Um novo tipo de padres e leigos na Igreja: vivem de ódio

Olavo de Carvalho (esquerda) e padre Paulo Ricardo (centro): dois líderes do catolicismo de ódio e perseguições

Há um fenômeno novo na Igreja Católica: padres, leigos e leigas intregristas que se movem em violentas campanhas contra tudo o que represente um risco para a idealização de uma igreja branca, “pura”, “imaculada”, misógina.  Olham os pobres com repulsa e aqueles que se levantam para  Ignoram o Evangelho, hostilizam a teologia latino-americana e guiam-se por  documentos de recorte medieval/europeu. Católicos e católicas assim sempre existiram, mas com as redes sociais e o aprofundamento da luta de classes no Brasil e no mundo, saíram a público e empunham a bandeira do catolicismo como uma religião em plena Cruzada contra os “infiéis”.

Perseguiram dom Oscar Romero, dom Paulo Evaristo Arns, dom Hélder Câmara, dom Luciano Mendes de Almeida no passado, com base em intrigas e maledicências pronunciadas a meia voz. Entre outros, são perseguidos hoje,  xingados e ameaçados de agressões e morte: frei Leonardo Boff, Frei Betto,  a freira Ivone Gebara, padre Júlio Lancellotti, padre Paulo Sérgio Bezerra , leigos, leigas, padres, freiras e bispos que defendem os indígenas, os sem terram os sem teto, os favelados país adentro, além dos franciscanos e da própria CNBB. Dom Pedro Casaldáliga foi perseguido no “velho estilo” e hoje, aos 90 anos, sofre também com a onda de ódio estridente. 

Padre França e o então bispo Bergoglio

No último domingo (17), o padre e teólogo Mário de França Miranda foi xingado em altos brados por dois homens durante missa na Paróquia da Ressurreição, em Ipanema (Rio), ao comparar o martírio de Marielle Franco aos de Martin Luther King e dom Oscar Romero.  Aos 81 anos, é um teólogo de referência no mundo. Graduado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira,  mestre em Teologia pela Faculdade de Teologia da Universidade de Innsbruck, Áustria, e doutor em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, Itália. Amigo do Papa Francisco, ambos jesuítas, atuou no grupo de trabalho como o que elaborou o Documento da Conferência de Aparecida, em 2007, sob a coordenação do então Cardeal Jorge Mário Bergoglio. Foi membro da Comissão Teológica Internacional durante 11 anos, de 1992 a 2002. 

Leia o artigo de padre Gegê (Geraldo Natalino) sobre este “tipo emergente de clero e laicato”:

Tive o sagrado privilégio te ter como professor e orientador de mestrado na PUC-RJ a figura reconhecida internacionalmente do padre, pastor e intelectual França Miranda. Seguramente, uma das personalidades teologicamente mais importantes da igreja do Brasil e da América Latina. Com lamentável tristeza li a notícia de que foi durante a missa chamado de “padre filho da p…” por dois homens depois de se referir a Marielle (também a Mather Luther King e dom Oscar Romero) como defensora dos socialmente banidos. Lamentável, estimado França!

Porém, em meu escrito de solidariedade e repúdio, não posso, em estado de PROTESTO, deixar de dizer que essa ação insana sofrida pelo ilustre e respeitadíssimo sacerdote, não constitui uma atitude isolada no contexto atual da IGREJA. Há um grupo crescente de padres e leigos(as) no interior da Igreja fomentando aberta e publicamente o ódio, a intolerância, o desrespeito e a guerra nas redes sociais, pregações etc. Repito: há um tipo EMERGENTE de clero e laicato, intolerantes e beligerantes in extremis. Assim: in extremis, a despeito do caminho inversamente oposto trilhado e exigido pelo Papa Francisco. Esse segmento eclesial aguerrido faz da Igreja, sobretudo no mundo virtual (mas não só), um “PEIXE BETA”, peixe belíssimo e encantador, mas pouquíssimo capaz de convivialidade.

Com quase 25 anos de padre desconhecia esse fenômeno preocupante e assustador. Tudo isso em nome da fé e da doutrina. Creio, pois, que o ocorrido na paróquia em Ipanema no domingo (17) representa o SINAL MÁXIMO DE ALERTA. Não podemos, pois, minimizar a gravidade do fato, não refletir sobre o que ele representa, tampouco fingir que nada aconteceu. Afinal de contas, se um padre do quilate do França foi tratado assim, em plena missa, o que não serão capazes de fazer com os outros (dentre os quais eu) no vasto território diocesano?

