Maria de Aparecida: negra e sexuada, afronta o catolicismo conservador romano

A imagem original, de 1717, antes do atentado de 1978

Vamos despir Maria, a Nossa Senhora Aparecida, de seu manto azul? Examinemos a imagem original, encontrada no Rio Paraíba há 300 anos, antes do atentado de 1978, que espatifou sua cabeça e partiu-lhe o corpo em pedaços. Que imagem revela-se a nós? Uma mulher negra, cheia de curvas, toda enfeitada, com um olhar sem culpas, uma boca que se entreabre num sorriso nada “angelical”.

A imagem de Aparecida é como a de outras representações de Maria na América Latina, uma figura apropriada pelo povo, pela religiosidade popular, que afronta e confronta o catolicismo romano marcado pela rigidez e distanciamento.  A imagem original, portuguesa barroca, ao ficar na lama do rio agregou às ousadias do escultor (as formas e o riso) a negritude, que se acentuou com a fuligem das velas ao redor ao longo do anos.

Quem é Maria? Você não pode deixar de assistir o documentário Marias, a fé do feminino, de 2016, dirigido por Joana Mariani. Ela escavou fundo na devoção popular às padroeiras de quatro países da região, a Maria de Aparecida, de Guadalupe (México), das Mercês (Peru), do Cobre (Cuba) e La Puríssima (Nicarágua).

A resposta sobre Maria aparece no depoimento de uma mulher do povo, devota da Nessa Senhora Aparecida, logo na abertura do trailer do filme; com sua fala, ela derruba todo o império dogmático e esvaziado de sentido sobre a mãe de Jesus: “Maria somos todas nós. Maria é essa mulher que tá no morro, que tem seus filhos, o marido abandona e ela cria esses filhos. E ela vai buscar outro parceiro. E ela tem o sorriso”. Veja o trailer e se puder  todo o documentário, que está disponível no Netflix ou no YouTube (é baratinho, R$ 3,90 –aqui o link).

O que se aprendeu sobre Maria, a partir do pensamento conservador católico? Que ela é “pura” (branca), sempre virgem, entronizada nos altares (portanto, distante das pessoas), condescendente e recolhida em sua castidade, trancada em casa, absorta em seu silêncio e ensimesmamento.

Toda essa construção é uma deturpação da originalidade do cristianismo. Vai-se ao Novo Testamento e lá está Maria pé na estrada para socorrer a prima Isabel e proclamar a vitória dos pobres e a derrota dos ricos, nas festas com Jesus e sua turma (as famosas bodas de Caná), pelas estradas com o grupo de discípulos, confrontando o Império Romano aos pés da cruz, inserida na primeira comunidade cristã.

Uma pedra fundamental no edifício conservador que buscou sequestrar Maria do povo é o mito sobre sua virgindade. Escrevi sobre isso recentemente (aqui).  A ideia de que Jesus teria nascido sem que sua mãe tivesse feito sexo com um homem contradiz o pilar fundamental do cristianismo, segundo a qual Jesus é totalmente Deus e totalmente homem.  Este pilar foi assentado no Concílio de Calcedônia, em 451. Os padres conciliares afirmaram textualmente: “Devemos confessar que nosso Senhor Jesus Cristo é um único e o mesmo Filho (…) perfeito na divindade (…) perfeito na humanidade”.

Ora, como é possível que alguém totalmente humano possa nascer fora do universo das relações humanas? A tese da virgindade eterna de Maria, que ganhou força mil anos depois de Calcedônia, para contrapor-se à Reforma, é um absurdo completo e aproximou o catolicismo do paganismo e da mitologia grega. Jesus seria alguém como Afrodite, gerada da espuma do mar. A ortodoxia cristã afirma que Jesus revelou o máximo de sua divindade em sua humanidade integral. A fé da Igreja afirma que Jesus era em tudo humano, exceto no pecado –a dogmática conservadora, com a tese da virgindade de Maria, buscou tornar a relação sexual, o prazer e o gozo em “pecados”, para melhor controlar o povo.

Mas Maria, na América Latina, desceu dos altares em que foi aprisionada pelo conservadorismo para misturar-se e andar no meio do povo. É a Maria de Aparecida negra, cheia de curvas, sorridente, enfeitada que chega aos seus 300 anos. Mas nem sempre foi assim. O conservadorismo católico de fundo racista, a serviço da elite escravocrata brasileira,  tentou embranquecer Maria de Aparecida durante séculos.

