Os projetos em disputa: uma Igreja em saída ou a Igreja-empresa

O Papa e a Cúria romana: dois projetos de Igreja em disputa

O padre Eduardo Hoornaert, um dos maiores historiadores da Igreja, escreve um artigo exemplar sobre os dois projetos de Igreja em disputa neste momento: o da “Igreja em saída”, do Papa Francisco, a partir do Concílio Vaticano II, e o da “Igreja-empresa”, levado ao auge nos séculos XII e XIII, alicerçado numa estrutura de controle e terror, a Inquisição.

“O Papa Francisco sabe o que está dizendo e é exatamente isso o que o faz encontrar  oposição em certos setores da igreja”, escreve o padre Hoornaert. Houve luta contra o projeto dominante de Igreja, como o registra a “história fraca” do cristianismo, dos franciscanos aos valdenses até João XXIII. Ela só aflorou com força em 1968, na América Latina, na Conferência de Medellín, que assumiu a escolha de uma Igreja pobre de pobres –conforme a expressão do “papa bom”, João XXIII.

Casado, o padre Hoonaert vive a mesma situação de mais 100 mil padres ao redor do mundo:  nunca abandonaram a Igreja. Eles representam 25% do total de sacerdotes no mundo, ao redor de 400 mil. No Brasil, aproximam-se de 1/3 do total de sacerdotes: 5 mil em 18 mil. Esses números não incluem os padres que são casados informalmente ou mantêm atividade sexual regular de maneira mais ou menos clandestina.

Belga de nascimento, aos 77 anos o padre Hoonaert tem uma trajetória impressionante na Igreja. Chegou ao Brasil em 1958 e aqui ficou. Foi professor nos históricos institutos de teologia de João Pessoa (1958-1964), Recife (1964-1982), e Fortaleza (1982- 1991), todos fechados pelo inverno conservador sob o Papa João Paulo II. Foi um dos fundadores da Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina (CEHILA), sendo seu  coordenador para o Brasil entre 1973 e 1978, responsável pelo projeto de edições populares entre 1978 e 1992, e entre 1993 e 2002 responsável pelo projeto História do Cristianismo e é coordenador do projeto História do Cristianismo no 3º Mundo, que publicou em 1995 o livro O Movimento de Jesus (Vozes). É requisitado em todo o país como assessor das Comunidades Eclesiais de Base , as CEB’s.

Autor de vários artigos e livros sobre História do Cristianismo Antigo, História da Igreja e História da Igreja na América Latina e no Brasil. Alguns deles: Formação do Catolicismo Brasileiro – 1550 – 1800 (Vozes, 1978), A Memoria do Povo Cristão (Zahar, 1986), O Cristianismo Moreno do Brasil (Vozes, 1990), Origens do Cristianismo (Paulus, 2016) e Em busca de Jesus de Nazaré – uma análise literária (Paulus, 2017).

Leia o brilhante artigo do padre Hoonaert (publicado originalmente em seu blog e depois em Ameríndia):

1.  O Papa sabe o que está dizendo

O Papa Francisco sabe o que está dizendo e é exatamente isso o que o faz encontrar  oposição em certos setores da igreja. No começo, não se prestou muita atenção ao que ele dizia, porque ele tem um modo manso e tranquilo de falar sem levantar tempestades. Assim, por exemplo, não se deu muita atenção aos discursos do então cardeal Bergoglio a seus colegas cardeais em 9 de março de 2013, poucos dias antes do conclave que o elegeria Papa:

A igreja deve sair de si mesma, rumo às periferias existenciais. Uma igreja autorreferencial prende Jesus Cristo dentro de si e não o deixa sair. É a igreja mundana, que vive para si mesma.

O texto pode ser encontrado no livro Grandes Metas do Papa Francisco, escrito pelo Cardeal Hummes (Paulus, São Paulo, 2017). Ali já se prenunciava a expressão “Igreja em saída”, o que, imagino, muita gente não entende bem. A seguir, procuro colocar essa maneira de falar diante de um amplo painel histórico, pensando que isso ajudará a compreender sua importância.

