CELAM retoma Medellín e convoca congresso para 2018

Dom Hélder Câmara foi um dos principais líderes de Medellín: agora é a vez de Francisco

A Igreja da América Latina, sob liderança do Papa Francisco, ensaia retomar de maneira decidida o percurso interrompido por João Paulo II. O CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) acaba de anunciar a convocação do Congresso 50 anos de Medellín que acontecerá de 23 a 28 de agosto de 2018 “na mesma cidade colombiana e nas mesmas instalações do Seminário de formação sacerdotal, que foi a sede dessa histórica Conferência.” O objetivo, segundo o comunicado do CELAM será “comemorar e projetar a mensagem da Conferência de Medellín como um eixo-chave da Igreja no continente, em diálogo com a Igreja universal”.

O encontro já está sendo preparado, informou o comunicado divulgado na tarde desta segunda (30), e  será promovido pelo CELAM, pela a Confederação dos Religiosos e Religiosas, secretaria da Caritas da América Latina e Caribe e pela Arquidiocese de Medellín.

A Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-americano realizou-se em Medellín, na Colômbia entre 24 de agosto a 6 de setembro de 1968, convocada pelo Papa Paulo VI para aplicar as decisões do Concílio Vaticano II à Igreja da região. A abertura da Conferência foi feita pelo próprio Papa que marcou a primeira visita de um pontífice à América Latina. Foi um evento histórico, um “segundo concílio”, que aprofundou as decisões do Vaticano II e afirmou claramente, pela primeira vez, os pobres como protagonistas da Igreja e da sociedade. A delegação brasileira foi composta por 30 pessoas, entre bispos, padres e peritos. Os protagonistas essenciais foram dom Hélder Câmara, dom José Maria Pires, dom Aloísio Lorscheider e dom Cândido Paim.  Pouco mais de dez anos depois, a Conferência de Puebla (México) manteve os traços essenciais de Medellín, mas com recuos marcantes devido à pressão de João Paulo II e da Cúria romana.

O Congresso de 2018, diz o documento básico da organização, “procura reconhecer com gratidão a aplicação de Medellín em nossas igrejas particulares, aprofundar algumas das questões fundamentais que permanecem atuais no presente, examinar novos sinais dos tempos de hoje e projetar uma ação evangelizador que leva em consideração o espírito da Segunda Conferência, enriquecida com o Magistério da Igreja latino-americana, bem como o Pontifício Magistério, especialmente com os ensinamentos do Papa Francisco.”

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CELAM retoma Medellín: congresso convocado para 2018

Dom Hélder Câmara foi um dos líderes de Medellín; agora é a hora de Francisco

A Igreja da América Latina, sob liderança do Papa Francisco, ensaia retomar de maneira decidida o percurso interrompido por João Paulo II. O CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) acaba de anunciar a convocação do Congresso 50 anos de Medellín que acontecerá de 23 a 28 de agosto de 2018 “na mesma cidade colombiana e nas mesmas instalações do Seminário de formação sacerdotal, que foi a sede dessa histórica Conferência.” O objetivo, segundo o comunicado do CELAM será “comemorar e projetar a mensagem da Conferência de Medellín como um eixo-chave da Igreja no continente, em diálogo com a Igreja universal”.

O encontro já está sendo preparado, informou o comunicado divulgado na tarde desta segunda (30), e  será promovido pelo CELAM, pela a Confederação dos Religiosos e Religiosas, secretaria da Caritas da América Latina e Caribe e pela Arquidiocese de Medellín.

A Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-americano realizou-se em Medellín, na Colômbia entre 24 de agosto a 6 de setembro de 1968, convocada pelo Papa Paulo VI para aplicar as decisões do Concílio Vaticano II à Igreja da região. A abertura da Conferência foi feita pelo próprio Papa que marcou a primeira visita de um pontífice à América Latina. Foi um evento histórico, um “segundo concílio”, que aprofundou as decisões do Vaticano II e afirmou claramente, pela primeira vez, os pobres como protagonistas da Igreja e da sociedade. A delegação brasileira foi composta por 30 pessoas, entre bispos, padres e peritos. Os protagonistas essenciais foram dom Hélder Câmara, dom José Maria Pires, dom Aloísio Lorscheider e dom Cândido Paim.  Pouco mais de dez anos depois, a Conferência de Puebla (México) manteve os traços essenciais de Medellín, mas com recuos marcantes devido à pressão de João Paulo II e da Cúria romana.

