“Para a população pobre, tortura nunca saiu das delegacias”

“Para a população pobre, tortura nunca saiu das delegacias”

Caso do pedreiro Fernando, que segundo a família morreu por tortura na Zona Norte do Rio, expõe necessidade de investigar violação constante dos direitos humanos pela polícia brasileira

Reportagem de Luiza Sansão

Peritos da Divisão de Homicídios (DH) do Rio de Janeiro realizaram nesta segunda-feira (29/01) a reprodução simulada dos fatos que levaram à morte do pedreiro Fernando de Oliveira Filho, de 42 anos. Morador do Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro, Fernando morreu na noite do dia 2 de setembro de 2017, um sábado, dentro da 45ª Delegacia de Polícia (Alemão).

Segundo familiares, ele saiu da delegacia morto após ter sido vítima de uma sessão de tortura praticada por dois policiais civis e dois policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, que fica em frente à 45ª DP, no alto do morro da Alvorada.

Antes de morrer, Fernando telefonou para o irmão. “Os caras estão querendo me matar aqui na 45”, disse ele na ligação, que foi gravada. “Os caras querem o quê?”, perguntou o irmão, sem entender. “Me matar, aqui na 45. Eles vão me matar, pode saber que eu tô morrendo hoje”, respondeu Fernando. Ele chegou a ser levado por dois policiais para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão, onde já chegou sem vida, de acordo com seus familiares.

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