Veja as imagens de Nossa Senhora Aparecida do final do século XIX e da primeira metade do século XX logo abaixo. Branquinha!

À esquerda, a primeira estampa oficial da imagem de N. S. Aparecida, impressa na França em 1854; ao centro, a primeira estampa oficial em formato de cromo, que sugere sua difusão em maior escala; à direita, detalhe de cartaz de 1929

Vale a pena ler o livro de Lourival dos Santos (O enegrecimento da Padroeira do Brasil: religião, racismo e identidade -1854-2004), cuja versão digital está disponível aqui e de quem tomei as imagens acima. Há uma construção do embranquecimento e depois do enegrecimento de Nossa Senhora de Aparecida. Mesmo depois de ser reconhecida como negra pelo catolicismo rigorista, a partir dos anos de 1970, em especial depois da restauração da imagem destroçada em 1978, a cor de sua pela continuou um tabu, um detalhe, um instrumento da tese do Brasil “miscigenado” e “cordial” e ignorada nos hinos, na liturgia. Lourival dos Santos atesta: “Foi apenas sob os auspícios da teologia da libertação que a padroeira enegreceu definitivamente nos cânticos e invocações” (p 19).

Foi a teologia latino-americana em seu mergulho na vida, em seu projeto de inculturação, em sua sensibilidade ao catolicismo popular, que resgatou para o interior das formulações conceituais a Maria branquinha e assexuada dos altares conservadores.

É a Maria de Aparecida negra, cheia de graça, plena de raça, de luta, de sexualidade e desejo de vida abundante que chega aos 300 anos.

Ave Maria, Axé padroeira dos pobres do Brasil!

[Mauro Lopes]

27 respostas para “Maria de Aparecida: negra e sexuada, afronta o catolicismo conservador romano”

  1. Excelente Mauro! Lembrei-me de um livro do querido Frei Carlos Mesters onde dizia que precisamos despir Maria. Colocamos tanto manto, tanto véu, tanta coroa etc que ela deixou de ser a Maria de Nazaré.

      1. Nota-se que a verdadeira cólera não é a aqui adjetivada equivocadamente como “conservadora”, mas sim de um segmento de pessoas que está infiltrado nas igrejas e que se diz católico, mas na verdade quer destruí-la por dentro, esvaziando completamente sua espiritualidade e transformando-a em um palanque político (com fins eleitoreiros ou não).

        São verdadeiros protestantes que recusam o magistério e a tradição da igreja e querem fazer uma releitura do evangelho, substituindo termos católicos por termos de cunho puramente políticos e materialistas, com a finalidade de incitar uma “guerra de classes” dentro da própria igreja.

        No passado, eram os catequistas e missionários que percorriam incansavelmente longas distâncias e dedicavam a sua vida a difundir o Evangelho a todas as nações e povos pagãos, seguindo o que o próprio Cristo ORDENOU “Ide e ensinai! Ide a todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura!”. Esses catequistas e missionários aproveitavam os termos e símbolos pagãos para fazer analogias para poder se comunicar com os nativos e fazer com que eles entendessem o Evangelho…

        Hoje em dia o que acontece é exatamente o contrário. São os materialistas que se aproveitam de termos conhecidos e valorizados pelos católicos e os esvaziam, dando um novo sentido, político, para eles. Trata-se, portanto, de uma catequese reversa. E é justamente aí que reside a verdadeira maldade.

        Já dizia São Paulo aos Gálatas:
        “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho;
        O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.
        Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.
        Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.
        Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.
        Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens.
        Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.”
        (Gálatas 1,6-12)

        1. Caro Hanako, paz. O texto está todo vazado na mais ortodoxa leitura do cristianismo. Quanto à tradição da Igreja, ela só é tradição, como ensinou Ratzinger, se remete ao evento original. Se remete apenas a Trento, ao Vaticano I ou a documentos dogmáticos, não é tradição, é tradicionalismo. Paz e bem!

        2. Caro Hanako. Concordo com o seu pensamento. A cólera dentro da Igreja, como você bem coloca, é aquela que quer esvaziar o sentido espiritual da doutrina da Igreja e da fé católica, pois fazem uma leitura materialista, marxista e ideológica da Sagrada Escritura, reduzindo todo o seu sentido simbólico e transcendente, a simples questões sociais e politicas.