O Congresso de 2018, diz o documento básico da organização, “procura reconhecer com gratidão a aplicação de Medellín em nossas igrejas particulares, aprofundar algumas das questões fundamentais que permanecem atuais no presente, examinar novos sinais dos tempos de hoje e projetar uma ação evangelizador que leva em consideração o espírito da Segunda Conferência, enriquecida com o Magistério da Igreja latino-americana, bem como o Pontifício Magistério, especialmente com os ensinamentos do Papa Francisco.”

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500 anos da Reforma inspiram ação do Nós Também Somos Igreja

Cartazes como esse serão pregados nas portas de igrejas católicas em 22 países

Inspirados pela celebração dos 500 anos da Reforma, integrantes do movimento católico Nós Também Somos Igreja irão pregar nas portas de igrejas em 22 países neste domingo (29) cinco teses pela reforma imediata da Igreja Católica. No Brasil, a ação corajosa acontecerá em São Paulo, João Pessoa e outros municípios da Paraíba.

A iniciativa remete a Martinho Lutero, que em 31 de outubro de 1517 enviou uma carta ao arcebispo de Mainz, com as 95 teses que marcam o início da Reforma Protestante. Hoje se sabe que a afixação das teses na porta da Igreja do castelo de Wittenberg (Alemanha) não teria ocorrido. Mas tornou-se o símbolo da reação do padre Lutero ao estado da Igreja na ocasião.

Por isso, as cinco teses do Nós Também Somos Igreja serão pregadas nas portas de igrejas católicas em todo o mundo:

  1. Democratização da estrutura eclesiástica (Cúria Romana e diocesanas, paroquiais);
  2. Ordenação de mulheres na perspectiva de um novo modelo ministerial;
  3. Prevalência do Amor e da Justiça acima do direito canônico;
  4. Celibato opcional, permitindo que os homens ordenados possam assumir a condição matrimonial;
  5. Acolhida de todas as mulheres e homens na comunidade cristã independente das condições e situações em que se encontrem.

Em São Paulo, segundo Edson Silva, da direção do movimento, será realizada uma roda na praça diante da Igreja do Pátio do Colégio para leitura reflexiva das teses de Lutero e uma conversa sobre as cinco teses para a reforma da Igreja hoje; a seguir, os participantes caminharão até a Praça da Sé para afixar as teses nas portas da catedral.

Na Paraíba, a mobilização será liderada pelo grupo Kairós – Nós Também Somos Igreja.  Alder Calado, liderança histórica da Igreja brasileira e um dos pioneiros do movimento no Brasil, ao lado do padre José Comblin (1923-2011), um dos principais teólogos da Libertação, disse que haverá celebrações em João Pessoa e em comunidades rurais do Estado, como Sobrado. Na capital, o ato celebrativo será na capela ecumênica da UFPB. “Teremos uma de oração inicial, rezaremos um salmo, leremos o Evangelho, entremeados de cânticos. Haverá tempo de silêncio e partilha. Em seguida, partimos para ouvir um breve trecho do livro “Vocação para a Liberdade”, de autoria de José Comblin. Em seguida, uma exposição dialogada, contextualizando a Reforma e as lições que dela somos chamados a recolher, focando depois nos cinco pontos que buscam sintetizar os principais anseios por reformas, na Igreja Católica Romana. Terminaremos com oração e canto”, explicou Calado.

Roteiros similares acontecerão nos 22 países, em alguns deles com celebração eucarística. O espírito é de reencontro e retomada do caminho comum com os filhos da Reforma e de recuperação do melhor da trajetória protestante. “Fazemos a mesma reflexão que vem ganhando força entre os que apoiam o papa Francisco na Cúria romana: foi uma ação do Espírito Santo”, disse Edson Silva. Para ele, “o caminho de volta, que significa aproximação com as demais igrejas cristãs, é fundamental”.

