Um bispo negro toma a frente e proclama: a homossexualidade é um dom de Deus

Dom Antônio Carlos Cruz Santos, bispo de Caicó (RN): retomando o profetismo dos bispos brasileiros

Um bispo negro, no sertão do Nordeste, com uma trajetória entre os pobres do Rio, Minas e São Paulo, nomeado em 2014 pelo Papa Francisco, chacoalhou a Igreja Católica, abriu os portões de ferro da falsidade e do preconceito e proclamou, profeticamente: a homossexualidade é um dom de Deus. Foi dom Antônio Carlos Cruz Santos, religioso da congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, bispo de Caicó, no sertão do Rio Grande do Norte. Ele afirmou que o preconceito contra os homossexuais está em linha direta com o preconceito contra os negros e a escravidão e acusou os conservadores católicos de falta de misericórdia.

Numa homilia no 17º Domingo do Tempo Comum (30 de julho), ainda no contexto da festa de Sant’Ana (mãe de Maria), comemorada em 26 de julho, ele abordou o tema da homossexualidade a partir de um olhar profundamente cristão: “Pensemos, por exemplo: na perspectiva da fé, quando a gente olha para a homossexualidade a gente não pode dizer que é opção. Pois opção é alguma coisa que livremente você escolhe; e orientação ninguém escolhe – um dia a pessoa descobre com esta ou aquela orientação. Escolha será a maneira como você vai viver a sua orientação, se de uma forma digna ética ou de uma forma promíscua; mas promiscuidade pode-se viver em qualquer uma das orientações que se tem. Então, já que não é escolha, já que não há opção, já que a Organização Mundial da Saúde desde a década de 90 não considera mais como doença, na perspectiva da fé nós só temos uma resposta: se não há escolha e não é doença, na perspectiva da fé só pode ser um dom. É dado por Deus. Mas talvez os nossos preconceitos não consigam o dom de Deus.”

Veja homilia de dom Antônio Carlos. No final, ela está transcrita integralmente:

Dom Antônio Carlos tem uma trajetória que o liga à trajetória mais original da Igreja no Brasil, aquela que formou uma geração de bispos-profetas como Dom Hélder Câmara, dom Paulo Evaristo Arns, com Pedro Casaldáliga e tantos outros. Sua nomeação pelo Papa Francisco para bispo de Caicó foi uma surpresa. Ele havia sido vigário em paróquias inseridas em regiões pobres, como  a Cidade de Deus, no Rio, Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e Contagem, em Minas Gerais.  Era um padre “com cheiro de ovelhas”, na definição do Papa Francisco para a escolha dos bispos de seu pontificado.

Em sua homilia, ele estabeleceu uma linha direta entre o preconceito aos homossexuais e aos negros: “Assim como o preconceito com o negro; não se percebia que o negro era gente; dizia-se que o negro não tinha alma”. A negação da humanidades das pessoas homoafetivas está no mesmo lugar da negação da humanidade aos negros durante a escravidão –e que perdura em segmentos da sociedade até hoje. O que propôs dom Antônio Carlos: “assim como fomos capazes de dar um salto na sabedoria do Evangelho e vencer a escravidão, não estaria na hora de a gente dar um salto na perspectiva da fé e superar preconceitos contra os nossos irmãos homoafetivos?”

Francisco entre Diego, transexual espanhol (d) e sua namorada, Macarena: encontro histórico

O bispo de Caicó fez questão de referenciar sua posição nos gestos do Papa. Ele relatou um encontro muito especial de Francisco em 2015: “No último sábado de 2015 numa audiência privada, que não foi revelada por Francisco, mas foi revelada pela pessoa que foi a esta audiência privada, o Papa recebeu em sua casa o transexual  Diego Neria Lejarraga e sua namorada [Macarena]. Como se deu esse encontro? O Papa recebeu uma carta desse transexual espanhol falando da dor que ele tinha, do preconceito que ele sofria na sua comunidade católica da Europa. Fruto disso, o Papa telefonou para ele e marcou essa audiência. E depois da audiência esse rapaz deu uma entrevista a um jornal espanhol na qual ele dizia que na sua comunidade esse transexual tinha sido chamado pelo padre e pelo povo como ‘filha do diabo’. Sensibilizado, Francisco tentou acolher aquele que não foi acolhido pelo irmão na Igreja.” (se quiser saber mais sobre esse encontro, leia aqui)