Por fim, da minha parte, creio profundamente que já passamos da hora de darmos um BASTA. Mas, urge perguntar:

De onde está nascendo tanto fogo intolerante no interior da igreja?

Quem está pondo brasas na fogueira do desrespeito e do ódio?

Quais e quantas bocas, inclusive clericais, estão por detrás das bocas que te xingaram?

Diletíssimo professor, quem amansará “cavalos xucros” que vicejam?

Não falta ao cristianismo um número infinitamente grande de testemunhos maravilhoso de cristãos (clérigos e leigos). São homens e mulheres(conhecidos e anônimos) que traduzem na vida o amor extraordinário de Deus. Por que não seguirmos esse caminho? Ademais, a sociedade espera de nós cristãos, pelo menos, um pouco mais de equilíbrio e sensatez. Bom, acho que isso é o minimo, se tratando de ser humano.

Santa Páscoa, Mário França Miranda, homem bom e necessário para a minha cabeça e para o meu coração.

Vossa bênção, meu Velho!!!

Obrigada por existir no coração do Mundo!!!

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Padre Gegê é pároco da Paróquia Santa Bernadete, que abrange parte das comunidades de Higienópolis e Manguinhos, dois dos focos da ocupação militar em curso nas favelas do Rio de Janeiro. Membro do grupo Fé e Politica pe. João Cribbin, doutorando em Ciência da Religião pela PUC/SP. Negro, vive numa região comunidades de descendentes dos escravos que serviram aos donos do Rio de Janeiro de 1550 até 1888 (mais de 300 anos) e, depois, como escravos libertos sem direitos -situação que se prolonga até hoje. Celebrou as exéquias de Marielle Franco em 15 de março de 2018.

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39 respostas para “Um novo tipo de padres e leigos na Igreja: vivem de ódio”

  1. Comentar o quê? Sinto-me indignado e assustado com essa antidoutrina. A vontade que me habita é de formalizar uma denúncia junto à algum tribunal eclesiástico. Essa tal “Igreja virtual”, sem governo, precisa ser revista quanto sua jurisdição pastoral. Atualmente, é terra de ninguém e povoada por monopólios reacionários, na contramão do Evangelho e da unidade eclesiástica.

    1. Concordo , estão na contra mão do evangelho , Jedua trouxe a margem para o centro . E hoje vejo padres preconceituoso , misógino e partidários , sempre ao lado do poder opressor , ex: e a canção Nova , que esta seguindo a cartilha do Edir Macedo . Elegendo Deputados , que vota contra os direitos do povo . Aliados aos Cunhas da vida . Lamentável

  2. Pe. Gegê, eu profa. Vera Lopes, mulher negra atuante da Pastoral afrobrasileira, agradeço também a sua existência, porquê estamos vendo assistindo com tristeza o silêncio da Igreja diante desses gritos de violência saindo do seu próprio interior.
    São poucos que estão mostrando a cara nas midias contra essa violência social e também religiosa. A Comunidade Negra precisa se mostrar com indignação sem medo, pois acredito que o assassinato da Marielle que ousou gritar agora tem que ter eco em nossas vozes de bispos, padres e [email protected] PRETOS e também do clero solidário.
    Acredito que o tema da CF foi um sopro muito forte do Espírito Santo que fez nesta escolha um prenúncio de um novo Pentecostes. Valeu pe. Gegê. Ubuntu

    1. Isso mesmo. Temos que incrementar a Pastoral Afro brasileira em todas as dioceses do Brasil, principalmente agora, com a brutal morte de Marielle e Anderson. Dois afro descendente s. Que eles entrem para o Martirológio Latino americano!

  3. Lamento por essa teologia, pastoral e atitude de sacerdotes afastados de Jesus, o Cristo, da mensagem de reconciliação do Papa e dos pais da Igreja. Como evangélico de confissão luterana lamento que depois de 500 anos da Reforma nos encontremos nesse ambiente que exige uma profunda conversão, nossa, de muitos que deveriam pastorear o Povo de Deus.
    Que a quaresma _ caminho para a cruz- nos ajude a nos colocar no caminho, a sermos renovados para com Ele ressuscitarmos para a vida.