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Um país chamado Canudos, 120 anos depois

Mulheres e crianças aprisionadas em Canudos; homens foram todos mortos

Artigo especial[1] do cientista social Ruben Siqueira, da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), recorda e atualiza a luta de Canudos, que até hoje é a maior mobilização do exército brasileiro: contra o povo. Nem mesmo a Guerra do Paraguai ou a Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra superaram o envolvimento de tropas como no combate à rebelião liderada por Antônio Conselheiro. A violência, pública e privada, continua uma marca da vida nacional, multiplicam-se as mortes nas cidades e nos campos, o Brasil sendo hoje o mais violento país do mundo sem guerra declarada, uma guerra contra os pobres.

“A mensagem de Canudos fica cada dia mais atual e necessária. Atravessa os tempos e faz seguidores a ousadia dos conselheiristas, de recriar, nas entranhas do latifúndio respaldado pela República, a comunidade dos primeiros cristãos, onde a única lei era a do amor, pela qual — ainda que entre eles houvesse comerciantes bem-sucedidos — os bens eram partilhados em benefício de todos. A bandeira fincada para sempre no coração do Brasil continua a atrair os pobres e desvalidos. Porque lhes ensina a única lição possível: a eles só resta resistir e insistir na vida, contra os poderes da terra, porque — dizia Antônio Conselheiro — ‘só Deus é grande’. É essa fé, de um povo que não separa religião e vida, crença e luta, que move ainda hoje centenas, milhares, milhões de brasileiros pelos vastos sertões deste latifúndio chamado Brasil, a lutar pela terra e pelo direito à vida digna na terra.”

Leia o artigo na íntegra:

Canudos virou moda há 20 anos, em seu centenário. Houve enorme expectativa à época com o lançamento do filme de Sérgio Rezende, Guerra de Canudos (assista aqui), que foi, rodado na região. Teses, livros, reportagens e seminários foram feitos para a celebração dos 100 anos e continuaram a ser produzidos, trazendo releituras do episódio, discutindo aspectos novos, alimentando a infindável polêmica. O governo da Bahia criou no cenário da guerra o Parque Estadual de Canudos, onde uma equipe da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) realizou estudos de arqueologia histórica. Neste outubro de 2017, vários eventos, sobretudo promovidos por movimentos e entidades sociais, estão acontecendo na pequena cidade herdeira da Canudos conselheirista.

A atualidade de Canudos

120 anos é data por si mesma expressiva, seja do que for. Mas, em Canudos, o quê exatamente se está comemorando? O que tem esse episódio, o que ele encerra — esconde e revela — que atrai tantas atenções?

É que em Canudos, ontem e hoje, o Brasil se vê face a face consigo mesmo, encontra seu desencontro. Canudos não está na memória nacional apenas como uma chaga, a mais ignominiosa das lembranças do passado, onde e quando se detonou toda a carga de violência que mal se esconde sob o manto roto da decantada cordialidade brasileira, praga ideológica que sedimenta a assimetria das relações sociais. Está também como repetição, reincidência, contínuo revisitar. Está como matriz da identidade brasileira e chave de explicação do País e de seu infortúnio como nação moderna, que nunca alcançou de fato a modernidade. Está, pois, como atualidade, contemporaneidade.

Uma primeira prova disso? Ao implantar-se o Parque Estadual de Canudos, por ocasião do centenário, famílias de agricultores residentes na área, muitas delas descendentes dos antigos canudenses, tiveram que resistir à implantação das cercas divisórias do parque porque estas inviabilizavam o criatório de cabras, sua principal fonte de subsistência… Talvez até quisesse o governo da Bahia que se retirassem de vez, para não estragar a composição nostálgica e folclórica do quadro… Ainda bem que os cientistas da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) não embarcaram nessa…

Canudos levanta questões que incomodam a má consciência nacional. Por que mais da metade do efetivo e todo o aparato militar do exército à época foi mobilizada em cinco expedições contra pobres e frágeis camponeses, armados de poucas espingardas e muita fé? Por que ali, numa das regiões mais secas do País, uma multidão de 25 mil destes deserdados encontrou um lugar e construiu, sob a liderança do beato Antônio Conselheiro, a maior cidade do interior do Brasil à época?

