas casas, com o trabalho do pai, da mãe, do avô, da avó, dos irmãos… Perdem estas coisas. São rígidos, aqueles rígidos que largam sobre os fieis tantas coisas que eles não carregam, como dizia Jesus aos intermediários de seu tempo. A rigidez. Chicote em mãos com o povo de Deus: ‘Isto não pode, isto não pode…’. E tantas pessoas que se aproximam buscando um pouco de consolação, um pouco de compreensão, acabam expulsas com esta rigidez”. [veja aqui a cobertura da Rádio Vaticano]

Clericalismo é a doutrina e maneira como se organiza em boa medida a Igreja Católica, segundo a qual os membros da hierarquia (cardeais, bispos, padres e uma elite de leigos, em geral ricos) como o centro da vida do catolicismo. É a doutrina que informa o pensamento conservador na Igreja. Na base da Igreja vive-se esta distorção apontada pelo Papa como uma relação de reverência e temor dos fiéis pelo padre (relação que se reproduz hierarquia acima), que passa a ser o “proprietário” da paróquia.

O combate ao clericalismo é um dos centros do pontificado de Francisco e o principal tema de seu embate com a hierarquia católica (leia reportagem recente sobre isso aqui no blog clicando aqui). Na missa da manhã de terça, o Papa disse que há um “espírito do clericalismo”, segundo o qual  “os clérigos se sentem superiores, se afastam das pessoas, não têm tempo para escutar os pobres, os que sofrem, os presos, os doentes”. O afastamento dos pobres e da vida pobre assim como a fascinação pela riqueza e a aparente rigidez moral são as característica que marcam o clericalismo, segundo as diversas manifestações de Francisco.

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O Papa com seminaristas em 11 de dezembro: ““se tens medo da pobreza, a tua vocação está em perigo!”

Francisco chegou a endereçar aos “seduzidos pelo clericalismo” a mesma advertência que Jesus, no Evangelho do dia (Mt 21,28-32), dirigiu aos sacerdotes judeus: “’Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (v.31). Disse o Papa: “O mal do clericalismo é uma coisa muito feia! É uma nova edição desta gente. E a vítima é a mesma: o povo pobre e humilde, que tem esperança no Senhor. O Pai sempre procurou se aproximar de nós: enviou seu Filho. Estamos esperando, uma espera alegre e exultante. Mas o Filho não entrou no jogo desta gente: o Filho foi com os doentes, os pobres, os descartados, os publicanos, os pecadores – é escandaloso isso… – as prostitutas. Também hoje Jesus diz a todos nós e também a quem está seduzido pelo clericalismo: ‘Os pecadores e as prostitutas entrarão primeiro no Reino dos Céus’”. [se quiser, leia aqui a cobertura da Rádio Vaticano]

COMO COMEÇOU E EVOLUIU COMBATE DO PAPA AO CLERICALISMO

O Papa começou a tratar do tema do clericalismo antes mesmo de sua eleição. Houve um famoso discurso de pouco mais de 3 minutos aos cardeais durante o processo eleitoral, na congregação geral de 7 de março de 2013 (ele seria eleito em 13 de março), que foi considerado crucial para que ele fosse escolhido. Parte deste discurso acabou vindo a público a partir das anotações do cardeal arcebispo de Havana, Jaime Lucas Ortega y Alamino –que se tornaria uma peça-chave no papado de Francisco na evolução da relações entre a Igreja e o governo cubano e nas negociações para o fim do bloqueio americano (a divulgação foi autorizada por Francisco, o que lhe conferiu ainda mais veracidade).