    1. Como espírita, criada no catolicismo, lamento profundamente. Li um livro psicografado do espírito Miramez, ” Francisco de Assis “, onde perguntam a ele sobre a ” ramificações ” do cristianismo. Ele diz que é muito saudável que haja democracia na religião, assim como na política. Que a fé nos una e não deixe nossa ideologia nos separar, irmãos que somos em Cristo.

  4. Ninguém é pra engolir o que esse idoso que se diz brasileiro e corre para os violentos norte americanos a fim de ditar regras à distância, está com absoluta certeza recebendo ordens muito bem pagas pra incutir falsas ideologias e graves acusações como se fosse um líder religioso. Como as pessoas são mal informadas, ele tem uma plateia perfeita pra acreditar nesse indivíduo perigoso e mal intencionado. É seus seguidores como esse padre que desonra uma batina séria, pode tomar o rumo de casa de onde saiu porque se a igreja precisar de pastores desviados de seu chamado criando uma nova doutrina e confundindo a Igreja fundada por Jesus estamos fritos

  5. Eu. Mária Cândida de Paula Thomas de Sousa. Membro da Pastoral Afro, na Arquidiocese de São Paulo e da Diocese de Santo André, faço minha as palavras da Vera Lopes e acrescento que é muito triste, saber de ações que insita o ódio, o preconceito dentro da Igreja partindo daqueles que dizem seguir a Jesus Cristo, um homem que praticou a caridade, a solidariedade, a humildade, sem preconceito acolheu e ouviu a todxs sem distinção. Falar o que?

  6. Triste essa desunião apregoada por tantos padres, ignorar o evangelho talvez se aplique a esse padre autor, em que se diz que uma igreja dividida sucumbe. A teologia da libertação apregoada por alguns religiosos é constantemente criticada pela nossa igreja católica apostólica romana, porém o inconformismo de alguns e o descontentamento mascaram essa realidade.

  7. Concordo com Vera mesmo!
    Atacam a CNBB sem escrúpulo, parecem donos da Igreja, os bispos deveriam é excomungá-los, pura e simplesmente…sem dó, não merecem estar entre nós, verdadeiros católicos, cujo único líder, na terra é o Papa.

  8. Pe. Gegê
    Tenho quase 90 anos e conheci o padre França Miranda jovem. Dê-lhe um abraço de solidariedade e lhe diga q estou me perguntando, ao ver o q está acontecendo com esses “católicos” q se dizem cristãos: foi para isso q Jesus foi torturado e morto?

  9. Creio que estes que criticam,atacam pessoas da nossa igreja que pensam diferente deles, deveriam ajudar a buscar saída para problemas que temos a resolver. A evangelização na Amazônia, os casos de pedofilia, atrair os jovens para a Igreja, mostrar as pessoas que é bom participar da Missa, como evangelizar hoje ,enfim há tanto para fazer ,ao invés deles ficarem gastando o tempo criticando teologia da libertação, os protestantes, a CNBB,a postura de alguns bispos.

  10. Já tenho notado isso, e acho que deve-se dar nome aos bois. Um padre que prega o ódio e a intervenção militar abertamente nas redes sociais e já está passando da hora da CNBB dar um basta é o Padre Augusto Bezerra. A fala dele é de arrepiar os cabelos e é compartilhada por várias páginas católicas, como a Maria cuida de mim, por exemplo.

  11. Parabéns Padre! Igualmente, temo que o ódio contamine a Igreja e estes que o disseminam tornem-se opressores. É chegado o momento de reagir…

  12. São pessoas doentes desequilibradas que encontram em padres tão doentes qto elas respaldo. Pessoa que nao o que significar chegar a noite não ter onde dormir nem o que comer, pessoas insanas incapazes de pensar em algo o alguém que não seja seu próprio efoismo