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Conservadores católicos atacam Lutero e a Reforma –Papa é o alvo

O cardeal Muller e o bispo Galantino: o sopro do Espirito e a Reforma

Quanto mais se aproxima a celebração dos 500 anos da Reforma iniciada por Martinho Lutero, no próximo dia 31, mais os conservadores se agitam na Igreja Católica. A lenta aproximação de anos que o Papa Francisco acelerou de maneira inédita nos últimos tempos, é alvo da fúria dos católicos restauracionistas. O jornal italiano La Nova Bussola Quotidiana publicou nesta quarta (24) artigo do cardeal Gerhard  Müller, o ex todo-poderoso da Congregação para a Doutrina da Fé, no qual ele ataca: a Reforma foi um evento “contra o Espírito Santo”.

Desde que Müller foi defenestrado pelo Papa, que lhe negou a renovação do mandato quinquenal à frente do ex-Santo Ofício, em junho passado, ele tornou-se o mais estridente porta-voz das teses da direita católica. A cada semana concede uma entrevista ou escreve um artigo para se contrapor a Francisco, aos novos líderes da Igreja e às suas reformas.

Agora, o objeto da cólera do cardeal é o bispo Nunzio Galantino, secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI). Ele esteve na quinta-feira passada (19) num evento sobre os 500 anos da Reforma, na Universidade Lateranense, em Roma. Em sua conferência, afirmou: “A Reforma iniciada por Martinho Lutero há 500 anos foi um acontecimento do Espírito Santo”.

O bispo, que atua em estreita relação com o Papa, acrescentou: “Lutero, não se considerava artífice da reforma, e escreveu: ‘enquanto eu dormia, Deus reformava a Igreja’. Também hoje, a Igreja necessita de uma reforma. E também Deus é o único que pode realiza-la.” Galantino afirmou ainda que “o amor de Lutero pela Palavra antecipou a sacramentalidade da Palavra afirmada pelo Concílio Vaticano II”.  E este é o verdadeiro tema que divide a Igreja católica: para os conservadores, a única “reforma” possível é a revogação do Vaticano II e a restauração do inverno tridentino.

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Teólogos e teólogas da Libertação lançam carta de apoio ao Papa

O teólogo brasileiro Elio Gasda entrega carta ao Papa na última sexta (20)

46 teólogos e teólogas da Libertação de toda a América Latina lançaram um manifesto de apoio ao Papa, numa carta calorosa e que remete ao melhor da tradição teológica latino-americana. A carta foi entregue na última sexta-feira (20) a Francisco, em Roma, pelo teólogo brasileiro Elio Gasda.  No texto, os signatários solidarizam-se ao “sofrimento” do Papa pelas perseguições que sofre devido a sua postura “profética e pastoral”, “neste momento dramático da história”.

Diz-se na carta: “Queremos expressar nosso apoio por dar centralidade ao grito da Terra e ao grito das vítimas do sistema anti-vida que sacrifica milhões e milhões de irmãs e irmãos empobrecidos”. E, adiante: “Como grupo, invocamos o Espírito para que siga iluminando-o e fortalecendo”.

O manifesto foi aprovado durante o Encontro Intergeracional da Teologia da Libertação – “A força dos pequenos” da rede mundial de teologia  Ameríndia, que aconteceu entre 12 e 14 de outubro. A reunião foi na simbólica cidade mexicana de Puebla onde, em 1979, realizou-se a Terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (a Conferência de Puebla), que marcou o primeiro embate entre a Igreja latino-americana e o papa conservador Karol Wojtyla, eleito meses antes e que praticou um governo de terror e medo. Apesar de os bispos da região terem conseguido aprovar um documento final avançado, o encontro ocorreu sob enorme tensão –os teólogos e teólogas foram proibidos de participar como assessores, o que era inédito desde o Concílio Vaticano II, por uma ordem conjunta do Vaticano e do ultraconservador cardeal colombiano López Trujillo, então secretário-geral do CELAM (Conferência Episcopal da América Latina) e a seguir eleito presidente do órgão. Mais de 50 teólogos e teólogas viajaram a Puebla, hospedaram-se espalhados pela cidade, e mantiveram encontros clandestinos com os bispos progressistas ao longo da conferência.