 2.  Como a Igreja Católica se comporta, a partir da Idade Média diante?

As palavras do Papa alcançam sua verdadeira dimensão quando são colocadas diante do amplo painel da história da Igreja. É preciso voltar aos séculos XII e XIII, até os três grandes Papas da Idade Média: Gregório VII (1073-1085), Inocêncio III (1198-1216) e Bonifácio VIII (1294-1303). Então entenderemos do que é que se trata.

Esses três Papas eram grandes organizadores e conseguiram que a Igreja se tornasse uma grande empresa, controlando a vida de pessoas e as  instituições públicas. Quem não seguia as regras era excomungado (condenado ao inferno). Esses Papas, e toda a Corte que os rodeavam, imaginavam que o crescimento da Instituição cristã implicava automaticamente uma maior divulgação do Evangelho. Esse foi o postulado.

As autoridades se compraziam ao verificar que a empresa-Igreja estava cada vez mais consolidada na sociedade. Assim, a Igreja tornou-se sempre mais e mais autorreferencial (para falar como o Papa Francisco), autocentrada, triunfalista  e narcisista (outra expressão termo usada pelo Papa Francisco).

Os líderes eclesiásticos eram valorizados na medida em que se mostravam bons empresários, como comprova a história dos três pontificados acima mencionados. A eficiência administrativa foi a cada dia mais valorizada. A Igreja estava em um círculo vicioso e não se dava conta. Mirava-se a si mesma e só observava o mundo a partir de si mesma.

O clericalismo crescia exponencialmente, o controle sobre a população aumentava sem parar. Quando as Autoridades eclesiásticas falavam de “reforma da Igreja” (e falavam muito sobre isso), era sempre no sentido de aperfeiçoar os instrumentos de controle sobre a sociedade.

Tudo estava dirigido a esse objetivo: os sacramentos, as paróquias, as indulgências, as devoções, as peregrinações.

Orgulhoso de seus grandes êxitos de engenharia administrativa, a Igreja alimentava,  em seus colaboradores, as tendências carreiristas. Clérigos eficientes podiam contar com um futuro esplêndido, inclusive com aceitação garantida pelo “povo fiel”.

Tudo isso acabou criando uma neurose que se expressou de forma aguda na tão mencionada Inquisição. Essa foi uma trajetória de vontade extrema de controlar tudo, até os últimos meandros da consciência e da imaginação. Durante séculos, uma mentalidade inquisitorial  instalou-se na Igreja e tornou-se a dominante na Hierarquia. A mentalidade inquisitorial  transformou-se em um monstro que devorava tudo, sem poupar sequer os próprios inquisidores.

Porque não era incomum que os inquisidores morressem de medo uns dos outros, já que  todas as pessoas eram potencialmente suspeitas de heresia (“seus pais, seus avós, andaram por aí com um herege ou ouviram uma palavra herética?”). Era um inferno. Todos tinham medo de todos, ninguém confiava em ninguém. A história da Igreja tornou-se um emaranhado de truques, intrigas, conspirações e corrupção.

3.  Movimentos históricos contrários a esta situação

Graças a Deus, nos mesmos séculos XII e XIII surgiram movimentos contrários à Igreja autorreferencial, que prende Jesus Cristo dentro de si mesma, que “sequestra” Jesus Cristo.

Sobressaiu-se naturalmente o movimento franciscano, que tomou o cuidado de não antagonizar a hierarquia, sob pena de ser suspeito de heresia e, assim, ser exposto aos processos de repressão. Os frades que acompanharam Francisco apresentavam-se como auxiliares do clero e, assim, conseguiram a benção do Papa Inocêncio III em 1215.

Porém, nem todos os movimentos tiveram essa sorte.

Os valdenses, por exemplo, recusaram-se a colaborar com o clero e logo foram expostos à crueldade da Inquisição. Eles eram seguidores de Pedro Valdés, um rico comerciante de Lyon que renunciou à sua fortuna e tornou-se um pregador da pobreza evangélica. Os valdenses foram excomungados em 1182 e dois anos depois formalmente declarados “hereges”.

Até hoje o franciscanismo permanece um bom exemplo de um movimento que reage contra uma Igreja “ensimesmada”. Não é por acaso que o atual Papa escolheu o nome de Francisco. Mas, claro, é preciso adaptar o espírito franciscano aos dias de hoje, porque não podemos esquecer que a “vida religiosa”, em geral, até bem recentemente, era organizada em torno do paradigma monástico: os “votos evangélicos” do celibato, pobreza e obediência, vida em casas separadas, como mosteiros, prédios, conventos e casas religiosas.