  13. Nossa Igreja é conduzida pelo Espírito Santo e por isso Ela nunca sucumbira. Mas tenho pra mim que os Seminários devem ser mais caltelosos na seleção de jovens que se dizem vocacionados. Na ordenaçao o Bispo pede a eles respeito e obediência a eles e seus sucessores, mas muitos como esse agitador de batina preta prometem da boca pra. fora e não com o coração. O Papa é o Vigário de Cristo e os Bispos são representantes dos Apostolos, por isso merecem todo o nosso respeito e apreço. Creio que os representantes da nossa Igreja fundada por Jesis Cristo têm de tomar uma decisão sábia e rigorosa sob a inspiração do Espírito Santo, a respeito desses desordeiros da paz. Basta de silêncio! Jesus no templo meteu o chicote nos que faziam da casa de seu Pai um covil de ladrões. O povo precisa estar atento a estes padres e leigos impostores e a hora que entrarem nas Igrejad para celebrar ou conduzir alguma coisa, esperar eles entrarem e quando começarem a falar, devem levantar e sair em repúdio aos seus desmandos. Mas precisamos acima de tudo rezar a Deus que tem o poder em suas mãos, mas não ficar só assistindo igual novela. Nosso Tripé: Oração, Estudo e Ação.

  14. Estou triste com este texto. Primeiro pela foto fora de contexto do Padre Paulo Ricardo, que não é um líder católico como está dito, mas um vigário apenas, sem poderes de liderança eclesial. Não existe dois catolicismos, um de ódio e um pacifista… Não. Nem um nem outro. Temos ódio sim, tu sabes, do pecado, do demônio, da morte eterna. Somos pacífico sim, não pacifistas, daremos a vida com bravura se for preciso para salvar nossos irmãos do pecado e da morte!

    Tu escrevestes:
    “Olavo de Carvalho (esquerda) e padre Paulo Ricardo (centro): dois líderes do catolicismo de ódio e perseguições”
    Desejo que estas suas próprias palavras ecoem na sua alma até que a verdade seja revelada a ti.

    Segundo, percebo que o texto não é de um pagão, mas de um católico. Um católico falando mal de outros católicos publicamente, com a facilidade da internet. Nós não somos uma família apenas, nós somos Corpo Místico de Cristo, somos membro da única Igreja que salva. Como testemunhar isto para os que não abraçaram a única e verdadeira fé, se um católico fala mal publicamente de outros? Nem os pagãos falam mal da própria família! Como testemunharemos que nossa Igreja é Una e Santa se pegamos os defeitos de nossos irmãos e mostramos escancaradamente para que todos vejam as misérias dos seres humanos que constituem um só corpo? Nem todos sabem que a Igreja é Santa, mas possui membros pecadores. Se continuarmos a falar do erro dos outros como está sendo feito aqui neste blog, daremos a impressão do inverso: que a Igreja é pecadora e possui alguns membros santos.

    Terceiro, estamos na quaresma… Tempo em que seria bom cultivar o silêncio quaresmal, pois a Páscoa se aproxima… Deus quer perdoar nossos pecados e pode, com seu perdão, fazer superabundar a Graça onde abundou o pecado! Quem nunca pecou, que denuncie como São João Batista denunciou! Quem já pecou pelo menos um pecado mortal, como eu, já foi salvo do inferno, e não tem condições de apontar o pecado dos outros, mas perdoar, mesmo que amargamente, os erros que meus irmãos postam na Internet.

    Senti-me incomodado a escrever aqui, lendo os comentários. Perdoa-me se disse algo de errado ou contra a nossa fé… Sou só um leigo.

    Bom final de Quaresma à todos!

  15. Sinto uma tristeza profunda…sou católica atuante,..Amo a minha igreja e sei a força que ela tem… É lamentável tudo isso…Vamos rezar para que a violência seja combatida e que os corações sejam convertidos…. Há muitas pessoas na igreja, mas a igreja longe delas…. Que Deus abençoe a todos…

  16. Prof. de teologia Roberto Andrade mestre em ciencias da religião.
    Algumas pessoas que estão na igreja hoje faz apologia do ódio contra CNBB e Papa Francisco que se põe ao lado de minorias da mesma forma que os saduceus da época de Jesus o perseguiram, prenderam e o mataram pelo mesmo motivo (samaritanos, doentes, mulheres, crianças, idosos, pobres e excluídos).
    O medo é que a história de Jesus não tenha sido suficientemente forte e tenhamos que continuar vendo outras pessoas perseguidas e mortas por novos saduceus extremistas. Uma pena.

  17. Lembro das palavras de Jesus :”pelos frutos, vós os conhecereis..” Este é o critério mais importante a ser lembrado por todo e qualquer seguidor de Jesus Cristo. Deixemos crescer o trigo e o joio, cuidemos bem do nosso trigo até a colheita.