Numa postura que fugiu à diplomacia usual na hierarquia da Igreja, dom Antônio Carlos acusou os opositores de Francisco de menosprezarem a misericórdia: “Papa Francisco é acusado por alguns dentro da Igreja que querem ser mais romanos do que o Papa, de que ele quer  baratear a doutrina católica baratear a doutrina católica, dizem que nós estamos vendendo, que ele está vendendo a doutrina católica por coisa barata. Na verdade, o que o Papa Francisco está querendo é que é o ponto de partida da doutrina católica seja a misericórdia; e a misericórdia, gente, não é baratear: a misericórdia é muito cara. Cristo pagou um preço caro pela misericórdia. A misericórdia é um preço caro que a gente paga por ser fiel ao Mestre Jesus.”

A reação de segmentos católicos conservadores foi a usual: acusação de “blasfêmia”, de condescendência com um “pecado grave” (a homossexualidade, na visão desses segmentos), organização de abaixo-assinados endereçados ao núncio apostólico e ao Vaticano. Houve ofensas de todo tipo e manifestações de ódio ao bispo na internet e em programas de rádio e TV de conservadores. No domingo (6 de agosto), diante das pressões, dom Antônio Carlos divulgou uma “nota de esclarecimento” (aqui) na qual reafirma os aspectos essenciais de sua homilia.

[Mauro Lopes]

Leia a íntegra da homilia de dom Antônio Carlos Cruz Santos:

Nesta semana, na quarta feira do dia de Sant’Ana [26 de julho], no programa do Marcos Dantas, na 95 [uma rádio de Caicó] houve uma entrevista que me provocou. Marcos Dantas entrevistou o professor Wether dos Santos Filho sobre sua dissertação de mestrado. Sabe qual era a dissertação de mestrado do professor? Sobre a prevalência e fatores associados à ideação suicida entre travestis e transexuais.

A tese que o professor levantava era a partir dos números de suicídios entre travestis e transexuais. Ao ouvir essa reportagem tive a oportunidade de conversar com o professor e fiquei pensando em tantos irmãos e irmãs com orientação homoafetiva que se sentem incompreendidos e não amados por nós, que somos Igreja, pelas suas famílias, pela sua sociedade e até por si mesmos, como acontecia na época da escravidão.

Fiquei lembrando nesses 25 anos de ministério de tantas histórias e sofrimentos de irmãos e irmãs com orientação afetiva que vieram partilhar conosco carregando sua dor e sobretudo a dor de não se sentir acolhido e amado.

Lembro-me de um fato, num determinado lugar que eu trabalhei; certa vez uma mãe veio me procurar porque seu filho jovem tinha revelado para ela a sua orientação homoafetiva. Esta mulher ocupava naquela cidade um lugar de certo prestígio e ela não dava conta de digerir esta orientação do seu filho; como mãe que iria amar, mas pelo peso da cultura que ela carregava, pelo peso da sociedade que ela carregava não dava conta de aceitar. Ela entendia a orientação seu filho como uma forma de exposição negativa dela, que sentia no lugar de certo conforto e acolhimento na sociedade. Tentei fazer com esta mãe um caminho, mas não é fácil fazer um caminho quando estamos diante dessas questões; cheguei a propor um acompanhamento o rapaz, que nunca me procurou.

Pouco tempo depois esta mulher teve um câncer. Possivelmente aquele câncer era a somatização daquilo que ela não conseguia digerir no seu filho; e esse câncer foi capaz de leva-la a óbito. Quando eu fui fazer as exéquias, o filho estava ao meu lado e o filho sabia dessa conversa, porque com certeza mãe tinha dito para ele. E a única coisa que aquele filho fez, chorando, ao olhar para mim, foi dizer: “eu sei que eu sou o culpado da morte de minha mãe”. Infelizmente não me era possível naquele momento eu dizer outra coisa, para não revelar aquilo que era um direito dele, algo que eu escutei no num outro momento mais privado. Cheguei a dizer “me procure”; ele nunca procurou, mas fiquei pensando na dor que essa pessoa carrega de levar essa culpabilidade que não tem. A culpa não era da sua orientação; a culpa era da sua mãe não ter dado conta de vencer os preconceitos.

