O grito dos franciscanos e franciscanas do Brasil: “dirão que é comunismo, mas é Evangelho”

Franciscanos e franciscana no Capítulo Nacional das Esteiras, em Aparecida

Um encontro histórico dos franciscanos e franciscanas de todo o Brasil proclamou em carta aprovada por unanimidade neste domingo (6) a adesão incondicional ao papado de Francisco e definiu como missão: “participar da reconstrução da Igreja com o Papa Francisco e reconstruir o Brasil em ruínas”. Trata-se de uma citação de um dos momentos mais conhecidos e cruciais da trajetória de São Francisco que, em 1205, na abandonada igreja de São Damião, em Assis, ao contemplar um crucifixo ouviu o que lhe parece uma mensagem direta: “Não vês como está a minha Igreja? Está em ruínas. Vai, e reconstrói a minha Igreja”. O mantra do encontro, repetido por quase todos os palestrantes e nas homilias durante as missas foi: voltar a Assis –retomar o espírito original de São Francisco.

Mais de mil franciscanos e franciscanas estiveram presentes à  Conferência da Família Franciscana do Brasil, que se reuniu desde a quinta-feira (3) em Aparecida (SP). O “sabor de Francisco” convergiu com o reencontro dos parâmetros fundamentais da Teologia da Libertação latino-americana e, em sua carta, os franciscanos afirmaram em espírito de oração: “’Óh Mãe preta, óh Mariama, Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama!’, ainda assim, invocamos suas bênçãos sobre toda a nossa família e sobre um Brasil sedento de Paz – fruto da justiça, do bem e da Misericórdia de Deus” –a frase é inspirada na “invocação a Mariama”, de dom Hélder Câmara. Leia a íntegra da Carta de Aparecida ao final.

Um dos trechos da carta é todo vazado a partir da melhor tradição da teologia latino-americana, severamente reprimida durante os 35 anos da restauração conservadora sob João Paulo II e Bento XVI: “A realidade ecológica e sócio-política-econômica do nosso país nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio.  Assistimos, tomados de ira sagrada, à violação dos direitos conquistados, através de muitos esforços, empenhos e articulação pelo povo brasileiro. Por isso, não podemos deixar de nos empenhar junto aos movimentos sociais na luta ‘por nenhum direito a menos’, contra golpes, reformas retrógadas e abusivas conduzidas por um governo ilegítimo, um parlamento divorciado dos interesses da população e  uma justiça que tem se revelado fora dos parâmetros da equidade que no lugar de fortalecer o papel do Estado para atender às necessidade e os direitos do mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital”.

Foram quatro dias marcados pela emoção e o compromisso, com representantes dos mais de 20 mil religiosos da Primeira Ordem (Frades Menores, Frades Menores Capuchinhos, Frades Menores Conventuais), da Segunda Ordem (Irmãs Clarissas), da Ordem Franciscana Secular (leigos), da Juventude Franciscana (leigos), da Terceira Ordem Regular (TOR), das Congregações e Movimentos simpatizantes de Francisco e Clara de Assis presentes no Brasil -se você quiser ler uma cobertura detalhada do encontro pode clica no site da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (aqui).

O encontro teve o título de Capítulo Nacional das Esteiras, símbolo da simplicidade, pobreza e disponibilidade franciscana. O espírito de retomada esteve patente, conforme assinalou a carta: “As partilhas realizadas nesses dias nos levam a afirmar: vivemos um verdadeiro Pentecostes. Neste sentido, o Capítulo nos chamou a um revigoramento do Carisma e nos levou a fazer memória da herança, da inspiração originária que deu início ao movimento franciscano. A experiência das esteiras nos leva a retomar nossa vocação enquanto peregrinos e forasteiros.”

Franciscanos e franciscanas conclamaram à construção de “um novo horizonte utópico” fundado nas bases históricas do país “marcadas pelo sangue dos pobres e pequenos, indígenas, mulheres e jovens negros, por um extrativismo desmedido e destruidor, por uma economia que exclui a maioria, por destruição de povos, culturas e da natureza.”

Um dos centros da reflexão do encontro foi a Laudato si – sobre o cuidado da casa comum, encíclica de Francisco sobre o planeta,  que se abre exatamente com uma oração de São Francisco: “’LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor’, cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: ‘Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras’” –a íntegra da encíclica aqui.

