7 respostas para “Igreja e Marxismo: os passos de um novo diálogo”

  1. Sou desde sempre um ser humano que procuro saber e participar na construção de uma sociedade humana, que a meu ver o comunismo e o cristianismo se interligam para que o futuro seja o que Jesus Cristo e os arautos do comunismo desejam que o futuro seja,naturalmente o mundo que,tanto cristãos,como comunistas desejam para a humanidade.

  2. Trata-se de um dos diálogos mais difíceis que existem. Por causa das claras convergências que existem entre cristianismo e marxismo, ambos devem sim dialogar e se fecundar mutuamente. Mas por causa das insuperáveis divergências que existem entre cristianismo e marxismo, e em relação a estas divergências, cada sujeito deste diálogo é constantemente obrigado tomar uma posição: cristianismo ou marxismo. No caso do cristianismo, trata-se de se manter fiel ao Evangelho de Jesus, o qual não temos o direito nem o poder divino de alterar. Mas no caso do marxismo, as tomadas de posição podem ser extremamente variadas, pois trata-se apenas de uma filosofia e de uma ciência, a qual temos não só o direito como também o dever de fazer evoluir e desenvolver como filosofia e ciência. E as maiores divergências entre cristianismo e marxismo se dão no campo da ética e da prática. Neste campo há divergências insuperáveis. Resta saber se no decorrer deste diálogo iremos alterar ou relativizar a ética cristã do amor universal ao próximo, ou se iremos alterar (cristianizando) a ética e prática revolucionárias objeto da filosofia e ciência iniciada (mas não concluída) por Marx. Esta é uma das maiores dificuldades do diálogo cristianismo e marxismo. Mas sempre vale a pena encarar o desafio, tanto para os cristãos como para os marxistas.

