O racismo na pele

A vendedora de balas ambulante Elisângela Cristina de Oliveira, de 46 anos, na Avenida Atlântica, orla de Copacabana, Zona Sul do Rio. | Foto: Luiza Sansão

A vendedora ambulante Elisângela Cristina fala sobre o preconceito cotidiano: “sempre querem te dar o pior emprego”

Reportagem de Luiza Sansão


“Quando você vai procurar emprego, determinados lugares não contratam pessoas negras. Lojas de shopping, restaurantes mais selecionados. Se alguém gritar ‘assalto!’ e você estiver parada, a polícia vai passar por todos os branquinhos que estiverem no lugar e vai parar em você, perguntar onde você estava, se você conhece o ladrão ou é o ladrão”. O relato da vendedora de balas Elisângela Cristina de Oliveira, de 36 anos, não traz, infelizmente, nenhuma novidade para pessoas que, como ela, são negras e sentem o racismo na pele todos os dias.

De tanto se deparar com ‘nãos’ em suas procuras por emprego, ela optou, há mais de dez anos, por trabalhar de forma autônoma, vendendo balas em diferentes regiões da cidade do Rio de Janeiro, mas principalmente na Zona Sul, onde acontecem mais eventos. Foi onde a encontrei, neste domingo, trabalhando durante a 22ª Parada do Orgulho LGBTI, na orla de Copacabana.

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“É um estupro”, diz Zelia Duncan sobre lei antiaborto

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Ato #TodasContra18 reuniu milhares de mulheres no Centro do Rio nesta segunda-feira (13). | Foto: Luiza Sansão

Milhares marcharam contra a PEC 181, que quer ampliar o controle sobre os corpos das mulheres, no Centro do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (13)

Reportagem de Luiza Sansão

“Minha filha é fruto do desejo e minha luta é para que as mulheres possam ter filhos com desejo”. A fala da psicóloga Paula Aguiar, de 34 anos, que levava sua pequena Olívia a tiracolo, sintetiza o sentimento das diversas outras mulheres que levaram seus filhos ao ato, em um gesto simbólico em defesa do direito da mulher a escolher pela maternidade ou não. “A opção por seguir em frente numa gravidez ou não é um direito das mulheres. Homens estão querendo decidir sobre o futuro e os corpos das mulheres, e nós precisamos barrar isso. O aborto precisa ser descriminalizado”, enfatizou Paula.

Jovens, senhoras, solteiras, casadas, lésbicas, heterossexuais, transexuais, mães, brancas, negras, artistas. Milhares de mulheres de todas as faixas etárias, classes sociais e orientações sexuais uniram-se em um só coro, no final da tarde de ontem (13), na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, para bradar contra a Proposta de Emenda à Constituição que restringe ainda mais o direito ao aborto, a PEC 181, criminalizando-o até mesmo em casos de estupro. E também homens que endossam a luta das mulheres pelo direito ao aborto.

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