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Nossa Senhora de Guadalupe: Papa condena ‘sociedade da desconfiança’, exclusão e violência contra mulheres

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O Papa Francisco durante a missa na festa de Nossa Senhora de Guadalupe nesta segunda-feira, no Vaticano

O Papa presidiu missa na Basílica Vaticana na tarde desta segunda (12), na festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira do México e das Américas. Em sua homilia, Francisco condenou a dinâmica de exclusão que marca da vida dos pobres no continente americano, e a “sociedade da desconfiança”. [ao final, está a íntegra da homilia, em espanhol]

Ele foi especialmente enfático na denúncia da violência contra as mulheres na região, utilizando-se de um trecho do Documento de Aparecida, aprovado na conferência dos bispos da América Latina e Caribe, em 2007: apontou “a situação precária que afeta a dignidade de muitas mulheres. Algumas delas, desde crianças e adolescentes, são submetidas a múltiplas formas de violência dentro e fora de casa”.

A devoção da Nossa Senhora de Guadalupe é extremamente popular no México e disseminada na América Latina e entre os hispânicos nos Estados Unidos. A história de suas aparições em 1531 exatamente a um indígena, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, da tribo Nahua, simboliza esta conexão com os povos originários, dizimados em todos os países do continente e com as populações pobres da região.

Este foi o espírito com o qual Francisco “costurou” sua homilia, chamando a atenção para os moradores de rua, para os superexplorados em trabalhos clandestinos ou nas esquinas do continente: “Como é difícil exaltar a sociedade do bem-estar quando vemos que o nosso querido continente americano se acostumou a ver milhares e milhares de crianças e jovens de rua mendigar e dormir em estações de trem e metrô, ou em qualquer lugar que encontram. Crianças e jovens explorados em trabalhos clandestinos ou obrigados a procurar trocados nas esquinas, limpando vidros dos carros e sentindo que não há lugar para eles no ‘trem da vida’”.

Para o Papa, a “sociedade da desconfiança” está marcada “pelos símbolos da divisão e da fragmentação” deixando de lado “especialmente aqueles a quem se faz difícil de alcançar o mínimo para conseguir levar adiante sua vida com dignidade”.

A polarização entre o consumismo e a fascinação das elites americanas com os avanços tecnológicos (basta ver o frenesi em torno de cada nova geração de smartphones) enquanto prossegue insensível ao sofrimento foi tema de Francisco: “Uma sociedade que se vangloria de seus progressos científicos e tecnológicos, mas que é cega e insensível excluídos, frente aos rostos dos que caem pelo caminho, excluídos pelo orgulho que cega uns poucos”.

O Papa voltou a mencionar o Documento de Aparecida para apontar a esperança como caminho diante das duríssimas condições de vida no continente: “Celebrar a memória de Maria é afirmar, contra qualquer previsão, que ‘no coração e na vida de nossos povos bate um forte sentido de esperança, não obstante as condições de vida, que parecem ofuscá-la’”.

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Jesus revela-se por suas ações amorosas e não por dogmas ou condenações

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Jesus toca o olho do cego e o cura – ícone grego

Quem somos? Como somos? Qual a expressão de nosso ser? São estas questões cruciais para cada pessoa e toda a humanidade ao longo da história que Jesus responde no 3º Domingo do Tempo Comum ao ser questionado pelos discípulos de João, o Batista.

O trecho do Evangelho que os cristãos católicos escutarão nas missas (Mt 11,2-11)  refere-se ao encontro de Jesus com alguns seguidores de João. O profeta havia sido preso por ordem de Herodes e, da prisão, ao saber tudo o que Jesus fazia, enviou alguns do seu círculo com uma pergunta: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?”. A resposta de Jesus: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.” (v. 5-6).

A resposta é fenomenal.

Diante da pergunta dos discípulos de João sobre quem era ele, se era o Messias, Jesus revela-se afirmando que: 1) estava curando e  2) anunciando a boa notícia aos pobres (a expressão que os pobres “são evangelizados” é tradução direta do grego euangelizontai, εὐαγγελίζονται, e significa que aos pobres estava sendo anunciada a boa nova, a boa notícia -evangelho).

