Acabou a conversa da “escravidão” na China: eles já ganham mais que os brasileiros

No domingo (26), país pulava e cantava FORA TEMER e uma notícia publicada pelo inglês Financial Times passou despercebida: a média salarial na indústria chinesa já é maior que no Brasil. Lembra aquele discurso sobre a “escravidão” na China? Foi o tempo. A verdade é que em dez anos, a contar de 2005, a média salarial dos chineses na indústria triplicou, para US$ 3,60 por hora, enquanto Brasil caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70. Dá pra imaginar o que acontecerá se aprovada a reforma trabalhista de Temer e dos golpistas ultraliberais –os carnavalescos sabiam bem o que cantavam país adentro.

Veja o gráfico. Veja com calma.

O fato tem dimensão de alto impacto, pois derruba o mito neoliberal que é um dos vetores do golpe no Brasil e dos conservadores na América Latina, segundo o qual é preciso arrochar sempre mais os salários para ser “competitivo”. O economista Oru Mohiuddin, do Euromonitor, falou ao Financial Times, e explicou que o aumento espetacular na remuneração média dos operários e operárias chineses não levará a uma fuga das indústrias estabelecidas naquele país. O gigantismo do mercado interno chinês passou a ser decisivo para as indústrias: “Em muitos setores, a China representará 20% do mercado em 2020, similar à América do Norte e à Europa Ocidental”.

Como diria o ditado americano: “é o tamanho do mercado interno, idiota”. Os economistas de Temer querem massacrar os trabalhadores do país com suas reformas. Vão liquidar com o Brasil. Se quiser, leia aqui a versão em português da reportagem do Financial Times.

Os dados utilizados pelo jornal inglês são do instituto Euromonitor que usou as estatísticas da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e do Eurostat, da União Europeia, e dados oficiais dos países analisados. Os salários nacionais foram convertidos para dólar norte-americano e ajustados segundo a inflação.

[Mauro Lopes]

 

9 respostas para “Acabou a conversa da “escravidão” na China: eles já ganham mais que os brasileiros”

  1. Dos anos de 1990 para cá a China tem se mostrado um país de crescimento robusto. A mudança começou com a criação de uma política de estímulo que aliava a produção barata a engenharia reversa, sem ter vínculo com qualquer tratado internacional de direito de propriedade industrial. Aliado a isso, na política chinesa foi estabelecido que se uma transnacional quisesse usufruir da produção barata e mercado interno em crescimento ela teria que instalar no país um centro de pesquisa e desenvolvimento. Assim, hoje, além de ser a economia desenvolvimentista mais pujante, a China é o país que mais deposita patentes no mundo. Eles aprenderam a jogar o jogo das patentes que nós nunca fomos capazes, mesmo tendo um pé na propriedade industrial desde o final do século XIX com a Convenção da União de Paris, mesmo respeitando todas as leis e tratados internacionais.

  2. Mas ainda continuam sem previdência social, direitos trabalhistas básicos como férias, não têm regras para trabalho perigoso e/ou insalubre. E estou falando do mercado de trabalho formal. Quem não possuir autorização para morar nas grandes cidades onde trabalham, tem que se submeter a salários bem menores, condições de trabalho ainda piores e viver em favelas ou cortiços.

  3. Um artigo sobre um assunto tão complexo como a economia chinesa não pode ser tão sucinto, ou pelo menos não pode se armar de certezas superficiais como “Foi o tempo da escravidão na China”. Houve o aumento da MÉDIA, sim, mas nenhuma média elimina a realidade duas pontas do cálculo. Há, sim, ainda, superexploração da mão de obra chinesa.
    Evolui, humanidade!

  4. Isso não explica o por quê dos produtos continuarem tão baratos.. produtos que a materia prima, a mao de obra e a logistica seriam obviamente ate maior que o valor cobrado..

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