Todos vocês sabem que um tema que me toca muito é o tema do suicídio no nosso Seridó [região de sertão no RN e PB]. Por isso, quando ouvi essa entrevista me chamou a atenção. E nós estamos no Seridó, onde o IBGE nos  diz que 90% da população se diz católica. Eu não tenho ilusão de imaginar que os 90% são católicos praticantes, mas significa dizer que mais de 90% bebe deste caldo da cultura católica; aqui está a expressão [faz um gesto dirigindo-se à comunidade reunida na missa], a festa de Sant’Ana. Tem pessoas que nem frequentam as missas dominicais mas que estão na festa de Sant’Ana por causa desse caldo da cultura católica. E eu pergunto se não é um desafio para nós, num lugar tão bonito como esse, com

a longa tradição, com a cultura tão bonita mas ao mesmo tempo tão rígida como carregamos aqui no sertão, se nós não teríamos que dar uma boa notícia para tantos irmãos e irmãs que sofrem, como esta mãe sofreu, que sofrem como esse filho sofreu; que com certeza estão nos ouvindo e estão no meio de nós; que muitas vezes esperam de nós uma palavra, uma boa notícia.

O Evangelho por excelência é evangelho da inclusão; o Evangelho é sim uma porta estreita, é um amor exigente, mas é uma porta sempre aberta. Deus nunca fecha a porta para ninguém. Por isso talvez seria momento de, assim como fomos capazes de dar um salto na sabedoria do Evangelho e vencer a escravidão, não estaria na hora de a gente dar um salto na perspectiva da fé e superar preconceitos contra os nossos irmãos homoafetivos?

Pensemos, por exemplo: na perspectiva da fé, quando a gente olha para a homossexualidade a gente não pode dizer que é opção. Pois opção é alguma coisa que livremente você escolhe; e orientação ninguém escolhe – um dia a pessoa descobre com esta ou aquela orientação. Escolha será a maneira como você vai viver a sua orientação, se de uma forma digna ética ou de uma forma promíscua; mas promiscuidade pode-se viver em qualquer uma das orientações que se tem. Então, já que não é escolha, já que não há opção, já que a Organização Mundial da Saúde desde a década de 90 não considera mais como doença, na perspectiva da fé nós só temos uma resposta: se não há escolha e não é doença, na perspectiva da fé só pode ser um dom. É dado por Deus. Mas talvez os nossos preconceitos não consigam perceber o dom de Deus.

Assim como o preconceito com o negro; não se percebia que o negro era gente; dizia-se que o negro não tinha alma, o nosso preconceito não permite perceber esse dom.

O que é um preconceito, gente? O preconceito é um conceito antes de uma experiência. Como um preconceito cegou a vista de gerações diante da escravidão, como o preconceito cega a Europa frete o drama dos refugiados, como o preconceito torna insensíveis tantas lideranças políticas do nosso país diante da dor dos mais pobres com as leis, seja a reforma trabalhista, como a reforma previdenciária ou agora está sendo previsto ser revista a lei sobre as comunidades quilombolas. Tudo preconceito.

Papa Francisco é acusado por alguns dentro da Igreja que querem ser mais romanos do que o Papa, de que ele quer  baratear a doutrina católica baratear a doutrina católica, dizem que nós estamos vendendo, que ele está vendendo a doutrina católica por coisa barata. Na verdade, o que o Papa Francisco está querendo é que é o ponto de partida da doutrina católica seja a misericórdia; e a misericórdia, gente, não é baratear: a misericórdia é muito cara. Cristo pagou um preço caro pela misericórdia. A misericórdia é um preço caro que a gente paga por ser fiel ao Mestre Jesus.