Antes de examinar o que Jesus disse, vale a pena indicar o que ele não disse –tão importante quanto ou ate mais o que ele não expressou.

À luz do que fizeram com sua Palavra ao longo dos séculos, seria possível pensar em duas respostas:

  1. “Ide contar a João que eu sou o Filho de Deus, que sou uma das Pessoas da Trindade, que vim ao mundo para expressar a glória de Deus e fundar sua Igreja, assentar os alicerces de uma nova religião.” – mas ele não disse isso.
  2. “Ide contar a João o que estais vendo e ouvindo: estou condenando os pecadores, maldizendo os gays, excomungando as mulheres que abortam, impedindo os divorciados de se aproximarem de mim (comungarem).” – mas ele não disse isso.

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Ultraconservadores abrem campanha contra arcebispo de BH

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Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, sob ataque dos conservadores

As diretrizes sobre a família contidas no Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra – Diretrizes da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Belo Horizonte 2017-2020, lançadas nesta quinta (8) durante a solenidade da Imaculada Conceição, despertaram a fúria de setores ultraconservadores do catolicismo, que iniciaram uma campanha contra o arcebispo dom Walmor Oliveira de Azevedo, acusando-o de “disseminar a ideologia de gênero”.

O texto da Arquidiocese é uma expressão avançada sobre a família a partir do Sínodo de 2014/2015 e claramente inspirada na exortação pós-sinodal Amoris Latetitia (A Alegria do Amor), do Papa Francisco. Os trechos estão mobilizando os ultraconservadores, a partir de reportagens dos sites InfoCatolica (espanhol) e Fratres in Unum (brasileiro) são:

O Matrimônio, no qual mulher e homem procuram, segundo a graça de Deus, corresponder ao mais profundo de sua vocação, tem valor para a Igreja e para a sociedade, e não restringe a compreensão da existência de outras configurações familiares, oriundas de situações sociais, culturais, econômicas e religiosas diversas. Compreende-se, então, que a família é a união das pessoas na consciência do amor “cuja força […] reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar” (cf. Papa Francisco, Amoris Laetitia, n.53), constituindo um núcleo fundamental das sociedades. Como Igreja doméstica, a família precisa ser, constantemente, valorizada nas suas particularidades e pluralidades, que enriquecem a Igreja. Por isso, devemos:

a) Valorizar, com empenho evangélico e pastoral, a potencialidade humana de formar e viver em família, percebendo a instituição familiar como o primeiro lugar para a experiência de evangelização e do despertar da fé;

b) Promover ações pastorais capazes de dialogar e de acolher todas as famílias, em suas mais diversas configurações, com respeito e zelo, a fim de que elas se sintam pertencentes, de fato, à comunidade que edificam com seu testemunho de amor. Cuide-se para que essa perspectiva inclua, também, os casais de novas uniões, os casais de não casados na Igreja, os divorciados, ofertando a todas essas famílias qualificado serviço de acolhimento. Atente-se para que, nesse mesmo horizonte, sejam acompanhadas as pessoas em suas diferentes identidades sexuais (gays, transexuais, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais).

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Reforma da Previdência garante aposentadoria de R$ 250 mil mensais de Meirelles

Brasília- DF15-06- 2016 Ministro Henrique Meirelles durante coletiva depois da reunião de líderes no plnalto. Foto Lula Marques/Agência PT
Henrique Meirelles está satisfeito. Foto Lula Marques/Agência PT

Como sabem meus amigos, não sou economista. Ou as coisas complexas da economia podem ser explicadas em linguagem acessível aos mortais comuns ou eu não entendo nada. Por isso demorei a compreender, mas agora está bem claro para mim e creio que ficará para você também se, como eu, estava com dificuldade de se localizar nessa balbúrdia que o governo e a imprensa armaram: a reforma da Previdência está sendo feita unicamente para garantir que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, continue a receber sua aposentadoria de mais de R$ 250 mil mensais (isso mesmo, duzentos e cinquenta mil reais mensais) do Bank of America Merrill Lynch  –o valor foi revelado pelo senador Roberto Requião dias atrás .