Este paradigma guiou praticamente todos os movimentos evangélicos por muitos séculos. Será necessário repensar isso, porque é evidente para aqueles que observam o mundo de hoje que o paradigma monástico não funciona mais.

Oriundo de experiências fortes, entre os séculos VII e XII(os Padres do Deserto), esse paradigma está assentado em alguns princípios: o isolamento, o “desprezo pelo mundo” (contemptus mundi, como dizem os livros espirituais), o distanciamento da vida dos casados.

É patente, para aqueles que observam as coisas hoje, que esse paradigma não funciona mais. O princípio monástico está em queda livre, embora permaneça altamente respeitado. A “vida religiosa” pode contar com a simpatia da população, mas não tem a força que tinha antes. Parece algo do passado, um tipo de vida que pode até causar saudade, mas não tem sentido para os dias de hoje.

O mesmo acontece, até certo ponto, com a Igreja em geral. Fora dos círculos eclesiásticos limitados, não se presta mais atenção ao que o Papa ou o Bispo dizem. Não que haja um clima hostil ou rejeição da sociedade, mas não se pode fechar os olhos ao fato de que, na visão de muitos, os modos eclesiásticos são simplesmente “fora do tempo”.

4.  Um fato inesperado

Embora houvesse, desde a Idade Média, esses movimentos em prol da vida evangélica que acabei de evocar, o papado não arredou pé. Durante todos esses séculos, não se falava em pobreza nos altos escalões da igreja. Era tabu. O papa não tomava posição.

É dentro dessa história ‘de longa duração’ que, inesperadamente, duas semanas antes da abertura do Concílio Vaticano II (setembro 1962), numa emissão radiofônica, foi pronunciada, pelo Papa João XXIII, a seguinte frase:

A igreja é de todos, mas é antes de tudo uma igreja de pobres.

Dita sem alarde e sem elevação de voz, como se fosse a coisa mais normal do mundo, essa frase, na realidade, rompeu um silêncio de séculos.

Era a primeira vez que a mais alta autoridade eclesiástica declarava que a pobreza evangélica era um desafio para a igreja. De repente, a fala de Jesus na sinagoga de Nazaré ressoava no Vaticano:

Um Sopro do Senhor está sobre mim: / Por ele fui escolhido para anunciar uma boa notícia aos pobres. / Enviado por ele, declaro aos prisioneiros sua libertação, / Aos cegos a recuperação da vista, / Aos oprimidos a soltura 

(Lc 4, 18-19).

5.  A reação no Concílio Vaticano II.

As palavras papais de setembro 1962 passaram largamente despercebidas. Não foram comentadas nas dioceses e nas paróquias, não foram divulgadas pela grande imprensa ou pela TV, não alcançaram o grande público católico. Mesmo os Padres Conciliares, reunidos em Roma ao longo de três anos, entre 1962 e 1965, mostraram pouco interesse.

Houve, decerto, a fala do Cardeal Lercaro que, num discurso à Assembleia, declarou que o tema da pobreza mereceria ser o ‘único tema do Concílio’. O Cardeal foi profusamente aplaudido. Mas logo depois desceu o manto do silêncio. Não se falou mais em pobreza na Aula Conciliar. Os bispos continuaram com os temas que lhes interessavam: reforma litúrgica, ecumenismo, modelo de igreja, dogma, luta contra o comunismo, seminários e casas de formação, moral, perigo da secularização, do protestantismo e do espiritismo.

A pobreza não foi um tema do Concílio Vaticano II.

Desse modo podemos dizer que o posicionamento do Papa João XXIII pertence à “história fraca” do cristianismo, a história da fragilidade evangélica que, mesmo num Concílio que reuniu os bispos do mundo inteiro, apenas formou uma corrente subterrânea.