Quando o Papa Francisco esteve a primeira vez aqui no Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, em 2013, quando ele voltava para Roma, naquela entrevista que ele sempre concede no avião, a repórter brasileira Ilze Scamparini fez uma pergunta ao Papa a respeito de um escândalo homossexual que tinha acontecido no Vaticano naqueles dias. E dentro da resposta ele nos dá esta pérola, falando dos nossos irmãos homoafetivos e ele usa a expressão gay. Porque gay na Europa não tem o mesmo sentido para nós; quando falamos gay tem uma palavra carregada de preconceito, na Europa não há por isso; por isso aqui no Brasil é melhor chamar homoafetivo. Então, ele estava referindo como se fala na Europa, e ele disse: se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade quem sou eu para julgar?

[Aplausos]

O Catecismo da Igreja Católica, diz o Papa, diz assim: não se deve marginalizar estas pessoas: por isso devem ser integradas na sociedade. É bom que os ortodoxos também leiam o Catecismo da Igreja Católica.

No último sábado de 2015 numa audiência privada, que não foi revelada por Francisco, mas foi revelada pela pessoa que foi a esta audiência privada, o Papa recebeu em sua casa o transexual  Diego Neria Lejarraga e sua namorada [Macarena]. Como se deu esse encontro? O Papa recebeu uma carta desse transexual espanhol falando da dor que ele tinha, do preconceito que ele sofria na sua comunidade católica da Europa. Fruto disso, o Papa telefonou para ele e marcou essa audiência. E depois da audiência esse rapaz deu uma entrevista a um jornal espanhol na qual ele dizia que na sua comunidade esse transexual tinha sido chamado pelo padre e pelo povo como “filha do diabo”. Sensibilizado, Francisco tentou acolher aquele que não foi acolhido pelo irmão na Igreja.

O Papa Francisco, na sua Amoris Laetitia [Exortação Apostólica A Alegria do Amor, sobre a famíia], falando sobre o amor na família, ele dedica o capítulo oitavo para aquelas situações que ele chama de situações irregulares, falando sobretudo de segunda união e ele propõe três passos.

Eu me pergunto se aqueles três passos que o Papa Francisco propõe para acompanhar os irmãos em situações irregulares na vida a dois nós também nós não teríamos que dar em relação aos nossos irmãos homoafetivos:  acompanhar, discernir e integrar; acompanhar, discernir e integrar.

Não seria esta a sabedoria salomônica que deveríamos aprender de Jesus? Não é essa misericórdia que é parte da nossa herança com Deus como nos fala o salmo? Não somos todos, independente da nossa orientação, imagem de Cristo?

Cristo quando olha para a gente ele não olha para os nossos órgãos genitais; olha para o nosso coração. E quando ele nos chama, nos chama pelo coração e nós vamos com tudo, inclusive com as nossas orientações e somos todos imagem do Senhor.

Não é esta a pérola que Sant’Ana está nos dando hoje como nos lembra o Evangelho? A pérola da misericórdia de seu neto, de seu Deus e nosso Deus, do filho de Maria, do filho de Deus nosso irmão. Que Sant’Ana nos ensine, como ensinou a Maria, a ter os olhos fixos no transpassado Jesus e um olhar misericordioso para os transpassados na história.

Hoje quero contemplar como um dos transpassados da história os nossos irmãos e irmãs homoafetivos, que não são acolhidos nem chamados por nós.

Que Sant’Ana nos mostre o caminho para Jesus.

[Aplausos]

40 respostas para “Um bispo negro toma a frente e proclama: a homossexualidade é um dom de Deus”

  1. Este bispo pôs o dedo na ferida. Não se trata apenas de “acolher” com misericórdia os homossexuais. Trata-se de os considerar de igual para igual. Não sofrem de nenhuma doença, não têm qualquer aleijão na carne, não se comportam de forma antinatural. São pessoas como todas as outras.

  2. Dom Maristelo é um ungido e acertadamente disse palavras que tentam nos mostrar que todos somos iguais, independente de cor, gênero… Apoio em tudo e sigo suas palavras que nos aproximam de Deus Pai!