Está bem, é um exagero. Não é para garantir apenas a aposentadoria de Meirelles. É para garantir a dele, a do Ilan Goldfajn, atual banqueiro-presidente do BC, a de altos executivos dos bancos e empresas em geral, a de Miriam Leitão, a do Carlos Alberto Sardenberg e de todos esses que defendem com ardor a reforma da Previdência Social. Eles fazem a maior cena de preocupação com o país, mas estão mesmo é defendendo o deles e, para isso, assaltando os milhões de pobres do Brasil, desta e das próximas gerações.

Esses todos, de Meirelles a Leitão, que têm seus fundos de pensão privados, estão aliados com Temer, que se aposentou aos 55 anos e ganha só dos cofres do Estado de São Paulo R$ 30 mil por mês e com todos os senadores, deputados, juízes, promotores, procuradores e altos funcionários do aparelho de Estado, que têm aposentadorias especiais equivalentes à de Temer –afinal eles são todos muito “especiais”, não é?

Mas o assunto deste breve artigo não é essa malta que com suas aposentadorias especiais sangra os cofres públicos diretamente em detrimento de milhões de brasileiros. Vamos falar sobre Meirelles –e os seus.

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Policia Militar invade igreja no Rio e usa-a como base para atacar manifestantes

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Policiais atiram contra manifestantes de janela da Igreja São José, no centro do Rio

A Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro invadiu a Igreja São José, no centro da capital, e usou-a como “bunker” para atirar e lançar bombas contra manifestantes que protestavam em frente à Assembleia Legislativa devido à crise financeira sem precedentes do Estado, que está levando ao corte de salários de servidores  públicos em meio a um escândalo de corrupção que ja leou o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) à prisão.

A cena, durante a manhã e parte da tarde de terça-feira (6) nunca havia sido vista no Brasil, nem no tempo da ditadura militar, quando agentes policiais chegaram a invadir templos para prender opositores do regime, mas sem que haja notícia de terem usado uma Igreja como plataforma para repressão em massa.

Veja o vídeo dos PMs atirando contra a multidão das janelas da Igreja:

O episódio acontece em meio a uma onda crescente de violência das forças de segurança contra pessoas que saem às ruas pra protestar contra o governo que subiu ao poder em 31 de agosto depois de um golpe de Estado parlamentar contra a presidenta eleita Dilma Roussef, iniciado em 17 de abril com uma votação na Câmara dos Deputados. O governo de Michel Temer, o presidente empossado pelo golpe, tem editado medidas econômicas que cortam drasticamente os programas sociais do governo federal, reformam a educação no país sem qualquer escuta a estudantes e professores, e finalmente, no mesmo dia da invasão da igreja, praticamente acabam com a Previdência Social no país (pelo projeto do governo, as pessoas só poderão se aposentar com 65 anos de idade e, daqui a alguns anos, apenas com 67, e só terão direito à aposentadoria integral depois de 49 anos de contribuição). O atual presidente e praticamente todos os membros de seu ministério são acusados de corrupção e seis deles já foram obrigados a pedir demissão por isto.

A cena da utilização da Igreja de São José pelas tropas causou enorme impacto e protestos generalizados. A Irmandade do Glorioso Patriarca São José, que administra o templo, de 1807, distribuiu nota na tarde de ontem relatando que “uma tropa da PM invadiu a Igreja pela porta dos fundos, de acesso dos empregados e, subindo às sacadas, no 2º andar, de lá de cima jogavam bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral e gás pimenta”. Segundo a nota, os manifestantes, “se revoltaram” com a cena e começaram a lançar pedras contra os PMs encastelados nas sacadas. Os dirigentes da entidade procuraram as autoridades para protestar contra a invasão e prestar queixa formal.

