Dois Brasis

O país das elites que resolveram ir às ruas: um país branco, rico, que odeia, que vive no Brasil mas sonha com os Estados Unidos.

O país dos pobres que também resolveram ir às ruas: misturado, lascado, que sofre mas tem esperança, que vive no Brasil e sonha com o Brasil.

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Do ofício de esmagar os pobres

Grupo de sem terra no ato pela democracia de 18 de março de 2016 na Paulista, em São Paulo. (registro feito por mim)

Não basta vivermos num dos países mais desiguais do mundo -e assim o é, mesmo depois dos governos do PT. 1% da população adulta do país concentra quase 30% da renda nacional. 5% dos mais ricos ficam com quase metade de tudo o que o país produz. Um milésimo dos brasileiros acumula mais renda que toda a metade mais pobre do país (saiba mais aqui).

Não, isso não basta. É preciso destruir com o Bolsa Família, é preciso impedir que os pobres se organizem e protestem (a PM existe para isso), é preciso que uma parte considerável do país considere a desigualdade “natural”, acredite que os mais pobres são “vagabundos”. É imprescindível denunciar os pobres quando se organizam, é crucial desmoralizá-los. Para isso existe a Globo e seu império de comunicação. Para isso existem as outras TVs, rádios, jornais e revistas.

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Semana Santa – rezar e lutar para que o servo não volte à senzala

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Significativo que esta semana decisiva para o país aconteça em meio à Semana Santa de 2016 de católicos e outras denominações cristãs. A partir de hoje começamos a rezar os cantos do Servo Sofredor do profeta Isaías. A Igreja leu ao longo dos séculos o Servo como a profecia mais acabada da chegada do Cristo. O povo pobre é o servo sofredor ao longo da história, pois é nele que nasce o Manso e Humilde cotidianamente. Hoje (21 de março) também ouviremos nas missas o salmo 27 (26). Num de seus versículos cantamos:

“Se um exército me vier cercar, o meu coração não temerá.
Se contra mim travarem batalha,
mesmo assim terei confiança.”

Esta é a palavra de confiança para os que acreditam e lutam pela vida e enfrentam as forças da morte. Esta é palavra de ânimo para o combate ao fascismo e ao desejo do grande capital de devolver os pobres à senzala.

[por Mauro Lopes]

Beto, filhos, triste partida e Bolsa Família

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A única foto de Beto criança. Aos pobres, nem a memória era permitida durante a ditadura

Conheci Beto Martins em dezembro de 2014. Seu filho fora violentamente surrado no Metrô de São Paulo. Seu crime? Ser um jovem gay. Eram os primórdios da escalada fascista-machista-homofóbica-racista. Na verdade, conheci o filho antes do pai. Escrevi a ele em solidariedade usando o Facebook. Logo depois, Beto procurou-me. Tudo pela rede. Não conheço nem pai nem filho pessoalmente até hoje. Beto e eu viramos amigos virtuais, sempre por perto e, agora, com o terror às portas do país, ficamos mais próximos ainda. Também tenho um filho gay.

Nos últimos dias trocamos por vezes preocupações, aflições. Pais e mães de filhos gays andam com o coração na mão na noite das matilhas de fascistas que andam pelas ruas ou em seus carrões sedentos de sangue. Mas não apenas pais e mães de filhos gays. Pais e mães de jovens lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros andam de coração apertado. Mas não apenas eles. Pais e mães de meninas, outro alvo preferencial dos agressores, filhxs negrxs, que gostam de colorido, que saem em grupos alegres, também estes estão aos sobressaltos. Pães e mães pobres de filhxs pobres que incomodam e provocam ódio apenas por serem pobres. Pais e mães de filhxs que amam a vida andam amassados pela invasão dos bandos que se entusiasmam com o sofrimento e a morte.

Nem era esse o mote deste texto. Mas nossas conversas, Beto e eu, são assim. Passeiam por lugares que não esperávamos inicialmente.

Beto é o Brasil.    Beto do Brasil.

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O neofascimo encontra sua estética

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O projeto neofascista no Brasil possui:
1. um objetivo político: esmagar os inimigos moral e fisicamente, pela via midiática-judicial até o golpe de Estado.
2. um objetivo econômico: entregar o país nas mãos do grande capital internacional, como ficou patente na votação do pré-sal.
3. um objetivo social: colocar em marcha uma massa de pessoas das classes médias mobilizando seus medos e ódios.
Estes objetivos têm agora algo fundamental: uma diretriz estético-artística; com ela, há possibilidade de uma sinergia tal que viabilize o projeto com força incontrastável.
Esta diretriz está posta. E é aterradora.

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