  18. Bem aventurados os visionários e as visionárias que olham, como Jesus, para o mais profundo, compreendem o mais simples, e se dedicam dando a vida para que as mais frágeis vidas ameaçadas realizem seu projeto possível e necessário. Da física quântica até a mais encantadora espiritualidade de cada tradição religiosa, temos as trilhas cotidianas e dedicadas dos nossos melhores… as marielles, marios, geges, veras, julios, mendes, mandelas, stangs, teresas… e tantos profetas, poetisas, crianças, mártires… ternas e eternas presenças fecundas. Que transitem conosco por muito tempo, todos e todas, de corpo e alma, de ação e inspiração, de sonhos e vibrações. E que Deus nos ajude a silenciar as vozes e ódios que matam.

  19. Essa narrativa do autor corresponde parcialmente aos fatos.

    Se por um lado nada justifica a violência dos fiéis contra os seus ministros, ainda que os fiéis estejam em total desacordo com a sua pregação, por outro, há muitos motivos para que haja insatisfação de uma ampla parcela do laicato com o clero que apoia politicamente partidos socialistas e comunistas.

    Como é possível que homens e mulheres do clero apoiem abertamento ensinamentos que contrariam o Evangelho e o Magistério da Igreja em temas de ordem moral e de fé? O leigos tem o direito de apontar os erros dessa parcela do clero. Eles se apoiam nas Sagradas Escrituras, nos ensinamentos unânimes dos Santos e dos Padres da Igreja primitiva, não em suas próprias idéias. Mostram também que não está certo que parcela do clero dê apoio ao regime cubano, que perseguiu a Igreja. Defender Cuba é equivalente a dizer que fuzilar o clero de batina é correto. Isso, ninguém pode aceitar.

    No entanto, a maior parte do combate ocorre no campo da idéias, e aí vai permanecer. A maior parte desses leigos que é atacado injustamente nesse artigo não é afeito à violência, quanto mais se for dirigida a alguém do clero.

    É louvável o empenho por dar apoio às pessoas mais vulneráveis da sociedade. A maioria dos leigos não crítica isso. A crítica se dirige à primazia da política sobre a dimensão espiritual, à permeação do marxismo sobre os ensinamentos de Cristo, à aversão à oração e às práticas ascéticas cristãs, ao descuido na liturgia, ao relaxamento moral, entre outros problemas que tanto nós leigos quanto o clero temos praticado.

    1. Caro Marco, paz. O problema de sua argumentação, que resume bem o pensamento conservador na Igreja, é o seguinte: porque vocês só condenam os cristãos que têm identidade com as ideias socialistas? E as ideias capitalistas que são apoiadas pelos conservadores? Ora, falar do regime cubano por perseguir a Igreja… e o regime de Pinochet, e a ditadura no Brasil, que perseguiram a Igreja de maneira muito mais cruel? A crítica (sempre a mesma) da primazia da política sobre a dimensão espiritual é insustentável. Pois os integristas, que dão prioridade ao deus-dinheiro, estes sim esquecem-se por completo da dimensão espiritual! E nem fale da questão do ateísmo, pois o maior ídolo dos católicos conservadores no terreno da economia, Ludwig von Mises, era declaradamente ateu. Vocês, católicos capitalistas, discordam radicalmente dos católicos socialistas, mas não é por nenhum dos motivos que você enumerou… Paz e bem

  20. A Igreja Católica no Brasil por meio de membros e também da hierarquia não podem apoiar um Evangelho pautado em lutas de classe, teologia da libertação que se sustenta por um Comunismo que quer fazer da Igreja Católica em um partido de esquerda e o Santo Evangelho em meio de apio ao Marxismo. Acordem Católicos, vocês foram chamados a ser Cristãos e não Comunistas, digam não ao mal exemplo de Dom Helder Câmara que apoio o Comunismo no Brasil e na América Latina, com assistencialismo revolucionário!

  21. Lendo o texto e os comentários, quanta tristeza me vem ao coração. Sou Católica praticante, sou Catequista e trabalho com famílias, a partir da minha.
    Meu trabalho consiste em apresentar a Pessoa de Jesus. Hoje, fazemos isso a partir do ícone da Mulher Samaritana.
    Trabalho com Ser Humano. Não importando a cor, a classe social, credo etc. Eu já fui excluída dentro da Igreja… chorei muito, sofri horrores. Então, resolvi estudar, conhecer Jesus mais profundamente.