No final da nota, a Irmandade solicitou que a Arquidiocese do Rio orientasse o “caminho a seguir” para que “nossa imagem, católica e pacifista, não fique atrelada a desmandos da Policia local”. Não foi o que aconteceu. Depois de pressão de lideranças católicas leigas, a Arquidiocese distribuiu uma nota no fim da tarde sem qualquer menção à invasão da Igreja pela PM, fazendo referência apenas a “uma ação relacionada aos protestos desta manhã”  e dizendo que iria “apurar os fatos”. A nota gerou protestos de dezenas de pessoas na página da Arquidiocese no Facebook. O cardeal arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, limitou-se a declarar que o episódio fora “lamentável” em breve entrevista a um jornal carioca no começo da noite, mas sem qualquer condenação à ação da PM.

Na manhã de quarta (7), houve um café da manhã  entre o comandante-geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel Wolney Dias, e dom Orani. Apesar de pedir desculpas pela invasão, o coronel a justificou-a, alegando que as tropas estariam supostamente “sob risco”. O cardeal esquivou-se de protestar contra a invasão e explicou que o chefe da PM manifestou “dor em relação ao que aconteceu” e considerando-se satisfeito com a promessa de que haverá “um protocolo para que isso não aconteça mais”.

Dom Orani e o comandante da PM (de farda) na Arquidiocese. Depois da invasão da Igreja, café da manhã. Foto da Arquidiocese

Dom Orani esteve recentemente no noticiário brasileiro quando liderou uma comitiva de bispos em visita a Michel Temer no Palácio da Alvorada -residência oficial dos presidentes no Brasil. A visita ocorreu exatamente no dia em que se votava na Câmara dos Deputados a emenda constitucional que congela por 20 anos todos os gastos públicos, especialmente os da saúde e educação -o único gasto não congelado foi o .pagamento dos juros dos títulos da dívida pública aos bancos e rentistas. A visita, sob alegação de que iria tratar de assuntos relativos à Rede Vida (uma emissora de TV católica), acabou servindo como símbolo do apoio dos segmentos mais conservadores da Igreja ao governo oriundo do golpe. [leia aqui]

O cardeal arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, ao lado de MIchel Temer em outubro. Foto: Beto Barata/PR

Logo depois, durante o segundo turno das eleições para a Prefeitura da capital do Rio de Janeiro, a Arquidiocese informalmente liberou os padres rigoristas a fazerem campanha aberta pelo candidato da Igreja Universal, neopentecostal (que venceu o pleito), enquanto buscou cercear a manifestação de leigos e católicos em apoio ao candidato socialista.

[por Mauro Lopes]

 

Papa compara muitos padres e bispos a Judas por sua “vida dupla”

 

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O Papa na Praça São Pedro, chegando para Audiência Geral em 13 de novembro

O Papa Francisco voltou a investir hoje (6) contra o clericalismo e acusou muitos padres de bispos de terem vida dupla, comparando-os a Judas, o discípulo que traiu Jesus:

A mais perfeita ovelha perdida no Evangelho é Judas: um homem que sempre, sempre tinha algo de amargo no coração, algo a criticar nos outros, sempre separado. Não sabia da doçura da gratuidade de viver com todos os outros. E sempre, esta ovelha não estava satisfeita – Judas não era um homem satisfeito! – fugia. Fugia porque era ladrão, ia para aquele outro lado, ele. Outros são luxuriosos, outros… Mas sempre escapam porque têm aquela escuridão no coração que o separa do rebanho. E aquela vida dupla, aquela vida dupla de tantos cristãos, e também, com dor, podemos dizer, sacerdotes, bispos…

Foi durante sua homilia na missa matinal desta terça na capela Santa Marta, no Vaticano, sobre o Evangelho do dia (Mt 8,12-24), a respeito da ovelha perdida: “Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: ‘Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela,
do que com as noventa e nove que não se perderam. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos.'” [Se quiser, leia a cobertura da Rádio Vaticano ou do site católico Religion Digital]

A “vida dupla” a que se referiu o Papa pode ser uma menção ao apego de segmentos do clero ao dinheiro e a um padrão de vida luxuoso e rico, às cruzadas morais que insistem em apontar o dedo para os “pecados” das pessoas para encobrir suas escolhas pessoais -atitude clássica dos moralizadores.