[Mauro Lopes]

Leia a íntegra da carta dos franciscanos:

CARTA DE APARECIDA

“ Ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres. ” LS,49

A Conferência da Família Franciscana do Brasil, celebrando o Capitulo Nacional das Esteiras, consciente de sua missão de “levar ao mundo a misericórdia de Deus”, dirige-se a todas as pessoas de boa vontade: àquelas que continuam acreditando em um mundo de justiça e fraternidade e àquelas que, em meio às contradições e crueldades de nosso tempo, vivem a dor da desilusão e da falta de esperança.

As partilhas realizadas nesses dias nos levam a afirmar: vivemos um verdadeiro Pentecostes. Neste sentido, o Capítulo nos chamou a um revigoramento do Carisma e nos levou a fazer memória da herança, da inspiração originária que deu início ao movimento franciscano. A experiência das esteiras nos leva a retomar nossa vocação enquanto peregrinos e forasteiros.

As bases nas quais foram construídas a nossa história estão marcadas pelo sangue dos pobres e pequenos, indígenas, mulheres e jovens negros, por um extrativismo desmedido e destruidor, por uma economia que exclui a maioria, por destruição de povos, culturas e da natureza. À luz do nosso carisma, compreendemos que se faz necessário construir um novo horizonte utópico que nos comprometa com a construção de um projeto de país com justiça e paz em respeito à integridade da criação.

Somos sensíveis ao grito dos empobrecidos e da Mãe Terra! É preciso agir com misericórdia para com eles e, com indignação diante desse sistema que exclui, empobrece e maltrata, e convocarmos a todos para se unirem à luta que hoje assumimos juntos: participar da reconstrução da Igreja com o Papa Francisco e reconstruir o Brasil em ruínas.

É chegado o momento de recolhermos nossas esteiras e as lançarmos sobre o chão das periferias do mundo, transformando continuamente nossa maneira de Ser, Estar e Consumir em reposta aos apelos do Papa Francisco.

A realidade ecológica e sócio-política-econômica do nosso país nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio.  Assistimos, tomados de ira sagrada, à violação dos direitos conquistados, através de muitos esforços, empenhos e articulação pelo povo brasileiro. Por isso, não podemos deixar de nos empenhar junto aos movimentos sociais na luta “por nenhum direito a menos”, contra golpes, reformas retrógadas e abusivas conduzidas por um governo ilegítimo, um parlamento divorciado dos interesses da população e  uma justiça que tem se revelado fora dos parâmetros da equidade “que no lugar de fortalecer o papel do Estado para atender às necessidade e os direitos do mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital”¹.

Dessa Cidade de Aparecida, Nossa Senhora, Padroeira do Brasil, resgatada das águas de um rio, hoje poluído e degradado, nos faz eleger dentre os diversos apelos um compromisso particular com a Irmã Água. Deste modo, nos empenharemos na construção de um processo de reflexão e ação em defesa da água como bem comum, que se dará através da participação da família em jornadas, fóruns e nas iniciativas de fortalecimento dos trabalhos ligados à promoção da Justiça e da Integridade da Criação.

Tudo isso acontece, irmãs e irmãos, porque São Francisco nos ensinou que nos momentos mais difíceis de nossas vidas devemos voltar à Casa da Mãe. Ele e seus irmãos voltavam, com frequência, à pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula. Nós voltamos ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, nestes 300 anos de caminhada com os pequenos desta terra.

“Óh Mãe preta, óh Mariama, Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama!”, ainda assim, invocamos suas bênçãos sobre toda a nossa família e sobre um Brasil sedento de “Paz – fruto da justiça, do bem e da Misericórdia de Deus”.

Conferência da Família Franciscana do Brasil – CFFB

06 de agosto de 2017

61 respostas para “O grito dos franciscanos e franciscanas do Brasil: “dirão que é comunismo, mas é Evangelho””

    1. Nada mais adequado ao espírito dos Franciscos. Oxalá todas as famílias da mãe Igreja se juntem nesse movimento profético por que evangélico (no sentido original do termo).!