  3. Helmut Thielen Caros/as participantes,
    (Procurando o começo do meu post, para corrigi-lo, vejo que uma grande parte, do texto desapareceu, por falta de espaço, que lástima! Mas, …)
    ……
    Eu acho que o que decide sobre a qualidade básica num desenvolvimento compartilhado neste diálogo entre cristãos e marxistas é a intensidade, a abrangência, a pureza, a continuidade e, onde seja possível e necessário, o progresso da inspiração pelo AMOR, que é DEUS. Os marxistas e os cristãos realmente existentes” – ambos são mais ou menos separados deste amor, ou, por outras palavras, realizam-o entre limites. DEUS É AMOR, assim constata simplesmente a Bíblia crista. Este amor é – conforme os livros santos, não apenas cristãos, mas também, além do judaísmo, islâmicos, budistas, hinduístas – tanto uma realidade terrestre, como uma transcendente; ambos têm grande importância. Sem inspiração pelo amor-essência de DEUS, os seres humanos e suas ações tendem a ser mais problemático até se entrelaçam na “luz do anjo caído”, o Luzifer.
    A convivência diário, com cada vez menos limites, com a realidade espiritual do AMOR verdadeiro é a condição do amor ao próximo, como ao de longe, tanto dos crentes, como daqueles que acham ser fora de qualquer fé. Há uma diferença entre os dois: o crente sabe com clareza de que suas práticas do amor são limitadas, porque não é Deus. No universo da consciência de marxistas/comunistas ou outros ateus, não ha, ou não com a mesma clareza, essa tensão, entre o amor de Deus transcendente e suas realizações, através dos crentes, na terra. A experiência-ideia de ser criado e ser chamado para realizar, o mais possível, uma vida na semelhança de DEUS, e as realizações mesmas, nunca podem se tornar uma identidade além dessa tensão; esta permanece.
    Para uma pessoa sem esta crença e, em decorrência disso, sem a consciência daquela tensão eterna, há um problema, ou um perigo: ser simplesmente contente com uma realização terrestre, digamos revolucionária, de amor – apesar dos problemas que ficam, podem ser não menores – porque falta aquela consciência. Esta mantém o ser humano que a vivencia viva, ativamente – pela experiência de nunca poder conseguir uma identidade de sua realização do AMOR e este mesmo, puro e sem limites – no trabalho de realizações melhores. Ha progresso nas realizações, mas não fim. Ha uma dialética entre este momento e a satisfação e até o orgulho por razão do realizado respectivo.
    A autocrítica, quanto às realizações atingidas, ou não, é um termo comum no pensamento marxista. Mas, possuir uma ideologia é um coisa, vivenciar na própria alma o fogo santo do Amor de Deus é uma outra, porque não se trata de tal e tal produção intelectual,mas sim de uma experiência forte e diferente, uma quebra do fluxo contínuo. .
    Essa diferença não é uma coisa de palavras – uso ou não da palavra Deus e até do conteúdo de grandes obras teológicas, tudo isso não importa e até pode desviar a pessoa da necessidade básica e continua: viver continuamente a presença do Amor de Deus no coração e no encontro com o outro e com a natureza, do coração se estendendo até a alma inteira, o intelecto inteiro, o corpo vivo, transformando-melhorando estes – incluído em tudo isso aquela tensão entre o Amor de Deus e as nossas realizações limitadas deste que nunca podem fechar essa diferença.
    Assim, precisamos sempre novamente nos aproximar com nossas obras terrestres ao amor-base que permanece, assim, transcendente. Na realidade da história da humanidade não faz sentido comparar crentes e não-crentes quando à realização do Amor puro e ilimitado. Um não-crente (o samaritano na Bíblia)pode realizar mais que o crente (alguns judeus nesta época).
    Ambos partes têm uma tarefa com base idêntica, mas realização diferente. Conscientizar-se sobre aquela tensão entre “Deus é amor” (para a língua mundana: O supremo em nossa vida seja um amor puro e ilimitado.). Agora a diferença: o crente tem que re-conquistar a vida diária com a presênça de DEUS, no fundo de sua alma e na profundeza de encontros com o Outro e a natureza; a prova de seu “êxito” é o valor real, transformador, de suas práticas do Deus-Amor. O não-crente não tem dentro de sua espiritualidade algo pronto, apenas a re-vitalizar. Mas ele tem algo disso escurecido, escondido, talvez atras de um ativismo estressante que castiga sua alma e o faz sofrer, uma ideologia que prega que cuidar a alma individual ou seja secundário, com pouca importância (comparada com a força da economia, da política etc.), ou que seja uma loucura de “pequenos burgueses românticos” que pensando sobre a paixão de Jesus, tomam um banho soft e narcisista, em seus sentimentos e ideias …
    Falando mais prático: a diferença que importa não e entre crente e ateu, mas sim entre ser chamado, após do justo orgulho quanto à realização de amor respectivo, pela voz-fogo-(na última instância: divino) para , na próxima ação, tentar aproximar-se mais ainda ao verdadeiro (puro e ilimitado) amor.
    Não tudo, mas uma base disso é aquilo que na fé é a experiência mística do amor puro e seu impactos imediatos: a alma curada (se for necessário), alegre profundamente, em paz profundo, esperando por tudo o que aparece na alma (imagens der seres vivos, grandes festas etc.). Como o crente, também o marxista sem fé precisa presentificar dentro de si mesmo e em encontros de amor, a força e as características do amor as quais, em decorrência, começam a constituir as dinâmicas das realizações dele, onde está incluído o amor a si mesmo. Porque, e nisso concordam Jesus de Nazaré e um grande filósofo como Nietzsche: apenas aquele que se ama realmente a si mesmo pode amar o próximo e aquele longe. Sabidamente, Jesus não tem dito: Ameis os próximos (e sacrifiqueis vos), mas sim: Ameis o próximo como vos a vos mesmos.”
    A coisa, progredindo cada vez mais na compreensão, é muito dialético e não só, mas também materialista: a alma abençoada se manifesta também através do corpo e dos corpos e de tudo que faz bem estes …
    Termino o fragmento. Seja grato, se algum/a responda.
    Helmut Thielen, Brasil, São Leopoldo, RS., e-mail: [email protected]

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