Clericalismo é a doutrina e maneira como organiza-se em boa medida a Igreja Católica, segundo a qual os membros da hierarquia (cardeais, bispos, padres e uma elite de leigos, em geral ricos) como o centro da vida do catolicismo. É a doutrina que informa o pensamento conservador na Igreja. Na base da Igreja vive-se esta distorção apontada pelo Papa como uma relação de reverência e temor dos fiéis pelo padre (relação que se reproduz hierarquia acima), que passa a ser o “proprietário” da paróquia.

Francisco tem repetidamente atacado este desvio recorrente do cristianismo e apontado-o como um dos principais entraves à vida da Igreja. Acaba de vir a luz a íntegra de uma conversa informal que o Papa manteve em 24 de outubro com centenas de jesuítas reunidos em roma para sua Congregação Geral (encontro mundial periódico). Na conversa, ele foi enfático, dizendo que o clericalismo é uma das maiores chagas da Igreja e que “separa-a da pobreza”. Disse Francisco: “O clericalismo é rico. E não só é rico em dinheiro, mas em soberba. (…) O clericalismo é uma das formas de riqueza mais graves que se sofre hoje em dia na Igreja”. [Você pode ler a cobertura do encontro em espanhol aqui ou ler a íntegra da conversa em italiano aqui, publicada pela revista La Civiltà Cattolica, editada pelos jesuítas desde 1850]

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Francisco com os jesuítas durante a Congregação Geral em outubro

Em março passado, o Papa foi duro com a Igreja na América Latina, numa carta ao cardeal Marc Ouellet, Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (a íntegra aqui). Nela, afirmou que o clericalismo é “uma das maiores deformações que a América Latina deve enfrentar”. E acrescentou: “O clericalismo, longe de dar impulso aos diversos contributos e propostas, apaga pouco a pouco o fogo profético do qual a inteira Igreja está chamada a dar testemunho no coração dos seus povos. O clericalismo esquece que a visibilidade e a sacramentalidade da Igreja pertencem a todo o povo de Deus (cf. Lumen gentium, 9-14) e não só a poucos eleitos e iluminados.”

Francisco apontou indiretamente a experiência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), combatidas duramente pelo Vaticano nos últimos 30 anos e particularmente pela hierarquia conservadora brasileira, como alternativa ao clericalismo: “Há um fenómeno muito interessante que se produziu na nossa América Latina e que desejo citar aqui: acredito que seja um dos poucos espaços em que o Povo de Deus foi libertado de uma influência do clericalismo: refiro-me à pastoral popular.”

O respeitado teólogo espanhol José Maria Castillo escreveu artigo sobre o assunto sob o título “A decomposição do cristianismo” com uma contundente crítica ao clericalismo (a íntegra, em português, aqui). Três breves trechos:

Jesus não fundou o clero. Nem fundou sacerdócio algum. Isso não consta em nenhuma parte, em todo o Novo Testamento. E muito menos, para Jesus nem lhe ocorreu instituir um corpo ou companhia de “homens santos”, uma espécie de funcionários da “santidade”, que vivem disso, e assim saem do anonimato dos homens comuns para se tornarem uma “classe superior”. Jesus não pensou em nada disso.

(…) E assim, paulatinamente e insensivelmente, o discipulado evangélico converteu-se em carreira, em dignidade, em poder sagrado, em classe e hierarquia, em clero, com o consequente perigo de ir derivando até chegar no clericalismo.