          Verdadeiramente, esses que se dizem católicos, mas na verdade são verdadeiros hereges, só reconhecer a Sagrada Escritura, mas se esquecem, que no próprio Concílio Vaticano II, que para eles a Igreja começou a partir dai, no documento “Dei Verbum” coloca que a revelação de Deus se da pela Sagrada Escritura, pela Tradição e pelo Magistério, mas esses dois últimos para este tipo de pessoa não importa, dado que fazem a leitura do Vaticano II de acordo com os próprios interesses.

          A Tradição é muito importante para a Igreja e sua doutrina, visto que, o papa Bento XVI (Joseph Ratzinger), na Audiência Geral, de 03 de maio de 2006, coloca que a Tradição é aquilo que foi transmitido por Jesus Cristo aos Apóstolos, e estes transmitiram ao seus Supressores de forma solene e é transmitida até nós em fiel continuidade com a experiencia das origens, inclusive o Concílio de Trento e Vaticano I, fazem parte da tradição. Me lembro que frase tirada do contexto geram pretexto.

          O próprio São Irineu de Lyon, que viveu no séc II, e morreu mártir, foi discípulo de São Policarpo de Esmirna, que foi discípulo de São João, o Apostolo, defende, em eu Livro III da obra “Contra as Heresias”, a Tradição e a revelação de Cristo que se dá pela continuidade Apostólica, formada pela sucessão interrupta dos bispos que remonta até os Apóstolos, que garante a verdadeira doutrina da fé Cristã, e ele, exalta ainda, a importância do Patriarcado de Pedro, ou seja, Roma.

          O Artigo acima coloca que o Dogma da Virgindade de Maria só foi para contrapor a reforma protestante, mas se não me engano o Dogma foi proclamado no Concílio de Latrão em 649, e a reforma protestante foi em 1517, quase mil anos de diferença, tem algo errado! E os próprios Padres da Igreja (Santo Efrém, Santo Epifania, São João Crisóstomo, São Gregório Magno, Santo Agostinho) Defendem a virgindade de Maria, Santo Irineu de Lyon já apontava Maria como a nova Eva.

          E, segundo a Tradição da Igreja, o Concílio de Calcedônia coloca que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, para combater uma heresia especifica que é o Monofisismo, na qual colocava que a natureza divina de Jesus absorveu a natureza humana, com isto negavam que Jesus foi Homem, mas não tem nada haver com a Virgindade de Maria.

          E uma ultima coisa. Dogma não se racionaliza, já dizia uma professora e doutora de Bíblia que conheci. Dogmas são verdades de Fé, para reafirmar a Fé, que buscam sembre trazem uma resposta e indicar um caminho, e todos os Dogmas Marianos não podem ser desassociado dos Mistérios de Cristo, pois apontam o próprio Cristo, o Dogma da Imaculada Conceição, que inclusive a Imagem de Aparecida remete, aponta para a pureza de Maria, que não tem nada haver com ela ser “branca ou não”, mas com relação a grandeza que Ela encontrou diante de Deus. O Dogma da Virgindade de Maria não está ligado a uma questão material carnal, mas transcendente e espiritual, o problema é que querem fazer uma leitura marxista da Bíblia e dos Dogmas, para justificar determinadas coisas segundo os próprios desejos, negando a história, a Tradição e o Magistério . Querem colocar muito mais um Deus que se adapta a mim, aos meus prezares, do que realmente uma conversão à Deus .

          Paz e Bem.

          1. Caro Douglas, paz. Obrigado por seu texto, que busca dialogar reflexivamente. Olha, creio que vale a pena ler um livro do Papa Bento XVI de quando era ainda bispo, em 1967. É um de seus melhores textos, da época em que formulava ao lado de teólogos como von Balthasar e Henri De Lubac, antes de sua guinada conservadora. O livro foi escrito em coautoria com aqueles que muito consideram maior teólogo do século XX, Karl Rahner. É “Revelação e Tradição”. Vale a pena, é precioso. Nele, Ratzinger e Rahner indicam claramente: só é tradição aquilo que remonta diretamente a um evento original. Assim, aquilo que não remete diretamente ao evento Jesus Cristo não é tradição. O fato de ser uma formulação do magistério ou papal não resolve o assunto. Estabelecer a Tradição a partir de Trento ou do Vaticano também não. Quanto ao tema da virgindade eterna de Maria, não poderei mergulhar no assunto aqui, mas reproduzo uma breve passagem de artigo anterior sobre isso: “No tema específico da vida sexual de Maria há apenas uma citação direta, em Mateus 1,25, no relato da concepção de Jesus e da reação de José, então noivo da jovem. José aceitou a noiva grávida, “Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho” (na tradução da Bíblia de Jerusalém). A palavra conhecer, em sentido bíblico, quer dizer exatamente manter relações sexuais com uma pessoa (eginōsken – ἐγίνωσκεν).