6.  A opção pelo pobre

É na América Latina que essa corrente subterrânea aflorou à superfície. Se o Concílio em Roma atribuiu pouca atenção à questão da pobreza de largos setores da humanidade, não se pode dizer o mesmo da Conferência Geral dos Bispos da América latina que se realizou em Medellín (na Colômbia) no ano 1968. Os bispos latino-americanos não se deixaram mais teleguiar pelo “Primeiro Mundo” (principalmente Europa e Estados Unidos), mas assumiram corajosamente uma postura de “Terceiro Mundo”. Enfrentaram a realidade social, econômica e política do continente sul-americano. Fizeram uma opção pelo pobre. Esse slogan não foi puro palavreado, mas representou ações concretas: alguns dos bispos mais atuantes em Medellín passaram efetivamente a manter uma vida em consonância com o modo de viver comum dos povos de suas terras. Na América Latina, a opção pelo pobre continua sendo assumida pela mais alta autoridade eclesiástica ao longo das últimas décadas, como se verifica em textos proferidos nas sucessivas Conferências Episcopais: Puebla 1979; Santo Domingo 1992 e Aparecida 2007.

7.  O vocabulário do Papa Francisco

Será que os cardeais reunidos em Roma para eleger um novo papa, em 2013, entenderam mesmo as palavras que o Cardeal Bergoglio tinha proferido poucos dias antes? Será que eles se lembravam que ele já havia sido um ator importante na Conferência do Episcopado Latino-americano em Aparecida, no ano 2007, quando era arcebispo de Buenos Aires? Naquela oportunidade, ele já se revelara adepto da linha de Medellín 1968. Seja como for, esses cardeais elegeram Bergoglio como novo papa.

Logo depois de eleito, o Papa Francisco assumiu o posicionamento do Papa João XXIII em 1962. Exclamou, três dias depois de eleito:

“Ah! Como eu queria uma igreja pobre e para os pobres”.

As mesmas palavras voltaram no documento Evangelii Gaudium (EG), um dos primeiros por ele assinados: uma igreja pobre e para os pobres, uma igreja que faz opção pelo pobre (EG, 198). Ao longo de sucessivas falas, em diversas ocasiões, o Papa foi criando um vocabulário todo próprio: igreja que se move, que faz opção pelos últimos, que vai à periferia, que sai de si mesma (audiência de 23/03/2013), que anda pela rua (os ‘sacerdotes callejeros’), igreja inclusiva, não excludente, não autocentrada, não narcisista, que não vive para si mesma, não é cartório, igreja inteiramente missionária (EG 34), discípula missionária (EG 40), hospital de campanha, campo de refugiados. Ainda se pode citar EG 195, 197, 198 ou 199.

A expressão de maior realce, dentro desse novo vocabulário, é ‘igreja em saída’:

Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo: os estilos, os horários, a linguagem, numa atitude constante de saída (EG 26-27).

“Igreja em saída” -eis a expressão que resume o posicionamento do Papa Francisco frente à ideologia autocentrada que preautodominou na igreja católica durante séculos e às práticas originadas por essa ideologia.

8.  Um novo tipo de sacerdote

Tudo isso ainda é muito frágil e corre o risco de ser levado pela poeira dos tempos, se não aparecer um novo tipo de padre. Será que, nos dias que correm, esse tipo está se gestando? Depende largamente do futuro das comunidades de base, pois, como diz com argúcia Carlos Mesters, ‘não há comunidade de base sem padre’.

Então, o importante consiste em substituir aos poucos a imagem do sacerdote que aparece na comunidade para celebrar missa, administrar sacramentos, abençoar casamentos, executar ritos e liturgias, pela imagem de um sacerdote que fica no círculo, ao lado de leigos e leigas, escuta e interfere de vez em quando, como orientador ou mesmo como simples companheiro.

Uma passagem difícil, que exige lucidez e determinação, pois sempre é mais fácil voltar ‘às panelas do Egito’. Para um sacerdote, entenda-se, não é fácil viver essa experiência, pois mesmo os sacerdotes de hoje ainda foram formados, nos seminários, para atuar numa Igreja autorreferencial. Muitos não conseguem mudar de visão, embora a situação do mundo, das sociedades e das igrejas tenha mudado nos últimos 50 anos. Mesmo sabendo que a igreja católica perde aos poucos uma posição dominante na sociedade, os sacerdotes experimentam dificuldade em se engajar numa ‘igreja em saída’. Eis o primeiro ponto.