(…) o deslocamento do “discipulado evangélico” para o “clero eclesiástico” foi – e continua sendo – a causa raiz da decomposição do projeto original de Jesus. O Evangelho perdeu às custas do poder que foi alcançado e continua a ser exercido pelo Clero e, o que é pior, pelo clericalismo.

[por Mauro Lopes]

Jesus é o Reino sem rei –e isso é um escândalo para muitos

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Cristãos católicos celebram neste domingo o 2º Domingo do Advento, tempo de preparação para o Natal. Desta vez, a espera é vocalizada por João, o Batista, que anunciava, pouco antes de Jesus apresentar-se para sua missão pública: “o Reino dos Céus está próximo” (em Mt 3,1-2) [se quiser, leia o Evangelho dominical aqui].

O anúncio e a proclamação do Reino (βασιλεία – basileia em grego) foram o centro da missão de Jesus. Batizado por João e depois de um tempo de recolhimento no deserto, Jesus iniciou sua pregação praticamente repetindo a expressão do profeta: “está próximo o Reino dos Céus” (Mt 4,17).

A tradução mais corrente das falas tanto de João como de Jesus nas duas passagens acima é a de que Reino “está próximo”. Mas uma tradução mais colada ao texto grego irá nos introduzir mais aceleradamente à proposta deste artigo. Em ambos os casos, a forma verbal utilizada foi ἤγγικεν – ēngiken, que quer dizer mais apropriadamente “aproximou-se”. Portanto, o texto mais fiel ao original nos informa que “o Reino dos Céus aproximou-se”, ou “fez-se próximo”, ou ainda, acercou-se de nós. [Devo este esclarecimento sobre a tradução mais colada ao espírito original do texto grego ao amigo padre Francisco Cornélio Freire Rodrigues, de Mossoró-RN]

No Sermão da Montanha, Jesus voltou ao assunto, indicando que o Reino pertence aos pobres de coração disponível para a caminhada e aos perseguidos por causa da justiça (em Mateus e Lucas); na oração que ele ensinou a seus amigos há um pedido para que o Reino se estabeleça, tanto no texto mateano com no lucano. São dezenas de menções diretas de Jesus ao Reino. Em Lucas, elas chegaram a uma culminância e explicitação: o Reino foi dado aos pobres no caminho (Lc 12,32; 22,29); e, mais ainda, o Reino havia chegado –“pois eis que o Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17,21).

Ao longo da história, o Reino foi apontado como meta por muitos teólogos, poetas e profetas. Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da prelazia de São Felix do Araguaia e um dos profetas mais apaixonados da história da Igreja, formulou assim: “o Deus de Jesus é o Deus do Reino. (…) Nisto, fundamentalmente, consiste a espiritualidade cristã: em professar, praticar, anunciar e esperar o Deus de Jesus, que é o Deus do Reino (…). O reinocentrismo é a chave de nossa espiritualidade, como o é do próprio ser da Igreja”.[1] O Reino, para com Pedro, deve ser “causa/objetivo” da vida do cristão.[2]

Sempre tive a intuição de que havia ainda “algo mais” que a ideia de causa e objetivo. Pois quando Jesus disse que o Reino aproximou-se e está entre nós chegou, abrem-se para nós algumas interrogações. O que exatamente se aproximou e está entre nós? Como chegou? Há outra pergunta mais crucial insinuada aqui: quem se aproximou e agora está entre nós? Ora, se ele, Jesus, havia chegado e feito sua habitação entre os homens, ele não estava na verdade referindo-se a ele próprio quando disse que “o Reino dos Céus fez-se próximo (acercou-se da humanidade)” e que  “o Reino de Deus está no meio de vós”? Jesus não se apresentou ele mesmo como o Reino de Deus?

