Pe. Zezinho: apoio ao Vaticano II e ao Papa e crítica à restauração conservadora

Padre Zezinho: não à restauração conservadora

Padre Zezinho, scj (da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, os dehonianos) é uma referência na Igreja brasileira. É compositor e cantor desde os anos 1960, muito antes da moda dos “padres cantores” e autor de centenas de músicas, muitas delas que animam as missas em todo o país e no exterior, como Minha Vida Tem Sentido, Daqui do Meu Lugar, Há um Barco Esquecido na Praia, Um Certo Galileu ou Maria de Nazaré.

Ele lançou em sua página no Facebook neste domingo (12) uma vigorosa denúncia dos “restauracionistas”, na mesma linha de recente conversa do Papa Francisco com superiores de ordens e congregações religiosas (aqui).

Padre Zezinho manifestou espanto com “centenas de seminaristas, freiras e padres e alguns cardeais [que] querem restaurar alguns postulados e alguns costumes de antes de 1965” sendo que “muitos deles sequer leram os mais de 100 documentos nascidos durante e depois do Concílio. Mas querem de volta os trajes, as práticas devocionais e as pregações de antes de 1965. E alguns querem restaurar as liturgias e as missas de antes de 1965.”

O sacerdote afirmou estar “muito lúcido aos 75 anos de idade e 50 de sacerdócio”, alegrou-se por ter vivido toda a mudança do Vaticano II e poder “testemunhar o que vi. Nossa igreja ficou mais católica e é isso que alguns não aceitam”.

Leia o texto de padre Zezinho:

1-SOU UM SACERDOTE Pós-Conciliar . Isto é : conheci a Teologia Católica antes de 1965 e depois de 1965.

2- Estudei e continuei estudando aqueles documentos que cardeais e bispos e leigos escreveram sob a liderança de São João XXIII e PAULO VI. E dois cardeais que mais tarde seriam os papas Karol Voitila e Joseph Ratzinger estavam lá naquele evento .

3- Três cardeais declarados santos católicos assinaram aqueles documentos de aggiornamento (atualização ) do catolicismo . E com eles quase 3 mil bispos .

4- Sou um dos jovens padres daqueles dias que viram as mudanças da nossa Igreja e saudaram estas mudanças . E foram mudanças substanciais. A Igreja Católica nunca mais foi a mesma depois de 1965. Vibrei com tudo isso . Houve exageros como em qualquer mudança de perfil . Era o rosto mais jovem da igreja de muitos séculos.

5- Agora leio e vejo que centenas de seminaristas, freiras e padres e alguns cardeais querem restaurar alguns postulados e alguns costumes de antes de 1965. Para eles o CONCÍLIO VATICANO II foi um retrocesso. No entender deles, ao invés de avançar, a Igreja perdeu o rumo e se desviou!

6- MUITOS NEM SEQUER LERAM OS MAIS DE 100 documentos nascidos durante e depois do Concílio. Mas querem de volta os trajes, as práticas devocionais e as pregações de antes de 1965. E alguns querem restaurar as liturgias e as missas de antes de 1965.

7- Querem de volta a tradição católica e entendem que a igreja jogou fora o que nunca deveria ter sido mudado. E muitos erradamente concluíram que a igreja ficou comunista, socialista e marxista!

8- VIVI TUDO ISSO e tenho 75 anos de vida e 50 de sacerdócio e não sou nem marxista, nem socialista, nem comunista e acho que a Igreja se atualizou e se modernizou substancialmente sem perder o rumo!

9- Não é o que ouço e leio de alguns jovens padres de batina e colarinho clerical e leigos sessentões que ficam longe dos documentos do Celam , escritos pelos bispos da América Latina. Para eles a Igreja Católica , ao se atualizar perdeu a fé e o rumo.

10 – Para alguns deles o papa Argentino está mudando demais a nossa Igreja.

11- Estou muito lúcido aos 75 anos de idade e 50 de sacerdócio e vivi tudo isso para testemunhar o que vi. Nossa igreja ficou mais católica e é isso que alguns não aceitam . Acham que a Igreja perdeu milhões de fiéis porque se atualizou demais.

12- E EU ACHO que voltar às tradições de antes não é o mesmo que voltar à antiga disciplina. Sou totalmente a favor do Novo Catecismo, totalmente a favor do Concílio Vaticano II e dos Documentos do Celam.

13- E me pergunto onde vai dar esta nova onda de rejeição ao que foi assumido nestes 60 anos. Fui e sou catequista dessa Igreja atualizada! E assino embaixo de tudo o que a maioria dos bispos disseram depois de 1965!

14- Se eles podem apostar de corpo e alma na tradição, eu também posso apostar de corpo e alma na atualização da fé católica! E nunca serei um padre comunista, nem marxista, nem socialista , nem “ista ” ou coisa que o valha. O único ” ista ” que quero ser é Padre Catequista. E formado pelo Concílio Vaticano II. E tenho dito!

2 ideias sobre “Pe. Zezinho: apoio ao Vaticano II e ao Papa e crítica à restauração conservadora

  1. Chega a ser retrógrada a não aceitação de uma ‘iluminada e louvável evolução’ do Plano de Deus para seu povo, cogitada por “centenas de seminaristas, freiras, padres e alguns cardeais [que] querem restaurar alguns postulados e alguns costumes de antes de 1965”.

    Deus sempre se manifesta na história, e ela nunca foi a mesma – nunca. Os homens evoluem, por isso Deus veio até nós, e com isto, Cristo Jesus nos trouxe a Boa-nova – suplantou o Primeiro Testamento – nos restaurou a graça da vida eterna – e nos enviou Seu Espírito Santo. A evolução é extasiante!

    O Magistério da nossa Igreja não nasceu pronto, foi evoluindo – e evoluiu muito com o Vaticano II. Assim nasceu uma nova Teologia, quase [que] uma nova igreja: Mãe; acolhedora, reveladora, santificadora e tantos outros esplendorosos e louváveis adjetivos.

    Se essa evolução não consegue ser percebida por esse povo – representantes da Igreja, ficam as perguntas: que tipo de formação receberam e tem recebido? Quem ensinou em nada evoluiu? Isso quase que tem o mesmo significado de praticar o Primeiro Testamento, ou seja, para quê evoluir no Segundo então?

    POR CRISTO, COM CRISTO, E EM CRISTO.

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