9.  Um novo tipo de leigo/leiga

Será que está aparecendo, na igreja católica, um novo tipo de leigo/leiga, que corresponda aos ditames de uma “igreja em saída”? Nos últimos anos houve diversas iniciativas que visavam ativar a colaboração de leigos e leigas na qualidade de catequistas, professoras, animadores e animadoras, cantoras e cantores, secretários e secretárias paroquiais, ministros da Eucaristia, diáconos, ministros do dízimo, legionários, etc.

São iniciativas de valor, mas, para quem enxerga a perspectiva de uma ‘igreja em saída’, fica claro que elas têm um caráter passageiro. Constituem a passagem entre um laicato totalmente passivo e o laicato que a igreja missionária do Papa Francisco necessita. Cedo ou tarde, o(a) leigo(a) terá de sair de sua posição de inferioridade e dependência em relação ao clero.  Para tanto, ele (ela) terá de questionar o caráter corporativo da atual organização eclesiástica.

Aqui, de novo, um mergulho nas profundezas da memória cristã pode ajudar. Trabalhei esse tema amplamente em meu livro Origens do Cristianismo (Paulus, São Paulo, 2016). Já antes do surgimento do movimento de Jesus existia, no seio do judaísmo, uma tensão entre a estrutura laical das sinagogas e a estrutura sacerdotal do Templo. O movimento de Jesus não adotou o sistema sacerdotal, mas optou resolutamente por um modelo leigo de organização. As primeiras lideranças (bispo, presbítero, diácono) eram leigas, assim como o próprio Jesus fora um leigo. Nos primeiros documentos cristãos encontramos casais, homens e mulheres que trabalham em solidariedade e se reúnem em casas familiares. Para Paulo, um presbítero é um pai de família que tem a confiança da comunidade porque governa bem sua casa (Tit 1, 6-8).

Hoje não verificamos, dentro da igreja católica, senão poucas formações leigas independentes e autônomas, capazes de atuar na sociedade como associações de direito civil e de defender, dentro daquela sociedade, os valores cristãos. Nisso, igualmente, a colaboração daqueles sacerdotes que se mostram dispostos a reassumir a antiquíssima imagem do ‘mestre’, do ‘profeta’ ou do ‘presbítero’, dos primeiros tempos do cristianismo, é preciosa.

Mas o importante mesmo consiste em formar grupos fortes e coesos, alimentados por leituras bíblicas e outras leituras espirituais (como as cartas de dom Hélder ou de monsenhor  Romero, por exemplo), pois não é fácil enfrentar sociedades permeadas de valores capitalistas. No mundo em que vivemos, fica difícil viver o evangelho sem o apoio de uma comunidade forte.

15 respostas para “Os projetos em disputa: uma Igreja em saída ou a Igreja-empresa”

  1. Um belo texto.
    Para refletir sobre um momento único vivido pela SMICAR nesses tempus bicudus consumistas.
    A luta (quixotesca) do jesuíta Francisco segue árdua, incansável, desde sua chegada ao trono de Pedro: da adequação da linguagem “pró pobre” expressa nas suas várias investidas verbais, passando pela a sustentação idiomática da pobreza como instrumento da própria razão de ser do cristianismo e desaguando no enfrentamento feroz à Cúria Romana. Pessoalmente, não creio na sua vitória (embora a deseje inteira) mas certamente a partir de Francisco o sinal eclesial foi invertido e já não há volta. A frase “Igreja em saída” é singela e, ao tempo, definitiva.
    Caberá às comunidades eclesiais (especialmente no cone sur) sua reverberação nos corações do povo de Deus.
    Alea jacta est.

  2. Desde Aparecida, venho acompanhando a trajetória deste magnífico homem de Deus e vejo nele uma nova Igreja, m que está em construção para um novo milênio ineunte

  3. A luta é “quixotesca “como o foi na Idade média. A Igreja em saída é um caminho sem retorno diante de uma sociedade sem perspetivas.

  4. Realmente é muito difícil seguir Cristo quando a principal instituição responsável pela retransmissão de seus ensinamentos adota o sistema capitalista como modo de vida para seus seguidores. Ou se reforma a instituição ou se continua a grande hipocrisia.

  5. A igreja evangeliza os pobres, quando está inserida no meio deles partilhando de suas vidas para ajudá-los em suas necessidades, somente é possível saindo da sacristia indo para a periferia, onde está a pobreza material levando esperança as vidas indefesas e desfalecidas.

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