  1. O “sabor de Francisco” convergiu com o reencontro dos parâmetros fundamentais da Teologia da Libertação latino-americana e, em sua carta, os franciscanos afirmaram em espírito de oração……? TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO….?Um dos trechos da carta é todo vazado a partir da melhor tradição da teologia latino-americana, severamente reprimida durante os 35 anos da restauração conservadora sob João Paulo II e Bento XVI: “A realidade ecológica e sócio-política-econômica do nosso país nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio.
    IRMÃOS, PENSEMOS UM POUCO….
    Se Dois Papas foram veementemente contra esta teologia… Inclusive um é Santo, o que nem foi mencionado aqui… Chamando o apenas de João Paulo II… Pelo que me lembro… Na vida se São Francisco, o que mais o caracterizava era o espirito de penitência… Inclusive no prólogo da regra é a conversão e penitência o fundamento da vida franciscana… A realidade ecológica e sócio-política-econômica é fator sim de justiça, mas a convenção e vida segundo os mandamentos e preceitos evangélicos devem ser, sempre, a primeira e principal preocupação do franciscano secular! ” passar da vida ao Evangelho e do Evangelho a vida”. No Evangelho não vemos Jesus um libertador da realidade ecológica e sócio-política-econômica do povo Judeu… Esta seria a consequência da vivencia do verdadeiro cristianismo… Pensemos nisso! Para não nos tornarmos imbecis úteis! Não a teologia da libertação, sim a Doutrina social da Igreja! Recordemos que foi pela desobediência que o pecado entrou no mundo! Fraternal abraço,
    Paz e Bem!

    1. Caro João Paulo, paz. Creio que temos leitura diferentes sobre São Francisco. E creio que nenhuma das famílias franciscanas corrobora sua visão, conforme a Conferência deixou patente. O que caracteriza Francisco não é a penitência, mas o espírito pobre com os pobres, a presença pobre com os últimos, o amor ao planeta, aos animais, ao ar e ao vento (ecologia) como desdobramento de um desmedido amor às pessoas. O fato de dois papas pensarem de um jeito não transforma tal pensamento em verdade. Porque o que pensaram João Paulo II e Bento XVI seria mais válido do que o que pensa Francisco? Não é partida de futebol. Há visões muito diferentes na Igreja, e se formos capaz de reconhecer isso com serenidade o caminho do diálogo será melhor. Nos papados de Wojtyla e Ratzinger não houve diálogo -o governo da Igreja se deu administrativamente, com o uso preferencial da Congregação da Doutrina da fé para punir. Veja a diferença com Francisco. Alguém foi punido por pensar diferente? Vamos conversando! Paz e bem!

      1. Até porque essa teologia da Libertação ou teologia latino-americana foi criada na URSS,além de culto a Terra,ao meio ambiente,isso só mostra que essa ordem não merece nosso respeito enquanto católicos,pois vai ao contrário que é ensinado,a salvação das almas fica na 50º posição enquanto o materialismo segue em primeiro,além de dividir as pessoas em grupos antagônicos e depois de reclamam de crise na igreja,do católico sair para outras religiões,esta óbvio que se tudo é relativo,ninguém mais,nem mesmo na igreja,sabe a diferença entre o que é catolicismo e o que é macumba!

        1. Caro Santiago, paz. Dizer que a Teologia latino-americana foi criada na União Soviética é de um desconhecimento histórico espantoso, que apenas justifica uma visão preconceituosa de cabo a rabo. O tempo de as pessoas saírem da Igreja Católica para outras religiões foi exatamente o período dos papados de João Paulo II e Bento XVI -todas as pesquisas atestam isso. Leia: http://outraspalavras.net/maurolopes/2017/06/05/perseguicao-a-teologia-da-libertacao-baseou-se-em-duas-fraudes-indicam-pesquisas/. Um abraço em paz e bem.

      2. Sim, foi. O Papa Francisco excomungou um padre australiano defensor do casamento homossexual. O casal australiano do Nós Somos Igreja foi excomungado. Não sei se leram o “Laudaso Si”, mas o Papa Francisco opõe-se ao que parece que vocês estão a fazer que é devinizar a Terra! São Francisco de Assis amava todas as criaturas vivas porque via nelas a criação de Deus. Não sei, sinceramente, o que vocês vêem. E todos sabemos que a Teologia da Libertação é comunismo mal-disfarçado, reduz tudo ao nível do temporal e do político. Coloca-se o “pobre” no lugar de Deus. Parece que há mais um culto da pobreza que um desejo sincero de contribuir para transformações sociais a partir da Doutrina Social da Igreja, não da luta mas da concórdia de classes. Leiam Clodovis Boff e rejeitem esse “teologia” que tanto mal tem feito à Igreja.