    1. Como se não houvesse aspectos tortuosos na vida!! Vida plena só quando formos perfeitos! o que ainda não somos! Antes fomos Andróginos(hermafroditas). Adão era Andrógino! Quando houve a separação Adão/Eva, polarizou os dois sexos para que a evolução acontece-se; dentro de um equilíbrio razoável. Tudo é Bipolar na Natureza, se estamos masculinos, internamente somos femininos e vice-versa. A aceitação e o respeito da nossa natureza ,a ordem das Leis Universais; é respeitar quem os criou e alimentar essa ordem é fazer jus ao nome Humanidade e de quem os criou(que é o sem nome). Respeitar cada ser, não é aceitar tudo que faz, se não haveria evolução, porque aparando as arestas é que esses seres vão evoluindo! A crítica é muito importante para o ser humano evoluir, não a censura! Um dia voltaremos a ser Andróginos Perfeitos! Não no sentido sexual; mas no aspecto mental(porque não necessitaremos do aspecto sexual para procriação); até lá respeitar as leis da natureza e de quem as criou é muito importante, senão demoraremos mais tempo para chegar a essa Androginia.(a volta do filho pródigo a casa paterna).

  3. Ele sofre feridas, alem de ser negro é tambem homossexual… lembro quando estava no noviciado, Ele se namorou de Cristiano Andrade…e sofrio muito quando aquele rapaz foi embora…

  4. Muito sensato o bispo!Afinal,todos temos um coração que sofre…canta e as vezes chora…todos,sem excessao São amados por Deus!Todos teem um lugar ao sol…um dia….todos retornaremos ao pó. ..

  5. Parabéns, aos dois, bispo e autor. Aliás, estou profundamente tocada pelo pouco que li em suas reflexões e sobre suas trajetórias – olhei aqui no blog o link sobre o editor. Não sou católica, mas sinto a intensidade do divino presente nas posturas e posições políticas que transformam o mundo e nos corações solidários que transformam as pessoas. É muito forte, quando o espiritual pode se manifestar pela criatividade humana/divina. Significa que encontramos nosso dom e nos entregamos a ele, como é o seu caso, Mauro, assim como bispo Antônio Carlos e, sem dúvida, papa Francisco e nos permitimos, através desse dom, ser ferramentas para a transformação do mundo.
    Obrigada por compartilhar notícias, essas notícias, obrigada por compartilhar suas idéias, obrigada por compartilhar a sua (e outras) historia… obrigada por usar seu dom, o das palavras, para tocar as pessoas e transformar o mundo! Sou só gratidão <3 !

    1. Thais, paz. Obrigado por sua escrita no ritmo dessa tessitura de solidariedade e compaixão que nos faz seres humanos. Um abraço em paz e bem!

  6. Dizer que a homosexualidade é um dom de Deus é no mínimo errado!!!
    Uma coisa é o amor de Deus para com todos, outra coisa é a concordância de Deus com o homossexualismo!!
    Não vamos confundir!!
    A homosexualidade é contrária às leis de Deus!!
    Isto é fato!!