            Uma busca da ressonância hebraica do texto indica que o verbo hebraico para o episódio seria iada’, que tem o sentido de penetração (tanto física quanto intelectual), o que levaria à seguinte tradução: “Ele não a penetra até que tenha gerado um filho” –com o sentido duplo de não penetrar em Maria física e intelectual/emocionalmente, permanecendo para José “um impenetrável mistério”, até que ele a irá conhecer depois do nascimento de Jesus.
            Portanto, o que o texto nos diz? Que o casal se absteve de sexo até o nascimento de Jesus –nada mais. Em várias passagens, os Evangelhos informam-nos taxativamente que Jesus teve irmãos e irmãs:
            Num episódio relatado em Marcos e Mateus, na sinagoga de Nazaré, a terra de Jesus, logo no começou de sua missão, quando as pessoas ficam espantadas com a sabedoria do homem da terra: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão entre nós?” (Mc 6,6 e Mt 13,55-56).
            E noutro, quando Jesus pregava, relatado tanto por Mateus como Marcos e Lucas: “Estando ainda a falar às multidões, sua mãe e seus irmãos estavam fora, procurando falar-lhe” (Mt 12,46).
            Desde a Antiguidade houve indagações sobre estas passagens. Eram eles irmãos e irmãs de Jesus no espírito de uma família nuclear ou primos e primas, considerando-se a família ampliada semítica? Eram filhos de José e Maria ou de um suposto primeiro casamento de José?
            A interpretação conservadora quer fazer as pessoas crerem que “sempre” esteve estabelecido o sentido que favoreceria o dogma da virgindade permanente de Maria. Mas não é assim. No século IV, quando o debate estava muito aceso, Helvídio (apoiado pelos textos de um dos Padres da Igreja, Tertuliano) contestou a tese da virgindade perpétua, sendo contestado por Jerônimo num tratado (“A Virgindade Perpétua da Abençoada Maria”).
            Mas se o sentido original do texto evangélico era indicar primos e primas de Jesus, porque eles são mencionados junto com a mãe de Jesus? Além disso, por qual razão os autores dos três Evangelhos sinóticos, escritos em grego, usariam em todas as passagens adelphoi (ἀδελφοὶ) que designa irmãos de sangue, quando há outras palavras para primos, como nepsios?” Espero que possamos voltar ao assunto em breve! Quanto ao primeiro parágrafo de seu texto, creio que ele não ajuda no processo de construção da Igreja. A agressiva ofensiva dos conservadores contra Francisco, com a publicação de um manifesto no qual ameaçam-no explicitamente com a deposição, teve uma grande virtude: acabou o tempo da reverência ao papa como um monarca e das pataquadas sobre a “infalibilidade papal”. A ofensiva conservadora abriu os portões do debate no interior da Igreja. Diferentemente do que aconteceu nos 35 anos de João Paulo II e Bento XVI, diverge-se e discute-se sem censuras, punições, exílios e ameaças. Vive-se finalmente um ambiente de abertura e debate livre na Igreja. E como isso é bom! Paz e bem!

  2. Excelente texto: Maria mulher do povo, sem “photoshop” de qualquer espécie, despida dos estereótipos que o poder lhe impõe sem clemência. Gratidão 🙏🏻 por partilhar com todos nós, homens e mulheres do Povo de Deus ♥️

  3. Belissimo texto!! Reflito bastante, com o “caminho pra casa”! Tenho uma duvida Mauro Lopes, o que significa a expressão “axé” para o cristianismo católico? desde já obrigado, paz e bem

    1. Obrigado, Alexandre, sua generosidade é grande demais. Axé é uma expressão iorubá, que significa energia e o poder intrínsecas a todo ser vivo e todas as coisas. O termo deixou seu assentamento original, as religiões afro-brasileiras, para se tornar um cumprimento quase universal, desejo de boa energia para o outro. É como o Paz e Bem de São Francisco, que se tornou um cumprimento que ultrapassa as fronteiras do cristianismo. Usamos esses cumprimentos porque nos unem em humanidade. Paz e bem! Axé!