        1. Caro Thomas, paz. Sabe, escrevi hoje mais cedo algo que me parece óbvio, mas só me ocorreu hoje. Durante 35 anos, com João Paulo II e Bento XVI, os conservadores católicos dedicaram-se a construir uma enorme represa para conter a mensagem de Cristo. Agora que veio Francisco, sua única atividade é correr que nem loucos para tapar as rachaduras no concreto da represa. O fato é que a represa está rachando, Thomas. Esse discurso sobre a Teologia da Libertação não engana mais. Olhe para o papado de João Paulo II e avalie com isenção essa história de que a Teologia da Libertação reduziu “tudo ao nível d o temporal e do político”. Todo o governo de Wojtyla foi dedicado a: 1) derrubar o regime socialista na Polônia; 2) apoiar as ditaduras sangrentas na América Latina; 3) condenar os milhões de casais católicos por desejarem ter uma vida sexual saudável, ativa e feliz. Deu no que deu. Uma crise sem precedentes na história da Igreja. João Paulo II entregou uma Igreja aos pedaços a Ratzinger, um dos maiores responsáveis pela crise -ele, fragilizado, alquebrado, conduziu seu papado de maneira melancólica até a renúncia. Resultado: milhões e milhões de católicos deixaram a Igreja e a “tábua” de salvação da Cúria foi começar a estimular o catolicismo de acento pentecostal, transformando vastos segmento da Igreja em sucursal das Igrejas evangélicas, como vemos no Rio de Janeiro. A Teologia da Libertação nunca colocou o pobre no lugar de Deus. Mas entendeu que o pobre é o centro para Deus. Os conservadores tentam até hoje reduzir Deus a seus projetos de poder e controle. Agora, com Francisco, acabou, né? Um abraço em paz e bem.

      3. O que sustenta a Igreja em seus fundamentos? Guardar o que nos deixou a Tradicao,atraves das Escrituras e do ensinamento do Magisterio da Igreja durante dois mil anos. Se dois Papas seguiram a mesma linha de pensamento basta analisar o que eles ensinaram com aquilo que chamamos de Tradicao: isto e ser catolico.
        Agora, se um Papa ensinar algo que fuja daquilo que a Igreja sempre transmitiu ja nao esta unido ao trono de Pedro. Nao me atreverei a dizer queFrancisco nao esta unido a Pedro, mas ha muitas controversias em seu pontificado; ha sempre algo mal explicado ( a propria Laudato Si e controversa, e sejamos sinceros: nao e um ensinamento ex-catedra, sendo assim ela pode ser discutida… e deve ser discutida por trazer em si distorcoes da fe catolica.
        “Nao e comunismo, e sim evangelho” mas o discurso e sempre carregado de teor politico-partidario, e nao me venha dizer que nao e bem assim, basta analisar que o discurso de muitos religiosos segue a mesma linha de certo partido que nem mesmo o nome e necessario dizer; veja bem qualquer manifestacao politica e ali encontraremos, mesmo que seja velado, algum apoio de certas correntes religiosas: eu leio as analises de conjunturas da cnbb e estudo sobre marxismo e percebe-se as tantas semelhancas em tais analises. Em alguns vejo sim vigarice intelectual, mas a maioria sao idiotas uteis, marionetes usadas como massa de manobra pra interesses politicos, e isso nao e Cristianismo. Como dizia o general Charles de Gaulle, os pilares fundamentais de uma nacao e religiao e alta cultura, e partindo dessa premissa nota-se por que nosso pais esta na decadencia moral que se encontra, pois temos uma caricatura de Igreja, uma subversao da religiao.

        1. Caro Junior, paz. Curiosa a linha de argumentação dos conservadores. O Papa é infalível, mas só aquele Papa que concorda com os conservadores. Quem disse que o papado de Francisco é controverso enquanto os de João Paulo II e Bento XVI não o teriam sido? João Paulo II e Bento XVI impuseram sua visão ideológica/teológica com base no rompimento do princípio da colegialidade, intervindo nas conferências episcopais, punindo milhares de teólogos, bispos, padres, leigos, com medidas que em tudo lembram a Inquisição. Francisco não puniu ninguém, debate-se abertamente, sem medo, enquanto o clima nos outros dois papados era de terror. Por isso eles não seriam “controversos”? Porque impuseram a paz e o silêncio dos cemitérios?