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Papa desmente publicamente o último conservador ainda na Cúria

O pop star conservador, cardeal Robert Sarah, confronta o Papa

O Papa desmentiu numa carta divulgada neste domingo (22) a interpretação distorcida que o prefeito da Congregação para o Culto Divino havia dado à sua decisão de descentralizar a tradução dos textos litúrgicos, conferindo maior poder às conferências episcopais nacionais. O cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, é hoje o último ultraconservador na direção do Vaticano. Seu posto é estratégico, pois a congregação é responsável pela liturgia (o culto público, como as missas e outras celebrações), um dos centros da vida da Igreja.

O tema da carta de Francisco é o motu proprio Magnum principium sobre as traduções litúrgicas, divulgado em 3 de setembro passado, que normatiza a descentralização, no espírito do  Concílio Vaticano II, revogando o centralismo estabelecido pelos papados conservadores de Wojtyla e Ratzinger.  Francisco determinou que as traduções, aprovadas pelas conferências nacionais dos bispos (as conferências episcopais)  não devam mais ser submetidas a uma revisão por parte do Vaticano (recognitio), mas apenas à confirmação (confirmatio). É o fim da intervenção de Roma nas traduções, tornando praxe um ato com o qual a Congregação para o Culto Divino apenas ratificará a aprovação dos bispos locais.

Em 12 de outubro passado, a revista católica conservadora L’Homme Nouveau seguida pelos sites restauracionistas havia divulgado um “comentário”  de Sarah, que ele enviara a Francisco. O texto afirmava que o documento do Papa seria, na prática, nulo, e que a política de submissão das igrejas locais a Roma estaria intacta.

No seu texto, cardeal conservador assegurava que a instrução Liturgiam authenticam (2001), editada com orientação de João Paulo II estaria mantida intacta e que o texto de Francisco “não modifica, de modo algum, a responsabilidade da Santa Sé, nem, consequentemente, as suas competências em matéria de traduções litúrgicas” -ou seja, colocando no mesmo plano as expressões recognitio e confirmatio.

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A religião matou Jesus e ameaça Francisco

Daniel Bonell, A Crucificação 2 (2000/2005)

O teólogo espanhol José Maria Castillo escreve artigo (publicado na manhã deste domingo no site Religión Digital) no qual desnuda a oposição entre a religião e o ensinamento de Jesus: “(…) se lemos e analisamos os evangelhos com atenção e detidamente, o que neles encontramos é algo que não apenas nos surpreende, mas nos desconcerta. Trata-se do desconcerto que nos produz o fato de que o conjunto de relatos sobre a vida e ensinamentos de Jesus deixa patente que a religião, como conjunto de leis e rituais, templos, altares e sacerdotes, não aguenta o Evangelho (Boa Nova) e, por isso mesmo, é incompatível com o Evangelho.”

Ele denuncia: os que mataram Jesus são os mesmos que odeiam o Papa Francisco. “A estes, a religião é ótima.”

Leia a íntegra a seguir (a tradução é de minha autoria – Mauro Lopes):

É curioso (e chama a atenção) o fato de que a palavra religião (thrêskeia), em seu significado óbvio de “serviço sagrado a Deus”, não é mencionada no Novo Testamento. A palavra “religião” aparece na carta de São Tiago (Ti 1,26-27), mas para dizer que “a religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisso: socorrer os órfãos e as viúvas em suas tribulações”.

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Revista dos jesuítas: Lutero foi “testemunha da fé”

500 anos depois, o caminho da reconciliação

Artigo do sacerdote jesuíta Giancarlo Pani publicado na revista La Civiltà Cattolica, o principal veículo dos jesuítas no mundo, afirma que, na celebração dos 500 anos da Reforma, é hora de a Igreja Católica reconhecer que Martinho Lutero foi “uma testemunha da fé”. A revista é dirigida pelo padre Antonio Spadaro, um dos líderes da Igreja mais próximos do Papa Francisco.