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Arcebispo Bruno Forte defende Papa e revolução da Amoris Laetitia

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Arcebispo Bruno Forte e o livro do padre e teólogo Jesus Maria Gordo, “Estive divorciado e me acolhestes” – foto de Religion Digital

Um dos mais destacados arcebispos e teólogos da Igreja, o italiano Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto, acaba de sair em aberta defesa do Papa Francisco, dos resultados do Sínodo da Família e da exortação Amoris Latetitia (A Alegria do Amor) -sob cerrado ataque de segmentos conservadores da Igreja. Ele escreveu o prólogo do livro do também teólogo e sacerdote Jesús Martínez Gordo, da diocese de Bilbao, intitulado Estive divorciado e me acolhestes (em tradução livre).

O livro, recém lançado na Espanha pela PPC Editorial, busca entender o percurso do Sínodo extraordinário dos bispos de 2014 e o ordinário, de 2015, dedicados ao tema da família. Para isso, o autor relaciona o Sínodo à trajetória das formulações da Igreja a partir do Concílio Vaticano II e dos debates dos teólogos católicos nesse período. [Se quiser, leia reportagem sobre o lançamento do livro no site Religion Digital clicando aqui].

O arcebispo e teólogo Bruno Forte, que foi secretário dos dois sínodos, escreveu que eles “respiraram a pleno pulmão o ar do Concílio, aquele espírito de primavera eclesial de João XXIII” -exatamente o espírito contra o qual se insurgem os conservadores na Igreja [toda a tradução de trechos do prólogo é de minha responsabilidade].

Um dos aspectos centrais deste espírito, para Forte, foi o caráter “colegialidade episcopal” que, de fato, não se via na Igreja desde o Vaticano II e mais especialmente desde a posse de João Paulo II, quando e estrutura hierárquico-piramidal voltou a prevalecer. Esta colegialidade “foi o procedimento que o Papa Francisco entendeu que haveria de impulsionar as decisões sinodais”, acrescentou o cardeal italiano.

No prólogo, o prelado e teólogo chamou atenção para o fato de o Sínodo não apenas respirar o espírito horizontalizado do Concílio, mas igualmente privilegiar a “dimensão pastoral” nas discussões e decisões, com foco nas “implicações existenciais e sua aplicação na vida diária”.

A grande revolução está na exortação pós-Sinodal Amoris Laetitia de Francisco: o Papa deixou de lado orientações assertivas que tendem a considerar a base da Igreja como incapacitada para o discernimento e entregou a padres, freiras religiosos, religiosas e fiéis a tarefa de co-elaborar e amadurecer decisões e sua aplicação. Uma revolução que está deixando os conservadores em estado de choque!

Escreveu Forte:  “o Sínodo não quis oferecer respostas prontas, mas antes preferiu convidar os pastores e fiéis a uma tarefa de fé adulta, que possa discernir a vontade do Senhor nas situações singulares e ajude cada um a compreendê-la e colocá-la em marcha. Uma escolha difícil, dirigida a cristãos adultos e, com efeito, uma escolha a favor da liberdade e da maturidade para os crentes casados, tendo presentes as luzes e desafios do nosso tempo”. Desde o tempo de Jesus e das primeiras comunidades não se via nada parecido.

Isso significa que cada comunidade deverá discernir e escolher o melhor caminho a seguir quanto “à situação dos divorciados que voltaram a se casar e quanto à sua participação na vida eclesial e sacramental”.

O texto de Bruno Forte talvez tenha sido o primeiro a captar a profundidade da mudança que Francisco propõe à Igreja com “um estilo magisterial inédito em muitos aspectos: que busca combinar liberdade e consciência pessoal no marco de um horizonte de fé no qual a ninguém é permitido agir sozinho e no qual ninguém se anime a abdicar da própria responsabilidade como cristão adulto na fé. Uma mensagem para novos protagonistas, novos tempos e novos desafios aos quais os cristãos do terceiro milênio deverão responder solidariamente com serena confiança na fidelidade do Deus vivo a seus filhos e a toda sua Igreja”.

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