          1. A infalibilidade papal provem da sua continuidade com aquilo que nos transmitiram os apostolos e seus sucessores ate os dias de hoje; o Papa nao e um ser iluminado em sua particularidade e assim torna-se infalivel.
            Joao Pauloll e BentoXVI seguiram esta continuidade. Voce argumenta que eles tinham como proposito romper com as conferencias episcopais: saiba que na condicao de sucessores de Pedro eles estavam acima de qualquer conferencia episcopal, e mais: as conferencias episcopais nao tem autoridade dentro da Igreja, e sim o Bispo em particular desde que esteja unido a Tradicao e ao Magisterio de dois mil anos. Com um tom pejorativo voce argumenta que seus pontificados remetiam aos tempos
            da Inquisicao; nota-se sua falta de conhecimento em relacao ao que foi a inquisicao. Mais uma nota-se sua falta de conhecimento dos fatos ao dizer que eles condenaram “milhares de bispis, teologos e etc.”; um dos caso mais conhecidos foi o de Leonardo Boff( com certeza voce bebeu e bebe de sua ” fontes teologais”) que apesar de tudo que escreveu nao fou excomungado. Voce escreve com desconhecimento e desonestidade intelectual: donde voce tirou essa tal “era do terror”?
            Finalizando, visao ideologica/teologica e o que voces usam quando falam de Cristianismo; foi essa visao ideologica/teologica que esta acabando com a Igreja no Brasil e fazendo um mal imenso ao nosso povo.

          2. Caro Junior, paz. Não existe o instituto da “infalibilidade papal”, ao contrário da versão falsificada do Vaticano I que os conservadores propagam. Na Inquisição foram mais de 150 mil pessoas condenadas, pelo menos três mil delas à morte. Quanto às milhares de punições durante os papados de João Paulo II e Bento XVI, em breve publicarei ensaio detalhado sobre isso.

    2. Aqui a intenção não é acabar com a Igreja. Mais fácil é usá-la como instrumento para a divulgação da ideologia marxista. Este é, em especial, o propósito da Teologia da Libertação, muito bem camuflado através da tocante, e correta, porém deturpada “opção preferencial pelos pobres”.

      Leonardo Boff, em 1980, já dizia que a intenção da Teologia da Libertação não era fazer Teologia dentro do marxismo, e sim fazer marxismo dentro da Teologia (4), ou seja, nada mais do que usar a Igreja para que ela, com o seu discurso modificado em alguns pontos, e mantendo outros pontos de verdade, pudesse servir de instrumento para a divulgação da ideologia marxista. Note-se que a lógica nos faz concluir que quem diz algo desse tipo admite, implicitamente, que não é primeiramente um teólogo, e só em segundo plano um marxista. Não, ele assume que é, antes de tudo, um marxista, e somente depois um teólogo, o que nos faz questionar se para ele Marx é mais importante que Deus.

      A utilização da Igreja para divulgação da ideologia marxista se torna especialmente eficaz, pois usa o nome e a credibilidade da Igreja, aproveitando-se de sua autoridade moral e espiritual a fim de tornar esta ideologia algo de divinamente necessário. Quem passa a levantar a voz contra ela é, como se pode ver, facilmente taxado de obstrutor dos “planos de Deus”, que se resumiriam à implantação da sociedade socialista, chamada pelos teólogos da libertação de “Reino de Deus” .
      Note-se que isto é exatamente o que Gramsci pensou, ou seja, tornar a necessidade de construção da utópica e “paradisíaca” sociedade socialista um verdadeiro “imperativo categórico” com força de mandamento divino. Algo pelo que teríamos a obrigação moral de lutar.
      O Cardeal Ratzinger, em 1984 disse que “a teologia da libertação é uma heresia singular”. Uma heresia é tanto mais perigosa quanto mais elementos de verdade engloba. Eis como o Papa Bento XVI explica a mistura de elementos de verdade do cristianismo com a ideologia marxista:

      “Na minha opinião, aqui se pode reconhecer muito claramente a mistura entre uma verdade fundamental do Cristianismo e uma opção fundamental não cristã, que torna o conjunto tão sedutor: o sermão da montanha é, na verdade, a escolha por parte de Deus a favor dos pobres. Mas a interpretação dos pobres no sentido da dialética marxista da história e a interpretação da escolha partidária no sentido da lula de classes é um salto ´eis allo genos´ (grego: para outro gênero), no qual as coisas contrárias se apresentam como idênticas”.
      A Congregação para a Doutrina da Fé não silenciou sobre a Teologia da Libertação. Em 6 de agosto de 1984 lançava a “Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação” – Libertatis nuntius. Dois anos depois, em 22 de março de 1986 lançava outro documento, desta vez uma “Instrução sobre a liberdade cristã e a libertação” – Libertatis conscientia. Em ambos os casos a intenção era alertar sobre os perigos da Teologia da Libertação. Porém o problema é que já estamos, no Brasil, imersos em uma cultura, uma educação e uma mídia tão marcadamente marxista e esquerdista que para muitos é incompreensível que a Teologia da Libertação seja um desvio, uma deturpação da fé, pelo simples fato de que realmente acreditam que a sociedade socialista é o “paraíso”, o “Reino de Deus” na terra. Uma sociedade em que tudo seria de todos, e em que não haveria mais pobres: eis sua utopia, jamais alcançada pelos países que se aventuraram a construí-la.

      1. Caro Cesar, paz; como o tempo corre (voa!), tomo a liberdade de reproduzir o que escrevi para o Thomas, pois seu texto está na mesma linha do dele. Sabe, escrevi hoje mais cedo algo que me parece óbvio, mas só me ocorreu hoje. Durante 35 anos, com João Paulo II e Bento XVI, os conservadores católicos dedicaram-se a construir uma enorme represa para conter a mensagem de Cristo. Agora que veio Francisco, sua única atividade é correr que nem loucos para tapar as rachaduras no concreto da represa. O fato é que a represa está rachando, Thomas. Esse discurso sobre a Teologia da Libertação não engana mais. Olhe para o papado de João Paulo II e avalie com isenção essa história de que a Teologia da Libertação reduziu “tudo ao nível d o temporal e do político”. Todo o governo de Wojtyla foi dedicado a: 1) derrubar o regime socialista na Polônia; 2) apoiar as ditaduras sangrentas na América Latina; 3) condenar os milhões de casais católicos por desejarem ter uma vida sexual saudável, ativa e feliz. Deu no que deu. Uma crise sem precedentes na história da Igreja. João Paulo II entregou uma Igreja aos pedaços a Ratzinger, um dos maiores responsáveis pela crise -ele, fragilizado, alquebrado, conduziu seu papado de maneira melancólica até a renúncia. Resultado: milhões e milhões de católicos deixaram a Igreja e a “tábua” de salvação da Cúria foi começar a estimular o catolicismo de acento pentecostal, transformando vastos segmento da Igreja em sucursal das Igrejas evangélicas, como vemos no Rio de Janeiro. A Teologia da Libertação nunca colocou o pobre no lugar de Deus. Mas entendeu que o pobre é o centro para Deus. Os conservadores tentam até hoje reduzir Deus a seus projetos de poder e controle. Agora, com Francisco, acabou, né? Um abraço em paz e bem.

      2. Muito bom César! Urge a Igreja de Cristo retomar sua verdadeira doutrina. O Papa Francisco passará,mas a Igreja triunfará, como já triunfou sob outros Papas que se voltam mais ao secularismo e ao materialismo do que à salvação das almas. Parabéns pelos argumentos!

        1. Caro Beto, paz. Pois me diga uma coisa quem é que decide quais são os papas “bons” e os papas “maus”? O que é a “verdadeira doutrina”?

  2. Gente, considero oportuno, encorajadora e apropriado tudo o que li neste texto. Menos a menção de que o Brasil está sendo administrado por “um governo ilegítimo”. Afinal, falsear os fatos também é pecado! Evitemos isso, até porque se tratá de uma informação supérflua, desnecessária…

      1. Não é fruto de um golpe de estado, mas de um procedimento legal, por mais ilegítimo que se julgue que foi. Michel Temer é Presidente tão legítimo como foi Vice-Presidente da antiga Presidente. Mas é verdade que a corrupção é um mal galopante na política brasileira. Não sei sinceramente se ganhamos muito com a troca.