    Só depois de um tempo voltei, pois compreendi que nem TODOS que estão na Igreja se permitiram fazer um ENCONTRO COM CRISTO. Estão lá por várias razões, menos para fazer o que Jesus pediu: AMEM-se.
    A morte de MARIELLE nos remete a morte de nossos Jovens negros ou brancos.
    A dor da perda não é menor que a de tantos inocentes, idosos e crianças que morrem todos os dias e que não estão na TV.
    Marielle lutava pelos DIREITOS comuns a todos ou seja, lutava pela VIDA.
    Esse é o Projeto de Jesus que todos nós tenhamos direito à VIDA, afinal foi por TODOS que Ele se entregou na CRUZ.
    Lutemos, pela Paz na Igreja e fora dela.

  22. O que será que Cristo pensa sobre tudo isto que temos conversado aqui? O que Ele diria a respeito dos fatos? Creio que expor o que pensamos uns aos outros e debater nossas idéias na internet não seja falar mal uns dos outros. É este espaço que temos. Pra mim foi muito útil ler todos os comentários. Que Deus noa ajude!

  23. Me assustei com essa história, como com outras que tenho lido na internet. Como podem agir assim e se denominaram cristãos? Cristão não é aquele que segue os passos, os caminhos ensinados por Cristo? E este não esteve sempre ao lado dos necessitados?

  24. Este texto, infelizmente, comprova o processo que vem num crescente dentro da igreja: a bolosonarização ou a malafaização da igreja, onde o fundamentalismo carregado de ódio vem conquistando algumas mentes, e então essas manifestações de intolerância explodem aqui e acolá, principalmente nos redutos da elite conservadora, tendo em seu expoente, a figura de um padre com acesso a um importante meio de comunicação, pelo qual destila seu ódio diuturnamente ao invés de propagar a mensagem crística do amor e da fraternidade.
    Falo de um tal Pe. Paulo Ricardo…

  25. Como professora de teologia busco ao máximo trabalhar com meus alunos o princípio básico de Jesus como a expressão máxima do Amor de Deus. E que nós, pretensos seguidores de Jesus, precisamos buscar a coerêncua fundamental entre a fé e a prática. Fico escandalizada ao saber de uma notícia dessa e que no nosso meio há quem defenda a volta da ditadura, a intervenção militar aqui no Rio, que seja contra o aborto, mas a favor da pena de morte para “bandidos.” A esquizofrenia dos tempos atuais proporciona atitudes contraditórias dentro do mesmo ser. É importante que busquemos refletir sobre a proposta de Jesus, nos unamos em reflexões, orações e práticas coerentes com o Evangelho para que os contra valores do mundo não criem raízes em nós.

  26. Lamentável a intolerância por grande parte da Igreja Romana (ICAR). Sou padre da igreja Católica Ortodoxa Missionária (ICOM) – igreja nacional, e nunca pude celebrar junto com padres romanos porque eles, que só pregam o Ecumenismo, não me deixam. Inclusive tem cemitérios e hospitais aqui no RS que não me dão o mesmo espaço que dão para os padres romanos. A discriminação e a intolerância são coisas muito tristes. Abraços! Pe. Dilvano (Frei Agostinho de Jesus).

  27. Já houve uma época em que os padres eram vistos como homens cultos merecedores de admiração; mas, nas últimas décadas parte deles se tornou personagem de crimes terriveis, que envolvem corrupção, desvio de dinheiro, orgias sexuais, abuso de menores, entre tantos outros, isso pra não falar em má formação teológica e pastoral, ou seja, perderam o respeito que tinham e a postura dos ainda sérios em relação à esses crimes é passiva e condescendente; essas reações extremistas dentro da Igreja que o texto destaca são tentativas infantis de fiéis que tentam salvar sua Igreja aos gritos, precisam de orientação e ajuda, mas para isso é necessário que um clero idôneo se apresente, respeito é uma construção demorada que desmorona com facilidade, é uma pena que a maioria dos padres esteja sendo condenada pelos feitos de uma minoria, mas mesmo esses, parecem ter escolhido a condescendência à disciplina.

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