O povo quer Lula, contra todo o ódio dos ricos

Por mais que façam os ricos, suas mídias, seus governo, seu Judiciário e seu Parlamento, um fato é inequívoco: Lula é amado pelo povo brasileiro

Por Mauro Lopes

É impressionante, não é?

Foram quase quatro anos de perseguição cotidiana por toda a mídia conservadora, a partir de meados de 2014.

Dá-lhe Jornal Nacional todo dia, dá-lhe manchete dos jornais, dá-lhe gritaria nas rádios, dá-lhe campanhas de ódio nas redes sociais. Denúncias, críticas, xingamentos, acusações de toda sorte.

Foram quase quatro anos de perseguição cotidiana pela tropa do Judiciário em diversos processos nos quais os juízes cumprem papel de julgadores e orientadores da acusação, nos quais seus direitos foram espezinhados, negados. Até que chegou o momento culminante e esperado desde o início: a condenação.

Foram quase quatro anos em que os ricos do país dedicaram-se a destruir seu nome, sua herança, sua vida.

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Frias celebra golpe e perseguição a Lula: sua parte no butim é US$ 2,7 bilhões

Os irmãos Frias: a bilionária recompensa pelo golpe e a perseguição a Lula

Otavinho, diretor de Redação da Folha, comemora o golpe e a condenação de Lula. Um artigo que parece “ideológico’ ou “jornalístico’, mas é apenas a celebração por receber US$ 2,7 bilhões como sua parte nos despojos da democracia

Por Mauro Lopes

Otavio Frias Filho, o Otavinho é diretor de Redação da Folha e um dos donos do conglomerado que reúne diversas operações, da quais, atualmente, uma das menos relevantes financeiramente é exatamente a que dirige. Ele fez publicar no jornal deste domingo (28) artigo de sua lavra no qual celebra a condenação de Lula e solta fogos diante da perspectiva da inelegibilidade do ex-presidente.

No artigo, Otavinho rasga a fantasia: para ele, o eventual afastamento de Lula garante um processo eleitoral sob controle das elites (“talvez seja menos crispado um processo eleitoral que se previa belicoso”) e, mais importante, a “melhora que estará em curso na economia” –para quem, cara pálida?

Esta é a questão crucial: o afastamento de Lula é a garantia buscada por Otavinho e os seus de que o butim do golpe poderá ser repartido com tranquilidade pelos ricos que orquestraram o golpe contra a democracia. O mais importante do artigo está no não-escrito –em geral é assim: amontoam-se palavras sobre palavras enquanto o que é de fato relevante está na sombra; algo como o truque de um mágico, que agita uma mão para capturar a atenção da plateia enquanto executa seu golpe com a outra. Continue lendo “Frias celebra golpe e perseguição a Lula: sua parte no butim é US$ 2,7 bilhões”

FMI: eleições e democracia são problema

A democracia escorraçada – professora foge do paredão da PM durante o massacre dos professores em Curitiba em 29 de abril de 2015

O “mercado”, basicamente o agrupamento dos ricos nas sociedades, cansou da brincadeira de democracia do século XX. Mais e mais seus representantes deixam claro que a presença dos pobres na cena política é inadmissível e acenam com o retorno à plutocracia –o governo exclusivamente dos ricos. É a “quase ditadura”, na definição do filósofo Giorgio Agamben.

Por Mauro Lopes

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um relatório nesta quinta (25), sob responsabilidade de Alejandro Werner, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, decretando que os processos eleitorais na América Latina são um transtorno: “As eleições programadas em muitos países criam incertezas econômicas e políticas para o próximo ano”.  No  caso do Brasil, o relatório praticamente pede que o fantasma Lula seja interditado:  um “desfecho incerto das eleições gerais de 2018 pode afetar o crescimento econômico”.

A cada dia, o “mercado” este ente que nada mais é que o agrupamento dos ricos nas sociedades, deixa claro que a experiência de democracia do século XX e que chegou a fronteiras “perigosas” na América Latina na virada do século precisa ser encerrada. Pois ela é um risco à “economia” –eufemismo criado para os investimentos dos rentistas.

Vale tudo no jogo pesado das instituições internacionais que representam o “mercado” no combate à democracia. Dois dias atrás renunciou o economista-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, depois que a organização falsificou dados para prejudicar o Chile e especificamente o governo da socialista Michelle Bachelet num ranking de competitividade internacional. O mesmo Banco Mundial havia, em novembro, um relatório sobre o Brasil determinando o que o país deveria fazer em sua economia.

Armínio Fraga, praticamente nomeado ministro da Fazenda do governo Aécio Neves em 2014 –se os pobres não tivessem dado a vitória a Dilma- tem recorrentemente atacado os processos eleitorais. Por diversas vezes nos últimos meses, Fraga, que é dono de uma dessas butiques de investimentos, a Gávea, investiu contra o pleito de 2018. A última vez foi em dezembro, e sempre com o mesmo bordão: as eleições representam uma ameaça concreta de eleger um “candidato populista” –o que significa, na linguagem dos acadêmicos alinhados aos ricos, um candidato vinculado aos pobres. Ele chegou a insinuar, já em agosto passado, que os ricos não admitem que Lula seja candidato: “Se Lula for candidato, vai voltar ao mesmo padrão de mentiras e promessas de antes”.