        1. Caro Thomas, se é legal o Congresso Nacional ser comprado por centenas de milhões de reais para derrubar uma presidente eleita e colocar em seu lugar uma quadrilha como nunca se viu na história do país, então temos conceitos diferentes de legalidade. Não sobrou nada, nada do argumento dos golpistas: diziam que o governo do PT era o “mais corrupto” da história (hoje está claro que era uma piada, não é?); diziam que a economia ia “decolar” assim que Dilma fosse derrubada e enfiaram o país numa recessão brutal, jogando todo o peso da crise nas costas dos trabalhadores; 3) diziam que era uma afronta à legalidade as tais pedaladas (que sequer existiram) e Temer prepara-se para uma “pedalada” muito maior no final do ano, além de ter instalado descaradamente um balcão de negócios em pleno Congresso para comprar parlamentares e salvar seu mandato (com dinheiro público). Sabe, Thomas, para nós, cristãos, a referência é sempre o pobre, sua vida, suas esperanças, seu sofrimento. Paz!

          1. Mauro,
            Sinto-me contemplada com sua fala e muito feliz com decisão dos franciscanos! Essa é a Igreja , realmente de Cristo.

          2. Caro João Paulo, afirmar que Temer é cria do PT revela um desconhecimento da história política do país espantoso.

          3. Parabéns, Mauro. Suas falas demonstram que o Cristianismo tem caminho certo e retoma suas bases, que certamente passa por Francisco e Francisco I.
            Ah, reconfortante, sua lucidez, ao analisar o ilegítimo, fruto do Golpe de Estado de 2016.

        2. Thomas, golpes também são dados usando as leis, ou pelo menos com a “aparência de legalidade”. Não esqueça que há uma abismo entre o ético e o legal. A escravatura já foi legal um dia, mas jamais foi ética. A corrupção galopa também na sociedade sob a infeliz tolerância de grande parte que se espelha nos “exemplos de cima”. Ademais, o que ganhamos com a troca foi um país agonizante (em vários sentidos) e a democracia ainda mais fragilizada. É minha contribuição. Paz!

  3. Que bom, que legal ver uma das Famílias Religiosas se manifestar nesta hora. Faltam outros gritos, de outras Famílias Religiosas, de outras Dioceses, de outras famílias pastorais, das CEBs, das Cáritas…. Meu Deus, são tantos gritos que estão faltando, pois já que não se manifestaram antes, ao menos agora o façam e o façam cada vez mais forte e profético…

    1. Mas a Francisco está chacoalhando! Já balançou os jesuítas, os franciscanos, outras famílias, a CNBB. Aos poucos parece que a Igreja no Brasil parece acorda de um sono profundo, padre Remi. Paz e bem!

  4. Bendito seja Francisco!
    Estamos prontos para retornar aos caminhos de Francisco.
    O povo empobrecido clama por justiça e paz.
    A igreja dos pobres, calada há tantos anos, abraça o povo trabalhador e caminha junto.
    Bendito Francisco!

  5. FABULOSA forma de MOSTRAR o SER CRISTÃO em atualidade de injustiças no campo econômico e político em nível também Planetário!!! Partilhei com ALEGRIA!

  6. Irmãos leiam com atenção o que João Paulo Zucato e cesar escreveram. Eles tem razão sobre a teologia da libertação. Abram as suas mentes ao entendimento e os corações ao amor. Que o Espírito Santo derrame sobre vocês a sabedoria!!!!

    com Amor, respeito e paz!

  7. Muito bom.

    Mas é chegada hora que se torna necessário atitude seria é ordenada, para tirar o Brasil dessa lama em que se encontra. Reconstruir a igreja neste momento, atinge reconstruir o País em sua plenitude. A ação cristã requer a necessidade de transformação ampla e, principalmente, a ação, e atitudes para mudar o que está aí.

    O verdadeiro cristão age, toma para si a atitude, e dá o seu SIM também para fazer o q for preciso para libertar seu povo da opressão em que se vive atualmente.
    Neste sentido, a Igreja tem papel fundamental. É chegada a hora dela arregaçar as mangas e tomar atitudes, de ser a voz do povo, … De assumir seu papel cristão, e libertador.

  8. Partimos do Capítulo,renovados no carisma no peito e na alma.Fomos agraciados com a misericórdia de Deus aconchegados ao colo da Mãe Aparecida. Tudo foi de grande aprendizagem.Paz e Bem

  9. Tão bom ver a Igreja colocar-se claramente a favor dos interesses dos trabalhadores e denunciar o governo Temer , que governa para o capital e defende interesses estrangeiros , sistematicamente destrói direitos adquiridos (CLT e Previdência Social ).
    Um cleriagoverno que insiste em preservar privilégios abusivos da classe governante e fazer o povo pagar as contas dos desmandos .

