Uma política de segurança que adoece a favela

Uma política de segurança que adoece a favela

“Vivenciamos 108 dias de tiroteios na Maré em 2017. Como essa população que vive, que dorme e acorda aqui, consegue manter sua sanidade mental?”, questiona coordenadora do eixo de Segurança Pública e Acesso à Justiça da ONG Redes da Maré, que atende vítimas de violência de Estado no conjunto de favelas do Rio de Janeiro

Reportagem de Luiza Sansão


O conjunto de favelas da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, viveu uma operação policial a cada nove dias, em média, totalizando 41 operações no ano de 2017. Também a cada nove dias, uma pessoa, em média, morreu em decorrência de confrontos armados, um total de 42 vítimas. Destas, 90% eram do sexo masculino, 78% tinham idades entre 15 e 29 anos, e 88% eram pretos e pardos. Outras 57 pessoas foram feridas por armas de fogo, sendo 41 em operações policiais e 16 em confrontos de grupos armados.

Os dados são da Organização Não Governamental Redes da Maré, que publicou, nesta terça-feira 06/02), seu Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2017 documento que está em sua segunda edição e resulta do acompanhamento das situações de violência nas 16 favelas da Maré pelo eixo de trabalho Segurança Pública e Acesso à Justiça.

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Durante operação no conjunto de favelas, na Zona Norte do Rio, nesta segunda-feira (27), ONG Redes de Desenvolvimento da Maré atendeu casos de violência de Estado contra moradores. Um deles foi o de um jovem negro mantido em cárcere privado por policiais

Reportagem de Luiza Sansão

Moradores da Maré, conjunto de favelas na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, relatam diversas violações de direitos praticadas por policiais militares durante operação realizada nesta segunda-feira (27). Invasões de casas sem mandado, agressões físicas e ameaças contra moradores estão entre as violências relatadas.

Equipes dos batalhões de Choque (BPCHq) e de Ações com Cães (BAC) deram início à operação por volta das 5h da manhã nas favelas Nova Holanda, Parque União e Rubens Vaz. No início, ouviram-se alguns disparos, segundo moradores, mas os tiroteios intensos que aterrorizam a comunidade quando há operações deram lugar, ao longo de horas, a um profundo silêncio aterrador —, com muitos policiais a pé pela Maré, além do Caveirão. No meio da tarde, o silêncio foi rompido por mais barulhos de tiros. A operação só terminou por volta das 17h.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 19 unidades escolares municipais foram fechadas 11 escolas, três creches e cinco Espaços de Desenvolvimento Infantil , deixando 6.616 estudantes sem aulas.

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