    1. Caro Paulo, o espírito da fala de dom Antônio Carlos é o olhar compassivo de Deus para toda a criação. A heterossexualidade é dom de Deus, assim como a homossexualidade. A questão é que ao longo da história, os homens tornaram a homossexualidade um “pecado”, afrontando os próprio exemplos bíblicos. Jesus, na genealogia teológica do Evangelho de Mateus, tinha pelos menos dois ascendentes homossexuais, Davi (que era evidentemente bissexual) e Ruth. O preconceito contra os homoafetivos, que marcou boa parte da história da humanidade, encontrou poucos espaços de relação compassiva até que, nos anos 1970, as investigações da psicanálise, da antropologia e outras ciências constataram que todos os seres humanos nascem bissexuais, e a determinação de sua orientação sexual acontece por uma série enorme de fatores, desde a cultura aos traumas. Isso fez com que o olhar para a homossexualidade como patologia fosse questionado. Mas é tudo muito recente. Só em 1973 a Associação Americana de Psiquiatria retirou a palavra da lista de transtornos mentais ou emocionais, sendo a resolução seguida por todas as entidades de psicologia e psiquiatria no mundo. E apenas em 1990 a Organização Mundial da Saúde deixou de considerar a homossexualidade uma doença. Hoje está claro que a homossexualidade é um fantasma que apavora aqueles que imaginam haver uma “normalidade heterossexual” e, para isso, desenvolvem homofobia em graus variados, até os casos de violência explícita. É o medo-pânico que muitas pessoas têm de não darem conta de sua própria orientação sexual e buscarem desesperadamente enterrarem seus recalques e, eventualmente, negarem seus desejos. Por isso, muitas pessoas relatam ter “nojo” de gays. Veja que interessante e trágico: durante a escravidão, muitos da elite branca brasileira diziam ter “nojo” de negros (muitos ainda dizem isso, em ambientes privados, pois publicamente é um ato criminoso). Não é à toa que dom Antônio traçou um paralelo entre a homofobia e o racismo. Na Igreja, onde o percentual de padres e religiosos homossexuais é tão expressivo, muito mais que na população em geral, é ao mesmo tempo incompreensível e compreensível a vigência de opiniões que condenam os gays. Por um lado, revela hipocrisia e falta de compaixão, o que é incompreensível numa instituição que está fundada sob o mandamento do amor; por outro, é um compreensível e evidente mecanismo de autodefesa. Esse argumento de “lei de Deus” é uma tentativa de interditar o debate e avocar Deus para os interesses da visão de alguns. Um abraço, paz!

      1. Mauro, suas palavras reforçam o que sempre acreditei: a misericórdia de Deus, que, com certeza é muito maior que as leis, as quais muitos se apegam para legitimarem o preconceito e a intolerância. A Bíblia contem 613 preceitos de acordo com a lei judaica e com certeza, se levada ao pé da letra tornaria a vida insuportável.

    2. A homossexualidade é um DOM DE DEUS sim! O fazer parte dessa tendência; o suportar o preconceito e a exclusão; o viver cristãmente, essa realidade é, de forma inequívoca, estar pregado na cruz com ELE! Aqui a essência da questão é a “MISERICÓRDIA”, vista pela ótica dos desígnios divinos, mistério insondável que nos adverte, “não julgueis para não serdes julgados”!

    3. Leis de Deus são o amor, a misericórdia, o respeito ao outro. Qual é a lei de Deus que vc entende, meu caro Paulo, que a homossexualidade contraria?

  7. Nossa quero esse bispo em Guarulhos…. A coragem desse Santo homem é digna dos grandes mártires da história da Igreja Católica. Que Deus continue o abençoando.

  8. Eu confio na imensa Misericórdia de Deus! Foi Ele o autor da vida na terra. Portanto creio que não deixaria nascer pessoas que não condissessem com os dois tipos de sexo (masculino e feminino). Seria injustiça d’Ele. A Igreja afirma convicta que Ele nos criou para a felicidade. Então por que essa desigualdade?

  9. Oi, aos contrários à posição tomada pelo Bispo: Deus é o criador de todas as coisas e criaturas? Sim! …Não ! Deus ama todos e a tudo como a mesma intensidade? Sim! Não! Deus criou a homo afetividade? Sim! Não! Reflita!

  10. Creio que D. Antônio Carlos se considera apenas um cristão com obrigações de pastor, deve ser um homem simples. Deus nunca discriminou, nem o Seu Filho.
    Outra coisa, assim como o Papa Francisco, Dom Antônio deve ser da estirpe dos bons cristãos, dos homens justos, portanto,