  10. Parabéns a toda família franciscana pela sua histórica luta contra a opressão e marginalizados do nosso país. Estamos juntos nessa luta hoje e sempre!

  11. PEDRO E PAULO TAMBÉM TINHAM SUAS DIVERGÊNCIAS SOBRE A CAMINHADA DA IGREJA: COMBATER O BOM COMBATE, ENTRETANTO, TODOS TINHAM UM SÓ CAMINHO A SEGUIR, JESUS CRISTO. VEJO ASSIM O CAPÍTULO DAS ESTEIRAS REALIZADA EM APARECIDA. A DISCUSSÃO É BOA, AS DÚVIDAS SÃO REAIS MAS SÓ HÁ UM CAMINHO A SER SEGUIDO, INDEPENDENTE DAS NOSSAS DIVERGÊNCIAS: JESUS CRISTO É O SENHOR, PARA A GLÓRIA DE DEUS PAI. AMÉM! PAZ E BEM!

    1. Caro Reginaldo, paz. Sim, perfeito. A questão é que nem Paulo nem Pedro impuseram um ao outro censuras, exclusões, remoções, punições de todo o tipo. Não é o que vimos na história da igreja nos 35 anos de João Paulo II e Bento XVI, lamentavelmente.

  12. Mauro, voce repetidas vezes fala que nos ultimos 35 anos a Igreja esteve sob o poder dos conservadores; que suas intencoes eram pura e simplesmente controlar a Igreja com maos de ferro. Voce e hipocrita, desonesto intelectual ou, apenas mais um ignorante( por caridade, acreditarei na terceira hipotese); uma prova irrefutavel do que estou dizendo e a propria realidade da Igreja do Brasil: veja a tomada de posicao da CNBB; veja a realidade dos seminarios e a formacao dos nossos padres( eu conheco bem a realidade dos seminarios); a Teologia da libertacao sempre esteve presente nos ambitos de nossas dioceses ou nos discursos dos padres de tantas paroquias; a propria Teologia da libertacao e seus arautos criaram essa hegemonia cultural em nossa sociedade que abriu caminho para que toda essa casta de corruptos subisse ao poder… e os conservadores estavam dominando com maos de ferro?
    Quem nao se lembra de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo de Guarulhos, que na condicao de pastor que orientava as ovelhas acabou sendo censurado pela propria CNBB. Quando em minha cidade um candidato do PT venceu a eleicao para prefeito o que fez o padre de minha paroquia : levou o futuro prefeito ao presbiterio durante a missa de domingo para que fosse prestigiado por sua “grande vitoria”… e ainda estavamos sob dominio conservador? o povo brasileiro, sim , e um povo conservador mas nao encontra em seus pastores quem venha representa-lo. Voce e todo seu discurso e prova cabal que nossa Igreja ha tempo deixou de ser conservadora, sejamos honestos!
    Voce se diz catolico e se coloca como herege,nao acredita num dogma de fe ( como voce afirmou, a infalibilidade papal e uma mentira de conservadores ); voce e ministro extraordinario da comunhao e marxista, tem autorizacao pra fazer celebracao da Palavra e ensina o que e contrario a fe catolica; vocepara mostrar conhecimento da Inquisicao apresenta um numero de julgamentos e mortes cometidos por ela; quando eu lhe disse que ao falar da Inquisicao com um tom pejorativo voce a expoe como um tempo de crueldade cometido pela Igreja e ainda faz uma analogia dela com os papados de Joao Paulo ll e Bento XVI. Leia os estudos do Simposio sobre a Inquisicao realizado em 98 e voce sabera o que verdadeiramente ela foi. E os conservadores detem o poder? Realmente voce nao sabe o que e ser um conservador; leia os escritos de Russel Kirk ou Roger Scruton e voce entendera o que e ser um conservador.
    Temos em nosso pais um monopolio da mentalidade esquerdista seja nos presbiterios, no congresso, na midia ou nas redacoes de jornais. Somos um povo conservador e nao damos conta disso, pois quem nos representa nao deseja que saibamos.

    1. Obrigado pela argumentação Junior de Sousa. A ignorância sobre a Igreja é palpável. Como dissestes, por caridade deixemos por ignorância, pois mais parece desonestidade. A graça de Deus manterá nossa Igreja imune da Teologia da Libertação, são tempos sombrios que passarão! Não prevalecerão!

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