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O Papa deve ficar isento de críticas? O caso do Chile

O Papa preside missa no Chile. Ao fundo, os bispos de uma Igreja em frangalhos

Quando o Papa erra devemos ficar quietos? As críticas fortalecem mesmo os conservadores? E o compromisso dos cristãos com as vítimas?  Deve ser relativo?

Por Mauro Lopes

Escrevi uma avaliação crítica da viagem de três dias do Papa Francisco ao Chile (Viagem de Francisco ao Chile: decepção e fiasco) que sofreu severas censuras de amigos e amigas, críticas diretas e indiretas de alguns teólogos e um silêncio com tom de reprovação de muita gente progressista dentro da Igreja. Senti-me estimulado a continuar no assunto, por acreditar que há, aqui, uma questão-chave para pensar o cristianismo hoje e sob o pontificado de Bergoglio.

As críticas à crítica foram basicamente de três ordens: 1) o artigo baseou-se em notícias falsas (“fake news”); 2) as fontes das notícias não eram confiáveis (“inimigos” do Papa); 3) e, a que me pareceu a mais constante e relevante: o artigo seria um desserviço ao pontificado de Francisco e fortaleceria os conservadores, os católicos e hierarcas que se opõem às reformas do Papa. Para esta última visão, deve ser evitada qualquer crítica a Francisco, pois ela teria o condão de enfraquecê-lo no embate com os restauracionistas.

As duas primeiras acusações (“fake News” e “fontes não confiáveis”) parecem-me desprovidas de base.  Os dois vaticanistas citados (vaticanistas são jornalistas que moram em Roma e acompanham o dia a dia dos papas), Elisabetta Piqué (do La Nación) e Andrea Tornielli (do Vatican Insider) são próximos do Papa e abertamente apoiam Francisco –ambos escreveram livros onde não escondem seu entusiasmo[1]. Além deles, as principais fontes do artigo são o site católico espanhol Religión Digital, o maior site católico progressista em língua espanhola e que lidera uma campanha mundial de apoio ao Papa, além do site do Instituto Humanitas Unisinos, o IHU Online, dos jesuítas brasileiros, o principal portal católico progressista do país. Não são interessadas em plantar “fake news” contra Francisco ou não confiáveis.

A última crítica é a que merece uma avaliação mais serena e um pouco mais aprofundada. Não se trata de uma visão teológica, mas política, uma maneira de enxergar a relação com o Papa à luz do embate de poder com os conservadores no interior da Igreja.

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Para enfrentá-la, vale a pena antes de tudo, ver, voltar os olhos para o contexto e os principais fatos da viagem.

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Viagem de Francisco ao Chile: decepção e fiasco

Chile: críticas à Igreja e ao Papa

A viagem de três dias de Francisco ao Chile, encerrada nesta sexta (19), configura o pior momento de seu papado -foi um fiasco, é preciso dizer

Por Mauro Lopes

O Papa passou pelo Chile com uma recepção gélida, ruas vazias, debaixo de seguidas reprovações (os repórteres que o acompanharam ficaram surpresos com a reticência dos chilenos).

Não é à toa. As pessoas comuns no Chile estão indignadas com uma Igreja que foi combativa mas, depois de uma avassaladora intervenção de João Paulo II nos anos 1980, tornou-se apoiadora de uma das ditaduras mais sanguinárias do continente, afastou-se do povo e, por fim, esmerou-se por décadas em encobrir sacerdotes abusadores e pedófilos. Segundo Elisabetta Piqué, vaticanista (jornalistas que cobrem o Vaticano), do argentino La Nación, próxima do Papa e que acompanhou a visita, a Igreja chilena é “elitista, clerical, que está pagando por isso e pelos escândalos de abusos”. Ela sintetizou a reação dos jornalistas ao afirmar que a recepção a Francisco “surpreende muito, porque estamos em um país católico que parece que já não é tão católico”.

O Papa não ajudou a reverter as coisas.

Fez discursos bonitos, carregados de sentido e boas palavras, como sempre –mas as pessoas queriam mais que isso.

O caso mais emblemático é o dos abusos sexuais cometidos por sacerdotes no país, especialmente o caso do do padre Fernando Karadima, que abusou de mais de 75 crianças. Karadima, de 87 anos, ligado à direita empresarial e política, foi afastado pela Igreja apenas em 2011, depois de anos de denúncias e complacência dos clérigos chilenos.

Qual ação de Francisco está no centro das críticas que está sofrendo no Chile? Em 2015, ele nomeou como bispo de Osorno (no sul do país), Juan Barros, que acobertou Karadima anos a fio, opondo-se a todas as investigações do caso.

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