  4. Maria foi uma mulher judia, branca. Concebeu Jesus, sem pecado, o Deus feito homem, pelas graças do Espírito Santo. E subiu aos céus sem pecado, como ensina a doutrina, pra se tornar a Mãe da Igreja de Cristo. Nossa mãe e soberana, iluminando os nossos corações e almas com sua grandeza imensurável. É nela que homens e mulheres devem se espelhar pra atingir a plenitude de amor a Cristo.

    Ave Maria mater Dei ora pro nobis peccatoribus nunc et in hora mortis nostrae amen

    1. Victor, paz. Obrigado por escrever. Quanto a essa afirmação de que Maria era branca, gostaria muito de saber a origem, pois o que há de pesquisa história até hoje aponta para uma população não branca em Israel na Antiguidade. Jesus só ficou branquinho (como Maria) muitos séculos depois de morrerem. Paz e bem!

    2. Uma senhora branca, nascida no Oriente Médio de 2.000 anos atrás. Tão improvável que beira o impossível. A única hipótese aberta seria para uma estrangeira, vinda de um oeste bem distante., mas, isso sim seria um sacrilégio, retirar de Maria a sua descendência de Davi da Tribo de Judá, querido irmão, e o próprio filho de Davi, descreve as mulheres de sua região com tendo tez escura. Humildade e Paz.

  5. Que lindo Mauro!! Obrigado por no momento tão oportuno falar com tanta coragem e ternura de nossa mãezinha guerreira,lutadora,presente no dia a dia do povo e mais perto dos prediletos do pai os pobres e excluídos.

  6. Obrigada caríssimo Mauro por seu texto contundente e esclarecedor, o Caminho pra Casa é o meu preferido. Obrigada por compartilhar essa Maria, mulher, mãe, acolhedora, desbravadora, corajosa e misericordiosa! Salve Maria de Nazaré! Axé!

  7. Muito bom texto!
    A Maria humana que o povo Latino Americano, especialmente brasileiro venera com toda devoção, fugindo de todas as amarras da Igreja, muito foi a tentativa da Igreja de apagar a Maria Negra descoberta por pescadores pobre, continuou sendo difundida pelos pobres quilombolas, indígenas que a adotaram e quando este movimento do povo a Igreja vai se aproximando numa perspectiva do controle, mas não consegue. a Mariama negra segue resistente no Brasil protegendo os filhos das agruras do sistema e da Igreja conservadora que insiste em continuar mesmo com o vento fresco do fabuloso, profético, profundo e seguidor fiel de Cristo Papa Francisco!!!!

  8. minha Maria de fé é Nossa Senhora do Rosário, im agem branca levada pelos dominicanos para a África, no seu trabalho missionário. Embora branca, barroca, ocidental, foi aceita (ou imposta?) pelos negros, que desenvolveram em torno dela sua devoção ao Rosário, lá criaram as primeiras Irmandades do Rosário, que mais tarde serviram de inspiração para as Irmandades do Rosário do Brasil Colônia, nas Minas Gerais, particularmente a minha, que foi fundada no ano de 1728, na antiga Vila do Príncipe do Serro do Frio, hoje cidade do Serro. Até hoje, brancos e negros, assim como foi nos primórdios, esta Irmandade mantem o culto de Nossa Senhora do Rosário, seu Reinado e Congado. Nossa Senhora do Rosário é considerada protetora da raça negra, assim como São Benedito, Santa Efigênia, Santo Antônio de Catigeró, Santo Elesbão e Nossa Senhora das Mercês. Quando estudamos a história de nossa Irmandade constatamos que desde o princípio ela foi democrática, aceitando a inscrição de irmãos brancos e negros, forros ou cativos, pobres e ricos. A discussão acima sobre Nossa Senhora Aparecida e outras virgens padroeiras de países da América me parece demasiadamente centrada na cor de uma imagem, n o caso a cor preta, e por isso não consegue atingir o ponto fundamental, que é o papel de Maria no Cristianismo, o grande espírito que foi essa mulher, adotada pela humanidade cristã como mãe. Uma imagem, seja branca, negra, morena, barroca, gót6ica, clássica, popular, será sempre um retrato, uma lembrança de Maria, para os nossos sentidos humanos, quando a alma não consegue ultrapassar os limites da matéria, para viver a experiência espiritual que nos permite sentir a presença de Maria em nossas vidas,Tão importante é Maria, que o mundo cristão consagrou a ela quase 300 títulos, cada um com uma imagem que o representa.Se nos perdermos no exame das imagens, a partir de critérios estéticos, raciais, sociológicos, históricos, religiosos, nunca conseguiremos alcançar, verdadeiramente, a Maria cheia de graça.

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