O artigo tem 11 páginas e está na edição 4016 da revista. Você pode ler o estrato em italiano aqui. Abaixo, a tradução que preparei:

“Há cinco séculos, em 31 de outubro de 1517, a Reforma Luterana foi lançada, um evento que está na origem do mundo moderno e marcou profundamente a história do cristianismo. O quinto centenário que se celebra este ano abre uma nova página da história, na caminho aberto pelo Vaticano II. Cinquenta anos de diálogo entre protestantes e católicos permitem hoje reunir os frutos do que se une, em vez de destacar o que divide. E é extremamente significativo que, pela primeira vez, outras confissões cristãs façam parte das celebrações.

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Um padre na Amazônia e o Sínodo: povos indígenas precisam ir a Roma

O padre Luis Miguel Modino (no destaque) e o Rio Negro

Luis Miguel Modino é um padre espanhol que deixou seu país para o desafio de ser missionário no Brasil no século 21. Hoje é pároco na diocese de São Gabriel da Cachoeira, uma das maiores do Brasil, com 293 mil quilômetros quadrados. É o coração da Amazônia, no Estado do Amazonas. Na diocese mais de 90% são indígenas; são 23 povos indígenas e 18 línguas, sendo  o município de São Gabriel da Cachoeira o único a ter quatro línguas reconhecidas como oficiais.

Ele é voz mais que autorizada a falar sobre o Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia, que reunirá em 2019 bispos de todo o mundo, com especialistas e assessores e, espera-se, representantes dos povos indígenas da região. “Não imagino um Sínodo sem a presença dos povos indígenas. O Papa Francisco nunca ia deixar isso acontecer. Ele tem cheiro de ovelha e suas ovelhas na Amazônia são os povos indígenas”, diz o padre Modino. Para ele, a surpreendente convocação do Sínodo “pode mudar decisivamente a presença da Igreja na Amazônia” a partir da escuta “do grito da floresta e seus povos” –leia a entrevista dele ao Caminho Para Casa, concedida inicialmente há pouco mais de uma semana e completada neste domingo depois da surpresa do Sínodo(15).

Para o sacerdote espanhol apaixonado pelo Brasil e a Amazônia, o Sínodo é uma “oportunidade” que a Igreja da região “não pode perder”. Alguns dos pontos da agenda do Sínodo, segundo ele, devem ser as “questões gritantes que hoje estão presentes na Igreja da Amazônia, como a celebração eucarística sem a presença de um ministro ordenado e uma maior e melhor presença nas comunidades indígenas”. Duas questões cruciais para o Sínodo, na visão de Modino: 1) “a Igreja da Amazônia deve escutar o povo, sobretudo os moradores originários, as populações tradicionais. Pôr em funcionamento a colegialidade que o Papa Francisco propõe”; 2) “Tem que ser um Sínodo que brote do chão amazônico e que mesmo celebrado em Roma não respire os ares contaminados da Cúria e sim os ares puros das florestas que os povos indígenas trouxeram até nós.”

Com 46 anos de idade, Modino está no país desde os 35, em 2006. É padre diocesano de Madri e missionário Fidei Donum, e coordenador para o Brasil da Obra de Cooperação Sacerdotal para Hispanoamérica (OCSHA), organismo da Conferência Episcopal Espanhola.  Durante nove anos esteve na diocese de Ruy Barbosa, no interior da Bahia, antes de instalar-se em São Gabriel da Cachoeira.

Uma prática de seu trabalho pastoral são as itinerâncias, visitas que ele realiza –de barco- às comunidades da diocese, à beira dos rios Negro e Xié, que duram em geral uma semana. As fotos que acompanham a entrevista são todas de Modino, durante as breves viagens. Ele é jornalista, correspondente no Brasil de Religión Digital, o mais relevante site católico progressista em língua espanhola do mundo, com mais de três milhões de visitas/mês.

É uma união interessante essa, a do sacerdócio com o jornalismo: “Como Igreja somos chamados a dar a conhecer aquilo que a gente do povo  vive. Uma vez escutei uma afirmação que me marcou: aquilo que não é conhecido não existe. Como comunicador, penso que minha missão é mostrar ao mundo a realidade dos povos e das pessoas com quem convivo e da natureza maravilhosa que nos cerca. Escrever e fotografar é um jeito de evangelizar, de ajudar as pessoas a refletir sobre situações muitas vezes desconhecidas.”

Leia a seguir a entrevista com Luis Miguel Modino:

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