  11. Até onde sei, a igreja não diz que é errado ser homossexual. A instituição reconhece que não é uma opção gostar de alguém do mesmo sexo, mas convida essas pessoas à uma vida de castidade, assim como os heterossexuais devem ter uma vida casta. O a relação sexual só é aprovada pela igreja quando realizada dentro de um matrimônio, pois deve ter algumas “condições” para que essa prática seja considerada santa e como Deus planejou, que são: unitiva (união de 2 almas), fecunda (com abertura à vida), se não “cumpre” essas condições é considerado pecado (não posso alegar que não existem exceções). Enfim, foi o que sempre ouvi, até mesmo do Papa Francisco (numa frase que não foi tirada do contexto) “quem sou eu para julgar um homossexual que busca à Deus?”. Posso estar errado de acreditar que uma relação homossexual não está correta, mas sempre estarei em comunhão com aquilo que a minha igreja carrega em sua tradição, documentos e na Sagrada escritura. Aliás, li em alguns comentários que alguns da genealogia de Jesus eram bi ou homossexuais, quanto a isso, nos estudos teológicos da Bíblia é notável que a genealogia dos antepassados de Jesus possui muitos pecadores, já que naquela época a reputação de um Judeu era feita a partir da sua genealogia, com isso, Jesus traz em Mateus que ele veio de uma família com muitos pecadores pq “não veio para chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento”. E para finalizar (de verdade kk), continuo acreditando naquilo que a igreja (também o Papa) declara: não aprovar a união homoafetiva, isso não quer dizer que não aceita o homossexual. Pecador≠pecado

    1. Caro Pedro, paz. Muito legal sua reflexão. Mas, sabe, a compreensão da Igreja não é “eterna”. Ela muda ao longo da história, porque é assim mesmo, não é, as cultura mudam, o jeito de as pessoas olharem a vida muda, os conceitos e preconceitos também. Deus é eterno, mas a compreensão que temos dele não é. Essa afirmação que fazem os conservadores de que a Igreja seria “detentora” desse eterno é insustentável. Quer um exemplo? A Igreja apoiou a escravidão. A Igreja apoiou o massacre dos indígenas na América Latina. Então, a compreensão muda, não é? E os católicos e católicas estão convocados a pensar, a meditar, elaborar. “Terceirizar” suas consciências, mesmo sob desculpas de que há alguém que “controla” o sagrado, é terrível, quase uma negação de nossa condição humana. Por isso creio que suas formulações são bonitas e capazes de diálogo. Paz e bem!

      1. Sim, foi o que eu disse no meu comentário: não posso afirmar com toda a certeza de que as relações homossexuais não são aceitas por Deus, mas tenho fé na santidade e na inspiração que o Espírito Santo dá à igreja católica, por isso continuo em comunhão com aquilo que a igreja continua firme em dizer: que um relacionamento homossexual não é algo “natural” e/ou santo. E gostaria de ressaltar algo que muitos opositores da igreja católica ignoram: a igreja convida alguém que seja homossexual à uma vida de castidade, do mesmo modo que convida um heterossexual, afirmando que uma relação sexual (casta) só deve existir após o matrimônio, mesmo que, pela compreensão que o homem tem e por toda a tradição e documentação da igreja, o matrimônio só existe entre um homem e uma mulher.

        1. DEUS É OU NÃO É MISERICORDIOSO? NOS CABE, SIM, “AMAR AO PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS”, DEIXEMOS O JULGAMENTO ÀQUELE QUE COMPREENDE O CERTO E O ERRADO DE SUA CRIAÇÃO! QUANTO O FAZER ISTO OU DEIXAR DE AZER AQUILO, CADA UM COM A SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA DECIDA PARA O SEU MELHOR! A CONSCIÊNCIA DE CADA UM É O SEU PRÓPRIO NORTE!

  12. Um bispo que está em consonância ao que o Papa Francisco, pelo seu amor com o seu rebanho e a lucidez de suas palavras, diz. Temo que a sociedade não o compreenda e o coloque no limbo, literalmente no esquecimento.
    Sinto que o amor de Cristo que une os seres humanos começa a ser compreendido, e a aproximação da Igreja para estes que se sentem ameaçados por ela, está se tornando realidade.
    Um vigoroso amém ao Bispo Dom Antônio Carlos Cruz Santos!

    1. Amém, ao Bispo, ao PAPA, bem como, a todos os que reconhecem que todos somos CRISTÃOS/IRMÃOS, Filhos do mesmo PAI. LOUVADO SEJA DEUS e que a MISERICÓRDIA DIVINA, envolva a todos os FILHOS DE DEUS, ou seja, a todos os homens, mulheres e crianças, IRMÃOS na LUZ

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